quinta-feira, 30 de setembro de 2021

 O Estômago


Laerte Dantas era muito estimado. Presença simpática. Boa prosa. Pessoa agradável.

Único corretor na pequena comunidade, conhecia todo mundo. Festeiro de primeira, tornara-se convidado indispensável em qualquer evento. Era a alegria de toda festa.

Contudo, em passado recente e por motivos banais, recebera dolorosa ofensa. Parente, a quem dedicava sincera afeição, virara-lha as costas e cortara todas as possibilidades de convivência. Agora, porém, desejava a reconciliação.

Laerte, que havia sofrido muito com a atitude do familiar, não perdoava o acontecimento.

  • Ofendeu. Pisou. E agora quer um encontro. Depois de toda aquela maldade… - dizia com tristeza e, ao mesmo tempo, com irritação.

Martinho, velho amigo e experiente conhecedor do Evangelho, respondia com argumentos inspirados nos ensinamentos espíritas:

  • O perdão é bom para a saúde. Extingue as toxinas da mágoa e liberta as energias do bem. Além disso, é melhor reconciliar-se agora do que depois. É um problema a menos para as vidas futuras.

A conversa se dava no hospital da cidade, onde Laerte estava internado, em razão de distúrbio digestivo severo. Excessos durante uma festa. Abuso alimentar. O estômago não suportara a agressão.

O amigo explicava ainda as vantagens do perdão, quando o clínico apareceu para a visita diária. Fez perguntas. Examinou a região afetada. Depois, falou, sorridente:

  • Houve grande melhora. O estômago perdoou sua ofensa.

Logo que o médico saiu do aposento, Martinho aproximou-se do companheiro no leito e comentou, sério:

  • Se até o estômago perdoou…

Não completou a frase, mas o doente entendeu o que ele queria dizer.

Mais tarde, Laerte recebeu a visita do parente e entre pedidos de desculpas, abraços e sorrisos, aconteceu a reconciliação.

(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas 2-Antônio Baduy Filho)


terça-feira, 28 de setembro de 2021

 Comando Divino


Há uma ordenação divina no Universo. Deus a tudo prevê e provê, atendendo às necessidades evolutivas de seus filhos. Nada ocorre por acaso.

Os próprios Espíritos, os seres inteligentes da Criação que povoam o Universo fora do mundo material, segundo a definição expressa na questão nº 76 de “O Livro dos Espíritos”, participam dessa ordenação, num sistema hierárquico determinado exclusivamente pelo merecimento. Quanto mais evoluídos, mais complexas e importantes as suas tarefas.

Espíritos puros e perfeitos são promovidos a prepostos do Criador, com largas responsabilidades que envolvem o progresso de imensas coletividades, orientando-as em experiências compatíveis com suas necessidades evolutivas. 

Sabe-se que as manchas solares, detectadas por sofisticado instrumental científico, fruto de explosões atômicas que ocorrem no astro-rei, são responsáveis por múltiplos fenômenos climáticos terrestres e não raro promovem flagelos devastadores, como tufões, tempestades, nevascas, secas, enchentes…

Seriam casuais tais ocorrências? Para o materialista, certamente. Mas o religioso, que concebe a onisciência e onipotência  de Deus, não pode desenvolver semelhante raciocínio, que equivaleria ao reconhecimento de que a Natureza escapa ao comando divino.

Admitindo, portanto, que o Criador controla os fenômenos naturais, contando com a participação de seus prepostos, podemos conceber  que as convulsões solares são programadas por engenheiros siderais em benefício dos planetas que se movem em sua órbita, como um todo, e, em particular, beneficiando as coletividades terrestres, mais diretamente afetadas, já que a Terra é o único planeta do sistema solar que possui vida material. 

Os flagelos decorrentes beneficiam fisicamente o planeta, principalmente na renovação de sua atmosfera mas, sobretudo, impõem um agitar das consciências humanas, tanto para aqueles que desencarnam em circunstâncias dolorosas e traumáticas, quanto para os que colhem as consequências da devastação ocasionada. Experiências assim representam a oportunidade de resgate de seus débitos do pretérito, ao mesmo tempo em que fazem sua iniciação nos domínios da solidariedade. As vítimas das grandes calamidades tornam-se menos envolvidas com as ilusões, mais dispostas a ajudar o semelhante, após sentirem na própria carne a dor que aflige seus irmãos.

