segunda-feira, 29 de novembro de 2021

 Mundo e Jesus

O homem do mundo triunfa nas batalhas externas, porém suas glórias são vãs. 

O cristão triunfa interiormente, mas suas vitórias são permanentes.

O homem que pertence ao mundo vence os outros e goza. Suas conquistas, no entanto, apóiam-se nos propósitos egoístas e os instrumentos dessa luta, raramente são lícitos, o que o torna infeliz.

O homem que se entrega ao Cristo, se vence a si mesmo, usando os recursos da dignidade quanto do valor moral em que se apóia, todavia suas realizações promovem-no à paz.

O homem no mundo é convidado a competir, perseguindo posições que, logradas, deixam imenso vazio, após o embevecimento do instante de ilusão.

O cristão no mundo é conduzido ao auxílio fraternal, e, conseguido o objetivo, não para, porque vislumbra outras metas mais altas que o impelem ao avanço.

O mundo e Jesus!

As duas colocações parecem chocar-se numa batalha titânica, na qual, por enquanto, o mundo predomina…

O mundo é representado pelas paixões e Jesus através das renúncias.

A questão faz-se, apesar disso, de fácil equação, se o homem se dispõe a uma conscientização e vivência objetiva do bem.

Vencer no mundo é fácil; vencer no mundo é desafio.

Jesus venceu o mundo e suas maravilhas, ensinando como superar as conjunturas dolorosas, de modo a viver-se no mundo sem pertencer-lhe, dele fazendo, a longo prazo, verdadeiro paraíso, conforme sua própria destinação.

Com Jesus no mundo íntimo de cada homem, o mundo dos homens será de paz e ventura.

(Espírito Eduardo, Bispo de Ilhéus-Terapêutica de Emergência-Divaldo Franco) 


sábado, 27 de novembro de 2021

 Não Passe Recibo

Em cada momento da sua vida diária, você se verá a braços com desafios que exigirão muita prudência de sua parte, para que não se envolva em situações-problemas, muitas vezes difíceis.

Você sabe que a Terra vem passando por momentos graves em todas as áreas.

A violência tem-se tornado a grande intérprete desses tempos planetários, já que seus fluidos são de fácil assimilação pela quase maioria dos humanos nos estágios em que se acham no mundo.

Se você estiver na rua, na condução, no lazer ou mesmo no lar, encontrará diversas pessoas, muitas delas companheiras suas ou familiares, cujos comportamentos, cujas posturas poderão causar-lhe chateações, irritações, capazes de instigar seu lado frágil ou sua intolerância. Tenha muito cuidado para não ser vítima do seu próprio temperamento. Exercite-se na conquista da tranquilidade, acautelando-se contra a ira ou a revolta que podem apanhá-lo desprevenido.

A proposta escusa das equipes de Entidades sombrias é converter a vida social da Terra num inferno verdadeiro, no qual cada pessoa não enxergue outra saída para os seus problemas, senão saídas violentas.

Não morda essa isca, procurando manter ou desenvolver sua paciência.

Você ouvirá palavras ditas rudemente e outras, como afiado gume, que lhe irão penetrando fina e suavemente, mas cujo objetivo é infelicitar-lhe.

Verá em toda parte arrancadas bruscas de veículos em mãos nervosas.

Ouvirá palavrões estrondeando a sua volta. Deparará o acinte em forma de mau atendimento onde você paga e paga caro por qualquer serviço. 

Você faceará a violência da calúnia, do mexerico, da zombaria e do desdém. Aprume-se no pensamento superior. Pense sempre em nível mais alto e não revide, não se deixe exasperar. 

Quando algo for muito forte para a sua sensibilidade ou para os seus nervos, afaste-se, física ou mentalmente, buscando nos ensinos de Jesus o amparo de que necessite.

Recorde o Mestre ao ensinar-nos a “não contender com o mal”.

Seja qual for a perturbação que se engendre a sua volta, mantenha-se em paz. Não tema carantonhas, não se agonize com ameaças. Não responda às agressões que serão apenas fogos cruzados. Não passe recibo às violências.

Se você obtiver êxito, sairá ileso desses pântanos viscosos formados pelos psiquismos doentes de “vivos” e “mortos”. Caso morda a isca ao invés de morder a língua, guarde a certeza de que seus destemperos o aproximarão da cadeia, do túmulo ou de inabordáveis remorsos que não o deixarão viver em harmonia.

A determinação das sombras é fazer tombar, é atrasar ou impedir o passo de todos que demonstrem possibilidades mais nítidas de união com Jesus.

Ore, policie-se, fale e aja da melhor forma, para que, em pleno incêndio moral do mundo, você se mantenha resguardado pela redoma da paz que vem construindo com seus esforços para uma abençoada passagem planetária.

(Espírito Joanes-Para Uso Diário-Raul Teixeira)


sexta-feira, 26 de novembro de 2021

 Inversões Fatais

Os homens costumam inverter os ensinamentos de Jesus, advindo daí uma série de males que perturbam a paz do mundo. Até mesmo aqueles que se dizem cristãos vivem divorciados da moral evangélica, conforme se verifica pelos seguintes exemplos:

Jesus prescreve: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça; tudo o mais vos será dado por acréscimo”. Os homens, invertendo este preceito, fazem exatamente o contrário: buscam tudo o mais, e esperam que o reino de Deus lhes seja dado por acréscimo na última hora.

