sexta-feira, 30 de outubro de 2020

 As Penas Futuras Segundo o Espiritismo

A Carne é Fraca


Há tendências viciosas que são, evidentemente, inerentes ao Espírito, porque dizem respeito mais ao moral do que ao físico; outras parecem antes consequentes do organismo, e, por esse motivo, delas, alguém se crê menos responsável: tais são as predisposições à cólera, à voluptuosidade, à sensualidade, etc. 

É perfeitamente reconhecido, hoje, pelas filosofias espiritualistas, que os órgãos cerebrais, correspondendo a diversas aptidões, devem seu desenvolvimento à atividade do Espírito; que esse desenvolvimento é, assim, um efeito e não uma causa. Um homem não é músico porque tenha a bossa da música, mas possui essa aptidão porque seu Espírito é músico…

Se a atividade do Espírito reage sobre o cérebro, deve reagir, igualmente, sobre as outras partes do organismo. O Espírito é , assim, artífice do seu próprio corpo, que conforma, por assim dizer, a fim de apropriá-lo à suas necessidades e à manifestação das suas tendências. Isto posto, a perfeição do corpo das raças avançadas não seria o produto de criações distintas, mas o resultado do trabalho do Espírito, que aperfeiçoa o seu aparelhamento à medida que as suas faculdades aumentam.

Por uma consequência natural desse princípio, as disposições morais do Espírito devem modificar as qualidades do sangue, dar-lhe maior ou menor atividade, provocar uma secreção, mais ou menos abundante, de bílis ou outros fluídos. É assim, por exemplo, que o guloso sente chegar a saliva à boca diante de uma comida apetitosa. Não é a comida que pode superexcitar o órgão do gosto, uma vez que com ele não tem contato; é, pois, o Espírito, cuja sensibilidade é despertada, que age, pelo pensamento, sobre esse órgão, ao passo que, sobre um outro, a visão dessa comida não produz nenhum efeito. É, ainda, pela mesma razão que uma pessoa sensível verte, facilmente, as lágrimas; não é a abundância das lágrimas que dá a sensibilidade ao Espírito, mas é a sensibilidade do Espírito, que provoca a secreção abundante das lágrimas. Sob o império da sensibilidade, o organismo está apropriado para essa disposição normal do Espírito, como estava apropriado à do Espírito guloso.

Seguindo esta ordem de ideias, compreende-se que um Espírito irascível deve possuir um temperamento bilioso; de onde se segue que um homem não é colérico porque seja bilioso, mas, que é bilioso porque é colérico. Ocorre o mesmo com todas as outras disposições instintivas; um Espírito mole e indolente deixará o seu organismo num estado de atonia com relação ao seu caráter, ao passo que, se é ativo e enérgico, dará ao seu sangue, aos seus nervos, qualidades muito diferentes. A ação do Espírito sobre o físico é de tal modo evidente, que se veem, frequentemente, graves desordens orgânicas se produzirem pelo efeito de violentas comoções morais. A expressão vulgar: “A emoção lhe altera o sangue” não está tão privada de sentido como se poderia crer; ora, o que pode alterar o sangue senão as disposições morais do Espírito?

Pode-se, pois, admitir que o temperamento é, pelo menos em parte, determinado pela natureza do Espírito, que é causa e não efeito.Dizemos em parte porque há casos em que o físico, evidentemente, influi sobre o moral: é quando um estado mórbido ou anormal é determinado por uma causa externa, acidental, independente do Espírito, como a temperatura, o clima, os vícios hereditários de constituição, um mal-estar passageiro, etc. O moral do Espírito pode, então, ser afetado, em suas manifestações, pelo estado patológico, sem que a sua natureza intrínseca seja modificada. 

Escusar-se de suas faltas, em razão da fraqueza da carne, não é, pois, senão um subterfúgio para escapar da responsabilidade. “A carne não é fraca senão porque o Espírito é fraco”, o que reverte a questão e deixa, ao Espírito, a responsabilidade de todos os seus atos. A carne, que não tem pensamento e nem vontade, não prevalece jamais sobre o Espírito, que é o ser “pensante” e que “decide”; é o Espírito que dá, à carne, as qualidades correspondentes aos seus instintos, igual um artista imprime, em sua obra material, a marca do seu gênio. O Espírito, liberto dos institntos da bestialidade, modela um corpo que não é mais um tirano para as suas aspirações em direção da espiritualidade do seu ser; é, então, que o homem come para viver, porque viver é uma necessidade, mas não vive mais para comer.

A responsabilidade moral dos atos da vida, pois, permanece inteira; mas, a razão diz que as consequências dessa responsabilidade devem estar em relação com o desenvolvimento intelectual do Espírito; quanto mais seja esclarecido, menos é escusável, porque com a inteligência e o senso moral, nascem as noções do bem e do mal, do justo e do injusto.

