quinta-feira, 31 de outubro de 2019

                                                                      Outro Mundo

Jurandir Figueira era assíduo no grupo de assistência. Homem de posses. Comerciante de talento. Correção a toda prova. Honesto e sistemático, sua conduta era admirada por todos os que com ele conviviam. Negócios, só com extrema segurança.
Contudo, para servir um amigo, teve experiência desagradável. Sofreu prejuízo importante. Desde então, ficara amuado e triste. Guardara silêncio cerimonioso. Quando falava, era para tocar no assunto.
- Como pode uma pessoa agir assim? Um amigo... Vou processar esse trapaceiro - dizia com amargura e revolta.
Rodrigo, velho companheiro, procurava contornar a situação:
- A Terra é planeta de provas e expiações. Aqui, estamos sujeitos a todo tipo de sofrimento, decepções, prejuízos. Um dia, teremos o merecimento de habitar um mundo mais feliz, onde não existe o mal.
Jurandir prestou atenção e sustentou o diálogo:
- E que dia será esse?
- Quando completarmos nossa transformação moral. Temos de aplicar em nós os ensinamentos de Jesus. Não basta ser honesto e sincero. É preciso também cultivar a bondade, a tolerância, o perdão.
- E o amigo também vai para esse mundo?
- Terá a oportunidade, se melhorar.
O comerciante ficou pensativo por um momento e logo prosseguiu a conversa:
- Vou me esforçar para seguir as lições do Evangelho.
- Agora você está falando como espírita.
- Se eu não processá-lo, ele vai continuar enganando os outros.
Rodrigo não entendeu o argumento. Antes, porém, que dissesse algo, Jurandir explicou:
- Vou para esse outro mundo mais feliz, e ele que fique por aqui com suas trapaças...
(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas-Antônio Baduy Filho)

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

                                                              Princesa

Não entendi direito quando um companheiro  me disse que iríamos, naquela noite, conhecer a princesa mais linda que já existiu! Porque meu amigo meu soubesse curioso, não quis adiantar mais nenhuma informação. Deixou-me na ansiedade até na hora do referido encontro.
Atividades intensas me ocuparam todos os minutos de um dia aqui na Espiritualidade. No entanto, eu não via chegar o momento daquele auspicioso contato.
A noite veio. Veio depois de um crepúsculo maravilhoso. Um sol muito avermelhado como que embrulhado num macio lençol de nuvens róseas nostálgicas foi substituído por um céu negro, salpicado de milhares de estrelas cintilantes. A Natureza estava soberbamente bela! Tão bela que chorei de emoção! Recordei o meu viver terreno aí no Brasil, quando também fitava o céu e nele via a grandeza da Obra Divina! Porque vivesse no campo, sempre me foi possível admirar a formosura do céu do sertão.
À hora aprazada, meu amigo me levou até um agradável recanto da Espiritualidade. Era uma espécie de horto com árvores frutíferas, cujas ramagens eram beijadas por suave vento. Além do arvoredo, reparei ainda na existência de um vasto jardim, com flores de perfume delicioso. Interessante! Embora a noite fosse de novilúnio, eu a tudo conseguia enxergar como se no céu esplendesse radiosa Lua Cheia! Como entender tal fato - enxergar tudo claramente, com nitidez, embora a noite fosse de trevas profundas?! Meu amigo explicou com profunda serenidade na voz:
- É porque estamos no sítio onde mora a princesa!
Diante desta informação, mais curioso fiquei! Quem seria esta princesa? Seria a Rainha de Sabá? Seria a Maria Antonieta? Seria a Hatasu, a única mulher que subiu ao trono faraônico, lá no velho Egito? Seria a Princesa Isabel Redentora, que libertou os escravos brasileiros em 1888? Quem seria esta princesa? Reinara onde? Quando? Como? Ou seria alguma poetisa? Alguma pintora? Alguma artista? Madame de Stael? Madame de Sevigné? Ou mesmo Madame Curie? Juro que pensei até em Maria, mãe de Jesus! Mas, se fosse ela, é claro que nem eu, nem meu amigo, a ela teríamos acesso. Assim, descartei esta hipótese. Seria muita honra para um pobre marquês! Quem seria esta princesa? Seria Helen Keller? Seria Joana D'Arc? Seria Florence Nightgale? Quem seria?
Levado pela mão, fui com ele até as margens de um regato que serpenteava entre as pedras cobertas de limo. Aí, notei a existência de rústica choupana. Estranhei. Casebre muito pobre. Meu companheiro bateu palmas. A porta de imediato se abriu e vi sair de dentro uma intensa luminosidade. Era como se os clarões intensos de um enorme sol de verão rasgassem as trevas mais profundas. E uma jovem de rara beleza apareceu como que flutuando no ar. Largo sorriso emoldurou a face e seus longos cabelos loiros eram agitados pelo vento da noite. 
Aturdido, realmente tremi de medo, embora a entidade me inspirasse simpatia e bem-estar. Passado o susto inicial, coração ainda aos saltos, desatei pranto convulso, tão emocionado estava. Ao que esclareceu meu colega, com muita bondade na voz:
- Vamos, tranquiliza-te. É a Cenira... Tu não a conheceste na Terra?
Forçando um pouco a memória, recordei-me dela, sim. De fato, eu conhecera Cenira em minha última vida no mundo. Era uma humilde lavadeira que viveu na cidade do interior onde também residi uma longa temporada. Só depois que me transferi para cá é que vim a saber que ela, sempre que possível, deixava os seus quefazeres de viúva, pejada de filhos menores, para cuidar de doentes das redondezas. E de tanta gente cuidou e cuidou com desvelo, que muitos a chegaram supor enfermeira. Muitas crianças vieram ao mundo sob os seus olhos de parteira atenta. Tanto como outros velhinhos carentes partiram para o Grande Além depositando a cabeça em seu regaço de mãe querida.
Só então é que entendi porque é que Cenira, aqui na Espiritualidade, é conhecida carinhosamente por - Princesa!
(Espírito Celso Martins-Contando Histórias)

terça-feira, 29 de outubro de 2019

                                                                        Crê e Vive

Certa feita, comparou o Senhor a edificação do reino do Céu ao serviço sublime da germinação de uma semente minúscula.
Abafado na terra que isola e asfixia, o princípio da vida rompe os envoltórios pesados que o circundam e, elevando-se, pouco a pouco, na direção da luz, cresce e frondeja, floresce e frutifica para o enriquecimento da vida e da paisagem.
Se recebeste a semente do Evangelho no solo do coração, não sufoques semelhante bênção entre os pedregulhos da desatenção ou da inutilidade.
É imprescindível que a dádiva do Senhor no vaso da tua existência se desenvolva no ruma da claridade do amor, alongando-se em dons de alegria e paz, em benefício de todos os que te cercam...
Não te condenes à estagnação no túmulo caiado da impiedade, trajada de frases brilhantes; não sentencies o conhecimento superior à morte na indiferença; não catalogues a convicção religiosa no museu dos dogmas e das inquirições infindáveis, onde o tempo te imobilizará, pouco a pouco, no sepulcro de frias e antigas desilusões...
Descrucifica o Cristo que ainda jaz crucificado em nossa semicaridade e obscurecido em nossa semiconfiança.
Dá vigor e existência ao Mestre que recebeste no templo da alma!
Crê e vive!
Crê e aperfeiçoa-te!
Crê e eleva-te, elevando os que te rodeiam!
Conduze a esperança onde a fé esmoreceu, faze brilhar a alegria onde a penúria abriu o manto imenso de sofrimento e escuridão...
Jesus é vida, amor, atividade redentora, bênção de todos os dias.
Descrucifiquemos o Divino Amigo que ainda permanece atado ao madeiro espinhoso de nossas incompreensões e negações e, tomando a abençoada cruz que realmente é nossa no desempenho dos nossos deveres de cada dia, alcançaremos felizes a luz de nossa própria ressurreição.
(Espírito Emmanuel-Instrumentos do Tempo-Chico Xavier)

domingo, 27 de outubro de 2019

                                                                  Eutanásia, Nunca!

