quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

 Inconformismo e Revolta


  • “Não me conformo!” - Explodem, revoltados, aqueles que da vida somente esperam vantagens e recompensas, quando surpreendidos por acontecimentos que lhes parecem desastrosos e trágicos.

  • “Deus é injusto!” - Proferem, estentóricos, os que supõem credores apenas de receber dádivas, embora desassisados, da vida retiram lucros e comodidades.

  • “Não mereço isto!” - Bradam, desatinados, quantos são colhidos pelo que denominam infortúnios e desgraças, que os desarvoram.

  • “Não creio em mais nada!” - Estridulam as pessoas tomadas por insucessos desta ou daquela natureza, que, afinal, se fossem examinadas com seriedade e reflexão, constituiriam ocasião iluminativa, roteiro de felicidade.


O homem teima em permanecer anestesiado pela ilusão, sem dar-se conta, conscientemente, da fragilidade da organização carnal de que se encontra temporariamente revestido.

Cada um, por isso mesmo, a si se concede privilégios e se faculta méritos que não possui.

Examinassem melhor a vida, verificariam que as ocorrências do trivial, que atingem os outros, a eles também alcançarão, procurando preparar-se para enfrentar com dignidade quaisquer injunções ou dissabores, que são igualmente transitórios.


  • “Prefiro não saber!” - Informam as pessoas passadistas, quando convidadas ao exame da vida menos densa.

  • “Não consigo acreditar!” - Escusam-se as criaturas invitadas ao esclarecimento imortalista, como se estivessem indenes ao fenômeno da cessação da vida biológica.

  • “Irei aproveitar o meu tempo, gozando” - Justificam-se os imediatistas ante qualquer referência à meditação, à caridade, ao sacrifício...

É natural que, visitados por acontecimentos não habituais no canhenho das suas conveniências, derrapem no inconformismo, no desespero, na alucinação…

A ação inexorável do tempo, entretanto, aguarda todos e modela-os, submetendo-os.

Mesmo quando se pretende fugir da situação a que se vai arrojado, cai-se na realidade da vida, que predomina em toda parte. 


Recebe o insucesso como fenômeno normal nos tentames do teu processo evolutivo.

Não te consideres inatingível.

Acostuma-te à fragilidade do corpo e às necessidades de crescimento como Espírito que és.

Nenhuma dor te alcança sem critério superior de justiça.

Sofrimento algum no teu campo emocional, que se não sabe, deixando o resultado do seu trânsito.

Utiliza-te das ocorrências que trazem dor, para crescer, e não te apresentes inconformado.


Jesus, que veio à Terra exclusivamente para viver e ensinar o amor, sem qualquer culpa, nasceu em modesta gruta, passou pelo carreiro de inumeráveis injunções e partiu numa cruz, sob apupos e malquerenças, volvendo, no entanto, Sol Divino que é, em insuperável madrugada que dura até hoje, para que ninguém reclame, nem se revolte, nem se inconforme, ante as ocorrências dolorosas do mundo…

(Espírito Joanna de Ângelis-Alerta-Divaldo Franco)


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

 Omissão

Asseveras não haver praticado o mal; contudo, reflete no bem que deixaste a distância.

Não permitas que a omissão se erija em teu caminho, por chaga irremediável.

Imagina-te à frente do amigo necessitado a quem podes favorecer.

Não te detenhas a examinar processos de auxílio.

É possível que amanhã não mais consigas vê-lo com os olhos da própria carne.

Supõe-te ao pé do companheiro sofredor, a quem desejas aliviar.

Não demores o socorro preciso.

É provável que o abraço de hoje seja o início de longo adeus.

Não adies o perdão, nem atrases a caridade.

Abençoa, de imediato, os que te firam com o rebenque da injúria, e ampara, sem condições, os que te comungam a experiência.

Se teus pais, fatigados de luta, são agora problemas em teu caminho, apoia-os com mais ternura.

Se teus filhos, intoxicados de ilusão, te impõem dores amargas, bendize-lhes a presença.

Se o trabalho espera por tuas mãos, arranja tempo para fazê-lo.

Se a concórdia te pede cooperação, não retardes o atendimento.

Não percas a divina oportunidade de estender a alegria.

Tudo o que enxergas, entre os homens, usando a visão física, é moldura passageira de almas e forças em movimento.