Essa lei explica o insucesso da Medicina em certos casos. Desde que o temperamento é um efeito, e não uma causa, os esforços, na tentativa de modificá-lo, necessariamente, são paralisados pelas disposições morais do Espírito, que opõe resistência  inconsciente e neutraliza a ação terapêutica. É, pois, sobre a primeira causa que é preciso agir. Dai, se for possível, coragem ao covarde, e vereis cessarem os efeitos psicológicos do medo. 

Isso prova, uma vez mais, a necessidade, para a arte de curar, de se levar em conta a ação do elemento espiritual sobre o organismo. 

(Allan Kardec-O Céu e o Inferno)


quinta-feira, 29 de outubro de 2020

 Nova Experiência

Benjamim Cerqueira não se preocupava com a saúde. Boa vida. Gargalhada sonora. Amigo dos abusos. Era conhecido pelo apego às noitadas. Onde houvesse um botequim, lá estava ele com o sorriso fácil e a mesa farta.

Gumercindo, irmão mais velho, procurava convencê-lo à mudança de conduta:

  • Isso vai acabar mal. Você desperdiça saúde. O corpo físico é abençoada oportunidade de evolução. É preciso respeitá-lo e não sacrificá-lo com excessos. É importante ter equilíbrio na diversão.

Benjamim, porém, não lhe dava ouvidos e continuou a viver a seu modo, até que adoeceu. Consultas. Exames. Tratamento rigoroso. Contudo, o prognóstico era desfavorável.

  • Vou morrer - disse ele a Gumercindo.

  • Não é o fim - respondeu o irmão.

Após alguns instantes de silêncio Gumercindo reatou a conversa:

  • Há vida depois da morte. 

  • Você já me disse. Eu acredito.

  • Nessa vida espiritual, você vai aprender com os erros e tomar boas resoluções para nova experiência no corpo material. 

  • Prometo que tudo vai ser diferente.Terei equilíbrio.

Gumercindo sorriu, mas por pouco tempo. Benjamim logo emendou:

  • Só de vez em quando irei aos botecos.

(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas 1-Antonio Baduy Filho)


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

 Ignorância e Veneno


O Coronel Jeremias Borba era conhecido fazendeiro da região. Fizera fortuna. Vivia confortavelmente, entretanto, nutria pavor por assuntos de cultura. Não frequentara a escola. Não sabia ler nem escrever. 

Após enfermidade longa e cruciante, fizera-se espírita. 

  • Jeremias - quem falava era o amigo e companheiro de doutrina, o Deodato -  pensemos agora no enriquecimento intelectual da alma. Você venceu materialmente. Aprendeu a cultivar o bem. Cuidemos, então, das leituras, já que Deus lhe faculta existência folgada. Façamos uma tentativa.

  • Deus me livre de leituras - interrompia o coronel, agitado. - Nada quero com isso.

  • Mas, Jeremias - insistia o amigo - o Espiritismo ensina-nos o valor das aquisições da alma. Aprender a ler agora será economia de tempo na Vida Espiritual ou em existência posterior. Façamos a experiência. Procuraremos ajudá-lo em lições diárias, com hora marcada.

  • Agradeço - retrucava o coronel. - Nada de encher a cabeça com alfabeto. Quem viveu sem leitura até agora, não precisa mais dela.

O tempo passou. O coronel resistindo à ajuda dos amigos, até que correu a triste notícia. O velho fazendeiro fora encontrado morto, em sua própria casa. Envenenamento, diziam os médicos. 

Os companheiros, pensando em suicídio, iniciaram averiguações. Entretanto, após algumas buscas, concluíram que o amigo, martirizado por terrível dor de cabeça, durante a noite, teria se dirigido à pequena farmácia, que ajuntara em casa, e ingerira grande dose de veneno. Verificaram, então, que o pobre homem, porque não soubera ler o rótulo do medicamento escolhido, fizera troca de frascos e assim, ao invés de ingerir o analgésico, havia tomado poderosa substância tóxica. 

(Espírito Hilário Silva-Histórias da Vida-Antônio Baduy Filho)


segunda-feira, 26 de outubro de 2020

 A Razão da Dor

Uma das coisas mais difíceis para o homem é a percepção de Deus. Existem aqueles que negam sua existência, apesar de não conseguirem explicar como é possível existir toda a Natureza.

Kardec inicia  “O Livro dos Espíritos”, perguntando aos mentores espirituais “O que é Deus?”. Não houve, de sua parte, a preocupação em associar Deus à imagem  e semelhança dos homens. Como não sabia explicar a existência do Criador, perguntou “o que” Ele era.

Os Espíritos responderam, de maneira simples, que Deus é a Inteligência Suprema, a causa primária de todas as coisas. Isso significa, em última instância, que Deus é o Criador, o Gerador, a Fonte de todas as coisas. Deus é a causa, todo o resto é consequência. 

