sexta-feira, 4 de junho de 2021

 Suicidas Também


Os vapores da ira cultivada perturbam o equilíbrio da emoção.

Os tóxicos da angústia vitalizada envenenam os centros da harmonia psíquica.

As viciações mentais ou físicas mantidas interferem no metabolismo fisio-psicológico.

A insatisfação demorada desarticula o ritmo da máquina orgânica.

A rebeldia sistemática dá gênese a enfermidades complexas.

A ociosidade responde por inúmeros distúrbios psíquicos.

A ansiedade contínua leva às alienações.

O ciúme envilece o caráter e desconcerta a vida.

A avareza tisna o discernimento e perturba a organização fisiológica.

Quantos cultivam estes e outros semelhantes “vírus” perigosos adoecem, avançando, insensatamente, para o autocídio total.


O suicídio, que decorre do gesto alucinado, levando a vítima a perder os contornos da realidade, choca e produz comoção geral. 

O suicídio lento, desgastante e fatal, porém, passa despercebido.

Pululam, na atualidade, em todos os níveis sociais e econômicos, as vítimas da autodestruição, por equívocos morais, excessos físicos e leviandades espirituais.

Fumantes inveterados, toxicomanos irresponsáveis, alcoólatras sistemáticos, sexólatras atonitos padecendo estranhas e rudes obsessões, já se encontram a largo trecho da estrada do suicídio infeliz.

Há outras formas de anulamento da vida física, a que se entregam inumeráveis vítimas inermes.

No entanto, há tanta beleza e amor convidando à vida!


Acautela-te, nas atitudes e comportamentos sadios, preservando a dádiva do corpo com que a Vida te honra, no processo inevitável da evolução.

Ora e medita, anulando as constrições negativas de que sejas objeto.

Ama e serve indistintamente, arrebentando as algemas morais e emocionais que desejem reter os teus movimentos nobres.

E, em qualquer situação, segue Jesus, sustentado na fé imortalista, guardando a certeza de que tudo quanto te aconteça ocorre sempre para o teu bem, se te souberes conduzir na difícil circunstância. Por fim, tem em mente que a madrugada colore a treva; suavemente, enquanto a sombra campeia, e que a ressurreição ditosa chegará somente após a passagem pelo túmulo, onde todos despertam para a realidade insofismável da vida.

(Espírito Joanna de Ângelis-Alerta-Divaldo Franco)


terça-feira, 1 de junho de 2021

 O Bobo


No Grupo Espírita de estudos, era comum a troca de comentários a respeito das vidas passadas dos companheiros.

Contudo, Felisberto Antunes era contra. Homem sério. Professor culto. Leal aos ensinamentos doutrinários. Repreendia sempre os amigos que se entregavam ao exercício da imaginação. Falava com firmeza:

  • Deixemos o passado em paz. O esquecimento é importante aos novos rumos do Espírito que toma outro corpo material. Cuidemos do presente, que nos pede esforço e trabalho para a renovação íntima.

Dona Mariinha, porém, discordava. Costureira, costumava dizer que sabia também alinhavar o pretérito das pessoas. Afirmava que ela própria havia sido famosa dama, nos tempos áureos da corte francesa.

Certa noite, após a reunião, Dona Mariinha começou a fazer suposições sobre as existências anteriores dos companheiros. Estava mais expansiva do que era costumeiramente. Apontando cada um, desatou a revelar:

  • João foi general de talento; Eusébio, duque poderoso; Terezinha, formosa baronesa; Alfredo, influente nobre…

Quando já beirava uma dúzia de citações, um dos companheiros perguntou:

  • E o Felisberto, o que foi?

O professor atalhou a conversa e apressou-se a falar antes da costureira. Fixou os olhos em dona Mariinha e, medindo cada palavra, respondeu com ironia:

  • Já que não sobrou nenhum lugar na nobreza, devo ter sido o bobo da corte.

(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas Vol.1-Antonio Baduy Filho)