“Não faças a outrem o que não desejas que os outros te façam”.

“Faze aos outros o que desejas que os outros te façam”.

Como costumam proceder os homens com relação aos dois magistrais preceitos acima transcritos?

É notório que agem em sentido diametralmente oposto: fazem aos outros o que não querem que os outros lhes façam; e deixam de fazer aos outros o que desejam o que os outros lhes façam. Procedem, portanto, em desacordo com a justiça simbolizada no primeiro preceito, e em desacordo com a misericórdia estatuída no segundo.

Se procurarmos a causa das dúvidas suscitadas entre os indivíduos e as nações, desde as mais simples até as mais graves, duma ligeira desinteligência até as guerras sanguinolentas que têm ensopado a Terra de sangue e de lágrimas, havemos de encontrá-la na desobediência  àqueles dois sábios mandamentos, os quais os homens invertem fazendo precisamente o contrário do que eles preconizam.

“Ajuntai para vós tesouros no céu, onde o ladrão não rouba, a traça não rói e a ferrugem não consome”.

É sabido que os homens, menosprezando a recomendação supra, empregam o máximo de seus esforços, de sua inteligência e de todas as possibilidades a seu alcance em ajuntar tesouros na Terra, onde o ladrão rouba, a traça rói, a ferrugem consome e a morte arrebata.

“Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos fizeram mal; orai pelos que vos perseguem e caluniam. Não resistais ao mau; dai a capa a quem vos disputar a túnica”. 

Os homens aborrecem seus inimigos, retribuem o mal com outro mal maior, vingam-se das perseguições, resistem ao mau, empregando a violência, disputam e demandam quando se sentem prejudicados. Parece mesmo que se esmeram em contrariar acintosamente os conselhos que Jesus lhes legou quanto àqueles dispositivos.

“Bem-aventurados sereis quando vos perseguirem por causa da justiça. Alegrai-vos e exultai quando, mentindo, disserem todo o mal de vós por minha causa”.

Os homens lamentam, protestam e se revoltam quando sofrem a mais leve perseguição por causa da justiça. Murmuram, choram e blasfemam quando sabem que, mentindo, disseram mal deles, por causa da verdade.

Porfiai por entrar pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçosa a estrada que conduz à perdição; e estreito é o caminho que conduz à vida eterna”.

Os homens fogem espavoridos do caminho estreito do dever, fogem das lutas e das porfias na formação do caráter, na obra do aperfeiçoamento próprio, para enveredarem pela estrada  larga e cômoda da hipocrisia, das fraudes e das prevaricações. São partidários incondicionais da vida fácil, onde vicejam os vícios e as paixões bastardas; e são adversários da vida simples, modesta e laboriosa onde medra a virtude e onde se alcança a sabedoria.

Como estranhar, pois, que o homem se debata no meio de angústias e de aflições e verta lágrimas através de guerras, de pestes, fome e calamidades de toda a espécie, uma vez que ele inverte completamente os preceitos da moral evangélica; uma vez que ele age em tudo  e por tudo em flagrante e afrontoso antagonismo com a lei divina, que é a lei natural revelada pelo Cristo de Deus?

(Vinicius-Em Torno do Mestre)


