segunda-feira, 30 de março de 2020

                                                      Partida Necessária

Anos setenta. A turma de jovens preparava-se para encarar o futuro. No final do próximo ano, fariam o vestibular. Cada um iria à procura do seu destino. Sabiam que não restava muito para estarem assim juntos, planejando, prevendo, sonhando.
Dentre os seis jovens, destacava-se Francisco. Tinha forte personalidade, era possuidor de uma inteligência vivaz, gostava de ler e escrever; a comunicação era o seu objetivo, pois queria ser diplomata. Há muito vinha se preparando. Falava fluentemente o inglês, o que o habilitou a uma bolsa de estudos nos Estados Unidos. Contava com dezessete anos, uma namorada charmosa e uns amigos metidos a poetas.
Francisco andava aborrecido. Não via a hora de botar os pés no chão norte americano. Mas para seu desencanto, houve um corte de verbas e a bolsa não vinha, não vinha...
E o rapaz sofria intensa ansiedade, que era compartilhada por todos que conviviam com ele. 
Condoído por essa situação, seu pai resolveu presenteá-lo com uma viagem para a Alemanha. Custearia as despesas de um ano de estudos no país predileto de seu filho. A notícia trouxe um sopro renovador. O sonho se concretizaria no início do próximo ano.
Mas Francisco não queria esperar. Findava o primeiro semestre e ele queria estar em solo alemão no segundo. Havia um impedimento: ele ainda não completara dezoito anos. Por isso, moveu mundos e fundos para conseguir a emancipação. Restava ainda a necessidade de trocar a passagem. Contatou todas as agência de viagem e até conseguiu trocá-la com uma desistente de última hora. 
Assim, apressadamente, fez as malas, despediu-se e embarcou naquele início do mês de julho.
A família e os amigos experimentaram um misto de saudade precoce, alegria e preocupação relacionadas ao jovem viajante. Ainda envoltos no calor da esperança, foram colhidos de chofre, pela dolorosa notícia: o avião pegara fogo, fazendo uma aterrissagem forçada na França. Os bombeiros entraram em ação imediata, porém os gases tóxicos ceifaram a vida dos passageiros. Houve mais de uma centena de mortos.
Foi um transtorno geral. Cada um daqueles, que conviviam com Francisco, teve que se arranjar com a dor da perda. Nesse despreparo para enfrentar a morte, alguns chegaram a blasfemar. 
O tempo foi passando. Os jovens seguiram novos rumos, distraídos com as próprias experiências, ficando aquela ponta de saudade.
Já a família, fundamente ferida, não conseguia se recuperar. A ferida fora por demais profunda.
Então, intuídos pela misericórdia divina, resolveram visitar o médium Chico Xavier em Uberaba.
Encontraram casais que passaram por experiência análoga. A dor compartilhada parecia doer menos.
Centenas de pessoas, sofredoras de alguma forma, buscavam ali o conforto espiritual, a palavra mansa e esclarecedora do médium. Muitos embalavam consigo a esperança de receber alguma mensagem  pela pena do Chico. E voltavam sempre. Em cada vez, traziam consigo a esperança, que se renovava ao contato com o ambiente salutar. Vinham uma, duas, três, quantas vezes fosse possível.
Um ano e nove meses. A família de Francisco estava mais conformada. Agora já tinha conhecimento da continuidade da vida após a morte. Sabia que somos todos viajores e que, em determinado tempo, temos que retornar à pátria espiritual. Que tudo obedece a um plano perfeito e que Deus, em sua justiça infinita, não colhe frutos verdes. Mas a saudade era tanta...
Mais uma longa viagem à Uberaba. Desta vez mais serena. Os trabalhos transcorrem, o lápis de Chico grafa celeremente mensagens de desencarnados. Bendito seja pelas lágrimas que secou, pelas esperanças que acendeu, pelos livros, que anos a fio, foram delineando o mundo espiritual. Já é madrugada. Há mensagem de um jovem. A expectativa faz muitos corações baterem forte.
Não era ele... Mas havia um texto repleto de dados precisos, de informações que eram de conhecimento muito restrito, o que endoçava a veracidade da comunicação. Eis que, em determinado trecho, o Espírito se faz portador de notícias de Francisco. Fala a respeito das condições de sua desencarnação, já prevista em sua trajetória evolutiva. Fala das providências socorristas em seu favor. Sossega, reconforta, alivia. A vida se expande aquém e além da experiência material. O ser humano eterniza-se. Tudo passa a ter novo sentido.
(Isabel Scoqui-A Cada Conto Um Ponto)

sábado, 28 de março de 2020

Se a Alma não é Pequena

Nem sempre as pessoas fazem o que querem; nem sempre querem o que fazem.
A criança gostaria de ficar brincando. Os pais impõem-lhe a escola, em seu próprio benefício.
O doente não tem nenhuma disposição para internar-se no hospital. Inadiável, porém, a cirurgia para debelar o mal que se agrava.
O operário preferiria o clube. Impossível. A família depende de sua atividade profissional.
O condenado não sente vocação para permanecer segregado na prisão. Não obstante, há uma penalidade a ser cumprida.
Algo semelhante ocorre na experiência reencarnatória, "indispensável" recurso evolutivo no estágio em que nos encontramos.
Retornamos à carne vezes sem conta, até que nos tornemos aspirantes à angelitude.

Espíritos imaturos estimariam permanecer "numa boa", evitando as limitações da matéria, as complicações do esquecimento, os problemas de reconciliação com desafetos, o suor no rosto, as dores do mundo, as angústias existenciais...
Mesmo os mais esclarecidos encaram com relutância o retorno, embora conscientes de que, como diria Camões, reencarnar é preciso.
Não raro o Espírito sente-se tão inseguro ou tão contrariado, reluta tanto que chega a rejeitar a experiência que se inicia. Dispara ele próprio problemas fetais que podem resultar no aborto.
Esta fuga acontece particularmente no início da gestação, quando tênues são os laços que o prendem ao corpo.
A gestante nem chegará a perceber, julgando-se às voltas com mero atraso no ciclo menstrual.
Há casos em que se consuma a reencarnação, mas o Espírito recusa-se à nova existência, originando um comportamento autista, como se buscasse esconder-se dentro de si mesmo.
Fácil concluir que reencarnar não é o simples ligar de uma tomada. Há vários fatores que precisam ser harmonizados. Imperioso, sobretudo, trabalhar os pais para que se disponham ao encargo, evitando grave problema: a rejeição.

A jovem senhora vai buscar o resultado do teste de gravidez.
No papel que lhe é entregue destaca-se o desenho de uma cegonha carregando sorridente bebê, simpática maneira escolhida pelo laboratório para transmitir-lhe a notícia de que o resultado é positivo. Será novamente mãe.
- Meu Deus! Outro filho! Vai complicar!
A reação do marido é pior:
- Culpa sua! Bem que avisei que não deveria interromper o uso das pílulas!
- E continuar engordando como suíno confinado!... Por que não fez você a vasectomia, como recomendou o médico?
- Acirra-se a discussão. O ambiente esquenta. Agridem-se verbalmente os cônjuges, trocando acusações e asperezas...
Pobre reencarnante!... Como se sentirá?
Um enjeitado, sem dúvida. Será difícil evitar a sedimentação da ideia de que o consideram um intruso, alguém que veio para atrapalhar, sem pedir licença.