Seja qual for a razão pela qual se pretenda interromper uma vida humana, justificativa alguma será aceitável, na área da eutanásia.
Por mais longa e dolorosa a enfermidade, ninguém se pode arrogar o direito de, em nome da piedade fraternal, aplicar a terapia do repouso sem retorno.
Mesmo que o paciente, parecendo exausto de sofrer, solicite e autorize a medida extrema, nunca será direita a aplicação do recurso último. 
Apesar de esperança alguma restar para a recuperação do enfermo, no largo trânsito de uma vida vegetativa, irreversível, diante de uma família desgastada pelas longas vigílias, não se faz moral a usança da técnica de encerramento da vida...
A eutanásia é crime que um dia desaparecerá da Terra, quando a sociedade crescer em valores morais, fundamentados nas realidades do Espírito.
Somente uma cultura primitiva, porque bárbara ou semibárbara, aplica os recursos da interrupção da vida, exatamente por desconhecer os comportamentos morais relevantes.
Também medram tais atitudes em homens de formação deficiente, estribados nos extremos do materialismo, que apenas no corpo encontram a legitimidade da vida. Ignorando ou teimosamente negando a realidade espiritual, pensam que na cessação das expressões fisiológicas encerra-se o ciclo da existência humana, apaga-se a claridade da inteligência, somente por causa da fragilidade e pouca duração dos implementos que constituem a maquinaria física. 
Enfermidades que antes representavam calamidades; distúrbios orgânicos e psíquicos, que no passado se revelavam irrecuperáveis, problemas de saúde, que eram verdadeiras desgraças coletivas ou individuais; epidemias que varriam a Terra, periodicamente; males mutiladores e dolorosos, que se instalavam em milhões de criaturas; desequilíbrios orgânicos e mentais que a todos assolavam, cruéis, são, hoje, lembranças do processo de evolução das ciências biológicas e médicas, que conseguiram apagá-los das páginas da História contemporânea, constituindo capítulo arquivado na literatura da medicina...
A cirurgia abriu portais jamais ultrapassados; a terapêutica preventiva e as medidas sanitaristas, o tratamento especializado com métodos de alta sofisticação, as técnicas imunológicas vêm ganhando muito espaço nas "terras de ninguém" no que diz respeito às doenças lamentáveis.
Outros recursos sociológicos, educacionais, econômicos aumentam as valiosas contribuições da medicina para alongar a estância carnal, quanto à duração da vida humana na Terra...
É certo que ainda faltam muitas realizações a serem ganhas.
Descobrem-se novas enfermidades, porque a diagnose imperfeita do passado as encaixava em quadros outros que não correspondiam à realidade.
Aí estão, assustadoras, ceifando vidas, com outras designações.
Sem embargo, a batalha está travada com cientistas e pesquisadores que encanecem e sacrificam as horas nos laboratórios e gabinetes de estudos, esforçando-se por vencê-las, o que lograrão, sem dúvida, hoje ou mais tarde, quando o homem já não mais necessitar de evoluir sob o látego da pedagogia do sofrimento, como ocorre nestes dias...
As enfermidades são resultado do estágio primevo da evolução em que a Terra se encontra.
Por isso, realizam o seu mister invitando a criatura ao estudo da fragilidade carnal, de modo a entender e respeitar-se como ser espiritual que é, em aprendizagem temporária na escolaridade terrena. 
Cada instante da vida de um paciente é-lhe valioso, porque lhe pode constituir chamamento para despertar os sentimentos mais elevados, dando-se conta dos objetivos essenciais da existência.
Outrossim, os sucessos felizes ou inditosos que têm curso nas vidas, são efeito inevitável dos atos pretéritos realizados nas reencarnações passadas.
Este homem, hibernando numa tremenda alienação mental, é antigo déspota que se utilizou da vida para infelicitar e afligir, ora expiando em injunção educativa os delitos perpetrados...
Esse padecente, em torpe imobilidade, com os centros mentais e motores lesados, é anterior suicida que pensou burlar a Lei, evadindo-se dos compromissos que assumira e que não quis sofrer...
Aquele portador de cruel neoplasia maligna com metástase generalizada, em extremos de desespero, é o alucinado destruidor de vidas, que culminou a existência antiga em autocídio espetacular, e que ora resgata, repassando pelos caminhos antes percorridos com a insânia do orgulho e da prepotência...
Todos eles, ressalvadas algumas exceções de abnegados missionários que se entregam à dor para ensinar aos seus coevos como superá-la, os que experimentam largos desgastes na saúde estão em justo mecanismo reparador, de que, resignados e humildes, liberar-se-ão, demandando a paz e a felicidade que todos alcançaremos.
Ninguém está condenado irremissivelmente, que não usufrua as bênçãos da harmonia, quando regularizado o compromisso no qual falhou.
É de alta importância a libertação pela dor ou através do sacrifício, do bem que se pode produzir, do amor.
Não cabe, portanto, a ninguém, o direito de fazer cessar o processo do sofrimento por meio da eutanásia, mesmo porque a morte do corpo não anula o fenômeno da necessidade específica de cada um, nos múltiplos estágios do crescimento espiritual.
A morte apenas desveste o corpo, sem modificar a estrutura da vida.
Aqueles que pensam driblar a Justiça Divina, fugindo ou sendo expulsos da matéria, despertam, no além-túmulo, mais sofridos e alienados e retornam à Terra para darem curso à reabilitação, em corpos iguais ou menos aparelhados do que aquele de que se supunham liberar...
A vida - na matéria ou fora dela - é indestrutível, já que o Espírito transita pelo corpo ou sem ele, sem entrar ou sair da realidade intrínseca onde se encontra colocado no Universo.
Amar e atender aos pacientes com carinho, envolvendo-os em vibrações de paz, orando por eles, aplicando-lhes recursos magnéticos de que todos dispõem são atitudes corretas que a consciência cristã e espírita deve aplicar em quaisquer situações em que se encontrem, na condição de familial ou facultativo, de amigo ou de companheiro, na enfermagem ou no serviço social...
Eutanásia, nunca!
(Espírito Vianna de Carvalho-Reflexões Espíritas-Divaldo Franco)


