quinta-feira, 12 de agosto de 2021

 Loteria Esportiva


Juventino fora abnegado ferroviário. Durante mais de 40 anos trabalhara junto das caldeiras de velhas locomotivas para sustentar a prole constituída de mulher e quatro filhos.

Pouco depois de casada a filha mais nova, a esposa desencarnou e ele preferiu ficar sozinho, na antiga residência, onde sempre morara com os entes queridos em clima de paz e alguma saúde na sua velhice de aposentado pacato. Porque nada dispusesse em termos de bens materiais, não era procurado pelos filhos. De longe em longe recebia a visita de um neto, de um genro, de uma nora, embora ele mesmo sempre procurasse visitar seus consanguíneos, para saber como é que eles iam.

E o tempo foi passando sem maiores alterações. No final de 1978 Juventino resolveu arriscar a sorte. Atendendo à insistência de alguns vizinhos, jogou na Loteria Esportiva. Nada entendia de futebol, mas lhe disseram ser isso irrelevante. Por isso mesmo, ele teria tudo para acertar!

Nunca havia apostado. Preencheu um volante. Jogou. E acertou. Ganhou, não uma grande soma, mas a parte que lhe tocou era razoável. Bem que daria para adquirir uns seis automóveis populares, ou dois apartamentos na cidade. Ou ainda, se procurasse com cuidado, talvez até um pequeno sítio com alguma plantação.

Correu-lhe a filharada em alvoroço, com netos, genros, noras de quebra. Todos o cercaram de carinhos, de mimos, de zelos… Cobriam-no de agrados e de presentes. Todavia, o coração de Juventino não resistiu à alegria da sorte inesperada! Como já viesse sofrendo das coronárias, acabou sendo vítima de um ataque mais violento e desencarnou a breve tempo.

Na semana imediata ao sepultamento, o filho mais velho cuidou de abrir o inventário. E tendo procurado um despachante das redondezas, dele recebeu a informação documentada de que tudo quanto o defunto havia recebido da Loteria Esportiva, de modo nenhum poderia ser repartido entre os herdeiros.

Ao saberem da estranha notícia, filhos, genros, noras e netos se indignaram. Não queriam acreditar no que o contabilista lhes dizia. Mas este, secundado por um advogado de confiança da família, exibiu farto material através do qual Juventino deixava todo aquele dinheiro para uma instituição de caridade de atendimento à infância desvalida local!

(Celso Martins-Pelos Caminhos da Vida)


quarta-feira, 11 de agosto de 2021

 Aproveita

A vida é processo de crescimento da alma ao encontro da Grandeza Divina.

Aproveita as lutas e dificuldades da senda para a expansão de ti mesmo, dilatando o teu círculo de relações e de ação.

Aprendamos para esclarecer.

Entesouremos para ajudar.

Engrandeçamo-nos para proteger.

Eduquemo-nos para servir.

Com o ato de fazer e dar alguma coisa, a alma se estende sempre mais além…

Guardando a bênção recebida para si somente, o Espírito, muitas vezes, apenas se adorna, mas, espalhando a riqueza de que é portador, cresce constantemente.

Na prestação de serviço aos semelhantes, incorpora-se, naturalmente, ao coro das alegrias que provoca.

No ensinamento ao aprendiz, liga-se aos benefícios da lição.

Na criação das boas obras, no trabalho, na virtude ou na arte, vive no progresso, na santificação ou na beleza com que a experiência individual e coletiva se alarga e aperfeiçoa.

Na distribuição de pensamentos sadios e elevados, converte-se em fonte viva de graça e contentamento para todos.

No concurso espontâneo, dentro do ministério do bem, une-se à prosperidade comum.

Dá, pois, de ti mesmo, de tuas forças e recursos, agindo sem cessar, na instituição de valores novos, auxiliando os outros, a benefício de ti mesmo.

O mundo é caminho vasto de evolução e aprimoramento, onde transitam, ao teu lado, a ignorância e a fraqueza.

Aproveita a gloriosa oportunidade de expansão que a esfera física te confere e ajuda a quem passa, sem cogitar de pagamento de qualquer natureza.

O próximo é a nossa ponte de ligação com Deus.

Se buscas o Pai, ajuda ao teu irmão, amparando-vos reciprocamente, porque, segundo a palavra iluminada do evangelista, “se alguém diz: - eu amo a Deus, e aborrece o semelhante, é mentiroso, pois quem não ama o companheiro com quem convive, como pode amar a Deus, a quem ainda não conhece?”.

(Espírito Emmanuel-Fonte Viva-Chico Xavier)