A Lei de Destruição funciona, também,  para conter os impulsos desajustados da criatura humana. Não é preciso grande esforço de raciocínio para perceber que a AIDS, a síndrome de insuficiencia adquirida, representa uma resposta da Natureza aos abusos cometidos pelo Homem nos domínios do sexo, a partir da decantada liberdade sexual, na década de sessenta. 

A AIDS vem impondo ao Homem disciplinas às quais não se submeteria em circunstâncias normais, como um aluno que, embora relutante, decide enfrentar o indesejável aprendizado escolar, porquanto violento temporal o impede de “matar” a aula. O mal terrível e assustador ajudá-lo-á a compreender que é preciso respeitar o sexo, que podemos exercitá-lo com liberdade, desde que não resvalemos para a liberalidade e muito menos para a licenciosidade. Sexo sem compromisso, sem responsabilidade, é mera semeadura de frustrações e comprometimento com o vício, resultando em inevitável colheita de desajustes e sofrimentos.

Talvez a AIDS faça parte de um elenco  de medidas renovadoras que preparam a civilização do terceiro milênio. Oportuno recordar que determinados surtos de progresso para a humanidade são marcados por flagelos terríveis que dizimam populações imensas. Exemplo típico foi a Peste Negra, no século XIV, enfermidade mortal provocada por um bacilo que se instalava nos aparelhos digestivo e circulatório, eliminando suas vítimas em poucos dias. Disseminada pelo Oriente e pela Europa, exterminou perto de vinte e cinco milhões de pessoas, em plena Idade Média, um período de obscurantismo, em que a civilização ocidental parecia imersa em trevas.

No entanto, após a Peste Negra, floresceu o Renascimento, um abençoado sopro de renovação cultural e artística, como o alvorecer de radioso dia precedido de devastadora tempestade noturna.

(Richard Simonetti-A Constituição Divina)


segunda-feira, 27 de setembro de 2021

 A Dor do Outro


Viajores da Eternidade, deslocando-nos em velocidade vertiginosa pelo Infinito, a bordo da nave Terra, tranquila seria nossa jornada se exercitarmos amor.

Jesus, que amou intensamente, legou-nos a fórmula ideal:

“Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o assim também a eles”.

Quando, num prodígio de entendimento e harmonização, todos os homens seguirem essa orientação, teremos a mais espantosa revolução na sociedade humana. 

Cessarão os desníveis sociais absurdos que fazem a vergonhosa convivência entre a miséria e a opulência…

Acabaremos com a fome e a desolação…

Ninguém se sentirá feliz em casa confortável, com belo guarda-roupa e sortida despensa, enquanto existirem multidões que não têm onde morar, nem o que vestir, nem o que comer…

Inibindo o amor há o velho egoísmo humano, que nos leva a racionalizações para justificar a omissão diante dos pobres de todos os matizes.

São eleitos de Deus, que lhes impõe males e privações para conduzi-los ao Céu - explicam muitos religiosos…

Estão resgatando débitos cármicos - dizem muitos espíritas…

Madre Teresa de Calcutá, a grande servidora do Cristo, comenta sabiamente:

“Falar sobre os pobres está em moda, mas conhecer, amar e servir aos pobres é coisa bem diferente”.

Talvez consigamos algo nesse sentido se cultivarmos um pouco de compaixão; se, diante das misérias humanas, “a gente ter dó”, como se diz popularmente.

Compadecendo-nos venceremos o imobilismo e talvez sejamos até capazes de vivenciar o amor, cujo melhor sinônimo, aquele que melhor o explicita, é o verbo servir.

A propósito, diz um sábio judeu que aprendeu o verdadeiro amor ao próximo ouvindo a conversa de dois aldeões:

Dizia o primeiro:

  • Diga-me, amigo João, você gosta de mim?

  • Claro! Sou seu amigo. Gosto muito de você.

  • Você sabe, amigo João, o que me dói?

  • Ora, como posso saber o que lhe dói?

  • Mas, João, se você não sabe o que me dói, como pode dizer que gosta de mim?