 Natal de Jesus

Cristo nasceu? Onde? Quando?
Como já dissemos anteriormente, falando sobre o Mestre Incomparável, a Doutrina Espírita tem conhecimentos extraordinários sobre Jesus, isto é, para todos os que têm “olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, trazendo-os a público desde que se instalou na Terra, em 1857, o Consolador, sob a coordenação do inolvidável Professor Allan Kardec.
São informações valiosas que os Espíritos mais elevados têm transmitido, através da mediunidade, como também muitos escritores encarnados, pela própria condição de alcance e inspiração, têm contribuído definitivamente para o nosso esclarecimento. Segundo João, se fossem escritos todos os fatos que envolveram Jesus aqui na Terra, não caberiam no mundo...
Aos poucos, porém, a Espiritualidade Superior vai desvendando para a Humanidade sofrida da Terra, como aquela água da Fonte da Vida que Ele ofereceu à mulher samaritana, são maravilhas que vão nos sensibilizando, fazendo com que nossa sede seja saciada para sempre, melhorando-nos e, assim, melhorando o mundo em que vivemos.
Leon Tolstói, atualmente no Mundo Maior, dedica-se a pesquisar inúmeras questões sobre os ensinos de Jesus, tendo enviado para a Humanidade terrestre, por via mediúnica, vários livros que esclarecem e revelam como o Cristo acompanha a vida de todos os habitantes deste planeta, desde a época que o ajudou a formar-se, há 4 bilhões e 500 milhões de anos. Diz-nos o Espírito Tolstói que, agora na Espiritualidade, é que ele compreendeu mais amplamente toda a questão, por exemplo, da passagem de Jesus pela Terra, não tendo o mesmo fundado nenhuma religião como foi apregoado durante séculos por pessoas que se dizem seus representantes aqui na Terra.
Para Vinicius, "Jesus não é, como se imagina, criador de determinada escola, nem fundador de certa religião. Ele é o revelador da Lei, o expoente máximo neste mundo, da Vontade divina. Sua missão não teve início em Belém e finalidade no Gólgota. Ele vem, desde que o mundo é mundo, inspirando a Humanidade, orientando e apascentando este rebanho, no desempenho do mandato que o Pai lhe confiara. Jesus é a luz do mundo. Assim como o Sol não ilumina só um hemisfério, mas distribui à Terra toda seus benefícios, assim o Pastor divino apascenta com igual carinho todas as ovelhas do seu redil.  Jesus nasceu em Betlém há cerca de vinte séculos. Mas esse nascimento, como tudo o mais que com ele se relaciona, reveste-se de perpetuidade.  O natal do Mestre é um fato que se repete todos os dias: foi de ontem, é de hoje, será de amanhã. Os que ainda não sentiram em seu íntimo a influência do Espírito do Cristo, ignoram, em verdade, que ele nasceu. Só sabemos das coisas de Jesus por experiência própria. Só após Ele haver nascido em nosso coração é que chegaremos a entendê-Lo, já em Seus ensinos, já no que respeita à Sua missão neste orbe”. (Em Torno do Mestre-Vinicius)
Cristo nasceu? Onde? Quando?
E Vinicius continua, como ele próprio diz, invocando o testemunho de certas personagens cristãs como astros de primeira grandeza.
“Perguntemos a Paulo – onde e quando Jesus nasceu? Ele nos dirá: Foi na estrada de Damasco, quando eu, então intolerante e fanatizado por uma causa inglória, me vi envolvido na sua divina luz. Dali por diante, 'já não sou eu mais quem vive, mas o Cristo é que vive em mim'.
Indaguemos de Madalena, onde e quando nasceu Jesus. Ela nos informará: Jesus nasceu em Betânia, certa vez em que sua voz, ungida de pureza e santidade, despertou em mim a sensação de uma vida nova, com a qual, até então, jamais sonhara.
Ouçamos o depoimento de Pedro, sobre a natividade do Senhor, e ele assim se pronunciará: Jesus nasceu no átrio do paço de Pilatos, no momento em que o galo, cantando pela terceira vez, acordou minha consciência para a verdadeira vida. Daí por diante, nunca mais vacilei diante dos potentados do século, quando me era dado defender a Justiça e proclamar a verdade, pois a força e o poder do Cristo constituíram elementos integrantes de meu próprio ser.
Chamemos à baila João Evangelista e peçamos nos diga o que sabe acerca do natal do Messias, e ele nos dirá: Jesus nasceu no dia em que meu entendimento, iluminado pela sua divina graça, me fez saber que Deus é amor.
Dirijamo-nos a Zaqueu, o publicano, e eis o seu testemunho: Jesus nasceu em Jericó, numa esplêndida manhã de sol, quando eu, ansioso por conhecê-lo, subi numa árvore, à beira do caminho por onde ele passava, contentando-me com o ver de longe. Eis que Ele, amorável e bom, acena-me, dizendo: Zaqueu, desce, importa que me hospede contigo. Naquele dia entrou a salvação no meu lar.
Interpelemos Tomé, o incrédulo: Quando e onde nasceu o Mestre? Ele, por certo, retrucará: Jesus nasceu em Jerusalém, naquele dia memorável e inesquecível em que me foi dado testificar que a morte não tinha poder sobre o Filho de Deus. Só então compreendi o sentido de suas palavras: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
Apelemos, finalmente, para Dimas, o bom ladrão: Onde e quando nasceu Jesus? Ele nos informará: Jesus nasceu no topo do Calvário, precisamente quando a cegueira e a maldade humanas supunham aniquilá-lo para sempre; dali ele me dirigiu um olhar repassado de piedade e de ternura, que me fez esquecer todas as misérias deste mundo e antegozar as delícias do Paraíso. Desde logo, senti-o em mim e eu nele.
Tal foi o testemunho do passado – tal é o testemunho do presente, dado por todos os corações que, deixando de ser quais hospedarias de Betlém, onde não havia lugar para o nascimento de Jesus, se transformaram, pela humildade, naquela manjedoura, que o amor engenhoso da mais pura e santa de todas as mães converteu no berço do Redentor do mundo”.

 Natal de Jesus

                                 De quem é o aniversário?