sábado, 26 de outubro de 2019


                                                                 A Sentença Cristã

Um juiz cristão, rigoroso nas aplicações da lei humana, mas fiel no devotamento ao Evangelho, encontrando-se em meio duma sociedade corrompida e perversa, orou, implorando a presença de Jesus.
Tantas sentenças condenatórias devia proferir diariamente, que se lhe endurecera o coração
Atormentado, porém, entre a confiança que consagrava ao Divino Mestre e as acusações que se acreditava compelido a formular, rogou, certa noite, ao Senhor, lhe esclarecesse o espírito angustiado.
Efetivamente, sonhou que Jesus vinha desfazer-lhe as dúvidas aflitivas. Ajoelhou-se aos pés do Amoroso Amigo e perguntou:
- Mestre, que normas adotar perante um homicida? Não estará logicamente incurso nas penas legais?
O Cristo sorriu, de leve, e respondeu:
- Sim, o criminoso está condenado a receber remédio corretivo, por doente da alma.
O juiz considerou estranha a resposta; contudo, prosseguiu indagando:
- Como agir, ante o delinquente rude, Senhor?
- Está condenado a valer-se do nosso auxílio, através da educação pelo amor paciente e construtivo - explicou Jesus bondoso e calmo.
- Mestre, e que corrigenda aplicar ao preguiçoso?
- Está condenado a manejar a enxada ou a picareta, conquistando o pão com o suor do rosto.
- Que farei da mulher pervertida? - Interrogou o jurista surpreso.
- Está condenada a beneficiar-se de nosso amparo fraterno, a fim de que se reerga para a elevação do trabalho e para a dignidade humana.
- Senhor, como julgar o ignorante?
- Está condenado aos bons livros.
- E o fanático?
- Está condenado a ser ouvido e interpretado com tolerância e caridade, até que aprenda a libertar a própria alma.
- Mestre, e que diretrizes adotar, ante um ladrão?
- Está condenado à oficina e à escola, sob vigilância benéfica.
- E se o ladrão é um assassino?
- Está condenado ao hospício, onde se lhe cure a mente envenenada.
O magistrado passou a meditar gravemente e lembrou-se de que deveria modificar todas as peças do tribunal, substituindo a discriminação de castigos diversos por remédio, serviço, fraternidade e educação. Todavia, não se sentindo bem com a própria consciência, endereçou ao Senhor suplicante olhar, e perguntou, depois de longos instantes:
- Mestre, e de mim mesmo, que farei?
Jesus sorriu, ainda uma vez, e disse, sereno:
- O cristão está condenado a compreender e ajudar, amar e perdoar, educar e construir, distribuir tarefas edificantes e bênçãos de luz renovadora, onde estiver.
Nesse momento, o juiz acordou em lágrimas e, de posse da sublime lição que recebera, reconheceu que, dali em diante, seria outro homem.
(Espírito Neio Lúcio-Alvorada Cristã-Chico Xavier)


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

                                                            Reforma Interior

Tendes seguidamente ouvido recomendações quanto ao vosso padrão vibratório, o qual deve ser, o mais possível, harmonioso e estável, evitando-se oscilações e quedas.
Não seria cabível exigir de vós elevação constante de pensamentos e vibrações. Entretanto, embora atualmente impossível vossa estabilização nos planos mais elevados que frequentemente atingis, por esforço próprio, tanto na esfera do pensamento como na do sentimento, bom seria que evitásseis ao máximo oscilações vibratórias. Naturalmente, referimo-nos a oscilações "para baixo", em que necessariamente vos deveis exercitar, até que vos possais estabilizar em planos mais elevados.
Infelizmente notamos, em muitos dos seguidores do Mestre, uma atitude de certa forma comodista: Deixam-se influenciar por entidades inferiores, ou obedecem a impulsos menos dignos, contando mais tarde reabilitarem-se mediante o devido retorno ao bom caminho, ou por meio de preces e passes, esquecidos de que a queda tem invariavelmente seu preço doloroso, e cada pacto com as forças do mal, por ligeiro que seja, implica sintonia e ligação, muitas vezes prolongando-se mais do que esperava o encarnado invigilante.
Olvidam muitos que não podem ligar-se ocasional e momentaneamente a uma entidade colérica, por exemplo, sem correrem o risco de tê-la, talvez por longo tempo, como obsessora, não mais atendendo a apelos inconscientes, na forma de impulsos raivosos do encarnado, mas acompanhando-o constantemente e, já agora, impelindo-o no sentido das explosões de ódio.
Conheceis o imenso valor e a oportunidade sempre atual da oração e da vigilância, saberíeis evitar frequentes "pequenas quedas", eivadas de perigo de se tornarem em grande e terrível derrocada espiritual, e tampouco correríeis o risco de instantes, embora ligeiros, de sintonia com o astral inferior. 
Muitos dão excessiva importância aos fatores cármicos, ao considerarem o problema das obsessões. Na realidade, mesmo o número de obsessões oriundas de rancores e inimizades pregressas diminuiria prodigiosamente, se atentásseis devidamente para o valor imenso da oração e da vigilância.
Para que ocorra obsessão, necessário que haja, primeiramente ligação. E para que se efetive a ligação, é imprescindível sintonia.
É um fato muito conhecido que mesmo os mais evoluídos Espíritos, encarnados entre vós, sempre contaram com acirrados inimigos nos planos astrais inferiores, em virtude mesmo de seu adiantamento espiritual. No entanto, embora o peso tremendo das vibrações adversas que os atingem e, muitas vezes, chegam a abalar profundamente, jamais se teve notícia de que Espíritos de escol fossem vítimas de obsessão. Sabeis que o próprio Cristo não escapou ao assédio das forças das trevas, mas de forma alguma poderia ser influenciado obsessivamente, por absoluta inexistência e impossibilidade de sintonia e ligação entre suas elevadíssimas vibrações e as de seus adversários.
Como único recurso de defesa ante tais perigos, necessário vos é buscar, firme e decididamente, destruir a "criatura velha" que em todos habita, sujeita e vulnerável, por sua imperfeição, aos ataques das forças inferiores, e abraçar sinceramente o propósito de vossa reforma interior.
A ninguém ocorreria, galgando uma escada, subir e descer o mesmo degrau, repetidamente. Não pretenderíeis subir a escada de Jacó, permanecendo em perpétuo movimento de "queda-ascensão-queda".
O que se torna necessário é galgar a escala evolutiva com firmeza e segurança, consolidando cada posição atingida antes de pretender novas conquistas, porque mais vale uma virtude realmente adquirida e firmada em vossos corações, e incorporada ao vosso automatismo subconsciente, do que mil outras improvisadas, superficiais e não consolidadas, prontas a se esboroarem prestamente, à primeira dificuldade.
Com isso, não pretendemos dizer que devais cuidar unicamente do menor entre os vossos defeitos, descurando-vos de outros maiores. O que desejamos é que procedais a um cuidadoso planejamento de vossa reforma interior, sem arroubos entusiastas e geralmente infrutíferos, mas sim de forma a terdes um programa de ação realmente viável, seguro, equilibrado e criterioso, inspirado no Evangelho do Mestre, apoiado por vossos mentores espirituais e, finalmente, capaz de vos conduzir rapidamente aos planos da Vida Maior que todos desejamos atingir.
(Espírito Bezerra de Menezes-Comentários Evangélicos-Edgar Armond)

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sábado, 5 de outubro de 2019

