sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

 Estímulo Fraternal

Não te julgues sozinho na luta purificadora, porque o Senhor suprirá todas as nossas necessidades.

Ergue teus olhos para o Alto e, de quando em quando, contempla a retaguarda.

Se te encontras em posição de servir, ajuda e segue. 

Recorda o irmão que se demora sem recursos, no leito da indigência.

Pensa no companheiro que ouve o soluço dos filhinhos, sem possibilidade de enxugar-lhes o pranto.

Detém-se para ver o enfermo que as circunstâncias enxotaram do lar.

Para um momento, endereçando um olhar de simpatia à criancinha sem teto.

Medita na angústia dos desequilibrados mentais, confundidos no eclipse da razão.

Reflete nos aleijados que se algemam na imobilidade dolorosa.

Pensa nos corações maternos, torturados pela escassez de pão e harmonia no santuário doméstico.

Interrompe, de vez em quando, o passo apressado, a fim de auxiliares o cego que tateia nas sombras.

É possível, então, que a tua própria dor desapareça aos teus olhos.

Se tens braços para ajudar e cabeça habilitada a refletir no bem dos semelhantes, és realmente superior a um rei que possuísse um mundo de moedas preciosas, sem coragem de amparar a ninguém.

Quando conseguires superar as tuas aflições para criares a alegria dos outros, a felicidade alheia te buscará, onde estiveres, a fim de improvisar a tua ventura.

Que a enfermidade e a tristeza nunca te impeçam a jornada.

É preferível que a morte nos surpreenda em serviço, a esperarmos por ela numa poltrona de luxo.

Acende, meu irmão, nova chama de estímulo, no centro da tua alma, e segue além… Sê o anjo da fraternidade para os que te seguem dominados de aflição, ignorância e padecimento. 

Quando plantares a alegria de viver nos corações que te cercam, em breve as flores e os frutos de tua sementeira te enriquecerão o caminho.

(Espírito Emmanuel-Fonte Viva-C. Xavier)


quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

 O Homem Ante a Vida

No crepúsculo da civilização em que rumamos para a alvorada de novos milênios, o homem que amadureceu o raciocínio supera as fronteiras da inteligência comum e acorda, dentro de si mesmo, com interrogativas que lhe incendeiam o coração.

  • Quem somos?

  • Donde viemos?

  • Onde a estação de nossos destinos?

À margem da senda em que jornadeia, surgem os escuros estilhaços dos ídolos mentirosos que adorou e, enquanto sensações de cansaço lhe assomam à alma enfermiça, o anseio da vida superior lhe agita os recessos do ser, qual braseiro vivo do ideal, sob a espessa camada de cinzas do desencanto.

Recorre à sabedoria e examina o microcosmo em que sonha.

Reconhece a estreiteza do círculo em que respira.

Observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico em que se desenvolve.

Descobre que o Sol, sustentáculo de sua apagada residência planetária, tem um volume de 1.300.000 vezes maior que o dela. 

Aprende que a Lua, insignificante satélite do seu domicílio, dista mais de 380.000 quilômetros do mundo que lhe serve de berço.

Os planetas vizinhos evolucionam muito longe, no espaço imenso.

Dentre eles, destaca-se Marte, distante de nós cerca de 56.000.000 de quilômetros na época de sua maior aproximação.

Alongando as perquirições, além do nosso Sol, analisa outros centros de vida.

Sirius ofusca-lhe a grandeza.

Pólux, a imponente estrela dos Gêmeos, eclipsa-o em majestade.

Capela é 5.800 vezes maior.

Antares apresenta volume superior.

Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao do Sol.

Deslumbrado, apercebe-se de que não existe vácuo, de que a vida é patrimônio da gota d’água, tanto quanto é a essência dos incomensuráveis sistemas siderais, e, assombrado ante o esplendor do Universo, o homem que empreende a laboriosa tarefa do descobrimento de si mesmo, volta-se para o chão a que se imanta e pede ao amor que responda à soberania cósmica, dentro da mesma nota de grandeza, todavia, o amor no ambiente em que ele vive é ainda planta milagrosa em tenro desabrochar.

