quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

                                             A Comunidade dos Espíritos Puros

Rezam as tradições do Mundo Espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da Vida de todas as coletividades planetárias.
Essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos. 
A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção.
Há no mundo um movimento inédito de armamentos e munições. Teria começado neste momento? Não. A corrida armamentista do século XX começou antes da luta de Porto Artur, em 1904. As indústrias bélicas atingem culminâncias imprevistas. Os campos estão despovoados. Os homens se recolheram às zonas de concentração militar, esperando o inimigo, sem saber que o adversário está em seu próprio Espírito. A Europa e o Oriente constituem um campo vasto de agressão e terrorismo, com exceção das Repúblicas Democráticas, que se veem obrigadas a grandes programas de rearmamento, em face do Moloque do extremismo.
Onde os valores morais da Humanidade? As igrejas estão amordaçadas pelas injunções de ordem econômica e política. Somente o Espiritismo, prescindindo de todas as garantias terrenas, executa o esforço tremendo de manter acesa a luz da crença, nesse barco frágil homem ignorante do seu glorioso destino, barco que ameaça voltar às correntes da força e da violência, longe das plagas iluminadas da Razão, da Cultura e do Direito.
Convenhamos em que o esforço do Espiritismo é quase superior às suas próprias forças, mas o mundo não está à disposição dos ditadores terrestres. Jesus é o seu único diretor no plano das realidades imortais, e agora que o mundo se entrega a todas as expectativas angustiosas, os espaços mais próximos da Terra se movimentam a favor do restabelecimento da verdade e da paz, a caminho de uma Nova Era.
Espíritos abnegados e esclarecidos falam-nos de uma nova reunião da comunidade das potências angélicas do Sistema Solar, da qual é Jesus um dos membros divinos. Reunir-se-á, de novo, a sociedade celeste, pela terceira vez, na atmosfera terrestre, desde que o Cristo recebeu a sagrada missão de abraçar e redimir a nossa Humanidade, decidindo novamente sobre os destinos do nosso mundo. 
Que resultará desse conclave dos Anjos do Infinito? Deus o sabe.
Nas grandes transições do século que passa, aguardemos o seu amor e a sua misericórdia.
(Espírito Emmanuel-A Caminho da Luz-C.Xavier)

Nota: 
Atribuem ao médium Chico Xavier a informação de que a Comunidade dos Espíritos Puros reuniu-se pela terceira vez no dia 20/07/1969.
Isto não foi confirmado por outros médiuns, o que dificulta a sua veracidade, haja vista que, seguindo os critérios de Allan Kardec, é imprescindível que as informações do Mundo Espiritual sejam confirmadas por vários médiuns em diferentes pontos do planeta. 
Após o desencarne do médium famoso, surgiram algumas pessoas dizendo-se seus continuadores, fazendo "revelações" incríveis, porém, inverossímeis, totalmente fora dos postulados espíritas, estabelecidos pelo Codificador. Um deles chega a dizer, em vídeo publicado no Youtube, que Jesus é inferior a outros seres. Isto denota desconhecimento da realidade espiritual, largamente divulgada pelas obras de Allan Kardec e de muitos Espíritos Superiores que o assessoraram, tendo estes falsos profetas encarnados o objetivo de confundir as pessoas, além de ganho material, uma vez que são orientados por Espíritos pseudo-sábios.  
Em consideração à Doutrina Espírita, e para o nosso bem, é importante que todos a estudemos buscando, primeiramente, as obras que lhe servem de base, chamadas de pentateuco espírita, iniciando pelo "O Livro dos Espíritos", que deu origem às demais.  Luiz Alberto Cunha da Silva