                                 Gêneses de Suicídios

A tristeza que agasalhas, levando-te à mortificação interior, de que não te consegues libertar, é fator destrutivo nos alicerces da tua personalidade.
A mágoa, que conservas como ácido que te corrói os tecidos do sentimento, constitui morbo que em breve terminará por vencer as tuas resistências.
A rebeldia sistemática, a que te agrilhoas, transformará as tuas aspirações duramente acalentadas em resíduos de infelicidade e tormento infindável.
Defrontas os problemas que se manifestam no teu dia-a-dia entre a irritação e o desespero, estabelecendo matrizes de aflições que conduzirão ao auto-aniquilamento.
Suicida não é somente aquele que, acionado pelo desconcerto da emotividade se arroja no despenhadeiro da auto-destruição física.
Esta melancolia que te busca os painéis da mente, tecendo as malhas da depressão, é sinal de alarme que não podes desconsiderar.
Essa aflição que se agiganta, dominando-te o equipamento nervoso, convida-te a uma mudança de atitude, que não deves postergar.
Isto que te consome, desaparecendo e ressurgindo em roupagens de configuração nova, é desafio que deves enfrentar com estoicismo, para saíres da desarmonia.
Mil pequenas injunções contra a tua saúde emocional e mental, que deves rechaçar antes que sejas colhido pelo infortúnio da desencarnação injustificável e precipitada.
Sejam quais forem os fatores afligentes ou depressivos que te cheguem, invitando-te ao cultivo do pessimismo ou da irritabilidade, não devem encontrar guarida nos teus painéis mentais.
Dor e saudade aferem a força do valor moral de cada um de nós.
Enfermidade e desencarnação constituem fenômeno natural no processo biológico em que te encontras situado.
Problemas e dificuldades representam prova com que crescemos na direção da vida.
Desse modo, realiza a assepsia mental pela preservação do otimismo e da irrestrita confiança em Deus. 
Quando a vida te parecer sem objetivo e estiveres a ponto de cair, renova os teus conceitos e ora, buscando a divina inspiração, haurindo, então, a força que te propiciará sair do ocaso emocional e transformará os teus problemas em ação de benemerência para os teus irmãos, descobrindo, por fim, que a linguagem universal do bem é a terapia preventiva e curadora para o suicídio e a loucura.

(Espírito Joanna de Ângelis-Alerta-Divaldo Franco)

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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

                             Vale a Pena Suicidar-se? Hermínio Miranda

Hermínio C. Miranda, em seu livro “Candeias na Noite Escura”, indaga “vale a pena suicidar-se?”, explanando: - “Deixemos de lado as causas imediatas, como problemas financeiros, amorosos ou de consciência. Isso é apenas a gota dágua que fez transbordar o cálice, toque final que acabou por romper o precário equilíbrio emocional do ser, desatando seu impulso destrutivo numa ânsia de libertação. São secundárias essas causas, embora tenham sido o fato precipitador da tragédia. Secundárias e relativas, porque um motivo, que poderia ser extremamente fútil para um, assume proporções alarmantes para outrem. Além disso, vemos o mesmo indivíduo suportar, às vezes, golpes muito mais graves e sucumbir, depois, diante de questões que um pouco mais de tolerância teriam colocado em sua verdadeira perspectiva. Muito depende pois  do seu estado emocional no momento em que lhe surge o problema pela frente. Quando penso nisso, lembro-me sempre de uma advertência que encontrei no guichê de uma loja em N. York; dizia assim: “Que diferença fará isso daqui a 99 anos?”
Aquilo que agora nos parece uma calamidade insuportável, reduz-se às proporções de mero incidente daqui a poucas horas, alguns dias ou uns escassos meses. É fácil demonstrar a veracidade da afirmação: quais foram as mágoas que nos atingiram tão fundo no ano passado? Ou há três anos? Mesmo que nos lembremos de algumas delas – as que nos parecem mais graves -, já não nos ferem como então. Com o decorrer de um pouco mais de tempo, lembrar-nos-emos delas até mesmo com certo sorriso indulgente e pensaremos: “Veja só! Isso me deu tanto aborrecimento e, afinal, nem valeu a pena...”
De outras vezes, aquilo que nos atormentou, nem sequer teve existência real; foi produto de uma imaginação exaltada, momentaneamente obscurecida pelo cansaço, pelas paixões ou pelo simples desconhecimento dos fatos. Logo a seguir, o que nos parecia tão alarmante, verificamos ser simples suspeita com aparência de realidade.
Por isso, não é necessário pesquisar as causas imediatas, que desencadeiam a tragédia do suicídio; examinemos as origens profundas do fenômeno.
Por que se mata a criatura humana? Mata-se o pobre, o aleijado, o doente, como também se mata o rico, o belo, o saudável. Por quê? Na verdade, o suicídio é, basicamente, uma fuga. O suicida quer fugir de situações embaraçosas, de desgostos, de pessoas que detesta, de mágoas que não se sente com forças para suportar, deseja, afinal de contas, fugir de si mesmo. É aí que está a gênese do seu fatal desengano; não podemos, de maneira alguma, fugir de nós próprios. Para que isto ocorresse, seria necessário que tudo acabasse com a morte; seria preciso que, ao cortar o fio da existência, tudo o que somos se dissolvesse, num instante, em nada. E não é assim que acontece; absolutamente não. Vemos, então, que o fundamento da ilusão suicida está na total ignorância do homem diante de sua própria natureza espiritual.
Há de chegar o dia em que todos compreenderão que somos Espíritos encarnados e não simples conglomerados de células materiais; que o corpo físico é um mero instrumento de trabalho e aperfeiçoamento do Espírito; acessório e não principal, na estrutura da personalidade humana.
Nesse dia não haverá mais suicidas. Suicidar-se para quê? Se apenas o organismo físico se destrói, ao passo que o princípio espiritual sobrevive?
A consciência está no Espírito que parte.  Por conseguinte, quando deixamos o corpo material, levamos nossas lembranças, sentimentos, paixões, alegrias, tristezas, esperanças, temores, angústias e sofrimentos, tal como os experimentávamos aqui na carne. O corpo não é mais do que uma vestimenta perecível do Espírito imortal. E se sofríamos aqui, sofreremos muito mais do lado  de lá da vida, se praticarmos a violência do suicídio. Não só porque nossas mágoas terrenas persistem, mas porque descobrimos, surpresos, envergonhados e terrivelmente arrependidos, que continuamos vivos, com as mesmas ideias que tínhamos, e ainda sofrendo dores muito mais agudas, porque só então nos assalta, num tremendo impacto, a amarga compreensão da loucura que praticamos.
Temos inúmeros depoimentos de Espíritos que provocaram a destruição de seu corpo físico, na trágica ilusão de que dessa forma se libertariam para sempre de seus problemas. E vêm confessar, amargurados, que o portão da morte não se abre para a escuridão vazia do nada; que a vida continua, com o corpo físico ou sem ele.
E então aquele que destruiu voluntariamente seu envoltório material chega à dolorosa conclusão de que apenas conseguiu agravar enormemente seus problemas íntimos, sem libertar-se de nenhuma de suas dificuldades. E descobre, ainda mais, que terá de voltar  carne em outras condições, talvez ainda mais penosas e precárias, tantas vezes quantas forem necessárias, para corrigir, refazer e pacificar.
Assistimos, então, ao funcionamento inapelável da lei cármica de causa e efeito, ajudando o pobre ser derrotado e doente a tomar o amargo remédio da recuperação. E aquele que arrebentou seus próprios ouvidos com um tiro assassino, renasce com o mecanismo de audição destruído; não podendo ouvir, não aprende a falar. E daí atravessar uma existência inteira, isolado na solidão forçada, a fim de que seu Espírito compreenda, no silêncio, o verdadeiro sentido da vida e o valor inestimável dos dons que recebemos ao nascer. O que tomou venenos corrosivos, volta à carne com as vísceras deficientes, sujeitas a misteriosas e incuráveis mazelas.
Tudo isso porque não podemos ir adiante sem pagar o que devemos, e, sendo a justiça de Deus tão perfeita, não pagamos senão o que devemos, segundo diz a Lei.  Logo, o suicídio é o maior, o mais trágico e lamentável equívoco que o ser humano pode cometer. Para não suportar uma dor que deveria durar alguns instantes, buscamos, precipitadamente, outra que pode durar tanto quanto uma nova existência de aflições. 
Certamente Deus nos dá os recursos necessários à recuperação, mas o esforço da subida tem que ser nosso, para que dele decorra o mérito da ação.
Isso de dores, mágoas, sofrimentos e aflições é tudo condição transitória de seres em reajuste moral. No fundo de si mesmo, o Espírito esclarecido sabe, intuitivamente, a Razão da sua dor e se rejubila com ela, porque somente pagando o que deve poderá prosseguir para o Alto. E sabe mais: certo da perfeição da Lei, na qual não há injustiças, compreende que, se sofre, é porque deve; a Justiça Divina não cobra multas a quem não cometeu infrações; ela é infinitamente mais perfeita que a dos homens.
Dessa forma, interferindo violentamente no mecanismo das leis supremas, o suicídio agrava os problemas, em vez de resolvê-los.
A ordem é esperar com paciência, resignação e confiança, aguardando serenamente a libertação. Acima de toda mágoa, o Espírito pode pairar serenamente e até mesmo embalado por secreta alegria, pois tem a certeza de que está resgatando, com a única moeda válida – a do sofrimento -, compromissos que ainda o prendem a um passado faltoso.”
                                                         