Deus não seria, portanto, aquele velhinho bondoso, de barba muito branca e olhos serenos, sentado no trono do reino dos céus a julgar todos os homens ou a lhes fazer concessões. Essa é uma ideia deformada cuja origem  está na necessidade de o homem pensar que foi criado à sua imagem e semelhança. De fato, fomos criados à sua imagem e semelhança, mas no tocante ao Espírito e não ao corpo material. Somos, por conseguinte, inteligência que evolui e aprende a participar da Criação.

Em sua pequenez, o homem busca explicar os fenômenos que ocorrem em sua vida, tentando compreender melhor o que é Deus a partir de atributos, colocando-o como Pai justo e amoroso. Deus é infinito, onipresente, onipotente, soberanamente justo e bom. Deus é misericórdia, é paz, é amor. Esses atributos são premissas sobre as quais baseamos toda a nossa crença, todos os nossos valores, toda a nossa fé. 

Existem, porém, uma interpretação equivocada quando, ao tentarmos perceber Deus, achamos injusto que possa haver dor e sofrimento na vida humana e que seja possível afirmar que a felicidade não seja deste mundo. Os mais precipitados questionam: sendo Deus soberanamente bom, por que não criou os homens para a felicidade, afastando de suas vidas toda vicissitude, tornando-os, todos, anjos de bondade e misericórdia desde o início dos tempos? Isso, em suas maneiras de pensar, constitui-se um contra-senso.

Na realidade, Deus é soberanamente bom e justo, e criou o homem para a felicidade. Cabe, porém, a este, dotado de inteligência evolutiva e de livre-arbítrio, aprender a construí-la em seu caminho. A rota está bem definida, e o critério de justiça está determinado desde o início dos tempos. O fiel da balança é o amor em todas as suas formas, devendo o homem aprende-las e incorporá-las a si, iluminando sua vida, elevando seu Espírito em pureza e compreensão. 

A dor é sempre a consequência do desequilíbrio causado pelo descumprimento da Lei Natural. A dor é a indicação do desvio, facultando ao homem a retomada do caminho. O sofrimento é a consequência da postura assumida diante da dor. A felicidade, portanto, está diretamente ligada ao bem ou ao mal sofrer. 

(Jonas, O Contador de Histórias)


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

 O Preguiçoso


Gritando que estava preso pelos pés num local infecto, razão pela qual pedia socorro, assim comunicou-se na reunião mediúnica uma entidade sofredora:

  • Para os meus pais que, trabalhadores, lutaram para que eu tivesse o mesmo destino, seguindo esse sagrado dever. Mas, qual nada, em todas as fases da minha vida, odiei e odiei o labor útil. 

Enquanto me foi possível, sustentei-me às expensas dos meus genitores… Mas, como tudo neste mundo tem um fim, um dia essa boa vida se desfez. Meus pais morreram e, como nunca tive vocação para exercer qualquer atividade, vivi uma grande tormenta, inclusive passando fome.  

Não sei quando, mas, numa tarde, sujo e desalentado, sentei-me no passeio de uma loja comercial. De repente, passou uma piedosa senhora e entrego-me um dinheirinho, suficiente para pagar uma refeição. Fiquei surpreso a princípio, para logo atinar que eu havia, casualmente, encontrado um meio de viver bem à custa de donativos públicos, isto é, passaria a exercer a mendicância. E foi o que aconteceu. Fingindo ser paralítico das pernas, colocava-me nas esquinas das principais ruas e, no fim do dia, o faturamento necessário à minha manutenção básica estava garantido.

Entretanto, quase no fim da minha existência corporal, uma terrível preocupação invadiu a minha consciência: “E, se depois do meu falecimento, Deus me cobrasse explicação da minha mentira?” Isso tornou-se uma preocupação constante. Tão logo descobri que havia morrido, não mais consegui andar. Meus pés ficaram colados no chão lamacento (local onde acordei de um longo sono depois de desencarnado). Só hoje, com a ajuda destes amigos espirituais, consegui sair de lá…

Olha, estes amigos estão dizendo que terei que reencarnar num futuro breve a fim de trabalhar para minha própria redenção… Estou com muito medo… Será que renascerei paralítico dos pés? Já que os sinto dormentes?!...

  • Prezado amigo, falou o doutrinador. Não fique assustado prematuramente. Procure equilibrar-se e, antes de tudo, trabalhe, trabalhe e trabalhe em prol de todos, pois só assim você poderá atenuar, ou arranjar atenuantes, permitindo que sua consciência venha a cunhar um novo corpo físico sem a paralisia.

A preguiça constitui uma perigosa inimiga do homem, fazendo com que, ao longo do tempo, ele se torne um paralítico do corpo e da alma.