Faze, em cada minuto, o melhor que puderes.

Seja qual for a dificuldade, não desertes do amor que todos devemos uns aos outros. E se recebes, em troca, pedra e ódio, vinagre e fel, sorri e auxilia sempre, porque é possível estejas, ainda hoje, na Terra, diante dos outros, ou os outros diante de ti pela última vez.

(Espírito Emmanuel-Justiça Divina-C. Xavier)


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

 O Resgate

Meados do século XIX. Da varanda de sua casa, no alto da serra, Jovelino Brandão apreciava a propriedade. Era fazendeiro de posse. Terras a perder de vista. Plantação extensa. Colheita abundante.

Homem de influência, desfrutava de prestígio e poder em toda a região. Presença obrigatória nos encontros periódicos com outros proprietários, era conhecido por sua peculiar maneira de ser. Voz mansa. Palavra educada. Gentileza no trato. Os amigos não escondiam a admiração por seu porte elegante e a conduta refinada.

Contudo, em casa, no segredo da intimidade, comportava-se de modo diferente. Exigia obediência cega. Maltratava os familiares. Subjugava todos. Agia com brutalidade.

Certa vez, quando Mariana, a esposa submissa, reclamou do tratamento dado aos filhos e foi agredida fisicamente, ela desabafou, em desespero:

  • Estou à beira do abismo. Vou acabar morta por sua causa.

O marido tirânico amava a mulher, mas respondeu, tomado de loucura:

  • Então, morra e cale sua voz para sempre.

No outro dia, o corpo de Mariana foi encontrado ao pé da serra. Saltara do topo. Morrera na queda.

A verdade sobre o caso foi abafada. Desde então, porém, Jovelino viveu recluso. Após alguns anos, deixou o corpo, em estado de amargura. Depois, soube que, nas anotações do Mundo Espiritual, era o responsável pela morte de Mariana. Sofreu muito. Pediu a reencarnação para expiar a culpa. Queria um destino que lhe desse paz à consciência. Foi atendido.


Século XX. Década de sessenta. Cidade do interior. Espetáculo de circo.

O povo aplaudia com entusiasmo a exibição do trapezista. Manobras arriscadas. Acrobacias. Rodopios no ar. De repente, porém, as palmas cessaram. Durante uma evolução mais ousada, a barra do trapézio soltou-se das amarras. Público de pé. Suspense. Baque surdo. E debaixo dos gritos de horror e de tristeza, o corpo sem vida do artista estirou-se no picadeiro.


Após cem anos da tragédia da fazenda, Jovelino, no corpo do trapezista, resgatou a dívida com o passado.

(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas 2-Antônio Baduy Filho)


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

 Imperturbavelmente

A passagem da ambulância buzinando ruidosamente, o transeunte comenta:

  • Que pressa!

O menino fala:

  • Belo carro, não?

O homem anota:

  • O trânsito está impossível. Veja só que ambulância perigosa!

A senhora exclama:

  • Coitado! Alguém está passando mal…

Entretanto, o motorista e os companheiros, em ação no veículo, nada escutam sob a estridência da sirena.

E a ambulância prossegue sempre, na ânsia de levar socorro, imperturbavelmente…


Assim também é a sua passagem diária pelo trânsito da vida.

Há quem lhe observa os passos, indiferente…

Há quem lhe condena o trabalho…

Há quem lhe exalta a existência…

Há quem se compadece de você…

Contudo, que o barulho do serviço possa encobrir-lhe, sempre, a possibilidade de escutar as vozes marginais.

Cumpra o dever, ouvindo a consciência, e prossiga na decisão de servir, imperturbavelmente…

(Espírito Valérium-Bem-Aventurados os Simples-Waldo Vieira)


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

 No Lado Oposto

O homem vivia no sopé de elevada montanha.

Aplicara a existência estudando os meios de conquistá-la.

Fez projetos meticulosos.

Planejou a via de acesso.

Calculou os patamares da escalada.

Consumiu longo tempo.

Gastou dinheiro.

Selecionou o pessoal necessário ao grande feito.

Depois de ingentes esforços, sacrificando inúmeras vidas de companheiros e animais, e perdendo vasta cópia de material no decurso de toda a existência, conseguiu atingir o topo.