                                                                  SUICÍDIO

Em “O Livro dos Espíritos”, questão 944, Allan Kardec pergunta aos Espíritos Superiores se o homem tem o direito de dispor da sua própria vida, tendo obtido a seguinte resposta:
- Não, só Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão dessa lei.
E na questão 945, Kardec indaga: - Que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida?  Então, eles dizem: - Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes seria uma carga!
Em geral, conforme os Espíritos Superiores responderam a Allan Kardec, “as consequências do suicídio são muito diversas: não há penas fixadas e, em todos os casos, são sempre relativas às causas que provocaram. Mas, uma consequência à qual o suicida não pode fugir é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos: depende das circunstâncias. Alguns expiam a sua falta imediatamente, outros em uma nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam”.
E Kardec, em seguida à questão 957, comenta: - A observação mostra, com efeito, que as consequências do suicídio não são sempre as mesmas. Mas, há as que são comuns a todos os casos de morte violenta, e a consequência da interrupção brusca da vida. Há primeiro a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que une o Espírito ao corpo, por estar esse laço quase sempre na plenitude de sua força, no momento em que é quebrado, enquanto que na morte natural ele se enfraquece gradualmente e, no mais das vezes, se rompe antes que a vida esteja completamente extinta. As consequências desse estado de coisa são a prolongação da perturbação espírita, depois a ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito crer que está ainda entre o número dos vivos. A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz em alguns suicidas uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito, que sente assim, malgrado ele, os efeitos da decomposição e experimenta uma sensação plena de angústias e de horror, e esse estado pode persistir tanto tempo quanto deveria durar a vida que interromperam. Esse efeito não é geral, mas, em nenhum caso, o suicida está isento das consequências de sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia sua falta de uma ou de outra maneira. É assim que certos Espíritos que foram infelizes sobre a Terra disseram ser suicidas na precedente existência e estar voluntariamente submetidos a novas provas para tentar suportá-las com mais resignação. Em alguns, é uma espécie de ligação à matéria da qual eles procuram em vão se desembaraçar, para alçar  aos mundos melhores, mas nos quais o acesso lhes é interditado; na maioria, é o desgosto de ter feito uma coisa inútil, visto que dela não experimentaram senão a decepção. A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário à lei natural. Todas nos dizem, em princípio, que não se tem o direito de abreviar voluntariamente a vida; mas por que não se tem esse direito? Por que não se é livre para por termo aos sofrimentos? Estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo daqueles que sucumbiram, que isso não é só uma falta como infração a uma lei moral, consideração de pouca importância para certos indivíduos, mas um ato estúpido, visto que com ele nada se ganha. Isso não é a teoria que nos ensina, mas os fatos que ele coloca sob nossos olhos.

                             Kardec e os espíritas dissidentes


Na viagem que Allan Kardec fez pela França, em 1861, entre outras coisas que ouviu, foi a crítica de não lutar para trazer de volta pessoas que se afastavam dele, do Espiritismo.
Ele admite em público: "- Jamais dei um único passo nesse sentido e aqui estão os motivos de minha indiferença". 
Uma lista implacável, especialmente para alguém que rejeitava o uso do adjetivo "imperdoável": os que se aproximavam dele o faziam por conveniência, atraídos pelos princípios da doutrina, e não por sua companhia; os que se afastavam dele também o faziam por conveniência, pela descoberta da falta de afinidades em determinadas questões.
"Por que então eu iria contrariá-los, impondo-me a eles? Parece-me mais conveniente deixá-los em paz".
"Para um que parte, há mil que chegam. Julgo um dever dedicar-me, acima de tudo, a estes, e é isso que faço".

Orgulho? Desprezo pelo próximo? 

Kardec lançou as perguntas e deu a resposta: 
- "Não, honestamente não. Não desprezo ninguém. Lamento os que agem mal e isso é tudo".
"Coloco em primeira instância oferecer o consolo aos que sofrem, erguer a coragem aos decaídos, arrancar um homem de suas paixões, do desespero, do suicídio, detê-lo talvez no limiar do crime! Não vale mais isto do que os lambris doirados?"
"Guardo milhares de cartas que, para mim, mais valem do que todas as honrarias da Terra e que olho como verdadeiros títulos de nobreza. 
Assim, pois, não vos espantei se deixo partir aqueles que viram as costas".

                                                  PACIÊNCIA NÃO SE PERDE

É muito comum ouvirmos esta exclamação: perdi a paciência! Como sabem, porém, que perderam a paciência? Por que, quando precisaram daquela virtude para se manterem calmos e serenos não a encontraram consigo, e, por isso, exasperaram-se, praticaram desatinos, proferiram impropérios e blasfêmias?

Só pelo fato de não encontrarem em seu patrimônio moral aquela virtude, alegam logo que a perderam. Como poderiam, porém, perder o que não possuíam?

Será melhor que os homens se convençam de que eles não têm paciência, que ainda não alcançaram essa preciosa qualidade que, no dizer do Mestre insigne, é a que nos assegura a posse de nós mesmos: “Pela paciência possuireis as vossas almas”. E  não pode haver maior conquista que a conquista própria. Já alguém disse, com justeza, que o homem que se conquistou a si mesmo vale mais que aquele que conquistou um reino. Os reinos são usurpados mediante o esforço e o sangue alheio, enquanto a posse de si mesmo só pode advir do esforço pessoal, da porfia enérgica e perseverante da individualidade própria, agindo sobre si mesma.

Todos esses, pois, que vivem constantemente alegando que perderam a paciência, confessam involuntariamente que jamais a tiveram. Paciência não se perde como qualquer objeto de uso ou como uma soma de dinheiro. Os que ainda não lograram alcançá-la, revelam essa falha precisamente no momento em que se exasperam, em que perdem a compostura e cometem despautérios. Quando, depois, o ânimo serena, o homem diz: perdi a paciência. Não perdeu coisa alguma; não tenho paciência é o que lhe compete reconhecer e confessar.

As virtudes, esta ou aquela, fazem parte de uma certa riqueza cujo valor imperecível Jesus encarece sobremaneira em seu Evangelho, sob estas sugestivas palavras: Granjeai aquela riqueza que o ladrão não rouba, a traça não rói, o tempo não consome e a morte não arrebata. Tais bens são, por sua natureza, inacessíveis às contingências da temporalidade, e não podem, portanto, desaparecer em hipótese alguma. Constituem propriedade inalienável e legitimamente adquirida pelo Espírito, que jamais a perderá.