Confinado ao reduzido agrupamento consanguíneo a que se ajusta ou compondo a equipe de interesses passageiros a que provisoriamente se enquadra, sofre a inquietação do ciúme, da cobiça, do egoísmo, da dor. Não sabe dar nem receber, não consegue ajudar sem reclamar e, criando o choque da exigência para os outros, recolhe dos outros os choques sempre renovados da incompreensão e da discórdia, com raras possibilidades de auxiliar e auxiliar-se.

Viu a Majestade Divina nos Céus e identifica em si mesmo a pobreza infinita na Terra.

Tem o cérebro inflamado de glória e o coração invadido de sombra.

Orgulha-se, ante os espetáculos magnificentes do Alto e padece a miséria de baixo.

Deseja comunicar aos outros quanto apreendeu e sentiu na contemplação da vida ilimitada, mas não encontra ouvidos que o entendam.

Repara que o Amor, na Terra, é ainda a alegria dos oásis fechados.

E, partindo os elos que o prendem à estreita família do mundo, o homem que desperta, para a grandeza da Criação, deambula na Terra, à maneira do viajante incompreendido e desajustado, peregrino sem pátria e sem lar, a sentir-se grão infinitesimal de poeira nos Domínios Celestiais.

Nesse homem, porém, alarga-se a acústica da alma e, embora os sofrimentos que o afligem, é sobre ele que as Inteligências Superiores estão edificando os fundamentos espirituais da Nova Humanidade. 

(Espírito Emmanuel-Roteiro-C. Xavier)


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

 ANVISA APROVA FALSAS VACINAS

É a primeira vez que vi agentes públicos montarem um palco para divulgar uma decisão que atenta contra a saúde e a vida das pessoas.
Simplesmente deplorável ver o diretor da Anvisa, que se jacta de compor uma agência ao seu dizer respeitadíssima mundialmente, fazer um discurso choroso, piegas, teatral mesmo, para anunciar a todo o país, numa tarde de domingo, que, apesar de não se ter certeza sobre a eficácia e, pior, sobre os efeitos colaterais, aprovaram-se duas vacinas por conta do “clamor popular”!
Que desfaçatez. Que falta de responsabilidade. Que atentado ao povo brasileiro.
Pior foi ver que, incontinente, o tiranete de São Paulo fez aplicar a primeira dose da incerta vacina numa briosa enfermeira (não nele, claro), a qual, como voluntária, já havia tomado duas doses do placebo, digo vacina. Fraude escancarada. Impressionante como a lona do circo já estava erguida e todos os saltimbancos estavam a postos para as fotos que já circulam nas redes sociais e serão amanhã as manchetes de primeira página dos jornais. Bom, não se esperava mesmo outra atitude do histriônico protocandidato a presidente que, sempre metido em espremidas calças, não perde oportunidade para fazer as suas espalhafatosas aparições públicas dignas do janota que é.
O gerente geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, afirmou que a vacina coronavac, produzida pelo Butantan com o laboratório chinês Sinovac, teve o dado de imunogenicidade considerado não adequado, mas, tendo em vista a necessidade brasileira, recomendou a aprovação do imunizante. Isso é criminoso e precisa ser ampla e profundamente investigado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Inadmissível que esses fantoches de políticos oportunistas, arremedos de cientistas, estejam colocando em risco a vida dos brasileiros.
Já o diretor-geral foi ainda mais lamentável naquilo que chamou de “voto”. Sem informações técnicas que pudessem demonstrar o porquê da aprovação, lançou-se a elogiar a própria agência que dirige e rechear seu discurso para a platéia com frases reticentes que mais não demonstram que a total falta de compromisso com a verdade e com a ciência. Um disparate.
A decisão da Anvisa, ficou claro, não aprovou uma vacina, mais uma substância que não se sabe o que é e se pode causar problemas às pessoas. E a própria agência sabe disso, pois no encerramento do show vespertino deste domingo, o stand up man correu a dizer que máscaras, distanciamento e álcool gel devem continuar a ser a realidade do país. Incrível, quanta confiança tem ele nas vacinas que aprovou, não é mesmo?
Um deboche, um acinte à inteligência dos brasileiros, foi o que vimos neste circo montado, vergonhosamente, pela Anvisa.
Da minha parte, tenho só que lamentar profundamente ver o nosso país sendo tragado por interesses escusos que querem devolver o comando da nação aos biltres que nos roubaram nas últimas décadas.
Ou voltamos às ruas (sem máscaras!), ou seremos emudecidos e viraremos vassalos pagadores de impostos para alimentar a fome pantagruélica dos corruptos que espreitam as nossas liberdades.
Reinaldo Chaves Rivera é advogado e professor.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