Com surpresa, encontrou, lá em cima, toda uma nação de habitantes felizes, em plena comunicação com os vales imensos, através de primorosa estrada que haviam construído no lado oposto…


Assim tem sido a vida de muitos filósofos e teóricos na Terra.

Fazem estudos.

Traçam projetos.

Perdem fortunas.

Dissipam oportunidades.

Queimam a saúde.

Articulam hipóteses e problemas.

Discutem.

Azedam as horas.

Fogem à cooperação e à fraternidade.

Mas, galgando as alturas da morte, analisam os gastos inúteis e a falta de objetividade dos esforços que despenderam, pois os planos de levantamento do caminho que buscavam tornam-se pueris e integralmente superados pelas criaturas de boa-vontade que colocam proveito e serviço acima de contenda e conversa.

Como espírita, observe o que você procura.

Estude sempre, mas seja prático, para que, além da morte, o frio e a sombra da inutilidade não lhe surjam à frente.

(Espírito Valérium-Bem-Aventurados os Simples-Waldo Vieira)


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

 O Furto

Furto é toda apropriação de bens pertencentes a outrem, sem o consentimento dele, assim como qualquer procedimento contrário à justiça, que manda se dê a cada um o que é seu ou aquilo a que tem direito.

Vê-se, pelo conceito supra, ser o furto um vício universal que pouquíssimos terão vencido inteiramente.

Às vezes toma outros nomes, mas é pura questão de eufemismo.

A História nos informa, por exemplo, que quase todos os grandes e pequenos impérios da Terra foram construídos por meio de guerras de conquista e anexações de países indefesos, cuja soberania e integridade foram desrespeitadas.

Ora, que são as guerras de conquista e as anexações senão latrocínio em grande escala?

E os chamados povos “atrasados”, por que não conseguem sair da miséria em que vivem? Quase sempre porque grupos financeiros poderosíssimos, através de concessões, monopólios e privilégios, obtidos pela astúcia, pelo suborno ou pela violência, lhes exaurem todos os recursos econômicos indispensáveis a um processo desenvolvimentista.

A ação nefasta desses grupos não é, efetivamente, uma espoliação desumana e cruel?

Na esfera da administração pública de toda parte empregam-se, não raro, expedientes para ganhar dinheiro (por influência ou com o abuso em certos cargos ou funções), que outra qualificação não podem receber senão a de gatunagem mesmo. São as “bolas”, comissões ou propinas exigidas para o acobertamento de irregularidades, a tramitação rápida de determinados papéis, a preferência em negócios lucrativos, o empenho para que sejam feitas tais ou quais nomeações, etc, etc.

Constituem furtos, igualmente, as falsificações e as manobras ardilosas em geral, como adicionar água ao leite, ao vinho ou a outras bebidas; misturar cereais e outros gêneros alimentícios de segunda ou terceira escolha com os de primeira, impingindo-os aos preços destes; orçar obras ou peças com materiais de boa qualidade, executando-as depois com artigos inferiores; fabricar produtos farmacêuticos com a utilização de drogas essenciais em dose menor que a anunciada na bula; negociar imitações como se fossem objetos genuínos e assim por diante.

É rapinagem, também, a falta de exatidão no peso ou nas medidas de mercadorias, bem assim os artifícios que se empreguem para aumentá-los fraudulentamente.

Capitulam-se ainda como roubo a falta de pagamento daquilo que se deve e a impontualidade na cobertura dos compromissos assumidos, práticas essas que implicam retenção indevida de capital alheio. Excetuam-se, é claro, os casos de força maior.

Além dos mencionados acima, o furto pode revestir-se de inúmeros outros aspectos que, embora não caracterizados nos códigos penais terrenos, nem por isso deixam de ser condenáveis aos olhos de Deus.

Furta o funcionário que, valendo-se de meios indignos, “cava” para si uma promoção ou vantagem que, por direito, caberia a outro.

Furta o empregador que, auferindo grandes lucros, paga salários de fome, muito aquém da retribuição equitativa, aos que o servem com dedicação, fazendo-se os principais fautores da prosperidade de suas empresas.

Por outro lado, furta o empregado que não dá, a quem lhe contrata os serviços, toda a produção de que é capaz, ou, usando de artimanhas, se prevalece de preceitos legais para ganhar sem trabalhar.