E quanto a nós, qual teria sido a nossa motivação para o retorno à carne?
Não é difícil definir. Basta analisar como encaramos a existência.
Gastamos tempo a reclamar do cotidiano?
Damos guarida a mágoas e irritações?
Resvalamos para estados depressivos e angustiantes?
Desentendemo-nos frequentemente com pessoas de nossa convivência?
Sucedem-se, ininterruptos, desajustes físicos e psíquicos que nos incomodam?
Se a resposta é afirmativa, estamos numa "compulsória". Reencarnamos meio "na marra", como diz o povo.
Mas podemos mudar isso, considerando que é irrelevante como viemos. Importante é saber o que nos compete fazer na experiência humana.
Neste particular o Espiritismo tem muito a nos oferecer, ensinando-nos, sobretudo, que nossa vida será exatamente o que dela fizemos.
Por opção diária, não seja a Terra para nós uma jaula, uma prisão, um hospital, um reformatório...
Vejamo-la sempre como abençoada escola/oficina, onde nos compete valorizar todas as experiências em favor de nossa edificação. 
Ensina Fernando Pessoa, o poeta filósofo:
"Tudo vale a pena, se a alma não é pequena".
Dores e lutas, trabalhos e esforços a que somos chamados na Terra, desde o simples varrer de uma casa às funções mais complexas, "tudo vale a pena", se desenvolvermos em nossa alma a grandeza necessária para enxergar a oportunidade de fazer sempre o melhor.

Diz André Luiz, em psicografia de Francisco C. Xavier:
"Comece o dia à luz da oração. O amor de Deus nunca falha".
Temos aqui a melhor maneira de iniciar as labutas diárias.
Em Deus está nossa força, nosso estímulo, nossa grandeza d'alma, para que valorizemos a hora que passa, fazendo o melhor.
Fundamental, neste particular, que não busquemos simplesmente os favores do Céu.
Não a oração de quem pede.
Mas a oração de quem oferece serviço.
Quem pede encontra, eventualmente, o Senhor.
Somente o que serve situa-se ao lado dEle.

Por isso, Francisco de Assis, que entendia de oração, dizia:

Senhor, faze de mim um instrumento de tua paz!
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
onde houver discórdia, que eu leve a união;
onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
onde houver erros, que eu leve a verdade;
onde houver  desespero, que eu leve a esperança;
onde houver trevas, que eu leve a luz!
Mestre,
faze com que eu procure menos ser consolado que consolar,
ser compreendido que compreender,
ser amado do que amar...
Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado,
é morrendo que se vive para a vida eterna!
(Richard Simonetti-Viver em Plenitude)


sexta-feira, 27 de março de 2020

                                                              Provas Decisivas

Clamas contra o infortúnio que te visita e desespera-te, sem reação construtiva, ante as horas de luta.
Falaram-te do Senhor e dos aprendizes abnegados que o seguiram, nas horas primeiras, na senda marginada de prantos e sacrifícios... Queres, porém, comungar-lhe a paz e viver em menor esforço...
Todavia, quase todos os grandes vultos da Humanidade, em todas as épocas e em todos os povos, passaram pelo tempo das provas decisivas.
Senão, observemos:

Cervantes ficou paralítico da mão esquerda e esteve preso sob a acusação de insolvente, mas sobrepairou acima da injúria e legou um tesouro à literatura da Terra.

Bernard Palissy experimentou tamanha pobreza que chegou, em certo momento, a queimar a mobília da própria casa, a fim de conseguir suficiente calor nos fornos em que fazia experiências; contudo, atingiu a perfeição que desejava em sua obra de ceramista.

Shakespeare sentiu-se em tão grande penúria, que se achou, um dia, a incendiar um teatro, tomado de desespero; entretanto, superou a crise e deixou no mundo obras-primas inesquecíveis.

Victor Hugo esteve exilado durante dezoito anos; todavia, nunca abandonou o trabalho e depôs o corpo físico , no solo de sua pátria, sob a admiração do mundo inteiro.

Faraday, na mocidade, foi compelido a servir na condição de ajudante de ferreiro, de modo a custear os próprios estudos; no entanto, converteu-se num dos físicos mais respeitados por todas as nações.

Hertz enfrentou imensa falta de recursos e foi vendedor de revistas para sustentar-se; entretanto, venceu as dificuldades e tornou-se um dos maiores cientistas mundiais. 

De igual modo, entre os espíritas as condições de existência terrestre não têm sido outras.

Na França, Allan Kardec sofreu, por mais de uma década, insultuoso sarcasmo da maioria dos contemporâneos; contudo, jamais desanimou, entregando à posteridade o luminoso patrimônio da Codificação.

Na Espanha, Amalia Domingo Soler, ainda em plenitude das forças físicas, tolerou o suplício da fome, na flagelação da cegueira; todavia, nunca duvidou da Providência Divina, consagrando ao pensamento espírita a riqueza de suas páginas imortais. 

No Brasil, Bezerra de Menezes, abdicando das fulgurações da política humana e, não obstante a posição de médico ilustre, partiu da Terra, em extrema necessidade material, o que não impediu a sua elevação ao título de Apóstolo.

Em razão disso, não te deixes vencer pelos obstáculos.
A resignação humilde, a misturar lágrimas e sorrisos, anseios e ideais, consolações e esperanças, constrói sobre a criatura invisível auréola de glória, que se exterioriza em ondas de simpatia e felicidade. 

Quando o carro de tua vida estiver transitando pelo vale da aflição, recorda a paciência e continua trabalhando, confiando e servindo com Jesus. 
(Espírito Lameira de Andrade-O Espírito da Verdade-Waldo Vieira)

quinta-feira, 26 de março de 2020

                                                O Preguiçoso

Era indolente por vocação.
Infenso a qualquer iniciativa, vivia miseravelmente.
Ainda que não faltassem oportunidades de melhorar sua condição, logo tratava de afastar-se da "tentação".
Para dar-lhe uma lição, no empenho por "acordá-lo", algumas pessoas decidiram simular seu enterro, comunicando-lhe:
- Já que você não se dispõe a mexer-se, melhor que vá para debaixo da terra.
E o enfiaram num caixão e seguiram para o cemitério, sem que nosso herói reagisse, guardando a habitual indiferença.
Durante o cortejo, um transeunte perguntou quem era o "defunto".
- É um preguiçoso que não serve para viver. Não tem onde morar, nem o que comer...
Compadecendo-se, o desconhecido ofereceu:
- Se o problema é de comida, posso ajudar.  Darei um saco de arroz para sustentá-lo.
O "falecido", que tudo ouvia, levantou a tampa do caixão:
- Em casca ou limpo?
- Em casca.
- Então, pode seguir com o enterro.

Pois é, amigo leitor, a indolência é, realmente, a "morte em vida". O indivíduo perde a iniciativa e passa a vegetar, alheio à dinâmica da existência, sinônimo de movimento.
Raros os que não se envolvem com a ociosidade em alguma fase da vida, exprimindo tendências bem típicas do estágio evolutivo em que se situa a humanidade.
A própria encarnação, o vestir o escafandro de carne para o mergulho na matéria densa, é um dos recursos usados por Deus para despertar o "defunto".
Submetidos a um corpo que deve ser sustentado e protegido, sob a égide do instinto de conservação, vemo-nos na contingência de "dar duro", para atender às suas necessidades.
Se permanecêssemos indefinidamente no mundo espiritual, onde ninguém morre de fome ou frio e se sobrevive sem abrigo, tenderíamos a estacionar.
Essa necessidade está bem definida na simbologia bíblica, quando Jeová diz a Adão que deveria ganhar o pão de cada dia com o suor do rosto.
Abençoado suor, que nos liberta da inércia.