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

                                                                Depressão

Na problemática emocional que surge nos tumultuosos dias do presente, a conhecida por depressão tem sido eleita como uma das mais insidiosas doenças da emoção.
Todavia, antes de enveredarmos pelo caminho que nos propomos, lembremo-nos de considerá-la radicada no mais íntimo de nossa casa mental. E, em função disso, é imprescindível averiguar inicialmente se tal condição não está sendo produzida por questões de natureza biológica, adstritas à constituição da química cerebral.
A moderna medicina, nos avanços abençoados que observamos, tem desvendado inúmeras situações de aparente caos emocional na área depressiva e que se encontram perfeitamente explicadas pelas alterações da química cerebral nos processos do raciocínio e da compreensão das coisas ao seu redor.
Ninguém poderá negar a influência hormonal no estado de ânimo ou nas disposições dos indivíduos, bastando para tanto, observarem-se as alterações no comportamento feminino nos períodos mensais em que o berço uterino está se endereçando para a descamação rotineira. Na mesma dimensão, alterados os níveis de testosterona no organismo masculino, observaremos o avançar dos estados agressivos quando aquele hormônio se acentua na corrente sanguínea.
Por isso, antes de se buscar rotular de problema de cunho depressivo emocional simples ou, até mesmo de prevalência de ascendentes espirituais obsessivos, impõe-se a indagação sobre o estado de saúde do paciente nestas condições, ocasião em que, ainda que válidos os recursos psicoterápicos ou magnético-espirituais, seu estado se resolverá com a ingestão de elementos farmacológicos que lhe supram as deficiências químicas nos processos neurais. 
No que tange à depressão aqui considerada, depois de excluirmos as questões acima referidas, importa considerar que é sempre brecha na armadura do indivíduo que se deixou abater por processos de culpa não equacionados no seu interior. Sempre se encontrará, com maior ou menor ênfase no contexto depressivo e, muitas vezes como disparador desse processo, uma situação de fragilidade que aponta para a autocomiseração, autoflagelação, autopunição que aceitam a solução depressiva como justa retribuição para deslizes materiais ou morais ou delitos efetiva ou supostamente praticados.
O antídoto para qualquer processo depressivo, excepcionados aqueles que constam da abordagem inicial deste capítulo é o Trabalho.
Aquele que se vale da terapêutica  laboral, notadamente da que se oferece graciosa e fraternalmente, se vê vacinado contra as tendências à auto comiseração ou fragilidade injustificável.
Oferecer-se sem escolher serviço, mas sentindo prazer por ser útil a alguma causa que torne importante a sua motivação para a vida, representará sempre a medicação mais adequada para que o que tenha tendência à depressão se livre de sua ameaça constante, por descobrir-se importante em algum setor da vida, ainda que não consiga se ver plenamente realizado nos caminhos nos quais depositava os seus sonhos.
Oferecer ao que vê o mundo escuro a visão luminosa da esperança e fazê-lo crer que ela também está disponível para ele, permitirá que os anseios de viver que existem em todas as pessoas apontem o rumo de seus lemes para aquilo que poderá ser menos doloroso ao invés de, simplesmente, embrenhar-se na floresta de medicamentos que pouco conseguem fazer diante dos processos depressivos decorrentes de interferências externas, visíveis ou invisíveis.
E a lembrança da figura majestosa em humildade do doce Rabi da Galileia a dizer: Vinde a mim todos vós que estais sobrecarregados e Eu vos aliviarei... demonstrará que, recorrendo à ocupação de nosso tempo com coisas construtivas e, sempre que possível, à terapia de fluidos que o passe magnético da Casa Espírita propicia, só permanecerá em depressão aquele que desejá-la como a única solução para seus problemas pessoais. (Obs.: Este capítulo foi resumido para fins de divulgação na mídia)
(Espírito Públio-Jesus no Teu Caminho-André L. Ruiz)