Chegamos ao final de mais um ano. Desde novembro já notamos as lojas se movimentando para oferecer inúmeros ítens que, de certa maneira, passaram a fazer parte da data que é a mais comemorada pelo dito mundo cristão. Existem bilhões de pessoas aqui na Terra que esta data nada significa.
E nós, nos dizemos cristãos porque nos achamos seguidores das ideias de Jesus, o Cristo. Há mais de dois mil anos Ele esteve aqui na Terra. Há vários séculos, a Igreja Católica aproveitou as comemorações que se faziam na Europa, entre os dias 22 e 25 de dezembro, em homenagem ao Sol, quando o inverno inicia naquele continente, em que reunia milhares de pessoas, para comerem e beberem, entre outras coisas, exageradamente.
Assim, temos inúmeras religiões que se dizem seguidoras do Cristo e, algumas, declaram que são as únicas representantes Dele aqui na Terra. Todas têm seus adeptos, que as sustentam, que lhes seguem os preceitos, pensando assim, ganhar o Céu, alcançar o Paraíso...
Simpatizantes destas religiões ou não, por não termos ainda assimilado a mensagem trazida pelo Enviado Divino, até hoje, nossos Natais têm se caracterizado mais por festas pagãs, como antigamente em Roma e na Europa, em geral.
Preparamos uma grande festa, com frangos e perus, bebidas de todos os tipos, inúmeras iguarias, enfeitamos as casas com pinheiros cheios de bolinhas e luzes, trocamos presentes. As pessoas compram eletrodomésticos novos, roupas novas, carros novos, etc. E dizemos que estamos comemorando o Natal. De quem? Nosso? Sim, porque o que menos lembramos é do aniversariante, pois, comemos e bebemos como se estivéssemos nas antigas festas romanas. Não nos reunimos para falar sobre o aniversariante, sobre o que Ele representa para todos nós.
Por que?
Porque, na verdade, Ele ainda não nasceu para nós, dentro de nós.
O Seu nascimento ainda não nos tocou, ainda não despertou em nós a grande mudança que o Seu toque divino desperta, iluminando, transmitindo amor, ensinando fraternidade.
Por isso esquecemos de que o Natal é o Seu aniversário, onde devemos comemorar o Seu nascimento para o bem de cada um de nós, para o bem da Terra, quando cada um de nós houver despertado a divindade que existe dentro de nós. Enquanto não fizermos isto, a Terra continuará na escuridão, com a violência que sofremos e que somos portadores ainda, com milhões de pessoas marginalizadas, com fome, com doenças, explorações e massacres de toda ordem.
E a maioria ainda pergunta:  Por que?
Essa grande maioria até hoje não enxergou, não tem "olhos de ver". Logo após a crucificação de Jesus, o céu escureceu, armou-se uma tempestade. E o centurião comentou, como está no Evangelho: "Verdadeiramente este homem era filho de Deus. Na verdade este homem era justo."
Somos seguidores do "Justo"? Fazemos o que Ele pediu?
Quando compreendermos que Jesus é o aniversariante, deixando o nosso egoísmo de lado, vamos comemorar o Natal dando a Ele os melhores presentes, ao invés de comprar para nós "coisas".
E o presente que Ele espera de nós é "fazermos aos outros tudo o que gostaríamos que eles nos fizessem", todos os dias do ano e não só no final do ano, não só em dezembro, quando nos sensibilizamos com "alguma coisa no ar".
Um dia, sentiremos as alegrias do Natal de Jesus, todos os dias, porque seremos Seus seguidores de verdade, fazendo um mundo melhor, que chamaremos de "Nova Era".

                            MAIS UM NATAL

O Messias esperado pelos judeus já veio há mais de dois mil anos. O aniversário Dele é agora, no chamado Natal, uma data convencionada para homenageá-Lo. Parece que os homens O esqueceram ou ainda não O encontraram, pois colocaram um senhor idoso no Seu lugar na fantasiosa função de entregar presentes comprados à custa de sacrifícios desnecessários. Interessante que o aniversariante nunca incentivou o consumismo e o apego aos bens materiais, muito pelo contrário. Os próprios homens se encarregaram de criar cerimônias e rituais, ceias especiais, trocas de presentes, enfeites, etc., num flagrante distanciamento do que ensinou o Mestre nazareno, ou seja, caridade e amor.
Observamos que uma Rede de TV tem convidado milhões de telespectadores a enviarem mimos para sua árvore de natal, mas não é capaz de pedir alimentos para os famintos, roupas ou algo útil para os necessitados. Estão há semanas tratando da decoração de uma árvore, que logo será desmontada e tudo o que ela contém não será útil para ninguém. Mas o mais triste é que não disseram uma palavra sequer sobre Jesus, o único motivador do Natal. Nada falaram sobre o Seu nascimento, sobre a sua vida exemplar e, principalmente, o que Ele ensinou. Para a Rede de TV e para milhões de pessoas neste pedaço do mundo chamado de Cristão, lamentavelmente, tudo gira em torno de enfeites, comidas especiais, compras e o bondoso velhinho que não representa Jesus, mas foi colocado no Seu lugar para iludir as crianças durante um certo tempo, até que se deem conta que tudo não passa de fantasia.
E Jesus não entra em sua própria festa, pois, não tem fantasia. Sua vinda à Terra reveste-se de grande importância para todos nós. Ele não fez nada de conta. Ele não iludiu ninguém nem pediu bens materiais para que nos aproximássemos Dele. Foi simples e humilde desde a manjedoura até o último dia. 
Deixou-nos um legado de altíssimo valor. Até hoje ainda não conseguimos avaliá-lo. Até hoje ainda não abrimos o tesouro que Jesus nos legou. Ainda não tomamos posse de tão valiosa propriedade. Por quê?