 Avareza

Guardai-vos e acautelai-vos de toda a avareza, porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que possui - disse o maior expoente da Verdade que os homens conhecemos. Em seguida, para corroborar aquele assertivo, propôs a seguinte parábola aos seus discípulos:

“As terras de um homem rico produziram muito fruto. E ele discorria consigo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E concluiu: Farei isto: derribarei os meus celeiros e os reconstruirei maiores, e aí guardarei toda a colheita e os meus bens; e, em seguida, direi: Minha alma, tens largos bens em depósito para longos e dilatados anos: descansa, come, bebe e regala-te. Mas, Deus disse-lhe: Néscio, esta noite exigirão a tua alma; e as fazendas que ajuntaste, para quem serão?

Quanta sabedoria em tão singela fábula!

Quão transcendente lição nesta frase tão simples: A vida do homem não consiste nos bens que possui!

Se a longevidade dependesse dos cabedais, seria justificável que o homem se empenhasse pelos obter a todo custo.

Se, de outra sorte, a felicidade tivesse uma relação direta com as riquezas, compreender-se-ia que o homem buscasse conquistá-las, envidando, para isso, seus melhores esforços.

Mas, o fato indiscutível é que a vida e a felicidade do homem (felicidade, que outra coisa não é senão alegria de viver) independem dos bens que ele consegue obter e amontoar.

Ora, se as fazendas e os haveres não asseguram vida longa nem venturosa, como se explica a fascinação que exercem sobre os homens? De onde procede tanto apego às temporalidades do século?

Jesus responde: vem da avareza. E, não só aponta a origem de tal vesânia, como adverte: Guardai-vos e acautelai-vos de toda a avareza.

Sim, de toda a avareza, isto é, das várias formas que essa terrível paixão assume, dominando o coração do homem.

Alexandre Herculano, impressionado com os diversos aspectos do orgulho, exclama: Orgulho humano! Que serás tu mais: estúpido, feroz ou ridículo?

Pois a avareza comporta aqueles três qualificativos: pode ser estúpida, ridícula e feroz.

A estúpida é aquela modalidade sórdida e mesquinha que faz o homem privar-se do conforto, do necessário e até do indispensável, perecendo à míngua para conservar intacta a pecúnia avaramente amealhada.

A avareza ridícula é a do homem que tem no dinheiro o seu ídolo, a sua preocupação constante e absorvente, empregando-o, embora, no luxo, na ostentação, ou simplesmente na satisfação dos seus apetites e caprichos.

A feroz (de todas a mais perniciosa) é a avareza dos açambarcadores, dos organizadores de monopólios e trustes, cuja ambição e cupidez desmedidas não se contentam com menos que possuir o mundo inteiro, ainda que para tanto seja mister reduzir à miséria toda a Humanidade. Outrora, essa avareza gerou os conquistadores e os latifúndios. Atualmente, ostenta-se nas grandes organizações comerciais e industriais, nas companhias, nos sindicatos e empresas poderosas cujos tentáculos se alongam em todas as direções. 

Essa classe de avareza é geralmente peculiar a homens inteligentes, ricos, astutos e de alta cotação social. Das três, é, como ficou dito, a mais perniciosa e a que mais danos tem acarretado à sociedade de todos os tempos. Um só avaro dessa categoria, ou uma comandita de meia dúzia deles, pode reduzir à fome uma cidade, um povo inteiro.

É a responsável pela carestia e pelas crises economicas que convulsionam o mundo, dando origem às lutas fratricidas que, por vezes, estendem o negro véu da orfandade e da viuvez sobre milhares de crianças e de mulheres indefesas. É também obra sua, nos tempos que correm, os milhões de desocupados nos países industriais, e as pretensas superproduções nos países agrícolas.

O trabalho suspenso; o legítimo comércio (que significa a livre troca de produtos entre as nações), quase de todo paralisado graças às odiosas barreiras alfandegárias, são outros tantos crimes de lesa humanidade praticados pela avareza da terceira espécie, isto é, a feroz.