Uma fase crítica, nesse particular, diz respeito à chamada "terceira idade", depois dos cinquenta, no outono da existência.
Não raro, situação financeira estável, garantido o sustento diário pelos proventos de aposentadoria, as pessoas entendem que podem desfrutar as benesses da ociosidade.
Lembrando a história que abriu estes comentários, podemos afirmar que num estágio dessa natureza, quando perdemos a disposição de aprender, de produzir para a sociedade, de crescer em conhecimento, de lutar contra as imperfeições, só servimos mesmo para morrer...
Imagino que Deus nos dá tempo limitado na Terra, justamente porque há uma tendência para nos acomodarmos, caindo num marca-passo espiritual.
Aprendemos com a Doutrina Espírita que não há retrocesso. Ninguém retrograda nos caminhos da evolução, mas raros fogem ao estacionamento, a partir de determinada idade, acomodando-se às próprias mazelas.
Então, vem a morte, um choque evolutivo de alta voltagem, a agitar nossa alma.
Somos projetados no Mundo Espiritual, onde se faz a aferição da jornada humana, com a avaliação de méritos e deméritos, a determinarem em que região estagiaremos e a natureza das novas experiências , sempre objetivando nosso crescimento.
Com o tempo, tendemos a nos acomodar.
Vem o choque reencarnatório.
Mais alguns decênios, novo acomodamento.
Vem o choque desencarnatório.
Assim, de choque em choque, habilitamo-nos a superar a tendência ao "dolce far niente", para assumirmos as responsabilidades de filhos de Deus, chamados a colaborar com o Nosso Pai na obra da Criação.
(Richard Simonetti-Abaixo a Depressão)

terça-feira, 24 de março de 2020

                                Deus e as Enfermidades no Mundo

É tão comum encontrarmos pelo mundo afora as incompreensões acerca do relacionamento do Pai Criador com a Sua criatura.
Essa incompreensão, mais amiúde, está vinculada ao que diz respeito aos males que atormentam as pessoas, sejam males de caráter físico ou moral.
As enfermidades costumam causar profunda angústia nos que as padecem tanto quanto àqueles que rodeiam os enfermos.
É de praxe indagar-se quanto aos porquês da Divindade, ao permitir que as doenças afetem tanta gente, como se fosse uma pecha, um castigo que, em realidade, constituem a interpretação popular.

Por que permite Deus que uma criança nasça doente, ou fique doente, às vezes, em definitivo, nos primeiros tempos da reencarnação terrena?
O que se deve considerar, em tal situação, é que, no enfoque reencarnacionista, no qual o Espiritismo se apóia, todo o ser que chega ao mundo num corpinho de criança é um velho caminheiro do progresso, um viajante da evolução. O que se passa é que esse caminheiro do tempo traz das suas experiências, em múltiplas existências, dificuldades, transtornos, erros que, com certeza, não foram reajustados na Terra, o que determina o compromisso de ter que se reajustar nos dias do porvir, em novas existências corporais.
Os corpinhos que os pais oferecem aos seus filhos são, de fato, novos, virgens, porém, o seu habitante espiritual é de existência milenária, cuja missão no mundo, fundamentalmente, consiste em elaborar o próprio avanço para Deus, por meio do bom uso da sua liberdade.
O que faz com que Deus permita que Seus filhos humanos atravessem tormentas, aflições e dores, muitas vezes muito graves, insidiosas, corresponde ao respeito com que Ele acompanhou a sua liberdade de agir.
É comum que afirmemos que somos donos do nosso próprio nariz; que sabemos muito bem o que queremos ou o que fazemos, sem pedir a opinião de ninguém...
Aí temos as bases de todas as agruras, enfermidades e lágrimas de dor encontradas no mundo.

Em virtude de determos pouco hábito de refletir, de meditar a respeito de nossas vidas no planeta, em razão do simplismo com que interpretamos os fenômenos da vida, concebe-se a ignorância e a revolta com a qual costumamos encarar as chances diversas do cotidiano, particularmente no campo das doenças. 
Perante esse entendimento de que todos somos dotados de livre-arbítrio para fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo, necessitamos alterar positivamente nossa relação com as Leis Divinas, nossa integração com as leis sublimes do nosso Pai do Céu.

As doenças que eclodem no mundo, que acicatam os corpos das crianças, jovens e adultos são consequências do uso malsinado do livre-arbítrio, o que determina uma resposta das leis naturais insculpidas em nosso espaço consciencial, estabelecendo a necessidade imperiosa de aliviar as tensões morais, as tensões geradas pela culpa, e candidatar-nos às venturas vivenciais, no imo da alma a refletir-se numa saúde harmoniosa do próprio corpo fisiológico.

Não é Deus, pois, que nos faz doentes. Suas leis são de saúde e de equilíbrio. É o mau uso da liberdade de ação o responsável pelo que se passa agora ou se passará no porvir, nas sucessivas reencarnações do Espírito no planeta.
(Espírito José Lopes Neto-Em Nome de Deus-Raul Teixeira)

segunda-feira, 23 de março de 2020

                                                                   SAÚDE

1- Que dizer das descobertas da Medicina, em relação à influência das emoções nos transtornos da saúde, originando variados males físicos?
Podemos dizer que a Medicina está com um atraso de dois mil anos em relação ao assunto. Jesus  já ensinava (Mateus, 6:22-23): "A lâmpada de teu corpo são os olhos. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz. Se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas..."

2- O problema parece estar relacionado não tanto com o mal que fazemos, mas com o mal que nos fazem, conturbando nossas emoções...
Não é o mal que nos fazem que nos perturba, mas a forma inadequada de lidarmos com ele. Fazemos um grande mal a nós mesmos quando não relevamos o comportamento alheio, esquecendo valores evangélicos como o perdão, a compreensão, a compaixão...

3- Poderia exemplificar?
Se a esposa encara um marido difícil e filhos-problema como um compromisso que assumiu perante a Espiritualidade, no sentido de ajudá-los em suas limitações, não terá dificuldade em relevar seu comportamento agressivo ou deseducado, preservando a própria estabilidade.

4- E quando ocorre uma saturação? Não estaria a esposa lidando com uma situação acima de suas forças, produzindo inevitáveis reflexos na economia orgânica?
Seria puro sadismo de Deus colocar-nos em situações acima de nossa capacidade de suportá-las. Segundo a sabedoria popular, o Criador jamais nos impõe uma cruz de peso superior às nossas forças. Há a história do indivíduo descontente com sua cruz, ao qual foi concedida a oportunidade de trocá-la. Numa pilha imensa de madeiros, fez cuidadosa escolha. Surpreso, constatou, depois, que se tratava da mesma cruz que lhe fora confiada anteriormente.