Deve ser porque preferimos as coisas do mundo. Damos muito valor às aparências e aos bens que possam comprá-las para podermos nos exibir perante os outros.
E as crianças são as maiores vítimas dessa fantasia. Crescem e são incentivadas a manter uma tradição que não tem nada a ver com o Salvador, o Espírito mais avançado que já esteve aqui na Terra. Pelo que sabemos, ninguém conta a história de Jesus para as crianças, que, nesta época, são incentivadas a sentar no colo do tal  senhor de barbas brancas para tirar fotografias e que, mentirosamente, lhes trará presentes se alguém, logicamente, os comprar nas lojas. A maioria das pessoas se afundam em crediários sem fim em função de se encherem de coisas, mas ninguém lembra do Divino Aniversariante, de dar-lhe o presente que Ele tanto espera de nós. E o que Ele espera de nós? 
Ele espera de nós que abramos os nossos corações para todos os que sofrem, buscando confortar e amparar muitas pessoas que sofrem pela falta de atenção, pelo abandono dos parentes nos asilos, nos hospitais, nos orfanatos. Quantos desvalidos do mundo perambulam pelas ruas sem nenhuma chance de viverem como nós vivemos, sem alimentos, sem um agasalho ou sem um teto que os abrigue. Quantas crianças crescem sem educação, sem orientação? Nós tudo isso temos e muito mais, sem ter a noção que tudo é empréstimo de Deus e que nada nos pertence. Usufruimos egoisticamente  tudo o que está à nossa disposição, nunca lembrando de ajudar alguém para superar suas dificuldades. Nunca pensamos em manter uma criança na escola, ajudando-a a ter um bom material escolar ou,  a manter um jovem na universidade. Pensamos que somos donos de bens e valores e achamos ótimo ter tantas coisas. Só não pensamos que nada disso nos acompanhará em nossa viagem de retorno à Pátria Espiritual. Lá só entrarão os bens que distribuímos, isto é, o que fizemos em prol das pessoas. 
Interessante é que uma grande parte das pessoas age mecanicamente todos os anos, em todos os Natais. Montam pinheirinhos, enchendo-os de mimos, enfeitam suas casas, suas ruas, preocupam-se em comprar presentes para familiares e amigos, estipulam valores para os tais "amigos secretos", seguem orientações para preparar a famosa "ceia de natal", com inúmeras iguarias e bebidas, tudo isso não tendo nada a ver com o verdadeiro Natal, ou seja, o aniversário de Jesus. E o aniversariante não ganha nada. E todo o ano é a mesma coisa. Estão longe de comemorar o verdadeiro Natal.
Lógico que algumas pessoas já meditam sobre o maior evento da Cristandade. Fogem de tudo o que é exagero e tradições sem sentido, até mesmo irracionais. Algumas procuram levar alguns brinquedos para crianças pobres e alimentos para os moradores de rua. São os primeiros passos para buscarem o verdadeiro sentido do Natal. Outros, já evitam o consumismo nesta época, adotando uma postura sóbria, procurando lembrar os ensinos do Cristo e a sua importância para a Humanidade. Trabalham o ano inteiro em prol dos necessitados, isto é, participam de atividades caritativas, distribuindo alimentos e agasalhos no inverno, visitando doentes, idosos e crianças abandonadas, atendendo a inúmeras solicitações de pessoas que perderam tudo em incêndios e inundações, desempregados, etc. Para estes, o Natal é o ano todo, uma vez que já entenderam o seu significado. Na verdade, trabalham para instalar na Terra o Reino de Deus, promovendo nosso planeta para a Era da Regeneração, onde poderemos viver melhor, onde todos serão atendidos em suas necessidades básicas e onde os bons predominarão. 
Que o Senhor permita que despertemos neste Natal, com muitos abraços e reconciliações, muito amor por toda a Humanidade. Assim, comemoraremos, efetivamente, o verdadeiro Natal, que partiu da simplicidade da manjedoura, em Belém, e vai transformando o mundo em direção ao Reino de Deus.  Luiz Alberto Cunha da Silva

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

A Joia

Há muitos anos, quando Francisco Xavier residia em Pedro Leopoldo, era comum as pessoas irem procurá-lo a fim de que ele, como médium conhecido por sua caridade e fraternidade, desse opiniões abalizadas aos problemas dos que dele se acercavam.

Um chefe de família o procurou desesperado numa dessas vezes. Segundo ele, sua casa estava sendo invadida por Espíritos inferiores, que provocavam efeitos físicos terríveis, assustando a todos da casa e até os vizinhos. As portas e janelas abriam-se e fechavam-se sem ter ninguém por perto. Barulho de telhas quebrando, objetos voando e, algumas vezes, os Espíritos manifestavam-se através de sua esposa que, pelo fenômeno da psicofonia, dizia palavrões e impropérios contra as pessoas da família. 

Chico ouviu atentamente o relato daquele senhor e pediu para que ele voltasse no dia seguinte.

Quando ele voltou, no dia seguinte, Chico lhe disse que os irmãos espirituais asseguravam que o remédio salutar e eficaz para esse tipo de ocorrência seria o “Evangelho no Lar”.