O estudante que, por preguiça, não cuida de seus deveres, furta os pais, que tanto se sacrificam para mantê-lo na escola e, se recorre à "cola" nos dias de prova, furta também aos colegas honestos a classificação melhor a que eles fazem jus.

Esforcemo-nos, todos, por corrigir-nos desse grave defeito, lembrando-nos sempre de que é transgressão ao 8º mandamento, que diz “Não furtarás”.

(Rodolfo Calligaris-Páginas de Espiritismo Cristão)


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

 A Omissão dos Bons

“Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?”

“Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão”. (O Livro dos Espíritos-Allan Kardec)


Potencialmente todo o homem é bom.

Somos filhos de Deus, criados, segundo a expressão bíblica, “à Sua imagem e semelhança”. Se o Criador é a Bondade Suprema, essa mesma virtude existe embrionária em nós, razão pela qual, consciente ou inconscientemente, passamos a existência à procura de seus valores. Intuitivamente pressentimos que nossa realização como filhos de Deus, habilitando-nos à plena integração na harmonia universal, está condicionada a esse esforço. 

Aristóteles define com simplicidade o assunto:

“A felicidade consiste em fazer o bem”.


Não obstante, com frequência nos comprometemos com o Mal, envolvendo-nos em iniciativas que levam prejuízos ao semelhante.

Esta é, talvez, a maior contradição humana, inspirando a sábia observação do apóstolo Paulo, na Epístola aos Romanos (7:19):

“Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço”.

Tal tendência está tão entranhada na criatura humana que as pessoas parecem não perceber que agem com maldade. Os piores facínoras encontram amplas justificativas, perante si mesmos, para seus atos anti-sociais. Al Capone, considerado o inimigo número um, nos Estados Unidos, afirmava não saber porque era perseguido pelas autoridades, já que proporcionava prazeres ao povo, ajudando-o a divertir-se. Mafiosos sanguinários referem-se aos crimes que praticam como “circunstanciais”, próprios de seus “negócios”, sem nenhuma intenção maldosa. Tiranos cometem atrocidades proclamando defender o bem-estar social e o progresso da nação.

Semelhante desvio é típico de um planeta de expiação e provas como a Terra, habitada por Espíritos em estágios primitivos de evolução, tendo por móvel de suas ações o egoísmo, a preocupação egocêntrica com o próprio bem-estar, que sobrepuja em nosso universo íntimo a embrionária vocação para o bem. 

O egoísmo sempre encontra justificativa para toda a sorte de inconsequências, desenvolvidas e consumadas com a presteza de quem defende interesses pessoais, por mais escusos se apresentem.

Exemplo típico: o chamado “crime passional”, em que o indivíduo, a pretexto de “lavar a honra”, comete brutal assassinato, recusando-se a avaliar a enorme distância entre a natureza do mal que sofreu e o mal que está produzindo, algo como jogar uma bomba na casa do vizinho porque o carro esbarrou em nosso muro.

Mesmo os que gostariam  de cogitar apenas o bem, convivem pacificamente com o mal e até se envolvem com ele, por fraqueza e timidez, que se exprimem de múltiplas formas:

Há um acidente de trânsito. Prejuízos consideráveis são provocados por um motorista imprudente. Ele procura torcer os fatos, a fim de furtar-se às suas responsabilidades. As pessoas prejudicadas procuram testemunhas que, tendo presenciado o acontecimento, disponham-se a depor em juízo, a fim de que se faça justiça. No entanto, ninguém se habilita. Há o medo de envolver-se.


São frequentes os escândalos em empresas públicas. Funcionários desonestos apropriam-se de vultosos valores que não lhes pertencem, num comportamento que, não raro, estende-se ao longo de meses ou anos a fio, até que, por circunstâncias fortuitas o desfalque é descoberto. Constata-se, então, que tais irregularidades ocorreram por relaxamento das normas de segurança que, não observadas pelos demais servidores, favoreceram a ação dos desonestos. Aproveitam-se alguns da desídia de muitos.

A volúpia de ganhar dinheiro induz muitas indústrias ao desprezo por elementares medidas de preservação do meio ambiente, por dispendiosas. Poluem a atmosfera, destroem florestas, matam rios, intoxicam a população e semeiam enfermidades. O movimento ecológico vem se articulando com o propósito de defender a Natureza. Os progressos são lentos, porquanto pouca gente dá-se ao trabalho de participar, em absoluta indiferença.