5- Para preservar a própria estabilidade seria, então, apropriado, diante dos problemas, fazer o jogo do contente, exercitado por Poliana, a heroína juvenil do livro de Eleanor H. Poter?
É um começo, mas o Espiritismo nos ensina que não basta a resignação passiva, imaginando que poderia ser pior, como fazia Poliana. Devemos cultivar a resignação ativa, dinâmica, de quem procura fazer sempre o melhor. Não imaginar, ao receber um limão, que seria pior um jiló, mas usar o limão para fazer uma limonada.

6- No que o Espiritismo pode nos ajudar nesse particular?
A Doutrina Espírita oferece uma visão abrangente da existência, explicando de onde viemos, para onde vamos e, sobretudo, mostrando-nos que as situações que vivenciamos na Terra não são acidentais. Família difícil, dificuldades financeiras, limitações físicas, enfermidades crônicas, fazem parte de um quadro de experiências que, geralmente, nós mesmos planejamos, como recursos necessários a nossa evolução.
(Richard Simonetti-Dúvidas e Impertinências)

domingo, 22 de março de 2020

                                      Sempre com Deus

As mentes hábeis, que urdem planos perniciosos objetivando fruir êxito em empreendimentos infelizes, por mais cuidados e minudentes programas, não fogem ao imprevisível, exatamente pela impossibilidade de lograrem a perfeição.
Em razão disso, o imprevisível é a presença divina, surpreendendo a infração.

Elaboradas ações com minúcias e sofisticação, no instante de serem postas em prática, não se realizam sem a ocorrência do insuspeitável, que na sua expressão surpreendente põe por terra toda uma larga movimentação de forças.
O insuspeitável pode ser considerado como a interferência divina sempre vigilante.

Na aplicação de um projeto bem organizado, com as suas implicações maléficas, no instante de tornar-se realidade, defronta o inesperado que frustra todo ou parte do esforço colocado a serviço das paixões subalternas do homem.
O inesperado deve ser levado em conta como a ocorrência divina trabalhando pela ordem.

É certo que sucedem, vezes sem conta, aparentes êxitos em tais acontecimentos inditosos.
Quando tal ocorre, pode-se retirar proveitosos benefícios, que bem aplicados rendem juros de progresso, de elevação, para aqueles que padecem a penosa injunção.

Tudo, diante das sábias Leis da Vida, obedece à superior programática, mesmo quando parecem conspirações para o mal, porquanto o bom ceifeiro de um mal sempre retira um grande bem.

Ocorrem, na mesma ordem, as intervenções divinas, quando se opera pelo enobrecimento.
O plano bem estabelecido, que periga, subitamente conquista uma ajuda imprevisível tornando-se superior investimento de êxito.
O trabalho nobre, que recebeu acurada atenção e periclita no azado instante, é sustentado por insuspeitável socorro, prosseguindo em pauta de benemerência.
O desastre, que se consumava em determinada hora apóia-se em inesperada ocorrência, que impede a derrocada, salvando a situação.

Entrega tua vida a Deus e nEle confia sem reservas.
Produze o melhor, que te seja possível, permitindo-te a alegria de servir incansavelmente.
Nenhum mal que triunfe, sejam quais forem os cuidados de que se revista.
Bem algum que não se possa fazer nas situações danosas.
Quem se entrega a Deus conscientemente, em Deus se move e age, marchando com segurança para Ele.

Na esfera das tuas aspirações superiores, quando o desânimo te ciciar descoroçoamento e abandono da tarefa, em razão das aparentes multiplicadas dificuldades, insiste, contando com o "imprevisível", o "insuspeitável" e o "inesperado" que virão em teu socorro.
Os que agem mal, embora não os aguardem, não se furtarão à sua intercorrência.
Continua, portanto, contando com Deus, sempre.
(Espírito Joanna de Ângelis-Alerta-Divaldo Franco)

sexta-feira, 20 de março de 2020

                                  No Fogo das Provações

O campo apresentava aspecto desolador.
Árvores retorcidas revestiam-se de folhas amareladas.
Plantas diversas murchavam sob o sol impiedoso.
Ervas e capim formavam extensa paisagem, onde a coloração amarronzada deitava tristeza e solidão.
Um dia, porém, apareceram lavradores diligentes e decidiram-se pela queimada.
O fogo surgiu de pontos diversos.
Labaredas enormes misturavam-se a grossos rolos de fumaça.
O capinzal crepitava e contorcia-se, enquanto o pasto ia se transformando em colossal fogueira.
Dias seguidos, cinzas, braseiro e névoa confundiam-se em quadro atormentado.
Contudo, semanas após, brotos surgiram em toda a área e a terra, antes agreste, transformou-se em campina verdejante.

Fatos como estes repetem-se conosco, nos caminhos da evolução.
Quando nos mostramos ressequidos e estéreis em matéria de espiritualidade, os Mensageiros Divinos facultam-nos o fogo do sofrimento.
Enfermidades dolorosas fustigam-nos o corpo.
Crises morais sacodem-nos a consciência.
Provações experimentam-nos a paciência e o amor.
Assim, pois, não se desespere diante da dor.
Agora, a vida pode ser arena agonizante de lutas, todavia, logo mais, das cinzas da angústia ressurgirão flores de alegria e de esperança.
(Espírito Valérium-Histórias da Vida-Antônio Baduy Filho)

quinta-feira, 19 de março de 2020

                                              Os Bodes e as Ovelhas

1- A tradição evangélica fala da separação do joio e do trigo, bodes e ovelhas, bons e maus... Religiosos imaginavam que isso ocorreria na virada do primeiro milênio da era cristã, frustrando-se suas expectativas.
Acontecerá agora?
Não sei quando ocorrerá, mas não deverá demorar muito. Com o atual desenvolvimento tecnológico da Humanidade, envolvendo a desintegração do átomo, inteligências perversas poderão atear fogo em nosso mundo.

2- Isso não vem ao encontro das ideias apocalípticas, que nos falam de um dilúvio de fogo?
O evangelista João teve visões do futuro da Humanidade, que interpretou segundo as limitações de sua época. É bem provável que, observando uma explosão nuclear, imaginou a Terra tomada pelo fogo, da mesma forma que uma grande enchente, envolvendo o vale do Tigre e Eufrates, foi registrada pelos autores dos textos bíblicos como um dilúvio universal.

3- Mas haverá, como sugerem alguns pensadores, uma desencarnação em massa, fruto de fenômenos naturais e conflitos bélicos?
Não necessariamente. Bastará que não reencarnem os Espíritos comprometidos com o mal. Surgirão gerações mais conscientes de suas responsabilidades e dispostas a cumprir as leis divinas.

4- Teríamos, então, no espaço de aproximadamente cem anos, uma completa renovação?
Acredito que não voltará uma minoria "barulhenta", composta por Espíritos de inteligência atilada, mas pervertida, como Stalin, e Hitler. Consideremos, entretanto, que a sabedoria divina não opera drasticamente. Teremos séculos pela frente, até uma total depuração, renovando-se oportunidades para que nos ajustemos à nova ordem.

5- A ideia de Espíritos conduzidos a mundos inferiores não conflita com os princípios da Doutrina Espírita, segundo os quais não há retrocesso evolutivo?
Se o reformatório é promovido a escola, os reeducandos rebeldes e indisciplinados serão transferidos para outro reformatório. Não haverá retrocesso. Apenas compatibilização.