A família passou a fazer, assiduamente, o culto no lar e o tempo passou celeremente.

Quando faltavam poucos dias para aquele culto completar cinco anos, o companheiro voltou ao médium Chico Xavier e contou-lhe que a situação em sua casa houvera melhorado sensivelmente, mas que os amigos espirituais lhe contaram que os obsessores haviam se retirado, exceto um, que teimava em não sair daquela casa, mantendo renitente e teimoso.

Chico, com sua calma habitual, ponderou que o esforço da família fazendo o “Evangelho no Lar”, durante aqueles cinco anos, seria recompensado com um lindo presente.

A família, felicíssima, aguardava o presente prometido pelos benfeitores espirituais, quando um assaltante entra na casa e leva uma belíssima joia da família de grande valor. Um anel de brilhantes.

Transtornado e decepcionado, o chefe da família procurou novamente Chico Xavier, só que dessa vez para reclamar do roubo, e recebe a seguinte resposta:

  • Este foi o presente anunciado, caro amigo!  O prêmio maior para sua família! O culto no lar espantou quase todos os obsessores da sua casa, menos um  que se achava imantado fluidicamente ao anel de brilhantes que foi roubado. O terrível obsessor acompanhou o ladrão e o fez roubar o anel ao qual estava há muitos anos ligado. A joia já foi objeto de rixas e disputas que culminaram em mortes. Repito, este foi o presente, amigo!

(Djalma Santos-Histórias da Vida Eterna)



quarta-feira, 24 de novembro de 2021

 O Assistido


Diante daqueles a quem socorres, não admitas que a caridade seja prerrogativa unicamente de tua parte.

Enumera os bens que recolhes daqueles a quem amparas.

Habitualmente doamos aos companheiros necessitados algo do que nos sobra, deles recebendo muito do que nos falta. 

É preciso não esquecer que da pessoa a quem assistimos obtemos benefícios substanciais, como sejam:

  • a verificação de nossas próprias vantagens;

  • o conhecimento das responsabilidades que nos competem, à frente dos outros;

  • o aviso salutar, com relação aos deveres que nos cabem, na preservação dos bens da vida; 

  • a paciência com os nossos obstáculos e males menores;

  • o ensinamento da provação com que somos defrontados; 

  • a aquisição de experiência;

  • as vibrações de simpatia;

  • o auxílio que recebemos para sustentar mais amplo auxílio aos outros;

  • o consolo nos sofrimentos que, porventura, nos fustiguem;

  • o crédito moral que se regista, a nosso favor, na memória dos Espíritos encarnados e desencarnados, que amparam a criatura em crises e empeços maiores que os nossos.


Serve a benefício dos semelhantes, tanto quanto possas e como possas, em bases da consciência tranquila, sempre que encontres o próximo baldo de equilíbrio, espoliado de esperança, sedento de paz ou cansado de angústia, nas trilhas do cotidiano, porque a caridade é sempre maior nos dividendos para aquele que dá. Por isso mesmo, temos no Evangelho do Senhor a advertência inesquecível: “Mais vale dar que receber”.

(Espírito Emmanuel-Caridade-C. Xavier)


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

 O Aviso

A palma das mãos arroxeara subitamente.

Notara-o de improviso.

Os dedos pareciam marcados por hematomas horríveis.

Sensações estranhas, de quando em quando, sacudiam o corpo.

A crente espírita acreditou-se a um passo da desencarnação.

Chamado o médico, em caráter de urgência, este constatou a própria  estranheza ante os sintomas narrados pela enferma. No entanto, procedeu a exames, receitou…

Medicada, a doente consultou a consciência. Releu páginas do Evangelho, meditou…

Não desejava morrer. Todavia, já que a morte a espreitava, seria mais prudente preparar-se para recebê-la.

Arrumou-se. Fez relatórios. Organizou tudo. Orou…

Mas não morreu. 

As manchas horripilantes não passavam de nódoas de um humilde jenipapo que fora descascado para refresco saboroso e completamente esquecido.


Muitas vezes, um humilde fruto, deixando-nos nódoas nas mãos, consegue mais do que muitas advertências verbalistas.

Fiquemos atentos!

Nem sempre a desencarnação que nos aguarda, seguindo conosco, envia avisos que tais.

(Espírito Ignotus-Panoramas da VIda-Divaldo Franco)


sexta-feira, 19 de novembro de 2021

 O Primeiro

Quando abriram as portas do Posto de Saúde, o funcionário passou a distribuir as senhas, observando os mais necessitados.

Começou com velhos e crianças.

Privilegiou as gestantes.

Trabalhou com atenção.

Não fez escolha pessoal.

Resistiu às investidas.

Manteve a disciplina.

Atendeu a todos.

Terminada a entrega das senhas, os clientes se acomodaram na sala de espera. Alguns, porém, comportaram-se de maneira deselegante.

Correram na frente.

Saltaram cadeiras.

Atropelaram os colegas.

Disputaram a primeira fila.

Causaram tumulto.