Conclui o sábio:

“O verdadeiro amor ao próximo consiste em saber o que dói no outro”.


De lição em lição aprendemos o que é o amor.

Um dia nos disporemos a exercitá-lo.

Então, o Universo não terá segredos para nós.

Seremos parte dele, integrados no infinito amor de Deus. 

(Richard Simonetti-A Presença de Deus)


sexta-feira, 24 de setembro de 2021

 Divino Amparo


Se acreditas que o hálito das entidades angélicas bafeja exclusivamente os cultivadores da virtude, medita na Providência Divina, que honra o Sol, na grandeza do Espaço, mas induzindo-o a sustentar os seres que ainda jazem colados à crosta do planeta, inclusive os últimos vermes que rastejam no chão.

Contempla os quadros que te circundam, em todas as direções, e reconhecerás o Amor Infinito buscando suprimir, em silêncio, as situações deprimentes da Natureza.

Cachoeiras cobrem abismos.

Fontes alimentam a terra seca.

Astros clareiam o céu noturno.

Flores valorizam espinheirais.


No campo do pensamento em que estagias, surpreenderás esse mesmo Infinito Amor, procurando extinguir as condições inferiores da Humanidade.

Pais transfigurados em gênios de ternura.

Professores desfazendo as sombras da ignorância.

Médicos a sanarem doenças.

Almas generosas socorrendo a necessidade.


Não estranhes, assim, a atitude dos Espíritos benevolentes que estendem as mãos, através da mediunidade, a companheiros do mundo que te pareçam indignos.

Recorda os lírios que desabrocham no estrume, as mães que se escravizam, por sublime renúncia, ao pé de filhos ingratos, e, ainda mesmo diante do irmão reconhecidamente criminoso ou viciado que te fale de esperanças e consolações recebidas do Alto, aprende a respeitar, junto dele, a manifestação da esfera superior que o solicita à renovação para o bem, tanto quanto já sabes rejubilar-te perante a luz que dissipa as trevas. E se alguém dogmatiza, acerca de supostos privilégios na Criação, não olvides que o Criador é bondade e justiça para todas as criaturas, refletindo no Cristo, que asseverou claramente não ter vindo à Terra para curar os sãos.

(Espírito Emmanuel-Justiça Divina-C.Xavier)


quinta-feira, 23 de setembro de 2021

 O SUSTO


O marido dormia, tranquilo, no quarto. Na sala, Zélia, insone, divagava… No coração, uma saudade imensa; no cérebro, uma lembrança indelével: a irmã, que falecera há exatamente um ano.

Duquinha fora uma personalidade marcante, inesquecível. Bonachona, sorridente, conservava sinal aberto no trânsito da comunicação. Adorava conversar, cultivar amizades. A seu lado não havia espaço para mágoas.

  • Tristeza - dizia - é lâmpada desligada no coração. A gente fica sem luz e calor. Tudo escuro e frio!...

Enfrentava problemas, como toda a gente, mas, virtude rara, sabia rir das próprias mágoas, cerrando a porta aos sentimentos negativos e desajustantes.

Se fofocavam sugerindo que o esposo parecia não levar a sério a fidelidade conjugal, explicava:

  • Pois é, comadre, - assim chamava Zélia desde que fora madrinha de casamento de seu filho - o Olinto tem tanto amor  por mim que transborda, derramando-se em outras “searas”...

Se surgiam dificuldades financeiras:

  • Comadre, as crianças me santificam. Treino paciência o dia inteiro!

Nem mesmo quando acometida de progressiva insuficiência cardíaca, que provocou o seu falecimento, deu-se por vencida:

  • Comadre, estou em tratamento de beleza espiritual. O corpo está um trapo, mas a alma ficará “joia”!

  • Ah! Duquinha! - suspirou Zélia - adoraria vê-la agora. Deve estar uma “miss”, merecidamente. Pouca gente valorizou tanto a existência e enfrentou tão estoicamente o sofrimento. 

Despertando de suas divagações percebeu, em sobressalto, um vulto que se aproximava, vindo da cozinha.

  • Meu Deus, um ladrão!