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

                                                   Mediunidade e Aceitação

Se os detratores da Doutrina Espírita são-lhe um estorvo à disseminação entre as comunidades terrenas; se os adversários e cépticos da Mediunidade podem embaraçar, em parte, o seu florescimento; não menos mal - e até mesmo mais - causam-lhe os adeptos ignorantes e místicos, já pela crença desarrazoada e pela incapacidade de pensar por si mesmos, já pela impropriedade na aplicação de seus postulados.
Sois todos sabedores da imprescindível necessidade de estudar e avaliar cada comunicação que vos chega pelos correios do Além, analisando-lhe a linguagem utilizada, cotejando-lhe os conceitos emitidos e submetendo-a ao crivo da razão e do bom senso.
São inumeráveis os companheiros da Erraticidade que se candidatam à posição de condutores de grupos que lidam com a faculdade medianímica e, por isso, - associado ainda à própria flutuação dos sentimentos e predisposição aos sentidos físicos - todo o grupo encontra-se vulnerável às manifestações desses Espíritos descompromissados com a seriedade e a benevolência.
Desse modo, saltam, aqui e acolá, novéis "revelações" em que o fantástico e o misticismo, o sobrenatural e o fanatismo ressaltam como a essência mesma daquelas "orientações" que afetam o usufruto do livre-arbítrio dos componentes encarnados; a intromissão e a imisção inoportunas na atividade terrena que naturalmente compete e diz respeito diretamente aos trabalhadores do plano existencial mais densificado.
Afastai-vos dos Espíritos que se intitulam condutores ou se insinuam como líderes, porque os déspotas também se posicionam em tal condição.
A verdade é irrefreável e desponta independente da nossa vontade, à maneira da luz que não esvanece ante a sombra, antes extingue-a.
Preferível é "rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa"(Erasto, O Livro dos Médiuns, XX, 230), pois suas repercussões são sobremodo avassaladoras e motivo de multiplicação de dores.
Permanecei alertas e podereis evitar o desprazer de experenciar momentos como esses. 
(Espírito Nathan-Conselhos Mediúnicos-Francisco Cajazeiras)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Rendição

Tudo fizera para pagar os quinhentos mil cruzeiros...
Desesperava-se.
Tudo debalde...
O desejo de auto-eliminação escaldava-lhe o crânio.
Sentia a necessidade de orar... Mas, como? 
Abnegado amigo dispôs-se a conduzi-lo a determinado templo espírita, a fim de que pudesse recolher algum esclarecimento e consolo.
Apreensivo, recebeu a palavra de generoso Mentor, que lhe dizia, em página breve:
- "Irmão Avelino. Deus esteja convosco. Não desespere. Simples quarto de hora está revestido  de imenso valor e, por vezes, modifica inteiramente o destino. Volte ao lar e ouça Jesus no Evangelho. Somente o Evangelho guarda bastante luz para a solução de nossos problemas".
Terminada a reunião, afastou-se Avelino, sem dar-se por satisfeito.
Estava desapontado e desgostoso. Fugiria do mundo. Ninguém lhe evitaria semelhante propósito.
Ao retornar a casa, inquieto em suas cogitações, reparou que os faróis do ônibus incidiram sobre a frente de um transportador de carga, a movimentar-se em sentido contrário, e pode ler, nitidamente, no para-choque:
- "Deus viaja conosco".
Sorriu, irônico.
"Todo o motorista é engraçado" - pensou.
Chegando em casa, entrega-lhe a esposa afetuosa carta de um companheiro.
Retira-lhe o conteúdo.
Começa a leitura e esbarra com a saudação:
- "Deus esteja conosco, hoje e sempre".
Deixou a missiva, contrafeito, e falou de si para consigo:
- "Sempre a filosofia religiosa!...".
Ainda assim, enfadado de tudo, notou que a esposa andara lendo o Evangelho, porque um exemplar do Novo Testamento descansava na mesa, a pequena distância.
Mais curioso que interessado, abriu o livro e seus olhos caíram sobre o versículo onze do capítulo treze, na segunda carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios:
- "Quanto ao mais, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco".
Abandonou o livro desalentado.
Esparramou-se em velha poltrona e ouviu conhecido locutor encerrando o programa naquelas primeiras horas da madrugada:
- "Deus esteja conosco".
Desligou o aparelho, sem dizer palavra.
Beijou a esposa, então recolhida, com o enternecimento de quem se despede pela última vez.
Tornou à copa.
Estava decidido. Terminaria tudo.
O gargalo de uma garrafa verte a cerveja sobre alta dose de violento corrosivo.
Antes, porém, do gesto infeliz, pensa um pouco.
Fita, angustiado, a cena familiar que o rodeia...
No cimo de grande armário vê, rasgado, o verde papagaio de papel que lhe recorda o filhinho.
Guardando a taça entre as mãos, dirige-se ao quarto próximo e inclina-se, quase em pranto, para Ricardo, o garoto que dorme.
O leito, pressionado, estala de leve e o menino acorda, atarantado. 
À frente da inesperada visita, atira-se nos braços paternos, fazendo ir ao chão o copo que se estilhaça no piso, ao mesmo tempo que exclama, expansivo:
- Papai! Papai! Hoje na aula escrevi sem errar o primeiro ditado da professora: "Confiemos em Deus!"
Avelino, agora chorando e rindo, abraçou o petiz. 
Deus vencerá!
Deus, que o cercava por toda a parte, ajudá-lo-ia a pagar os quinhentos mil cruzeiros.
- Obrigado, meu filho! - clamou, feliz, levando o lenço aos olhos.
A seguir, descerrando larga janela, contemplou o céu rutilante de estrelas...
E, tomado de júbilo inconsciente, gritou, espontâneo:
- Obrigado, meu Deus!
Delirando de alegria, apertou o filhinho com mais ternura e, aliviado enfim, respirou, a longos haustos, como se tivesse encontrado a felicidade pela primeira vez...
( Espírito Hilário Silva-A Vida Escreve-Waldo Vieira)