6- Qual o critério para definir quem ficará e quem será degredado?
Isso a Deus pertence. Jesus nos oferece uma pista no Sermão da Montanha, quando afirma: "Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra". Ficarão os que houverem vencido a agressividade.

7- Só isso?
É o fundamental. Quase todo o mal do Mundo nasce dela. O comerciante desonesto, o político venal, o governante despótico, o marido infiel, a mulher ciumenta, o filho rebelde, o patrão explorador, o funcionário indolente, estão todos, de alguma forma, exercitando a agressividade, na medida em que levam prejuízos a alguém ou a alguma atividade.

8- Se assim for considerado, não ficará vazia a Terra, posto que todos temos alguma agressividade em nosso comportamento?
Não esperam as autoridades celestes que tenhamos vencido a agressividade para que nos habilitemos a "herdar" a Terra. Isso é obra para milênios. O essencial é que nos conscientizemos de que devemos vencê-la, sustentando um combate sem tréguas contra ela.
Poderíamos começar com a recomendação de Confúcio: "Não fazer ao semelhante nenhum mal que não gostaríamos que nos fizessem".
(Richard Simonetti-A Força das Ideias)

quarta-feira, 18 de março de 2020

                                                      Na Conjuntura Difícil

Limitado na paralisia ou algemado à dor, medita na urgente necessidade de reformulação de conceitos sobre a vida e renova-te.
Amputado emocionalmente pela "perda" de um ser querido, que se transferiu para a Vida Espiritual, reflexiona sobre a transitoriedade do corpo somático e aprimora-te, interiormente, com os olhos postos no futuro.
Ferido nos sentimentos profundos pelo aguilhão dos desafetos que não supunhas existissem, considera a oportunidade para fazeres uma avaliação em torno do teu comportamento e exercita a paciência com o perdão das ofensas.
Tombado na armadilha hábil e rude da ingratidão de qualquer natureza, verifica o teu estado interior e altera a situação deprimente, transferindo-te da amargura para a beneficência geral.
Amarfanhado pelos golpes da enfermidade, aprofunda a mente nas cogitações em torno das causas dos sofrimentos e dirige os pensamentos no rumo do amor operante.
Sob a conjuntura da dificuldade financeira, ou do aparente fracasso social, ou da solidão, ou experimentando os cravos fincados de outras dores morais no cerne da alma, procura descobrir que toda e qualquer aflição, é processo de cobrança que chega ao tribunal da consciência, impondo reparação.

Nunca te consideres infeliz.
Infelicidade é o desconhecimento da Justiça Divina, com permanência na rebeldia...
Nas injunções difíceis o espírito cresce, porque se libera dos problemas que amealhou e pediu para solucioná-los, mediante as técnicas dolorosas da recuperação moral...
A ignorância, porém, no seu processo de aliciamento de vítimas inermes, conduz muitas criaturas que parecem felizes, em pleno triunfo - desfilando no carro do prazer e exibindo a força da insensatez, quando não da arbitrariedade - e não são ditosas...
Não as invejes.
Já trilhaste por caminhos semelhantes, equívocos, e agora recomeças em condição diferente.

Na celeridade com que passam, na vida, as manifestações orgânicas libertar-te-ão, com rapidez, das dores e opressões, bendizendo as láureas que lograste, no testemunho das conjunturas difíceis.
(Espírito Joanna de Ângelis-Alerta-Divaldo Franco)

terça-feira, 17 de março de 2020

                                            Dois Meses Antes

Grande confeitaria paulista, ao anoitecer. Clientela numerosa.
Quando Olavo Dias, denodado trabalhador da seara espírita, se aproxima do caixa para efetuar o pagamento de certa compra, surge a atoarda:
- Ladrão! Ladrão! Pega o ladrão!
Alia-se um guarda a robusto balconista e agarra pobre homem, extremamente mal vestido, que treme ao apresentar grande pacote nas mãos.
- Ele roubou  de um freguês - grita o caixeiro, como que triunfante ao guardar a presa.
Quase todos os rostos se voltam para o infeliz. 
O policial apresta-se para as providências que o caso lhe sugere, mas Olavo Dias avança  e toma a defesa.
- Não é um ladrão - explica - e não admito qualquer violência.
E no propósito de ajudá-lo, Olavo mente, afirmando:
- É meu empregado e, decerto, retirou o pacote julgando que me pertencesse.
Enérgico, toma o embrulho, devolve-o ao gerente, pede desculpas pelo engano e afasta-se com o desconhecido, dando-lhe o braço, como se o fizesse a um parente, diante dos circunstantes perplexos.
Dobrando, porém, a primeira esquina, dirigi-lhe a palavra, admoestando:
- Ora essa, meu caro! Sou espírita e um espírita não deve mentir. Entretanto, fui obrigado a isso para defendê-lo.
O interpelado mergulha a fronte nas mãos ossudas e explica em lágrimas:
- Doutor, roubei porque tenho seis filhos com fome... Sou doente do peito... Não acho serviço...
- Bem, bem - falou Olavo, comovido - não estou aqui para fazê-lo chorar.
Condoído, abriu a bolsa, deu-lhe o concurso possível e perguntou-lhe pelo endereço.
O infeliz declarou chamar-se Noel de Souza, deu os nomes da esposa e dos filhos e informou  residir nas proximidades da Vila Maria, em modesto barracão.
O benfeitor, realmente sensibilizado, prometeu visitá-lo na primeira oportunidade, e, finda uma semana, ei-lo de automóvel a procurar pela casinha distante.
Depois de algum esforço, localizou-a.
Encontrou a senhora Souza e os seis filhinhos esquálidos, mas o dono da casa não estava.
Saíra para angariar socorro médico.
Olavo, tocado de compaixão, fez quanto pode pela família sofredora e, ao despedir-se, ouviu a dona da casa dizer-lhe sob forte emoção:
- Um dia, se Deus quiser, Noel há de retribuir o senhor por tudo o que está fazendo...
Precisando deixar S. Paulo, em função da vida comercial, Olavo recomendou os novos protegidos a diversos companheiros, e esqueceu a ocorrência.

Decorridos seis meses, Olavo, certo dia, chega apressado ao aeroporto de grande cidade brasileira. Precisava viajar urgentemente, mas não tem passagem. Arriscar-se-á, no entanto, à aquisição de última hora.
Retendo pequena pasta, procura na multidão um amigo que o precedera, minutos antes, com o fim de ajudá-lo, até que o vê a pequena distância, acenando-lhe a que se apresse. 
O problema está resolvido. Basta que apresente a documentação necessária.
Avança, presto, mas alguém cruza o caminho. Sente-se abraçado numa explosão de ternura.
Olavo tenta quebrar o impedimento afetivo, mas reconhece Noel de Souza e estaca, surpreendido.
- Você... aqui?
O amigo está humildemente trajado, mas limpo e alegre.
- Sim, doutor, preciso vê-lo - confirma o interlocutor.
- Agora, não - falou Olavo, contrafeito.
Como se não lhe anotasse o azedume, o outro tomou-lhe o braço e arrasta-o docemente para fora do raio de visão do companheiro que o espera. 
- Souza, não me detenha, não me detenha... - roga Olavo, inquieto.
- Escute, doutor, preciso agradecer-lhe...
E como se não lhe pudesse escapar da mão, Olavo escuta-lhe a fala entediado e impaciente. Noel refere-se à esposa e aos filhinhos e repete frases de gratidão e carinho.
Depois de alguns instantes, Olavo Dias, revoltado, desvencilha-se e abandona-o sem dizer palavra. Alcança o amigo, mas é tarde.
O avião não pudera esperar.
Acabrunhado, vê, de longe, o aparelho de portas cerradas, na decolagem.
Bastante desapontado, busca Noel de Souza para ouvi-lo com mais atenção, já que perdera a viagem. Entretanto, por mais minuciosa a procura, não mais o encontra.
Daí a quatro horas, recebe trágica notícia.
O aparelho em que disputara lugar caíra de grande altura, sem deixar sobreviventes.
Intrigado, regressa a S. Paulo e corre a visitar a choupana de Noel. Quer vê-lo, abraçá-lo, comentar o acontecimento.
Mas, no lar modesto de Vila Maria, veio a saber que Noel Souza desencarnara dois meses antes.
(Espírito Hilário Silva-Almas em Desfile-Waldo Vieira)