(Jair Oliveira-Crer ou Não Crer?)


quinta-feira, 22 de outubro de 2020

 Os Olhos


Januária Cerqueira vivia no condomínio havia muitos anos. Corpo pequeno. Rosto miúdo. Olho esperto.

Moradora antiga do bairro, tinha fama de espionar a vida alheia e passar adiante. Tal era seu desejo de ver o que se passava com os outros que, uma vez foi agredida por vizinha, revoltada com essa atitude.

A moradora curiosa não se dava conta do uso impróprio que fazia da visão e comentava, indiferente:

  • Digo só o que vejo.

Simpatizante do Espiritismo, Januária frequentava as reuniões de estudo e lá ouvia ponderações a respeito de sua conduta. Madalena, a companheira mais chegada, dizia-lhe, com preocupação:

  • O que entra pela vista tem que ser analisado com bom senso e discernimento. É preciso agir de tal forma que o que vemos não provoque confusão e estragos. A Lei de Causa e Efeito pune com rigor o olho que é motivo de escândalo.

Januária, porém, não mudava. Certo dia, subiu no muro para presenciar desentendimento conjugal de vizinhos. Caiu e bateu com o rosto no chão. Quando chegou para os estudos, estava com os olhos inchados e roxos. Explicou-se logo, evitando as perguntas dos companheiros:

  • Foi engano daquela Lei de Causa e Efeito.

E, sem perda de tempo, disfarçando seu comportamento inconveniente, encerrou o assunto, nervosa:

  • A Lei errou. O casal fez o escândalo e meus olhos é que pagaram.

(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas 2-Antônio Baduy Filho)


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

 Panorama do Além


No Além-túmulo o Espírito descobre-se dotado de um corpo idêntico ao que carregou em sua última experiência terrena. Palpita-lhe o coração; arfam-lhe os pulmões; movem-se as pernas; os olhos recolhem as imagens, no processo de raios luminosos; seu tato está inteiramente vivo; sua audição é a que sustentava na Terra; o chão é sólido e palpável; portas e paredes oferecem-lhe resistências. Os seus problemas psíquicos continuam profundamente reais… Tem rasgos de piedade e momentos de cólera. Sente ciúmes e impulsos do sexo.

Descobre povoações e cidades, com hospitais e escolas, com grupos de socorro e hordas de malfeitores, com lares organizados e famílias constituídas.

Apenas o que entre os homens era força de expressão, lá corresponde a uma realidade inarredável e amargosa, ou deliciosa e sublime.

  • Ele se afundou na lama do vício!

O viciado efetivamente encontra-se mergulhado numa lama proveniente de suas emanações mentais desequilibradas. 

  • É um monstro de maldade!

A transfiguração perispiritual das almas compromissadas em crimes conhecidos ou crimes ignorados da justiça comum imprime no criminoso o entalhe grotesco da animalidade inferior a que se une.

  • É bonita por fora, mas por dentro…

Criaturas tais, modelos de beleza física e desequilibradas morais, despejadas do casulo da carne surgem como bruxas fantasmagóricas, enlouquecidas pelos desejos insanos e pela deformação de caráter.

  • Um anjo de bondade!

Define bem, essa afirmação, a situação na Espiritualidade de almas plenas de ternura, em que o amor promana de si espontaneamente, embora sua posição social, seus recursos financeiros, sua cultura acadêmica nem sempre tenham sido os mais avantajados.

O panorama visto no Além é o mesmo da sociedade humana atual, com seus problemas e suas soluções, apenas sem a máscara de carne que nos abençoa em nossa explosões de cólera ou em nossos ensaios de humildade, em nosso egoísmo doloroso ou nas demonstrações de nosso amor.

As escolas de aprendizagem e os grupos de trabalhos no Além, não chegam a atrair compulsoriamente os Espíritos, já que se lhes respeita o livre-arbítrio e já que toda elevação depende do anseio que o próprio homem permite germinar em seu coração. Assim como entre nós muitos se entregam às práticas violentas, às cenas de sangue para o exercício de suas emoções indisciplinadas, também no Além se repete a sustentação de seus pendores e de suas tendências normais.

A Espiritualidade não é uma região circunscrita e determinada no espaço. Significa apenas: além-carne, além-corpo e geograficamente começa dentro de nosso próprio lar, nas oficinas de trabalho, nos salões das sociedades, nas classes escolares, nos antros de vícios, localizando-se os Espíritos nos recintos que edificamos para nossas atividades cotidianas.

O conhecimento desse panorama é importante.

Possuídos de tais noções compreenderemos que o nosso atendimento aos necessitados de socorro e que nos procuram pelas vias mediúnicas deve ser objetivo e claro, com informações precisas e corretas, longe das orientações como:

  • Você está doente. Procure um hospital.

  • Ingresse nas escolas daí para aprender.