Pensou em chamar o marido. Conteve-se. Certamente o intruso estava armado. Poderia reagir com violência…

Esforçando-se inutilmente por conservar a calma, fitou-o, aguardando o tradicional “é um assalto”, mas o que viu fez gelar o sangue em suas veias: ele parecia deslizar acima do chão!

Os cabelos eriçaram-se. Seu coração queria pular do peito! Não se tratava de um ladrão! Muito pior: Era… um FANTASMA!

  • Não se assuste, comadre. Sou eu, a Duquinha, em carne e osso, ou melhor, em fluido. Vivinha! E olhe como estou linda!

Zélia não estava para conversa. Apavorada, desejava gritar por socorro, a plenos pulmões, fugir em desabalada carreira… No entanto, sentia-se petrificada, a suplicar por dentro:

  • Valei-me Jesus! Meu anjo da guarda, protegei-me! Socorrei-me virgem Maria!...

  • Não seja boba, comadre! Não gosta mais de mim, só porque estou vestida de fumaça?!

Prestes a desmaiar, afogando-se no próprio medo, Zélia implorou em pensamento:

  • Eu a amo muito, Duquinha. Adoro você! Mas, pelo amor de Deus, comadre, vá embora. Só apareça em sonho! Morro de pavor!

Diante de seus olhos esbugalhados a aparição diluiu-se na penumbra, sorrindo sempre. Em breves momentos, extenuada e trêmula, Zélia viu-se novamente sozinha na sala.

O Amor é a ponte sublime que liga a Terra e o Céu.

Nossos amados nos visitam frequentemente, velam por nós, preocupam-se com nosso bem estar. 

No entanto, há muitas barreiras dificultando um contato mais estreito. Uma delas é a ignorância, que nos induz a associar a presença dos Espíritos a supostos horrores sobrenaturais.

A Doutrina Espírita desenvolve abençoado trabalho de esclarecimento nesse sentido, habilitando-nos a contatos mais proveitosos com a Espiritualidade, sem a barreira do medo.

(Richard Simonetti-Endereço Certo)


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

 A Perda Irreparável


À frente dos candidatos à nova experiência na carne, o instrutor espiritual esclarecia, paternalmente:

  • Não percam a tranquilidade em momento algum, na reconstrução do destino. Em plena atividade terrestre, é imprescindível valorizar a corrigenda. O erro não pode constituir motivo para o desânimo absoluto. O desengano vale por advertência da vida e, com a certeza do Infinito Bem, que neutraliza todo o mal, após aproveitar-lhe a cooperação em forma de sofrimento, o Espírito pode alcançar culminâncias sublimes. O Pai somente concede a retificação aos filhos que já se apropriaram do entendimento. Usem, pois, a compreensão legítima, em face de qualquer provação mais difícil. A queda verdadeiramente perigosa é aquela em que nos comprazemos, entorpecidos e estacionários. Reerguer-se, por recuperar a estrada perdida, será sempre ação meritória da alma, que o Tesouro Celeste premiará com o descortino de oportunidades santificantes. A serenidade deve presidir aos mínimos impulsos de vocês na tarefa próxima. Sem as fontes da ponderação individual, o rio da paz jamais fertilizará os continentes da obra coletiva. É indispensável, por isso, recordar o caráter precário de toda posse na ordem material. O tempo, que é fixador da glória dos valores eternos, é corrosivo de todas as organizações passageiras, na Terra e noutros mundos. Todas as formas, com base na substância variável, perecerão no que se refere à máscara transitória, dentro dos jogos da expressão. 

Conservando-se atentos aos imperativos de marcha pacífica, não se esqueçam, sobretudo, de que todo o equipamento de recursos humanos é substituível. Todos os quadros que vocês integrarão se destinam ao processo educativo da alma. Em breve, estarão soterrados nos séculos, como todos os espetáculos de que participamos nas paisagens que se foram…

A lei de substituição funciona diariamente para nós todos.

Cada testemunho incompleto, cada lição imperfeita, serão repetidos tantas vezes quantas forem necessárias.

A própria Natureza, na Crosta do Mundo, instruí-los-á referentemente ao vaivém das situações e das coisas.