segunda-feira, 16 de março de 2020

                                                            A Razão da Dor

Raquel, antiga servidora da residência de Cusa, ergueu a voz para indagar do Mestre por que motivo a dor se convertia em aflição nos caminhos do mundo. Não era o homem criação de Deus? Não dispõe a criatura do abençoado concurso dos anjos? Não vela o Céu sobre os destinos da Humanidade? 
Jesus fitou na interlocutora o olhar firme e considerou: 
— A razão da dor humana procede da proteção divina. Os povos são famílias de Deus que, à maneira de grandes rebanhos, são chamados ao Aprisco do Alto. A Terra é o caminho. A luta que ensina e edifica é a marcha. O sofrimento é sempre o aguilhão que desperta as ovelhas distraídas à margem da senda verdadeira. 
Alguns instantes se escoaram mudos e o Mestre voltou a ponderar: 
— O excesso de poder favorece o abuso, a demasia de conforto, não raro, traz o relaxamento, e o pão que se amontoa, de sobra, costuma servir de pasto aos vermes que se alegram no mofo... 
Reparando, porém, que a assembleia de amigos lhe reclamava explicação mais ampla, elucidou fraternalmente: 
— Um anjo, por ordem do Eterno Pai, tomou à própria conta um homem comum, desde o nascimento. Ensinou-lhe a alimentar-se, a mover os membros e os músculos, a sorrir, a repousar e a asilar-se nos braços maternos. Sem afastar-se do protegido, dia e noite, deu-lhe as primeiras lições da palavra e, em seguida, orientou-lhe os impulsos novos, favorecendo-lhe o ensejo de aprender a raciocinar, a ler, a escrever e a contar. Afastava-o, hora a hora, de influências perniciosas ou mortíferas de Espíritos infelizes que o arrebatariam, por certo para o sorvedouro da morte. Soprando-lhe ao pensamento idéias iluminadas aos clarões do Infinito Bem, através de mil modos de socorro imperceptível, garantiu-lhe a saúde e o equilíbrio do corpo. Dava-lhe medicamentos invisíveis, por intermédio do ar e da água, da vestimenta e das plantas. Vezes sem conta, salvou-o do erro, do crime e dos males sem remédio que atormentam os pecadores. Ao amanhecer, o Pajem Celestial acorria, atento, preparando-lhe dia calmo e proveitoso, defendendo-lhe a respiração, a alimentação e o pensamento, vigiando-lhe os passos, com amor, para melhor preservar-lhe os dons; ao anoitecer, postava-se-lhe à cabeceira, amparando-lhe o corpo contra o ataque de gênios infernais, aguardando-o, com maternal cuidado, para as doces instruções espirituais nos momentos de sono. No transcurso da vida, guiou-lhe os ideais, auxiliou-o a selecionar as emoções e a situar-se em trabalho digno e respeitável; clareou-lhe o cérebro jovem, insuflou-lhe entusiasmo santo, rumo à vida superior, e estimulou-o a formar um reino de santificação e serviço, progresso e aperfeiçoamento, num lar... 
O homem, todavia, que nunca se lembrara de agradecer as bênçãos que o cercavam, fez-se orgulhoso e cruel, diante dos interesses alheios. Ele, que retinha tamanhas graças do Céu, jamais se animou a estendê-las na Terra e passou simplesmente a humilhar os outros com a glória de que fora revestido por seu devotado e invisível benfeitor. Quando experimentou o primeiro desgosto, que ele mesmo provocou menosprezando a lei do amor universal, que determina a fraternidade e o respeito aos semelhantes, gesticulou, revoltado, contra o Céu, acusando o Supremo Senhor de injusto e indiferente. 
Aflito, o anjo guardião procurava levantar-lhe o ideal de bondade, quando um Anjo Maior se aproximou dele e ordenou que o primeiro dissabor do tutelado endurecido por excesso de regalias se convertesse em aflição. 
Rolando, mentalmente, de aflição em aflição, o homem começou a recolher os valores da paciência, da humildade, do amor e da paz com todos, fazendo-se, então, precioso colaborador do Pai, na Criação. 
Finda a historieta, esperou Jesus que Raquel expusesse alguma dúvida, mas emudecendo a servidora, dominada pela meditação que os ensinamentos da noite lhe sugeriam, o culto da Boa Nova foi encerrado com ardente oração de júbilo indefinível.  
(Espírito Neio Lúcio-Jesus no Lar-C. Xavier)