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

                                                                O Cão Lorde

José e Chico possuíam um lindo cão. Chamava-se Lorde.
Era diferente de outros cães. Possuía até dons mediúnicos.
Conhecia, nas pessoas que visitavam seus donos, quais as bem intencionadas, quais os curiosos e aproveitadores.
Dava logo sinal, latindo insistentemente ou mudamente balançando a cauda, à chegada de alguém, dizendo, neste sinal, se a visita vinha para o bem ou para o mal...
Chico contou-nos casos lindos sobre seu saudoso cão. Depois, tristemente, acrescentou:
- Senti-lhe, sobremodo, a morte. Fez-me grande falta. Era meu inseparável companheiro de oração. Toda manhã e à noite, em determinada hora, dirigia-me para o quarto para orar. Lorde chegava logo em seguida. Punha as patas sobre a cama, abaixava a cabeça e ficava assim em atitude de recolhimento, orando comigo.
Quando eu acabava, ele também acabava e ia deitar-se a um canto do quarto.
Em minhas preces mais sentidas, Lorde levantava a cabeça e enviava-me seus olhares meigos, compreensivos, às vezes cheios de lágrimas, como a dizer que me conhecia o íntimo, ligando-se ao meu coração.
Desencarnou. Enterrei-o no quintal lá de casa.
Lembramos ao Chico o Sultão, inteligente cão do padre Germano. Igual ao Lorde.
Falamos-lhe de um cão que possuímos e se chamava Sultão, em homenagem ao padre Germano.
Chico contou-nos casos do Lorde; contamos-lhe outros do Sultão.
E, em pouco tempo, estávamos emocionados.
Ah! sim, os animais também têm alma e valem pelos melhores amigos!
(Ramigo Gama-Lindos Casos de Chico Xavier)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

                                                        Reencontro

Aristeu Valente tivera uma existência atribulada. Trabalho árduo. Família numerosa. Viuvez em três ocasiões. Era boa pessoa, mas exigente e de prosa repetitiva.
Tornara-se espírita com idade mais avançada e frequentava regularmente as reuniões de estudos. Aprendera muito com os novos conhecimentos espirituais. Entretanto, era sempre assaltado por dúvida atroz: como seria o reencontro com as esposas no além-túmulo? Fora marido ciumento. Autoritário. Impertinente. Era um tormento no lar, dramatizando situações menos importantes.
O assunto era sempre ventilado com os companheiros, que lhe conheciam o temperamento e falavam com franqueza:
- A convivência no Mundo Espiritual baseia-se na simpatia e afinidade. O sentimento é sempre elevado, livre das questiúnculas terrenas. Aquele que vive no bem não tem o que temer.
Aristeu, porém, insistia por outras respostas, até que, um dia, soube de experiente espírita, em localidade próxima. O diálogo foi nesses termos:
- Sou espírita, mas estou com dificuldades.
- Vamos conversar.
- Fiquei viúvo três vezes e tenho sérias dúvidas.
- Três vezes?
- Sim, com filhos pequenos, exceto na última, quando eram todos adultos.
- E a dúvida?
- Penso como será o encontro com as esposas, na vida espiritual.
- Por que a preocupação?
- Elas estão lá, juntas. Não saberei o que fazer. 
A conversa durou algum tempo, e o veterano doutrinador, sobrecarregado de compromissos, logo percebeu que nenhuma explicação satisfazia o viúvo. Fez uma pausa e disse, encerrando o assunto:
- Não haverá problema algum. Elas estão livres.
- Livres?
- Sim, livres de sua impertinência.
(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas-Antônio Baduy Filho)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

