Jesus e o Seu Natal 2
Nasceu em Belém de Judá o Redentor do mundo, há perto de vinte séculos. Tal acontecimento de maior relevância nos fastos da História humana. Tão importante que chegou a abalar as milícias celestiais cujo alvoroço se expandiu nesta álacre mensagem: Glória a Deus nas maiores alturas e paz na Terra aos homens a quem ele quer bem!
Nascer é iniciar, é dar começo a uma existência em determinado meio. Eis o fato histórico considerado em seu aspecto genérico. Particularizemos, agora, o advento do Messias. Que influência está exercendo em nós o seu nascimento? Que relação existe entre o natal de Jesus e a nossa vida no momento atual? Que veio Jesus fazer à Terra, na parte que nos toca? Eis a questão que nos interessa de perto e que vem determinar o grau de importância daquele natal. Se o nascimento do Redentor não é ainda uma realidade em nós mesmos, influindo positivamente em nosso caráter, que importância pode ter no que nos diz respeito?
As minas do Transvaal são as mais ricas do mundo; é um fato indiscutível, considerado em sua generalidade. Mas em que isso nos interessa? Que proveito tiramos? Se, porém, nos associarmos às empresas que exploram os filões de ouro e os diamantes, então o caso muda de figura, tornando-se para nós de importância capital. O Brasil é um país opulento pela uberdade de seu solo, pela sua flora, seus minérios e suas múltiplas fontes de riqueza. Não obstante, há muita gente pobre e até miserável no Brasil.
Para que as suas decantadas riquezas sejam uma realidade para cada brasileiro, é preciso que este se habilite, granjeando sua independência financeira pelo trabalho, pela inteligência, pela perseverança e pela economia. Caso contrário, todas as vantagens e prerrogativas de nossa terra serão como se não existissem.
Precisamente o mesmo fenômeno se dá com relação ao natal de Jesus. Nenhum proveito nos vem do fato histórico de seu nascimento. Todo o valor desse magno sucesso está nas suas relações conosco. Se existe essa relação, se aquele fato representa uma força viva atuando em nosso Espírito, então Jesus nasceu para nós e a nós se dirige a angélica mensagem: Glória a Deus nas alturas, paz na Terra aos homens a quem ele quer bem!
Se permanecermos alheios ao natal de Belém, quanto à eficiência em nossas almas, tudo o que fizermos para comemorar tão auspiciosa data histórica será vão e vazio, visto como Jesus nasceu para nos salvar do pecado, para nos remir da servidão, dos vícios e das paixões. Se nos conservamos na iniquidade do século e nos afazemos à escravidão, aquele natalício ainda não se realizou: nada temos, portanto, que comemorar.
Ao contrário das hospedarias de Belém, tratemos de arranjar lugar em nossos corações, para recebermos condignamente o divino hóspede que há dois mil anos bate às nossas portas.
(Vinicius-Em Torno do Mestre)