sábado, 14 de março de 2020

                                                 Reparação Oportuna

João dos Santos, rapaz vistoso, galanteador e bem posto na administração pública, namorava somente para passar o tempo. Dizia ele que era preferível conversar com uma garota do que ficar nos botecos tomando cerveja e falando sobre coisas de somenos importância. Ele preferia conversar com as mocinhas, esses enfeites da natureza, mas sem assumir qualquer compromisso. Esse modo de proceder durou muitos anos, sem que se decidisse casar. Sua última namorada tinha 18 anos, enquanto ele já atingia os 36.
Porque já namorava há muito tempo, seus amigos pensavam que dessa vez ele se casaria, tendo em vista que ela era uma moça bonita e que muito o amava, apesar da diferença de idade. Qual foi a surpresa de todos, quando ele decidiu romper, dizendo que não poderia casar-se porque não a amava e, portanto, não iria tomar-lhe mais tempo. Diante dessa decepção, talvez para demonstrar que havia quem gostasse dela, casou-se com um moço dentro de pouco tempo.
Como esse casamento não estava baseado no amor, apesar dos filhos que iam chegando, o seu marido foi tornando-se cada vez mais intolerante e dedicado à bebida, ao ponto de após alguns anos, viver jogado nas ruas, onde morreu, deixando a esposa com cinco filhos menores, um dos quais doente de mal incurável, sendo internado devido às constantes crises que o dominava. Diante dessa situação de penúria, pois o marido esbanjara o pequeno patrimônio com o seu vício, ela, para sobreviver, teve que procurar emprego como doméstica, única coisa que sabia fazer.
Nessa procura de porta em porta, o "destino" colocou-a diante de seu ex-namorado de 16 anos atrás, pois esse foi o tempo transcorrido, sem que jamais se encontrassem.
Ao bater na porta de sua casa e ser atendida pelo mesmo, sentiu-se surpresa e envergonhada de apresentar-se daquela forma: pobremente vestida e envelhecida prematuramente em virtude da miséria em que vivia. Mesmo assim, criou coragem  e disse-lhe do motivo de sua visita.
João dos Santos, embora fosse uma pessoa muito preocupada em viver da melhor forma possível, segundo o ponto de vista dos materialistas, sempre foi de bom coração. Assim sendo, entristeceu-se com a situação de sua antiga namorada e prometeu-lhe que lhe arrumaria uma boa colocação junto a algum de seus amigos casados. Para tanto, pediu-lhe que voltasse no dia seguinte para saber a resposta.  Ainda constrangida, mas como necessitava urgentemente de trabalho para garantir o alimento dos filhos, prometeu que voltaria no dia seguinte.
Nessa noite ela nem dormiu, só em rememorar toda a sua vida e a emoção que vivera nesse dia. Nesse estado de espírito é que, na manhã seguinte, dirige-se à casa do galanteador de antanho, agora um senhor de 54 anos, mas bem conservado.
Ao ser atendida, ouviu o seguinte:
- Com a família numerosa que você tem, para viver razoavelmente, você necessita de um ordenado de $ 500,00 (Isso na década de 60), o que vai ser difícil conseguir. Assim sendo, resolvi fazer-lhe uma proposta: você quer casar comigo?
Se da primeira vez ela quase desmaiou, dessa não resistiu e caiu ao solo, causando grande susto ao seu atual benfeitor. Socorrida, reanimou-se.
Após os dias necessários exigidos pelas leis, casaram-se e viveram quase vinte anos juntos, sendo ele um ótimo marido, bem como um educador exemplar para os enteados. Agasalhou, inclusive, o doente irrecuperável, que estava internado, dando a ele o amparo amoroso de um dedicado pai, em cujos braços morreu em uma de suas crises, que se agravavam com o passar do tempo.
Ao morrer o nosso focalizado, seus enteados, alguns já casados, prestaram-lhe singela homenagem de gratidão, que partia de corações agradecidos, pois além do teto e alimentos, receberam a instrução necessária para as lutas da vida, além da educação que os tornaram bons cidadãos.
Esta história verídica, vem demonstrar que há muitas maneiras de se fazer a caridade. No caso presente, representou uma doação total, libertando uma família da fome; reparando um problema sentimental, casando-se; mas, principalmente, uma doação de si mesmo, educando crianças, consolando um doente incurável e tranquilizando uma mãe em situação desesperadora. 
Tanto desprendimento e dedicação, são raros nos dias que passam, mormente nos casos de pessoas que dobram a casa dos cinquenta anos, pois alegam que já trabalharam muito e agora necessitam descansar, ficar de "papo para o ar", como na canção popular.
João dos Santos era um "bon vivant", que se regenerou, pondo em prática a caridade, embora não fosse religioso. Um autêntico samaritano.
(Antônio F. Rodrigues-Contando Histórias)

quarta-feira, 11 de março de 2020

                                                         A Verdadeira Propriedade

Em 1947 adquirimos a casa na Rua Curupaiti, 290, no Méier. Demos de entrada um terço do seu valor e ficamos devendo o restante para pagarmos daí a seis meses, tempo suficiente para obtermos a encampação da dívida pelo nosso Instituto de Pensões e Aposentadorias; providência que havíamos iniciado. 
O advogado do vendedor caprichou no modelo da escritura, promessa de venda. 
Neófito no assunto, agindo de boa fé e apenas desejando, como espírita, aquilo que nos pertença, assinamos, em cartório, o compromisso. E fomos pagando os juros ao vendedor, ao mesmo tempo em que acompanhávamos no Instituto o processo do empréstimo, com o qual ficaríamos liberado da dívida. 
No fim de seis meses, o Instituto não nos conseguiu arranjar os dois terços de nosso empréstimo, que caminhava, exigindo infinidade de papéis e outras providências...
Inocente do que poderia acontecer, uma tarde bate-nos à porta do lar o vendedor, que se fazia acompanhar de seu advogado. Vinha nos intimar a pagar-lhe o restante em 48 horas sob pena de nos tomar a casa...
Juntamente com a companheira, ficamos apreensivos... Não dormimos aquela noite.  Na manhã seguinte, demos todos os passos e nada conseguimos arranjar. À noite, certos de que iríamos perder a casa, a convite da esposa, fomos orar. Depois da prece, pede-nos ela: consulte o Evangelho, vamos ver o que nos aconselha Jesus...
- Ora, filha, no Evangelho nada há com relação a casas. O livro divino não trata de coisas materiais...
- Mas experimente...
Com respeito e receio, abrimos o livro e veio-nos, no Cap. XVI, Não se pode servir a Deus e a Mamon, A Verdadeira Propriedade.
Surpresos, lemos toda a página. 
E, à proporção que o fazíamos, íamos levantando nosso estado vibratório, até aí tão baixo, que nos impossibilitava qualquer ajuda, e começamos a entender o que seja a verdadeira propriedade, fruto de bons exemplos no discipulado de Jesus. E deixamos o problema da casa material de lado. Ficamos resignados com qualquer desfecho que tivesse. E dormimos medicados pelo abençoado conselho de Jesus.
Na manhã seguinte, visita-nos o querido sogro, advogado e residente no Espírito Santo. Inteirado do que estava acontecendo, convidou-nos a ir  com ele no Cartório, pois desejava ler a escritura que assináramos. No cartório, leu e sorriu...
- Você não precisa ficar apreensivo. Seu vendedor poderá esperar, sentado, o restante da dívida, até que a Caixa lhe faça o empréstimo pedido. Não precisa ter pressa nem receios. Não perderá a casa. Apenas vai-lhe pagando os juros...
- Por que diz isto, em que se baseia?
- Aqui na escritura não há nenhum prazo. O esperto do advogado do seu vendedor amarrou-o bem, mas esqueceu-se de colocar na escritura o prazo...
E, assim, mais uma vez, recebemos do Livro Divino uma graça, muito além da que esperávamos.
(Ramiro Gama-Lindos Casos do Evangelho)

sexta-feira, 6 de março de 2020

                                              Pimenta no Doce

Carlota Tobias era mãe extremosa. Expressão meiga. Voz dócil. Atitude delicada. Vendedora, trabalhava fora boa parte do dia. O restante do tempo dedicava às obrigações do lar. Conquistara conforto e facilidades.
Entretanto, tinha constantes aborrecimentos com o filho único. Intolerante e agressivo, o rapaz desperdiçara todas as oportunidades de estudo. Nenhum trabalho lhe servia e, desocupado, exigia mais e mais recursos para a vida fútil que levava.
Carlota cedia e contornava a situação. Espírita convicta, estava sempre nas reuniões de estudo e nas tarefas de assistência. Com frequência, os companheiros lhe notavam a fisionomia triste e uma lágrima furtiva que ela se apressava a enxugar.
Certo dia, resolveu se orientar com Celso, o dirigente das atividades. Quase em pranto, começou a conversar.
- Estou preocupada. A cada dia, meu filho está mais difícil. Não estuda, não trabalha e me cobra muito. Estou ciente de que se trata de reencarnação complicada. Reajuste familiar. Não sei, porém, o que mais fazer.
O dirigente, que lhe conhecia a história, ouviu com atenção e ponderou, firme:
- Realmente, seu filho é Espírito rebelde que veio para aprender em sua companhia. Mas você colocou pimenta no doce.
A vendedora surpreendeu-se com a fala do amigo, e observou:
- Não entendo o que quer dizer.
O companheiro retomou a palavra e explicou:
- Você deu amor e carinho ao seu filho. Ensinou a ele com o exemplo de trabalho e disciplina, conduta correta. Este é o doce.
Carlota não conteve a ansiedade e interrogou, intrigada:
- E a pimenta, o que é?
Celso olhou a amiga com bondade e completou, sereno:
- Mimou demais.
(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas-Antônio Baduy Filho)