As outras duas formas são mais estados mórbidos ou doentios da alma; a feroz é que caracteriza a verdadeira avareza. Aquelas prejudicam somente os indivíduos que as alimentam; ao passo que os maléficos efeitos desta atingem um raio de ação considerável, incalculável mesmo.

Todavia, os escravizados por essa cruel paixão são dignos de piedade. Vivem iludidos; agitam-se, como todos os homens, em busca da sonhada felicidade. Julgam encontrá-la na satisfação dos desejos, na expansão do egoísmo. Cobiçando sempre, vão alimentando ambições que jamais chegam a ser satisfeitas.

Entretanto, a nossa alma, para ser feliz, não precisa construir celeiros de proporções desmesuradas com fez o rico da parábola; não precisa mesmo de um céu imenso, recamado de sóis refulgentes, basta-lhe uma nesga azul, onde “brilhe a estrela do amor”.

(Vinicius-Em Torno do Mestre)


quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

 Morrer Para Viver

A conjuntura dolorosa da morte, sombreada por aflições que transitam entre as cortinas das lágrimas contínuas, pospõe a realidade da vida, que prossegue, exuberante, quando se interrompem os envoltórios materiais. 

A morte desvela a vida, que se apresenta em plenitude, quando se ultrapassam as barreiras vibratórias de que o corpo constitui impedimento.

Não te deixes, portanto, dominar pelo estado de revolta em face da presença da morte.

Evita que a surpresa se te converta em dano profundo, fazendo que desmoronem as construções de esperança, em torno da necessidade de continuar no rumo dos deveres, após a partida do ser querido…

A vida, na sua profundidade excelsa, se apresenta em etapas: no corpo e fora dele.

Todos sabemos que o corpo, por mais duradouro, na sua condição biológica, é sempre breve, podendo interromper o seu ciclo com ou sem aviso prévio.

Por tal razão, não te fixes em demasia nos valores transitórios da matéria.

Tem em mente que, não obstante a necessidade de realizar um ministério inteligente, durante a experiência corporal, a vida, em si mesma, tem a sua gênese e o seu fanal, além da matéria mais densa. 

A morte merece acuradas reflexões, de que nos não podemos furtar, considerando que a todas as criaturas domina, no processo das transformações inevitáveis.

Programa as tuas atividades contando com o fenômeno inexorável da morte.

Ela te conduzirá ao retorno.

Necessário preparar-te para essa viagem libertadora.

Outrossim, considera, também, nas tuas meditações, a possibilidade da partida de quem te faz querido, antecedendo-te no regresso ao mundo de origem.

Reencontrarás os que te precederam no rumo da Vida Espiritual.

Em homenagem a esses afetos que viajaram antes, prossegue no culto do bem, mantendo as suas doces recordações e revivendo-as em poemas de carinho, programando a continuação do compromisso eterno.

Se choras, o que é natural, conforta-te com o lenitivo da certeza de que voltarás a conviver com o ser amado.

Não te deixes abalar ante a perspectiva improvável da sobrevivência.

Tudo nos fala de vida.

A glande do carvalho despedaça-se para que surja a árvore que se agigantará a pouco e pouco.

A lagarta liberta a borboleta, quando se extingue a forma.

O pólen libera a perpetuidade da espécie.

Tudo se transforma ante o milagre da morte, que é dádiva da vida.

Ante Jesus, na cruz da ignomínia, Maria e quantos O amavam, choraram.

Misturavam-se a saudade e a dor, diante da consumação do adeus corporal, no entanto, logo depois, pleno de vida, Ele volveu ao convívio maternal e ao dos seus amigos, demonstrando a perenidade da Vida.

Confia na ressurreição em triunfo e prepara-te para a alegria da sobrevivência.

O apóstolo Paulo, emocionado, exclamou: - “Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”...

E o iluminado de Assis, pacificado e confiante, asseverou na sua Oração Simples: - “Porque é morrendo, que nascemos para a vida eterna”.

Teus mortos queridos estão vivos e aguardam o momento em que, terminados os teus compromissos terrenos, marcharás na direção do reencontro feliz e perene. 

(Espírito Joanna de Ângelis-Alerta-Divaldo Franco)