                                                      A Religião de Jesus

Cultivando o pensamento libertador com que a Nova Revelação te insufla à vida, reflete na religião de Jesus.
Em todas as circunstâncias, reconhecemo-nos defrontados pelo Mestre, no exercício da fraternidade dinâmica.
Indubitavelmente, asseverou Ele não ter vindo para destruir a Lei e sim para dar-lhe cumprimento.
E executou-a, substanciando-lhe os enunciados na ação construtiva com que lhe ampliou todos os preceitos em luzes de ensino e afirmações de trabalho.
Não levantou quaisquer santuários de pedra; não fomentou discussões teológicas; não instituiu pagamento por serviço religioso; não criou amuletos ou talismãs; não consagrou paramentos nem traçou rituais. 
Ao revés, ajustou-se á comunidade, em penhor de soerguimento e sustentação do homem integral, amparando-lhe corpo e alma.
Explicou a verdade, tanto aos rabinos quanto aos pescadores de vida singela.
Pregou a divina mensagem no tope dos montes, alimentando estômagos famintos e clareando cérebros sequiosos de luz.
Socorreu mulheres infelizes e crianças abandonadas; leu nas sinagogas; curou cegos; restaurou doentes; ergueu paralíticos; recuperou obsediados, doutrinando  Espíritos perturbados e sofredores; encorajou os tristes e banqueteou-se com pessoas apontadas ao escárnio social. 
Sem qualquer laivo de culto à personalidade, viveu no seio da multidão.

Encontrando, pois, no Espiritismo a Boa Nova renascente, convençamo-nos de que as nossas casas doutrinárias devem ser lares de assistência gratuita ao povo que, em todos os tempos, é a verdadeira família de Cristo.
Meditando nestas observações incontestes, evitemos converter os Templos Espíritas em museus do Evangelho ou dourados mausoléus do Senhor, reconhecendo que é preciso constituir neles escolas de fé raciocinada, a se povoarem de almas ardentes no serviço desinteressado em favor do próximo, a fim de que possamos sustar as explosões do desespero subversivo e as epidemias de descrença que, ainda hoje, lavram na Terra com a sanha do incêndio destruidor.
(Espírito Ewerton Quadros-Waldo Vieira-Lindos Casos do Evangelho-Ramiro Gama)

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

                                              Oportunidades Perdidas

Há montanhas de desespero pesando sobre o psiquismo da humanidade.
Há faíscas geradoras de torpor ou de guerra, desprendidas de muitas mentes que convulsionam a humanidade.
Há remorsos que atormentam as vidas de incontáveis criaturas que, agora, no Mundo dos Espíritos, evocam as oportunidades perdidas na romagem corporal, quando foram chamadas, várias vezes, à moderação de muitos hábitos, à reconsideração de muitas situações, ao ajustamento às faixas mentais de respeito à vida, pelo que ela guarda de muito importante.
Reconhecem, tardiamente, que se deixaram arrastar pelas ilusões do imediatismo. Imaginam-se criaturas falidas, perdidas e sem remissão, o que mais as faz descoroçoar.
Entretanto, como o Senhor não faz cobranças de equívocos, mas enaltece o cumprimento do dever nas rotas da existência humana, permite a essas almas descompensadas gravemente o contato abençoado da mediunidade, para que, através do intercâmbio de amor, de fraternidade e de luz, possam atravessar os difíceis caminhos de espinhos, os aterradores lamaçais que forjaram, para encontrar, enfim, a paz que buscam para si mesmas.
E tu que as acolhes em teu "espaço psíquico", cooperando com sua reabilitação e harmonia, valendo-se dos canais mediúnicos que vens aprimorando, ora e agradece ao Sempiterno pelo ensejo feliz de ajudar, que te coroa, desde hoje, com os louros de intensa paz, dispensada pelo Cristo. 
(Espírito Hans Swigg-Em Serviço Mediúnico-Raul Teixeira)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