quinta-feira, 5 de março de 2020

                                                      A Pregação Fundamental

Um aprendiz de Nosso Senhor Jesus Cristo entusiasmou-se com os ensinamentos do Evangelho e decidiu propagá-los, enquanto vivesse. Leu, atencioso, as lições do Mestre e começou a comentá-las por toda parte, gastando dias e noites nesse mister.
Chegou, porém, o momento em que precisou pagar as próprias despesas e foi compelido a trabalhar.
Empregou-se sob as ordens de um orientador que lhe não agradou. Esse diretor de serviço achava-se muito distante da fé e, por isto, contrariava-lhe as tendências religiosas. Controlava-lhe as horas com rigor e observava-o com apontamentos acrimoniosos e rudes.
O pregador do Crucificado não mais se movimentava com a liberdade de outro tempo. Era obrigado a consagrar largos dias a trabalhos difíceis que lhe consumiam todas as forças. Prosseguia, ensinando a boa doutrina, quanto lhe era possível, porém, não mais podia agir e falar, como queria ou quando pretendia. Tinha os minutos contados, as oportunidades divididas, as semanas tabeladas e, porque se julgasse vítima das ordenações de sua chefia, procurou o diretor do serviço e despediu-se.
O proprietário que o empregara indagou do motivo que o levava a semelhante resolução.
Um tanto irônico, o rapaz explicou-se:
- Quero ser livre para melhor servir a Jesus. Não posso, pois, aceitar o cativeiro de sua casa.
Nesse dia de folga absoluta, sentiu-se tão independente e tão satisfeito que discorreu, animadamente, sobre a doutrina cristã, até depois de meia-noite, em várias casas religiosas.
Repousando, feliz, alta madrugada sonhou que o Mestre vinha encontrá-lo. Reparou-lhe a beleza celeste e ajoelhou-se para beijar-lhe a túnica resplandecente.
Jesus, porém, estampava na fisionomia dolorosa e indisfarçável tristeza.
O discípulo inquietou-se e interrogou:
- Senhor, por que te sentes amargurado?
O Cristo respondeu, melancolicamente:
- Por que desprezaste, meu filho, a pregação que te confiei?
- Como assim, Senhor? - replicou o jovem - ainda hoje abandonei um homem tirânico para melhor ensinar a tua palavra. Tenho discursado em vários templos e comentado a Boa Nova por onde passo.
- Sim - exclamou o Mestre - esta é a pregação que me ofereces e que desejo continues fervorosamente; todavia, confiei ao teu Espírito a pregação fundamental da verdade a um homem que administra os meus interesses na Terra e não soubeste executá-la. Classificaste-o de ignorante e cruel; entretanto, olvidas que ele ignora o que sabes. E pretendes, acaso, desconhecer que o orientador humano que te dei somente poderia absorver-me os ensinos, nesta hora, através de teu exemplo? Tua humildade construtiva, no espírito de serviço, modificar-lhe-ia o coração... Se lhe desses cinco anos  consecutivos de demonstrações evangélicas, estaria preparado a caminhar, por si mesmo, na direção do Reino Divino!... E ele, que determina sobre o tempo de duzentos homens, se faria melhor, mais humano e mais nobre, sem prejuízo da energia e da eficiência... Poderás ensinar o caminho celestial a cem mil ouvidos, mas a pregação do exemplo, que converta um só coração ao Infinito Bem, estabelece com mais presteza a redenção do mundo!...
O aprendiz desejou perguntar alguma coisa, entretanto, o Cristo afastou-se num turbilhão de luminosa neblina.
Acordou sobressaltado, e não mais dormiu naquela noite.
De manhã, pôs-se a caminho do estabelecimento em que trabalhara, procurou o diretor de quem se despedira e pediu, humildemente:
- Senhor, rogo-lhe desculpas pelo meu gesto impensado e, caso seja possível, readmita-me nesta casa! Aceitarei qualquer gênero de tarefa.
O chefe, admirado, indagou:
- Quem te induziu a esta modificação?
- Foi Jesus - respondeu o rapaz - não podemos servi-lo por intermédio da indisciplina ou do orgulho pessoal.
O diretor concordou sem vacilação, exclamando:
- Entre! Estamos ao seu dispor.
Anotou a boa-vontade e o sincero desejo de servir de que o empregado dava agora vivo testemunho e passou a refletir na grandeza da doutrina que assim orientava os passos de um homem no aperfeiçoamento moral. E o aprendiz do Evangelho que retomou o trabalho comum, intensamente feliz, compreendeu, afinal, que poderia prosseguir na pregação verbal que desejava e na pregação básica do exemplo que Jesus esperava dele.
(Espírito Neio Lúcio-Alvorada Cristã-Chico Xavier)

quarta-feira, 4 de março de 2020

                                             Livre-Arbítrio e Determinismo

Na dialética da vida, no perpassar da esteira evolutiva, digladiam-se o periférico e o profundo dos nossos psiquismos. 
Este de origem divina, determina a compulsoriedade da nossa ascensão espiritual, aquele, ligado às experiências e atividades repetitivas criadas por nós mesmos, reflete a livre ação que nos consigna o Pai Onipotente, tornando-nos, assim, co-partícipes do eclodir da alvorada em nossas mentes e do amor em nossos corações.
Livre-arbítrio e Determinismo são acessórios auto-reguladores de que se vale a Natureza frente ao evolver continuado de cada ser.
A prática  do livre-arbítrio situa-se em condição de proporcionalidade direta ao patamar evolutivo galgado pelo Espírito.
O determinismo é a força motriz incrustada no nosso inconsciente, "parcela divina em nós", tornando-nos herdeiros do Eterno e direcionando-nos às aquisições imprescindíveis da meta maior de nossa existência: a felicidade da tomada de consciência desse divino que nos compõe.

Há situações que assumem a feição do determinismo e, no entanto, nada mais são que resgates do passado que adiantamos no usufruto do nosso livre-arbítrio. São promissórias, com vencimento na data de hoje, de moedas que, por nossa livre e espontânea vontade, fruímos na anterioridade.
Não olvidemos: o determinismo e o livre-arbítrio se inter-complementam e diferem, em proporcionalidade, um do outro, para cada Espírito, na unidade têmporo-espacial, capacitando-nos à alforria da Lei de Controle, desde que nos coloquemos na condição de unicidade com o Criador.

"Eu e o Pai somos um", afirma categórico o Mestre dos Mestres, a expressar a sua conscientização divina e, na condição de "Cidadão Universal", o direito de exercer esta cidadania, no pleno uso de seu livre-arbítrio.
(Espírito Irmão Saulo-Conselhos Mediúnicos-Francisco Cajazeiras)