As reuniões de cunho espiritualizante, sob inspiração de qualquer denominação religiosa, quando realizadas com seriedade e pureza, no propósito de buscar a comunhão com o Céu, favorecem a paz e o equilíbrio nos corações, repercutindo beneficamente nas sociedades humanas. No entanto, vasta parcela da população permanece alheia, não por descrença, mas simplesmente por comodismo.

A transição entre o Bem e o Mal, a vitória das potencialidades divinas sobre as tendências egoísticas da criatura humana opera-se a partir da eleição de um ideal superior, algo em que o indivíduo possa empenhar sua vida.

O idealista legítimo - capaz de esquecer de si mesmo em favor de uma causa nobre, está sempre desperto, ativo, consciente, disposto ao sacrifício, imune ao acomodamento, pronto a trilhar os mais difíceis caminhos. O ideal o conduz, aquece, ilumina, sustenta… As grandes vidas, inspiradoras e inesquecíveis, foram marcadas por grandes ideais. 

Os primeiros cristãos, Giordano Bruno, João Huss, Tiradentes, entre outros, enobreceram o gênero humano, ajudando a construir um mundo melhor. 

Seguindo esses vanguardeiros, há uma heróica retaguarda de servidores ativos e conscientes, gente que está lutando, que está enfrentando os problemas do mundo, procurando fazer o melhor, tentando realizar o Bem, trabalhando com denodo e perseverança. 

É preciso que suas fileiras se ampliem. Que esses milhares sejam milhões. Que o ideal do Bem conquiste os corações! Que se semeie tanta luz que as sombras se retraiam! Que se exemplifique tanto a fraternidade que o egoísmo não encontre onde se apoiar! Que se exercite tanto a bondade que não haja espaço para a maldade!

Então, sim, superando a omissão dos bons, o Bem preponderará.

(Richard Simonetti-Um Jeito de Ser Feliz)


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

 Escândalo

Por onde passou durante as madrugadas, o homem provocou estragos.

Arrancou placas de sinalização.

Quebrou luminárias dos postes.

Pisoteou a grama dos jardins.

Avariou semáforos.

Apedrejou vidraças.

Pichou muros.

Riscou a pintura de automóveis.

Esvaziou pneus de veículos.

Acionou interfones, sem motivo.

Destruiu canteiros das praças.


Em razão dos atos perniciosos, o homem foi logo detido e julgado pelas autoridades competentes, recebendo a punição cabível aos delitos praticados.


Situações parecidas ocorrem na jornada evolutiva.

Irmãos ainda enredados na teia do mal se escondem atrás dos cochichos e causam estragos onde convivem.

Distorcem acontecimentos.

Tecem pretextos ofensivos.

Agridem a dignidade alheia.

Espalham falatórios maldosos.

Estridente, ou em surdina, a atitude escandalosa, de acordo com o sentido do Evangelho, é assunto da Lei de Causa e Efeito. 

Contudo, quanto ao autor do escândalo, o melhor que se faz é deixá-lo aos cuidados da Autoridade Divina.

(Espírito Valérium-Contos e Crônicas 2-Antônio Baduy Filho)


terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

 Dar, Sem Esperar Retribuição

“Disse ainda àquele que o convidara: Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides nem os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem os teus vizinhos que forem ricos, para que, em seguida, não te convidem a seu turno e assim retribuam o que de ti receberam. Quando deres um festim, convida para ele os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos. E serás ditoso, porque esses não têm com que te retribuir e isso te será retribuído na ressurreição dos justos.” Lucas, 14:12-14


Aos que se atêm à letra das Escrituras, esquecidos de que as palavras do Mestre são espírito e vida, pode parecer que, neste lanço, esteja ele a menosprezar as relações de família e de amizade.

O verdadeiro sentido de sua lição, entretanto, é bem outro: é a exaltação do altruísmo, do desprendimento e da fraternidade universal.

Lamentavelmente, quase todos nos encontramos numa fase de evolução em que o egoísmo e a vaidade se constituem o móvel da maioria de nossas ações.

Quase tudo o que empreendemos, ou obedece a um calculado interesse ou visa à exaltação de nossa personalidade. 