Contudo, quando se iniciou o atendimento, o primeiro a ser chamado foi o cliente quieto e humilde, sentado na última fila.


Também nós, às vezes, nos comportamos com imprudência.

Recebemos o acolhimento fraterno da Doutrina Espírita, estudamos e participamos de grupos assistenciais. Contudo, quase sempre disputamos a posição de evidência, quando Jesus ensina que o primeiro no reino dos Céus é aquele que faz o bem aos outros, mas não esquece a própria humildade.

(Espírito Valérium-Contos e Crônicas-Antônio Baduy Filho)


quinta-feira, 18 de novembro de 2021

O Bem Todos Os Dias

A par das exortações quanto aos imperativos da reforma íntima, não se cansam os orientadores espirituais de enaltecer o valor de nosso esforço em favor daqueles que, por força de suas provações, atravessam existência atribulada.

O treino da caridade, mais do que simples recurso para aquisição de créditos espirituais, é fator indispensável de renovação para toda a Humanidade, pois, enquanto o número de indiferentes constituir esmagadora maioria, persistirão as causas geradoras da miséria e do infortúnio.

Todavia, as criaturas humanas permanecem, ainda, distanciadas da reflexão e do espírito de sacrifício, indispensáveis à vivência da verdadeira caridade.

Praticamos o bem ocasionalmente, apenas nas raras oportunidades em que nos sentimos dispostos e plenamente favorecidos pelas circunstâncias. Sempre que exija mais do que nos sobra ou implique em trabalho não previsto, recusamos o ensejo.

Encontramos o miserável seminu, vestes em frangalhos, e lamentamos: “Coitado! Infelizmente não tenho nada para lhe dar… minhas roupas são todas novas…”

Diante do indigente que pede um prato de comida em nossa porta, informamos: “Sinto muito, meu velho, mas já jantamos e não sobrou nada…”

Às vezes, num rasgo de generosidade, que pode também significar pressa em livrar-se do importuno, abrimos os bolsos e damos algum dinheiro àquele que nos procura. Mas a simples esmola, não raro, irá tão somente alimentar vícios como o álcool e o fumo, agravando os males do infeliz.

O pior é que nos acostumamos a ver miséria e sofrimento e, embora nos sintamos sensibilizados diante dos casos mais dolorosos, isso não implica em outra preocupação além daquela que temos com nosso bem-estar e o de nossa família.

Cuidamos com carinho da alimentação de nossos filhos, sem medir sacrifícios para dar-lhes mesa farta, e ignoramos aqueles que morrem de fome…

Passando pelo mendigo, filosofamos: “Que provação, meu Deus! Quantos males terá praticado esse infeliz para ser colhido em tal situação!...” - e continuamos rumo ao cinema ou ao passeio, sem cogitar sequer de resolver seus problemas imediatos…

Gastamos energias e dinheiro em noitadas alegres, considerando que é preciso distrair o espírito, mas evitamos avaliar quantos benefícios poderíamos prestar se aplicássemos tais recursos na distração de socorrer os humildes…

Se o familiar adoece, deixamos até mesmo o trabalho a fim de permanecer ao seu lado, mas não  admitimos a possibilidade de renunciar a alguns minutos de descanso para visitar no hospital aqueles que, sem família ou amigos, anseiam por uma palavra de incentivo e bom ânimo…

Em verdade, não podemos, por enquanto, deixar prazeres e conforto, pois muito longe estamos da virtude de um Francisco de Assis ou de um Bezerra de Menezes.

Mas se não podemos ser o máximo, por que não ser o mínimo? Se não podemos dedicar todas as horas ao serviço ao próximo, condição do verdadeiro cristão, que sabe que tanto mais feliz será quanto menos pensar em si, por que não dedicar-lhe pelo menos uma hora por dia?

Para tanto é preciso que nos disponhamos a dar não apenas ocasionalmente, mas sempre; não apenas o que nos sobra ou é inútil, mas também o que nos serve; não apenas quando seja fácil, mas também quando exija esforço e perseverança. Então, estaremos no caminho certo.

Há muito que se fazer em albergues, orfanatos, berçários, hospitais, creches e outras obras espíritas que carecem de colaboradores dispostos a arcar com as responsabilidades de direção e manutenção.

Não se pode admitir o adepto da Terceira Revelação divorciado do trabalho social. E se grande tem sido a contribuição da família espírita nesse trabalho edificante, ainda que uma minoria o desenvolva, imaginemos quanto poderia ser feito, se “todos” nos dispuséssemos a servir nossos irmãos!

Assim procedendo, não faremos favor a ninguém. Na realidade, estaremos apenas realizando o mínimo indispensável para que vivamos em paz.

Somente quando nos dispomos a abrir o coração, dando de nós para os outros, é que temos condições para receber as bênçãos de Deus. 

(Richard Simonetti-Para Viver a Grande Mensagem) 


quarta-feira, 17 de novembro de 2021

 Lei de Compensações


Há muitos anos, teve lugar, numa Vila sem nome, à margem da Estrada de Ferro Bragantina, em Campo Limpo Paulista, a história que segue.

Manhã de sol. Os poucos moradores do local são despertados por súbito alvoroço na rua.