  • Você já morreu e não pode sentir dores.

(Roque Jacintho-Doutrinação)


sexta-feira, 16 de outubro de 2020

 Sementeira e Colheita


Certo homem, enredado no vício da embriaguez, era frequentemente visitado por generoso amigo espiritual que lhe amparava a existência. 

  • Arrepende-te e recorre à Bondade Divina! - rogava o benfeitor quando o alcoólatra se desprendia  parcialmente do campo físico, nas asas do sono. 

  • Vale-te do tempo e não adies a própria renovação! Um corpo terrestre é ferramenta preciosa com que a alma deve servir na oficina do progresso. Não menosprezes as próprias forças!...

O infeliz acordava, impressionado. Rememorava as palavras ouvidas, tentava mentalizar a formosura do Enviado Sublime e, intimamente, formulava o projeto de regenerar-se.

Todavia, sobrevindo a noite, sucumbia de novo à tentação. 

Embebedando-se, arrojava-se a longo período de inconsciência, tornando ao relaxamento e à preguiça.

Borracho, empenhava-se tão-somente em afogar as melhores oportunidades da vida em copinho sobre copinho.

Entretanto, logo surgia alguma faixa de consciência naquela cabeça conturbada. O mensageiro  requisitava-o, solícito, recomendando:

  • Atende! Não fujas à responsabilidade. A passagem pela Terra é valioso recurso para a ascensão  do Espírito… O tempo é um crédito de que daremos conta! Apela para a compaixão do Senhor! Modifica-te! Modifica-te!...

O mísero despertava na carne, lembrava a confortadora entrevista e dispunha-se ao reajustamento preciso; no entanto, depois de algumas horas, engodado pelos próprios desejos, caía novamente na zona escura.

Ébrio, demorava-se meses e meses na volúpia do auto-esquecimento.

Contudo, sempre aparecia um instante de lucidez em que o companheiro vigilante interferia.

Novo socorro do Céu, novas promessas de transformação e nova queda espetacular.

Anos e anos foram desfiados no milagroso novelo do tempo, quando o infortunado, de corpo gasto, se reconheceu enfermo e abatido.

A moléstia instalara-se, desapiedada, na fortaleza orgânica, inclinando-lhe os passos para o desfiladeiro da morte. 

Incapaz de soerguer-se, o doente orou, modificado. 

Queria viver no mundo e, para isso, faria tudo por recuperar-se.

Em breves segundos de afastamento do estragado veículo, encontrou o divino mensageiro e, ajoelhando-se, comunicou:

  • Anjo abnegado, transformei-me! Sou outro homem… Estou arrependido! Reconheço meus erros e tudo farei para redimir-me… Recorro à piedade de nosso Pai Todo Compassivo, de vez que pretendo alcançar o futuro na feição do servidor desperto para as elevadas obrigações que a vida nos conferiu...

O protetor abraçou-o, comovidamente e, enxugando-lhe as lágrimas, rejubilou-se, exclamando:

  • Bem-aventurado sejas! Doravante, estarás liberto da perniciosa influência que até agora te obscureceu a visão. Abençoado porvir sorrirá ao teu destino. Rendamos graças a Deus!...

O doente retomou o corpo, de coração aliviado, com a luz da esperança a clarear-lhe a alma. 

Mas os padecimentos orgânicos recrudesciam.

A assistência médica, aliada aos melhores recursos de enfermagem, revelava insuficiência para subtrair-lhe o mal-estar.

Findos vários dias de angustiosa dor, entregou-se à prece com sentida compunção e, amparado pelo benfeitor invisível, achou-se fora da carne, em ligeiro momento de alívio.

  • Anjo amigo - implorou - acaso  o Todo-Bondoso não se compadece de mim? Estou renovado!... Alterei meus rumos! Por que tamanhas provas?

O guardião afagou-o, benevolente, e esclareceu:

  • Acalma-te! O sincero reconhecimento de nossas faltas é força de limitação do mal em nós e fora de nós, qual medida que circunscreve o raio de um incêndio, para extingui-lo pouco a pouco, mas não opera reviravoltas na Lei. O amor infinito de Deus nos descerra fulgurantes caminhos à própria elevação; todavia, a justiça d’Ele determina venhamos a receber, invariavelmente, segundo as nossas obras. Vale- te do perdão divino que, por resposta do Senhor às tuas  rogativas, é agora em tua alma anseio de reajuste e dom renovador, mas não olvides o dever de destruir os espinhos que ajuntaste. O arrependimento não cura as afecções do fígado, assim como o remorso edificante do homicida não remedeia a chaga aberta pelo golpe da lâmina insensata!... Aproveita a enfermidade que te purifica o sentimento e usa a tolerância do Céu como novo compromisso de trabalho em favor de ti mesmo!...