Primavera e inverno renovam-se para a comunidade dos seres terrestres, nos diversos reinos, há milhares de anos. As influências lunares se rearticulam, de semana a semana, difundindo o magnetismo diferente da luz polarizada. Nos círculos planetários, infância, juventude e velhice dos corpos funcionam igualmente para todos.

Qual ocorre na zona das formas temporárias, prepondera a substituição na ordem espiritual.

Quem não dispõe de parentes consanguíneos, com boa-vontade encontrará família maior nos laços humanos. 

Se vocês não puderem suportar o clima de uma bigorna, encontrarão acesso à carpintaria e, em qualquer casa de ação edificante, desde que se inspirem no ideal de servir, serão aquinhoados com as possibilidades de realizar intensivamente, na sementeira e na seara do bem.

Nas artes e nas ciências, receberão todos vocês a bênção de aprender e reaprender, de experimentar e recapitular incessantemente.

Nas circunstâncias, aparentemente mais duras, ninguém entregue o espírito ao desespero. Tal qual a alvorada que faz a luz resplandecer além das trevas, a oportunidade de reajustamento, reabilitação e ascensão brilhará sempre sobre os abismos nos quais nos precipitemos, desavisados e incautos… Guardem a paz inalterável, porquanto, ao longo do problema esclarecido e do caminho trilhado pelos seres mortais, tudo será reformado e substituído…

O orientador mostrou diferente brilho nos olhos e acrescentou:

  • Há, porém, no decurso de nossas atividades uma perda irreparável. Com exceção dos valores prevalecentes na jornada evolutiva, é esse prejuízo a medida que define a distância entre o bom e o mau, entre o rico e o pobre, entre o ignorante e o sábio, entre o demônio e o santo. Semelhante lacuna é impreenchível. Deus dispôs a Lei de tal modo que nem mesmo a justiça d’Ele consegue remediá-la, em benefício dos homens ou dos anjos.

Ante a expectação dos ouvintes, o instrutor esclareceu:

  • Trata-se da perda do dia de serviço útil, que representa ônus definitivo, por distanciar-nos de todos os companheiros que se eximem a essa falha.

E enquanto os aprendizes se entreolhavam, admirados, o mentor paternal concluiu:

  • Ajudando-nos na preservação da paz, Jesus recomendou-nos: “Contemplai os lírios dos campos!” Entretanto, para que não zombemos do profundo valor das horas, foi Ele mesmo quem nos advertiu: “Caminhai enquanto tendes luz!”

(Espírito Humberto de Campos-Luz Acima-C. Xavier)


terça-feira, 21 de setembro de 2021

 Modo de Fazer


Todos fazem alguma coisa na vida humana, mas raros não voltam à carne para desfazer quanto fizeram.

Ainda mesmo a criatura ociosa, que passou o tempo entre a inutilidade e a preguiça, é constrangida a tornar à luta, a fim de desintegrar a rede de inércia que teceu ao redor de si mesma.

Somente constrói, sem necessidade de reparação e corrigenda, aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem.

Fazer algo em Cristo é fazer sempre o melhor para todos:

  • Sem expectativa de remuneração.

  • Sem exigências.

  • Sem mostrar-se.

  • Sem exibir superioridade.

  • Sem tributos de reconhecimento.

  • Sem perturbações.

Em todos os passos do Divino Mestre, vemo-lo na ação incessante, em favor do indivíduo e da coletividade, sem prender-se.

Da carpintaria de Nazaré à cruz de Jerusalém, passa fazendo o bem, sem outra paga além da alegria de estar executando a Vontade do Pai.

Exalta o vintém da viúva e louva a fortuna de Zaqueu, com a mesma serenidade.

Conversa amorosamente com algumas criancinhas e multiplica o pão de milhares de pessoas, sem alterar-se.

Reergue Lázaro do sepulcro e caminha para o cárcere, com a atenção centralizada nos Desígnios Celestes.

Não te esqueças de agir para a felicidade comum, na linha infinita dos teus dias e das tuas horas. Todavia, para que a ilusão te não imponha o fel do desencanto ou da soledade, ajuda a todos, indistintamente, conservando, acima de tudo, a glória de ser útil, “de modo que haja em nós o mesmo sentimento que vive em Jesus Cristo”.

(Espírito Emmanuel-Fonte Viva-C. Xavier)