As Condições

Rosinha Santana era uma jovem insatisfeita.
Vida difícil. Saúde precária. Defeito físico.
Costureira, trabalhava duro para ajudar no sustento da família.
Entretanto, a insatisfação maior era outra.
Não aceitava sua aparência física. Vivia sonhando com novo corpo em futura encarnação.
- Como posso ser feliz deste jeito? - indagava com uma ponta de revolta.
Eufrásia, companheira de tarefas assistenciais, procurava consolar a amiga:
- Rosinha, cada um tem o corpo que precisa para resgatar as dívidas do passado. A reencarnação é uma bênção, em qualquer circunstância. É preciso corrigir os enganos de outros tempos. Prosseguir no aperfeiçoamento íntimo.

A costureira, porém, não se conformava:
- Só aceito nascer de novo em determinadas condições. Olhos dóceis e benevolentes. Rosto bonito e meigo. Traços delicados. Corpo perfeito. Voz melodiosa...
Eufrásia interrompeu o discurso sonhador da amiga e falou, séria:
- Estou triste. Vamos ficar separadas.
- Separadas? Por que?
E a companheira, com um sorriso nos lábios, explicou, pausadamente:
- Ainda sou muito imperfeita e, nascendo nessas condições, você será um anjo.
(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas-Antônio Baduy Filho)

domingo, 5 de janeiro de 2020

                                                                    Ingenuidade

Estava "a perigo".
Precisava, urgentemente, de dinheiro.
Após "passar nos cobres" objetos de uso pessoal e variados pertences, decidiu vender algo menos palpável. 
A própria alma!
Anunciou num site de leilões da Internet e, pasme leitor amigo, encontrou comprador!
Vendeu a indigitada por trinta e um dólares. Foi entregue acondicionada numa garrafa, devidamente tampada.
Moral da história: jamais perderemos dinheiro, apostando na ingenuidade humana. Sempre há alguém disposto a pagar pelo absurdo.
Esta curiosa história lembra um dos grandes clássicos da literatura universal: Fausto, de Goethe, em que o personagem-título vende sua alma ao demônio.
O tinhoso dispôs-se a atender seus desejos na Terra para tiranizá-lo no Além.
Segundo a teologia ortodoxa, demônios são anjos que pecaram antes da criação de Adão, condenados ao inferno.
Conservando a inteligência e os poderes angelicais, passaram a empregá-los para exercitar o mal, procurando induzir à perdição nós outros, pobres mortais, alheios às suas desavenças com o Todo-Poderoso. 
Os anjos rebelados têm produzido estragos, sempre dispostos a "comprar" as almas, explorando as fraquezas humanas. 
É fácil constatar isso.
Basta observar o panorama desolador de nosso mundo. Sucedem-se, incessantes, guerras, crimes, vícios, mentiras, traições, envolvendo indivíduos e coletividades, perpetuando desajustes e dores.
Tem-se a impressão de que os demônios são mais poderosos do que Deus, pondo em dúvida atributos divinos como:
* Onisciência.
Criou anjos sem saber que iriam se perder, nem que induziriam os homens à perdição.
* Onipotência.
Não conseguiu evitar que se perdessem.
* Misericórdia.
Não lhes ofereceu infinitas oportunidades de reabilitação.
* Justiça.
Impôs-lhes eterna danação, sem considerar que a extensão da pena não pode ultrapassar a natureza do crime.