O doente desejou continuar ouvindo a palavra balsamizante do amigo celeste… A carne enfermiça, porém, exigia-lhe a volta.

Contudo, recompondo-se mentalmente no corpo fatigado, embora gemesse sob a flagelação regeneradora, chorava e ria, feliz. 

(Espírito Humberto de Campos-Estante da Vida-Chico Xavier)


 A Sementeira é Livre…


Fomos criados simples e ignorantes. Simples, porque nada possuíamos, além da oportunidade de evolução que a todos foi dada em igual intensidade. Ignorantes, porque nada sabíamos em relação à Criação, cabendo-nos pensar, desenvolver a inteligência e aprender através de experiências próprias, para conseguirmos a evolução prometida. Deus nos deu a liberdade de escolher, a vontade própria, a capacidade de pensar e agir, e a Lei do Amor, Justiça e Caridade como orientação quanto ao melhor caminho a ser percorrido, gravada em nossa consciência como balizadora de ações e indicadora do certo e do errado.

Nosso destino foi assim determinado pelo Criador: “Devemos evoluir continuamente em espírito e verdade, cumprindo tudo o que está prescrito na Lei, amando a Deus sobre todas as coisas, com toda força, com todo espírito, e ao próximo  como a nós mesmos”.

A Justiça de Deus se faz sentir na liberdade de escolha e na avaliação da capacidade, que pudermos adquirir, de cumprir nossos próprios desígnios. Autoriza-nos a agir, mas cobra-nos a resposta correta, isto é, responsabiliza-nos pelo resultado do que fazemos. A cobrança é tanto maior quanto maiores forem o discernimento e o conhecimento da verdade. Assim, para os ignorantes, para os que ainda não conseguem perceber a verdade, a justiça de Deus é a misericórdia, mas para aqueles que já compreendem a Lei, a misericórdia de Deus é a justiça: “A cada um conforme a sua obra”.

A evolução moral está ligada à compreensão e à vivência desses desígnios. Tudo o que contraria a Lei de Amor, Justiça e Caridade, é imoral. Evoluir em moralidade é evoluir em Espiritualidade, estendendo a mão ao irmão necessitado de luz, de conhecimento e de paz.

O uso que devemos fazer do livre-arbítrio é bem orientado pela Lei de Causa e Efeito, responsável pela noção da justiça, a nos indicar que todos somos lavradores do nosso destino, cabendo-nos colher conforme tivermos semeado. Não será possível colher uvas quando plantamos espinheiros. Mas, se semearmos a boa semente seremos capazes de colher os bons frutos, resultado do correto plantio.

Os homens devem evoluir, desde o estado de ignorância até a consciência total de si mesmo, fazendo e refazendo suas experiências, entre mergulhos na carne e retornos ao Mundo Espiritual. Na carne, tem seus sentidos limitados, seus instintos biológicos hereditários influenciando suas ações e sensações, e tem seu Espírito aprendendo por meio das experiências, dos sentimentos e das emoções, balizados pela Lei do Amor, Justiça e Caridade. 

Em seu caminho para a Espiritualidade Superior, fazendo e refazendo experiências, o homem usa e abusa de seu livre arbítrio, tendo as dores física e moral como instrumentos de reajuste e aprendizagem. Atingindo o estado de angelitude, segue a Lei de Deus por consciência pura, pois sente e exercita a verdade naturalmente, já tendo adquirido e incorporado, em seu ser, os valores imperecíveis que Deus lhe faculta obter.

Mas os seres a caminho da evolução, ainda presos às sensações e aos instintos animais, permanecem em ignorância relativa quanto à verdade, aprendendo pelo processo do ensaio e erro, sendo burilados continuamente pelo constrangimento das dores física e moral. A dor física abate o corpo material afetando os seus sentidos e sensações. A dor moral abate o Espírito, fazendo com que ele se descubra e se desvencilhe dos envoltórios mais grosseiros de sua personalidade, deixando surgir sua individualidade real. Na medida em que o Espírito chora, seu envoltório fluídico se purifica. 

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo V, item 7, encontramos uma mensagem em que Lázaro nos ensina: “A igualdade em face da dor é uma sublime providência de Deus, que quer que todos os seus filhos, instruídos pela experiência comum, não pratiquem o mal, alegando ignorância de seus efeitos”. 

A dor realinha o homem com a verdade. Na medida que aprende, o homem se liberta dos grilhões de sofrimento moral que o aprisionam  ao estado de ignorância  de si mesmo. O realinhamento  se inicia  com a predisposição de refazer o que não se fez bem, a partir do arrependimento e do remorso pelas faltas cometidas, que ele vê como causas verdadeiras de suas aflições. A tomada de consciência gera o desejo sincero de retomada do caminho da virtude, a que todos são compelidos pelo determinismo da Lei de Deus. E a misericórdia de Deus dá a justiça como orientadora do caminho da virtude: “a sementeira é livre, mas a colheita é obrigatória”.