Não é fácil adquirirmos certas virtudes, entre as quais se acha a paciência. A aquisição da paciência depende da aquisição de outras virtudes que lhe são correlatas, que se acham entrelaçadas com ela numa trama perfeita. A paciência – podemos dizer – é a filha da humildade e irmã da fortaleza, do valor moral. O orgulho é seu grande inimigo. A fraqueza de Espírito é outro obstáculo à conquista daquele precioso tesouro. Todos os movimentos intempestivos, todo ato violento, toda atitude colérica são oriundos da suscetibilidade do nosso amor próprio exagerado. A seu turno, os desesperos, as aflições incontidas, os estados de alucinação, os impropérios e blasfêmias são consequências  de fraqueza de ânimo ou debilidade moral. A calma e a serenidade de ânimo, em todas as emergências e conjunturas difíceis da vida, só podem ser conservadas mediante a fortaleza e a humildade de Espírito. É essa condição inalterável de ânimo que se denomina “paciência”. Ela é incontestavelmente atestado eloquente de alto padrão moral.

Naturalmente, em épocas de calmaria, quando tudo corre ao sabor dos nossos desejos, parece que possuímos aquele preciosíssimo bem. Os homens, quando dormem, são todos bons e inocentes. É exatamente nas horas aflitivas, nos dias de amargura, quando suportamos o batismo de fogo, que verificamos, então, a inexistência da sublime virtude conosco.

No mundo, observou o Mestre, tereis tribulações, mas tende bom ânimo: eu venci o mundo. Como ele venceu, cumpre a nós outros, como discípulos, imitá-lo, vencendo também. Cristo é o sublime modelo, é o grande paradigma. Não basta conhecer seus ensinamentos, é preciso praticá-los. Daqui a necessidade de fortificarmos nosso Espírito, retemperando-o nos embates cotidianos como o ferreiro que, na forja, tempera o aço até que o torna maleável e resistente.

A existência humana é urdida de vicissitudes e de imprevistos. Tais são as condições que haveremos de suportar como consequências do nosso passado. A cada dia a sua aflição – reza o Evangelho em sua empolgante sabedoria. Portanto, cumpre nos tornemos fortes para vencermos. Fomos dotados dos predicados para isso. Tudo que eu faço, asseverou o Mestre, vós também podeis fazer. Se nos é dado realizar os feitos maravilhosos do Cristo de Deus, por que permanecemos neste estado de miserabilidade moral? Simplesmente porque temos descurado a obra de nossa educação. A educação do Espírito é o problema universal.

A obra da salvação é obra de educação, nunca será demais afirmar esta tese.

A religião que o momento atual da Humanidade reclama é aquela que apela para a educação sob todos os aspectos: educação física, educação intelectual, educação cívica, educação mental, educação moral.

A fé que há de salvar o mundo é aquela que resulta desta sentença: Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito. 
(Vinicius-Em Torno do Mestre)

                                                         T E R R O R I S M O

A Hidra de Lerna, da mitologia grega, na sua insaciável sede de sangue, ressurge, na atualidade, multiplicando-se em forma do hediondo terrorismo. Os fantasmas do medo, da revolta, das lutas sem quartel, corporificam-se nas massas alucinadas gritando por vingança, sem se importar com o número de vidas que sejam estioladas, nem com as formas cruentas a que sejam submetidas.

Os direitos do homem e da mulher, dolorosamente conseguidos ao largo da História, cedem lugar ao abuso do poder desenfreado, da loucura fanática de minorias infelizes, que acendem o estopim do barril de pólvora dos ódios malcontidos.

Entre as elevadas conquistas do desenvolvimento ético e moral da Terra, destaca-se a liberdade, representada nas organizações políticas pelos regimes democráticos, veladores da honra do bem viver e deixar que os demais também o vivam. Dentre esses direitos inalienáveis, a liberdade de expressão alcançou nível superior para o comportamento humano.

Não há, portanto, limite sagrado ou profano, proibido ou permitido, dependendo, exclusivamente, do estágio do estágio intelecto-moral da sociedade e dos seus cidadãos, que optarão pelo ético, pelo saudável e pelo favorável ao desenvolvimento espiritual da Humanidade. Sofista por excelência e ético na sua essência, Sócrates defendia a liberdade de expressão num período de intolerância e de sujeição, de arbitrariedades, que ele condenava, havendo pago com a nobre existência a elevada condição de exaltar a beleza e a verdade.

Jesus, na sua ímpar condição, respeitou essa gloriosa conquista – a liberdade de expressão – não se permitindo afetar pelos inditosos comportamentos dos seus opositores contumazes... E fez-se vítima espontânea da crueldade e do primarismo daqueles que o temiam e, por consequência, o odiavam. Legou-nos, no entanto, no memorável discurso das bem-aventuranças as diretrizes éticas para a conquista da existência feliz através da aquisição da paz.

Em momento algum limitou, excruciou ou lutou contra o amadurecimento espiritual do ser humano. Sua doutrina, conforme previra, foi submetida ao talante dos poderes temporais e transformada em arma terrorista esmagadora que dominou as massas humanas por longos séculos de medo e de horror.

Há pouco mais de 200 anos, no entanto, a França e, logo depois, os Estados Unidos da América do Norte desfraldaram a bandeira dos direitos à liberdade, à igualdade e à fraternidade. E houve, desde então, avanços incontestes no comportamento dos povos, diversas vezes afogados no sangue de seus filhos em insurreições internas, em guerras internacionais, embora muitos interesses subalternos, para que lhes fossem preservados esses soberanos direitos.

Os temperamentos  primários, porém, ainda predominantes em expressivo número de Espíritos rebeldes, incapazes de compreender os valores humanos, têm imposto a sua terrível e covarde adaga em atos de terrorismo, tendo como pano de fundo as falsas e mórbidas confissões políticas e religiosas, que dizem abraçar, espalhando o caos, o terror, nos quais se comprazem.

A força das suas armas destrutivas jamais fixará os seus postulados hediondos, pois que sempre enfrentarão outros grupelhos mais nefastos e sanguinários que os vencerão. Após o triunfo de um bando de bárbaros por um tempo e ei-los desapeados da dominação por dissidentes não menos cruéis... Assim tem sido na História em todos os tempos.

Os mongóis, por exemplo, conquistaram a Índia, embelezaram-na, realizaram esplendorosas construções como o Taj Mahal, pelo imperador Shah Jahan, a fortaleza dita inexpugnável guardando a cidade e as minas de diamantes da Golconda, enquanto se matavam para manter-se  ou para conquistar o trono – filhos que assassinaram os pais ou os encarceraram, ou os enviaram para o exílio, como era hábito em outras nações – para depois sucumbirem sob o guante de outros voluptuosos dominadores mais hábeis e mais selvagens. Criaram armas terríveis, como os foguetes com lâminas aguçadas e os imensos canhões, terminando vencidos, após algumas glórias, pelas tropas inglesas que invadiram o país, submetendo-o por mais de um século ao Reino Unido, desde o reinado de Vitória.

Mais tarde, a grandeza moral do Mahatma Gandhi, com a sua misericordiosa não violência, libertou-a, restituindo-a aos seus primitivos filhos. Nada obstante, após o seu assassinato, a Índia continuou e permanece até hoje vítima do terrorismo político e religioso desenfreado, sem a bênção da paz, a dileta filha do amor.