  • Que será… isso? - interrogam-se, papai e mamãe, atentos, na sala de jantar, enquanto nos servíamos do café.

E, rápido, eu e os manos corremos à porta, que se achava aberta, movidos por grande curiosidade. 

Era um grupo de rapazelhos a perseguir, a pedradas, um cão minúsculo e inofensivo.

  • Fora daqui, vira-lata!

  • Morra, miserável!

  • Esse bicho é hidrófobo! Está babando…

  • … e cheio de sarna!

  • Acabemos com ele!

Tais os berros daquela horda de canalhas…

A pobre vítima, ante o cerco feroz, procurava defender-se das pedras, encolhida no ângulo de um muro próximo. E gemia, de olhar súplice, como se estivesse a rogar comiseração aos malvados. Estes, porém, não se detinham no desejo de matá-lo…

Até que… - Xô! Xô!... Cambada de moleques maus! Deixem esse cachorro em paz! Saiam! Saiam! Quero ele para mim!

Desta vez, os gritos partem de um homem robusto e gigantesco. É ele um doido, conforme supõem todos na aldeia.

  • Eh… pessoal! É Afonso, o idiota! E vem bravo, contra nós! Fujamos! - avisa um dos meliantes.

Logo após, vendo-se a sós com o cão, Afonso o acolhe em seus braços e leva-o a salvo da crueldade dos garotos… E desaparece, longe, chorando, chorando…

Dois meses após esta cena, numa tarde tranquila, diversas pessoas aguardam, como sempre, o último trem na estação, junto a uma cancela, a fim de saudar os viajores.

  • Escutem… a locomotiva! - exclama, inesperadamente, uma matrona assustada.

  • Por que apita desse modo… sem cessar? Estranho!

  • O condutor da máquina deve estar inquieto com algum problema… - observa outra senhora.

  • Que há? Que há? - acodem os demais circunstantes, trêmulos de emoção.

  • Olhem! É Afonso, a caminhar sobre os trilhos, sem perceber o comboio atrás de si! E dança, fazendo festas ao cãozinho aconchegado ao peito!

  • Oh… Céus! Ele é surdo! Infeliz! As rodas vão estraçalha-lo! E não podemos evitar o desastre! Ai! Ai!... Afonso! Acorde! - bradam, todos, em desespero...

Nisto… - Um milagre! Espiem! - aduz um mancebo magro, a bater palmas, eufórico.

  • O cachorro, pressentindo, talvez, a morte, saltou-lhe das mãos, e Afonso, ansioso de apanhá-lo, saiu a tempo, da via férrea!

  • É mesmo! Que alívio! - é o voto geral.

  • Eu também me alegro. Contudo, amigos, sou de opinião que nenhum prodígio houve no caso… - O que vimos, foi o anúncio da Lei de Compensações. Afonso resgatou o cachorrinho da fúria de um bando de pimpolhos inconscientes, e o animal, a seu turno, serviu de meio para livrar Afonso da tragédia prevista!

Pesado silêncio aprova o raciocínio do lavrador que, ajeitando um saco de batatas e cebolas, às costas, despede-se, de retorno ao próprio lar.

Cabe-nos dizer que fomos testemunha deste episódio e ainda, desde aquela data, os moleques da zona em apreço, nunca mais se atreveram a maltratar os cães que surgiam por lá…

(Francisco Pessolano Júnior-Contando Histórias)


terça-feira, 16 de novembro de 2021

Certamente

Quase sempre, enquanto a criatura humana respira na carne jovem, a atitude que lhe caracteriza o coração para com a vida é a de uma criança que desconhece o valor do tempo.

Dias e noites são curtos para a internação em alegrias e aventuras fantasiosas. Engodos mil da ilusão efêmera lhe obscurecem o olhar e as horas se esvaem num turbilhão de anseios inúteis.

Raras pessoas escapam de semelhante perda. Geralmente, contudo, quando a maturidade aparece e a alma já possui relativo grau de educação, o homem reajusta, apressado, a conceituação do dia.

A semana é reduzida para o que lhe cabe fazer.

Compreende que os mesmos serviços, na posição em que se encontra, se repetem a determinados meses do ano, perfeitamente recapitulados, qual ocorre às estações de frio e calor, floração e frutescência para a Natureza.

Agita-se, inquieta-se, desdobra-se, no afã de multiplicar as suas forças para enriquecer os minutos ou ampliá-los, favorecendo as próprias energias.

E, comumente, ao termo da romagem, a morte do corpo surpreende-o nos ângulos da expectativa ou do entretenimento, sem que lhe seja dado recuperar os anos perdidos.

Não te embrenhes, assim, na selva humana, despreocupado de tua habilitação à luz espiritual, ante o caminho eterno.

No penúltimo versículo do Novo Testamento, que é a Carta do Amor Divino para a Humanidade, determinou o Senhor fosse gravada pelo apóstolo a sua promessa solene: 

  • “Certamente, cedo venho”.

Vale-te, pois, do tempo e não te faças tardio na preparação.

(Espírito Emmanuel-Fonte Viva-C. Xavier)