(Jonas, O Contador de Histórias)


quinta-feira, 15 de outubro de 2020

 A Moeda

Tininha da Praça recebera o apelido certo. Fazia ponto no pequeno largo, diante da agência bancária. Moça ainda, compleição franzina. Aparência doentia. As vestes, raladas pelo uso, mal cobriam o corpo desnutrido pela miséria. Aproveitava o movimento do local para rogar auxílio. Uma moeda que fosse para o minguado pão de cada dia. 

Era sozinha com o filho. O companheiro se fora. Ali, na praça, ficava por horas, esperando a caridade alheia. Em casa, o filhinho, cego e paralítico, no catre sem conforto, e que a vizinha olhava de favor. 

O rosto sofrido e a humildade da jovem inspiravam compaixão e simpatia. Raros eram os indiferentes. A maioria ajudava, como se fosse obrigação diária.

  • É pouco, Tininha, mas é o de hoje - dizia alguém, estendendo-lhe algum recurso.

  • O pouco com Deus é muito - agradecia ela, contente e humilde. 

Naquela tarde, a mulher empertigada parou diante da pedinte. Colares à vista. Pulseiras tilintando. Roupa vistosa. De tal forma sua presença chamou a atenção, que logo algumas pessoas se reuniram em torno delas. 

A desconhecida atirou uma moeda no colo da mendiga e, olhando-a de cima, começou a conversa:

  • É moça. Por que pede?

  • Preciso, dona.

  • E o trabalho?

  • Não tenho saúde.

  • Mas sai de casa.

  • É o que posso.

  • Exploração, moça.

  • Precisão, senhora.

  • Falta de vergonha.

A infeliz sentiu o golpe, baixou os olhos e começou a chorar baixinho. 

O jardineiro da praça, um dos presentes no grupo em volta, tomou a palavra e falou:

  • A senhora pode ajudar a Tininha, sua moeda vai matar a fome do filho dela. Mas para a senhora não existe ajuda.

A mulher empinou o rosto e, já ensaiando a retirada, comentou com rispidez:

  • Ajudar a mim? Que petulância!

O jardineiro, porém, não perdeu tempo e explicou, sob o aplauso dos presentes:

  • Não existe moeda no mundo que acabe com o orgulho.

(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas 2-Antônio Baduy Filho)


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

 Parcelamento

Maneco Dantas era ferreiro. Braços fortes. Músculos rijos. Estatura avantajada.

Conhecido em toda a região, conquistara a fama de profissional hábil, e curiosos se aglomeravam  diante da oficina para vê-lo trabalhar. Manejava o fole com o braço esquerdo e, com o direito, segurava o martelo que descia, firme, sobre a bigorna, moldando o ferro aquecido na fornalha.

Apesar da aparência tosca e do serviço grosseiro, tinha bons modos. Gentil, educado. Voz mansa. Era, porém, sistemático e impunha certas condições para pagar o que devia. Qualquer que fosse o tamanho da dívida, pedia parcelamento.

Certo dia, amanheceu cego dos dois olhos. A notícia comoveu a cidade. Buscou recursos até na capital. Várias consultas. Inúmeros exames. Junta médica. Diagnóstico de cegueira completa e definitiva, mas de causa desconhecida. Sem recuperação.

Abalado, Maneco confinou-se em casa. Guilherme, espírita e companheiro de forja, fazia-lhe visitas diárias. Numa delas, o ferreiro abriu o coração e dialogou com o amigo. Disse, lamentando:

  • Por que esse infortúnio em meu caminho?

O visitante explicou, com bondade:

  • O sofrimento sem motivo conhecido nesta existência é coisa do passado. Vivemos várias vezes. O que se erra numa vida paga-se em outra. 

Maneco ficou pensativo, mas logo contestou, prosseguindo a conversa:

  • Pagamento com cegueira?

  • É consequência do mau uso da vista, em outros tempos. Jesus afirmou que, se o olho é causa do mal, deve ser punido. Você errou antes, está pagando agora. É a Lei de Ação e Reação. 

O enfermo calou-se por um instante. Depois, comentou, contrariado:

  • Não concordo com essa lei. É cruel, não parcela a dívida.

Guilherme ficou surpreso e perguntou:

  • Que parcelamento você queria?

E Maneco, mexendo a cabeça de um lado para outro, finalizou, irritado:

  • Ora, um olho de cada vez.

(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas-Antônio Baduy Filho)


sábado, 10 de outubro de 2020

Caçando Corações Para A Eternidade

O espírito do homem foi criado simples e ignorante, com a destinação de evoluir para Deus, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. O corpo na forma humana foi idealizado pela Divindade para abrigar o espírito do homem em sua escalada evolutiva, submetendo-o a limitações de toda a sorte, dentro das quais terá que superar as tendências inferiores que ainda carrega, aprendendo a expandir a sua própria percepção da Criação. Somente quando purificado, o homem poderá ver a Deus em sua infinita grandeza.