Somente quando o amor instalar-se no coração do ser humano é que o terrorismo perverso desaparecerá e os cidadãos de todas as pátrias e de todas as confissões religiosas se permitirão a vera liberdade de pensamento, de palavra e de ação.

Com efeito, esse sublime sentimento não usará da glória da liberdade para denegrir ou punir pelo ridículo, porque respeitará todos os direitos que a Vida concede àqueles que gera e mantém.

Para que esse momento seja atingido, faz-se urgente que todos, mulheres e homens de bem, religiosos ou não, mantenham-se em harmonia, respeitem-se mutuamente e contribuam uns para a plenitude dos outros.

Infelizmente, porém, na atualidade, em que predominam o individualismo, o consumismo, o exibicionismo, espúrios descendentes do egoísmo, facções terroristas degeneradas disseminarão na Terra o crime e o pavor, até que seus comandantes e comandados sejam todos exilados para mundos inferiores, compatíveis com o seu estágio de evolução.

Merece, igualmente, neste grave momento, recordar a frase de Jesus: - “Eu venci o mundo” (João, 16:33) Ele não foi um vitorioso no cenário enganoso do mundo, mas o triunfador sobre todas as suas ainda perversas injunções.

O terrorismo passará como todas as vitórias da mentira, das paixões inferiores e da violência, porque só o amor é portador de perenidade. 
(Espírito Vianna de Carvalho-Psicografado por Divaldo Franco em 07/01/2015, quando ocorreu o primeiro ataque terrorista em Paris)

                                           ZIKA VÍRUS E O ABORTO
Segue a nota da Associação dos Médicos Espíritas sobre zika vírus e o aborto:
Os que defendem a legalização do aborto encontraram na associação do aumento da  microcefalia com o surto de zika vírus uma oportunidade para retomar a discussão da liberação do aborto no Brasil.
Recentemente foi noticiado que grupo liderado pela Débora Diniz, do instituto de bioética Anis, prepara uma ação no STF para a liberação do aborto em casos de microcefalia. É o mesmo grupo que propôs a ação para interrupção da gravidez de anencéfalos, acatada pelo STF em 2012.
A bióloga e feminista Ilana Löwy, numa entrevista para a Revista ÉPOCA, vê no surto de zika vírus uma oportunidade para se debater o direito de decisão da mulher de ter ou não o bebê, como aconteceu com a epidemia de rubéola no Reino Unido. Interessante é que a Rubéola hoje em dia é uma doença totalmente controlável e passível de prevenção através da vacinação, deixando de ser um risco epidêmico, usado como justificativa para a liberação do aborto na Europa.
Os argumentos utilizados se baseiam na liberdade da mulher poder escolher o que é melhor para si, esquecendo que existe uma vida a qual se está negando o primeiro e mais fundamental dos direitos humanos, o direito à vida.
Cabe ressaltar que os fundamentos utilizados para liberar o aborto dos fetos anencéfalos não se aplicam nesses casos. O diagnóstico da microcefalia é tardio, em torno da 28ª semana, diferentemente da anencefalia, que é feito a partir da 12ª semana de gestação. As lesões da microcefalia geralmente aparecem na ultrassonografia depois da 24ª e não são incompatíveis com vida, como nos casos de anencefalia.
Além disso, o diagnóstico ecográfico de lesão neurológica não é 100% seguro, já que depende da análise de um profissional passível de equívocos. Existem inúmeros relatos de erros em fetos com diagnóstico de malformações neurológicas e que nasceram perfeitamente normais. No entanto, os que argumentam em favor do aborto querem transformar o diagnóstico de microcefalia em atestado de morte para todas as crianças das mães que contraíram o zika vírus e que optarem pela interrupção da gravidez, mesmo com possibilidades de nascerem normais ou com poucas sequelas neurológicas.
Com o avanço da medicina fetal e da genética médica, hoje é possível a detecção, ainda no útero, de várias anomalias fetais. Diversas técnicas como ultrassom morfológico, ultrassom de terceira dimensão, a biópsia de vilos coriais, a amniocentese, a cordocentese, o desenvolvimento da técnica citogenética molecular permitem o diagnóstico  intrauterino de várias doenças. O diagnóstico permite iniciar o tratamento antes do nascimento, como cirurgias intrauterinas para correções de más-formações, assim como a preparação psicológica dos pais para o enfrentamento das graves anomalias.
Querer selecionar apenas as crianças saudáveis com direito à vida é retomar a prática da eugenia feita na Grécia antiga e pelo nazismo, abrindo um precedente para a liberação do aborto em outros casos de microcefalia como as causadas por hipóxia neonatal, desnutrição grave na gestação, fenilcetonúria materna, rubéola congênita na gravidez, toxoplasmose congênita na gravidez, infecção congênita por citomegalovírus ou em doenças genéticas como Síndrome de Down, Síndrome de Cornelia de Lange, Síndrome Cri du Chat, Síndrome de Rubinstein – Taybi, Síndrome de Seckel, Síndrome de Smith-Lemli–Opitz e Síndrome de Edwards.
Nesses casos, pessoas como Ana Carolina Dias Cáceres, moradora de Campo Grande (MS), hoje com 24 anos e formada em jornalismo, e tantas outras crianças em situações parecidas, não teriam direito à vida. Ao saber da iniciativa de alguns em defender o aborto de fetos com microcefalia, Ana Cáceres veio a público dar seu depoimento à BBC do Brasil em defesa dos portadores de microcefalia.
Nos casos microcefalia não se pode falar na opção de abortamento, pois não se trata de patologia letal que inviabilize a vida extrauterina. Embora as limitações que possam surgir, a expectativa de vida das crianças com microcefalia não são diferentes das outras crianças, exigindo, no entanto, estimulação e cuidados especiais para melhorar a sua qualidade de vida.
A discussão do aborto em casos de microcefalia retrata bem o momento pós-moderno em que vivemos, o que Bauman, um dos maiores pensadores da atualidade, chama de modernidade líquida. Na modernidade líquida os indivíduos não possuem mais padrões de referência, nem códigos sociais e culturais que lhes possibilitem, ao mesmo tempo, construir sua vida e se inserir dentro das condições de classe e cidadão. A modernidade líquida trouxe descentramento do homem, do sujeito, produzindo identidades híbridas, locais e globais, efêmeras sobre tudo. É a cultura do efêmero, da destruição criativa, “tudo que é sólido desmancha no ar” na imagem trazida por Berman.
Para a maioria dos autores, a pós-modernidade é marcada como a época das incertezas, das fragmentações, do narcisismo, da troca de valores, do vazio, do niilismo, da deserção, do imediatismo, da efemeridade, do hedonismo, da substituição da ética pela estética, da apatia, do consumo de sensações e do fim dos grandes discursos.
A educação recebida dos pais e das escolas, os valores morais que orientam as boas relações sociais, o fortalecimento da família e a busca do bem comum está perdendo espaço para novas formas de comportamento regidas pelas leis do mercado, do consumo e do espetáculo. Existe uma crise de valores com perda de referenciais importantes em detrimento de uma vida superficial e de um discurso liberal. Na sociedade pós-moderna predomina o ter acima do ser, o prazer pelo prazer, o prazer acima de tudo, a permissividade que justifica que tudo é bom desde que me sinta bem, o relativismo no qual não há nada absoluto, nada totalmente bom ou mau e as verdades são oscilantes, o consumismo, se vive para consumir, e o niilismo caracterizado pela subjetividade, a paixão pelo nada, numa indiferença assustadora.
Renata Araújo descreve muito bem o sujeito pós-moderno: “A pós-modernidade nos apresenta um sujeito imediatista, fragmentado, narcisista, desiludido, ansioso, hedonista, deprimido, embora também informatizado, buscando independência, autonomia e defesa de seus direitos. Mas, a supervalorização e autonomia geram um individualismo, um egocentrismo, uma ênfase na subjetividade, sendo o outro apenas para a consecução de seus objetivos pessoais.” (ARAÚJO, p. 1 e 2)
Vive-se numa época de grande competitividade e de pouca solidariedade. Em nome dessa nova ideologia, os indivíduos se permitem agir passando por cima de valores fundamentais. A coisificação da vida e o predomínio dos interesses pessoais em detrimento do coletivo são bem característicos dessa fase em que vivemos. Entretanto, aprendemos com a genética que a diversidade é a nossa maior riqueza coletiva. E o feto anômalo, mesmo o portador de grave deficiência, como é o caso da microcefalia, faz parte dessa diversidade. Deve ser, portanto, preservado e respeitado. Necessário se faz proteger também a gestante, dando a ela apoio em sua gravidez e proporcionando tratamento ao seu futuro filho. Reconhecemos que a mulher que gera um feto deficiente precisa de ajuda psicológica por longo tempo; constatamos, porém, que, na prática, esse direito não lhe é assegurado.
O aborto provocado é um procedimento traumático com repercussões gravíssimas para a saúde mental da mulher e que geralmente aparecem tardiamente. O aborto produz um luto incluso devido à negação da ocorrência de uma morte real, mas esse aspecto é totalmente desconsiderado.
As mulheres sofrem uma perda e suas necessidades emocionais são relegadas ou escondidas. Elas não conseguem vivenciar o seu luto e lidar com a culpa. Esse processo vai gerar profundas marcas e favorecer o surgimento da Síndrome pós-aborto (PAS).
Psiquiatras e psicólogos especializados em atender mulheres que abortaram alertam para o aumento dos transtornos emocionais causados pelo aborto provocado. Eles afirmam que os efeitos psicológicos do aborto são extremamente variados e não são determinados pela educação recebida ou pelo credo religioso. Esclarecem que a reação psicológica ao aborto espontâneo e ao aborto involuntário é diferente, está relacionada com as características de cada um desses dois eventos. O aborto espontâneo é um evento imprevisto e involuntário, enquanto o aborto provocado interrompendo o desenvolvimento do embrião ou do feto e extraindo-o do útero materno contempla a responsabilidade consciente da mãe. As mulheres que se submeteram ao aborto afirmam que a culpa não é gerada de fora para dentro, infundida nelas por outras pessoas ou pela religião, ao contrário, ela surge e cresce em seu mundo íntimo a partir do ato abortivo.
Os problemas emocionais gerados pelo aborto são tão graves que em muitos países onde ele é legalizado foram criadas, pelas próprias mulheres vitimadas pelo aborto, associações como a Women Exploited by Abortion (Mulheres Exploradas pelo Aborto) nos EUA, e a Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do Aborto) na Espanha, que orientam e alertam sobre as consequências prejudiciais do aborto.
O aborto não é definitivamente uma “solução fácil” como afirmam muitos, mas um grave problema, um ato agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.
As consequências danosas provocadas pelo aborto à saúde mental nos países onde ele foi legalizado é tão grave como a depressão profunda, que o Royal College of Psychiatrists (associação dos psiquiatras britânicos e irlandeses), alertaram que a mulher deve ser comunicada para os graves riscos emocionas que se submete caso opte pela interrupção da gravidez. Portanto, aborto nunca será uma solução, sempre um lado ou ambos serão prejudicados. Não é dando a mulher autonomia para matar seu filho dentro de seu ventre que resolveremos os problemas sociais. Isto não passa de demagogia. É necessário investir na educação das massas para prevenção da gravidez indesejada, mas jamais matar uma criança inocente. Os fins não podem justificar os meios. A sociedade que apela para o aborto declara-se falida em suas bases educacionais, porque dá guarida à violência no que ela tem de pior, que é a pena de morte para inocentes. Compromete, portanto, o seu projeto mais sagrado que é o da construção da paz.
A Associação Médico-Espírita do Brasil reitera seu posicionamento contra qualquer forma de violência a uma nova vida que não põe em risco a vida materna e que surge aguardando o auxílio de braços fortes e sensíveis que lhe ampare em sua fragilidade. Concitamos a todos os colegas das AMEs para continuarmos firmes em defesa da vida e da paz.
AME-Brasil
                                                     ORAÇÃO DOMINICAL