A Doutrina Espírita desfaz milenares enganos a respeito do demo.
Não há seres devotados ao mal perene.
Há apenas filhos rebeldes de Deus, submetidos a leis inexoráveis de evolução, que mais cedo ou mais tarde modificarão suas disposições, reconduzindo-os aos roteiros do Bem.
Afirma Jesus que Deus não pretende perder nenhum de seus filhos (João, 6:39)
E não perde mesmo, ou não seria o Onipotente.
Os demônios de hoje serão anjos amanhã.
Séculos de lutas e sofrimentos, no desdobramento de inexoráveis experiências evolutivas, porão juízo em suas mentes conturbadas.
Em última instância, diabos somos nós, quando nos comprometemos com o mal.
"Vendemos" nossa integridade por ninharias, aos demônios interiores da cobiça, da ambição, do vício, dos prazeres sensoriais, e perdemos o rumo da vida.
Arremedos do gênio da lâmpada de Aladim, cerceamos voluntariamente nossas potencialidades de filhos de Deus, ao nos tornarmos meras "almas em conserva", voluntariamente prisioneiros de reluzentes e comprometedoras paixões.
(Richard Simonetti-Abaixo a Depressão) 

sábado, 4 de janeiro de 2020

                                                  Não Posso Morrer

Como sempre acontece na convivência social, também temos, em nosso círculo de amizade, aquelas criaturas engraçadas e bem humoradas que fazem da vida uma constante alegria de viver.
Uma dessas criaturas que conhecemos é um barbeiro profissional, espírita, e que se converteu ao Espiritismo em razão de uma cura física que mereceu do Alto, através de um médium da cidade.
Era ele, esse nosso amigo, portador da terrível e ainda incurável doença de Chagas. Como se agravava dia-a-dia o seu estado de saúde, sendo sempre desenganado pelos médicos e hospitais que procurava, inclusive institutos especializados, tratou ele de procurar o médium em causa, em razão das maravilhosas coisas que ouvia a seu respeito. Atendido algumas vezes, melhorou de tal modo que lhe foi garantido pelo Espírito que estava curado, podendo, em consequência, fazer novos exames para comprovar.
Como reação lógica de um crente ainda não muito firme em sua convicção, o barbeiro tratou de fazer todos os exames e consultar seus médicos. Como resultado obteve o diagnóstico de curado. Todos os exames foram negativos. Nada mais apareceu da doença. Nenhum sinal, para espanto dele e de todos.
Daí para a frente, e isso já faz uns quinze anos (1986, 1ª edição deste livro), periodicamente se submete aos exames de rotina que, como sempre, são negativos. 
Como consequência, o barbeiro passou a ser pregador do fato, para tudo e para todos. Vive a encaminhar e doutrinar doentes, numa ânsia incrível de ver todos, como ele, curados. Por qualquer queixa de alguém, lá vai ele logo dizendo que deve procurar incontinenti o médium, pois ali está a solução.
Como é normal, infelizmente, muitas pessoas que o escutam na barbearia não acreditam na história e sempre o olham com certa reserva. No entanto, ele sabe, como todos sabemos, que está sendo observado, principalmente pelos inimigos gratuitos do Espiritismo e da mediunidade. Ainda mais que o médium reside na mesma cidade, e o ditado popular de que "santo da terra não faz milagres" continua sempre válido e em primeiro plano para muitos. 
Assim, outro dia, em conversa que mantínhamos enquanto nos atendia, muito bem humorado como sempre, com o salão lotado de fregueses, saiu-se esse nosso amigo com esta:
- Pois é... Aqui nesta cidade o único "cara" que não pode morrer sou eu, isto porque tem muita gente de olho em mim... Quando isto acontecer, não importa o tempo, irão dizer que não obtive cura nenhuma e que o médium, essa boa alma, é um charlatão. Por isso já estou preparando "meus Guias" a fim de que, ao chegar a minha hora de morrer, eu esteja bem longe daqui. Se possível, morrer como indigente para ser enterrado como um desconhecido".
Realmente, a observação desse nosso amigo tem muito de verdade. Para nós, os reflexos do coração são sempre norteados de acordo com a nossa disposição de ver as coisas. Quando não olham como verdadeira uma cura de muitos anos atrás, é porque não querem mesmo aceitar. E como o homem dificilmente aceita e participa da dor e da felicidade alheias, o fato fica sempre sob suspeita.
Então, esse nosso amigo é um daqueles que realmente não pode morrer; caso contrário, morrerá com ele uma bênção de Deus. 
É difícil aceitar as coisas simples, quando se alicerça a fé em preconceitos.
(Sérgio Lourenço-Em Busca do Homem Novo)