As limitações que carrega impedem, muitas vezes, que o homem perceba sua natureza divina, fazendo com que se mantenha ligado ao imediatismo das coisas do mundo, valorizando apenas aquilo que lhe proporciona condições de viver na matéria. A acomodação é a maior inimiga que o homem pode ter para a sua escalada evolutiva e, quase sempre, origina-se na inércia a que ele se entrega diante de suas condições físicas, intelectuais e morais. A falta de constância, a ausência do espírito de luta, a preguiça, a desculpa, a desilusão são posturas comuns na matéria, todavia, inadequadas ao progresso e à evolução.

Os japoneses têm uma cultura milenar, ligada à crença reencarnacionista. É o que chamam de “Kaizen”, que significa aprimoramentos lentos, graduais, sutis, levando o homem ao progresso contínuo. Nessa crença, afirmam ser a acomodação a maior inimiga do progresso, concitando os indivíduos a melhorarem tudo aquilo que fazem e a se tornarem eternamente insatisfeitos com suas próprias condições. Procuram disseminar nos homens a consciência de sua imperfeição e a necessidade de buscarem a luz da sabedoria na menores ações do dia-a-dia. Partem da premissa de que tudo o que existe pode ser sempre melhorado e que não há limites para a evolução, pois a perfeição nunca é absoluta. Assim, é preciso compreender que nada é definitivo no homem. Tudo muda, tudo evolui, tudo se modifica sob o influxo da vontade do Criador. Por essa crença, o homem deve reconhecer seus erros e aceitar sua imperfeição, buscando aprimorar-se todos os dias, por menor que seja a melhoria possível de ser alcançada.

Essa crença japonesa, fruto da concepção espiritual do homem, tem muita semelhança com as lições de Francisco de Assis que, pela perseverança, pela constância na busca de seus objetivos, exemplificava ser necessário que a cada dia colocássemos pelo menos um tijolo na construção de nossas vidas. Em pouco tempo poderíamos observar a “igreja” que fomos capazes de construir com o esforço continuado. Essa postura, de constância de propósitos e de ações, faz diferença ao longo do tempo. Aqueles que buscam a perfeição baseada em valores imediatistas, que buscam resultados em curto prazo, ainda não estão preparados para ela. Há que se ter visão clara do futuro almejado, mas, para que este futuro seja possível, as ações devem ser empreendidas todos os dias. Por mais que nos aproximemos da meta final, sempre haverá muito ainda por fazer, muito ainda por aprender e por progredir. 

Quando encarnado, apesar de dotado da capacidade de pensar, discernir e escolher seus caminhos, o homem se vê preso a necessidades imediatas e a compromissos que acabam por acomodá-lo, impedindo-o de realizar voos mais altos na direção de sua espiritualização. São obrigações domésticas, relações de família, afazeres profissionais e apegos a falsos valores materiais, priorizando suas ações e desviando-o dos rumos traçados por sua destinação. Move-se guiado pelos limitados sentidos da visão, da audição, do tato, do olfato e do paladar que lhe permitem apenas uma pálida percepção do universo a sua volta.

Mesmo sendo dotado de inteligência, que o faz perceber a harmonia presente na natureza, muitas vezes não consegue perceber a existência da força criadora interferindo em todas as coisas, adequando-as à vontade do Pai. Muitos são aqueles que nem se preocupam, ainda, em pensar ou em buscar entender qual o significado de suas vidas. O que são? Qual a sua destinação? Por que este ciclo contínuo entre a vida e a morte? Por que os homens são tão diferentes uns dos outros?

Como criaturas de Deus, convivendo com outros seres na natureza material, somos submetidos às mesmas leis, não se permitindo, a quem quer que seja, descumpri-las. Todo desvio será sempre compelido ao necessário reajuste. O ser espiritual evolui entre dois mundos, entre mergulhos nas limitações da carne e desprendimento no plano espiritual, onde estas limitações não mais existem. Dotados da misericórdia do esquecimento do passado, o homem consegue fazer e refazer seus caminhos até que a purificação espiritual lhe permita perceber e entender o verdadeiro significado da Criação. Quando aprisionado na carne, entretanto, é com muita dificuldade que consegue se libertar  dos valores materiais. Em geral, na matéria ele prioriza a matéria. 

A dor é o grande agente de retificação dos rumos, atuando de forma implacável, como um verdugo que cobra reajuste e abate o ímpeto dos mais recalcitrantes, forçando-os a meditarem e a buscarem o apoio nos valores do Espírito. 

(Jonas, O Contador de Histórias)