Novamente voltamos a chamar a atenção dos Espíritas sobre a “Oração Dominical”, ensinada por Jesus e que, posteriormente, a Igreja dominante intitulou de “Pai Nosso”, alterando-lhe o texto para afastar do conhecimento de seus profitentes a Lei da Reencarnação, procurando mantê-los na ignorância a respeito desta questão transcendental por todos os meios, desde o Concílio de Constantinopla, no ano 553 d.C., convocado pelo imperador Justiniano.
Se já sabemos e estamos conscientes de que o Espiritismo é o Cristianismo Redivivo, com toda a sua pureza e simplicidade transmitida por Jesus, compete-nos seguir-lhe os passos, sem deturpar-lhe a obra. Por isso, não podemos deixar de meditar e buscar o que o Espírito de Verdade nos pede: INSTRUIRMO-NOS. 
E o Espiritismo é uma Doutrina que tem de ser estudada, sob pena de nada entendermos e sermos pedra de tropeço, causando danos à obra. É importante que saibamos e que divulguemos o texto original.
Conta-nos o Espírito Humberto de Campos que, após ter explicado a Pedro e aos demais discípulos várias questões relativas à comunhão com Deus, e a pedido de um dos filhos de Alfeu (Tiago e Levi), "Jesus, elevando o seu Espírito magnânimo ao Pai Celestial e colocando o seu amor acima de todas as coisas, exclamou:
"Pai Nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome." E, ponderando que a redenção da criatura nunca se poderá efetuar sem a misericórdia do Criador, considerada a imensa bagagem das imperfeições humanas, continuou: "Venha a nós o teu reino." Dando a entender que a vontade de Deus, amorosa e justa, deve cumprir-se em todas as circunstâncias, acrescentou: "Seja feita a tua vontade, assim na Terra como nos céus." Esclarecendo que todas as possibilidades de saúde, trabalho e experiência chegam invariavelmente, para os homens, da fonte sagrada da proteção divina, prosseguiu: "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje." Mostrando que as criaturas estão sempre sob a ação da lei de compensações e que cada um precisa desvencilhar-se das penosas algemas do passado obscuro pela exemplificação sublime do amor, acentuou: "Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores." Conhecedor, porém, das fragilidades humanas, para estabelecer o princípio da luta eterna dos cristãos contra o mal, terminou a sua oração, dizendo com infinita simplicidade: - "Não nos deixes cair em tentação e livra-nos de todo mal, porque teus são o reino, o poder e a glória para sempre. Assim seja."
Levi, o mais intelectual dos discípulos, tomou nota das sagradas palavras, para que a prece do Senhor fosse guardada em seus corações humildes e simples. A rogativa de Jesus continha, em síntese, todo o programa de esforço e edificação do Cristianismo nascente. Desde aquele dia memorável, a oração singela de Jesus se espalhou como um perfume dos céus pelo mundo inteiro." 
(Espírito Humberto de Campos-Boa Nova-C. Xavier)

Luiz Alberto Cunha da Silva