Assim, quando promovemos uma festividade, colocamos entre os primeiros convidados aqueles que, por sua posição na paisagem social, nos possam favorecer em algum propósito ou então nos honrem a casa com seu comparecimento, servindo para que os outros vejam como somos bem relacionados, seguindo-se a parentela e os amigos de cuja reciprocidade estamos seguros, aos quais tratamos com toda a deferência, com o melhor sorriso nos lábios, enquanto evitamos receber ou mal suportamos os de condição humilde que, de modo nenhum, poderão valer-nos ou recompensar-nos.

Nesses regozijos, fazemos questão de oferecer aos nossos convivas os melhores comes e bebes, despendendo, não raro, pequenas fortunas que dariam para atender às necessidades de inúmeros desgraçados: os pobres, estropiados, coxos e cegos, lembrados pelo Evangelho.

Para esses, porém, nosso coração e nossa bolsa se mantêm fechados, e quando, vez por outra, lhes atiramos uma esmola, acreditamos ter feito muito. 

Por saber-nos assim tão insensíveis ao sofrimento alheio é que Jesus nos exorta, procurando despertar-nos o sentimento de solidariedade humana.

Em sua linguagem figurada, insistimos, não pretende ele que substituamos à nossa mesa os amigos e parentes por aleijados e mendigos, mas que estendamos a estes a participação na prosperidade que desfrutamos, que lhes amenizemos um pouquinho a dura e penosa existência.

Aos que lhe ouvirem o apelo sublime, assegura o Cristo que “serão retribuídos na ressurreição dos justos”.

Quer isso dizer que o bem que façamos aqui na Terra, sem esperar retribuição, pelo só prazer de o praticar, terá sua recompensa no outro lado da vida, onde as virtudes cristãs que tenhamos desenvolvido nos situarão entre aqueles que, em paz com a própria consciência, gozam a ventura de... serem bons!

(Rodolfo Calligaris-Páginas de Espiritismo Cristão)


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

 Enquanto é Tempo

Se você fuma, se você consome drogas, está danado, sob o ponto de vista espiritual, porquanto candidata-se também a morrer antes do tempo.

Está na “cara de um cego num quarto escuro”, isto é, qualquer pessoa, por mínimo entendimento que possua, sabe que o fumo, drogas, álcool, causam problemas físicos e abreviam a vida. 

As pesquisas demonstram isso com muita clareza.

Assim, todo viciado também é um suicida.

Vai morrer antes do tempo.

E como suicida vai ter problemas no Plano Espiritual.


Os problemas do viciado começam na Terra.

Não conheço nenhum fumante que não tenha dificuldades respiratórias, pigarro, tosse, mau hálito…

Os alcoólatras acabam “cozinhando” o fígado, morrendo de cirrose hepática…

Os amigos das drogas sofrem depressão, desequilíbrio nervoso e incontrolável ansiedade…

Dirá você que não experimenta nenhum desses males, embora cultive vícios.

Talvez não os tenha no presente, mas fatalmente vai tê-los, mais cedo ou mais tarde.

Melhor parar!


Qual o método ideal para vencer o vício?

Há muitos, meu amigo, mas nenhum funciona se não houver o essencial, o mais importante:

Cair na real!

Sentir, no mais fundo de sua alma, que deve parar.

Se estiver certo do que quer, simplesmente diga para si mesmo:

  • Não beberei, ou não fumarei, ou não consumirei drogas!

Seja senhor de sua vida!


Se você deixar um rato sem água e lhe der um pouco de pinga, ele vai acabar matando a sede com a bebida.

Repetindo as doses, em breve ele estará na dependência do álcool.

Passará a consumir álcool, mesmo que lhe ofereça também água.

E se você continuar a dar-lhe pinga ele vai continuar bebendo, até morrer.

Isso acontece com o irracional, incapaz de livrar-se dos condicionamentos que lhe impomos.

Você não é um rato!

É um homem! Um ser pensante que pode vencer qualquer condicionamento, se realmente o desejar, usando a inteligência que Deus lhe deu.


Vencer o vício envolve também a fé.

Fé em Deus!

Fé nos Espíritos protetores!

Fé em você mesmo, em sua capacidade de reagir!

Pare enquanto é tempo!

Depois, se não parar, será tempo de prestar contas a Deus e você vai lamentar.

Lembre-se:

Confiando em Deus e em si mesmo você conseguirá!

(Richard Simonetti-Boas Ideias)