quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

 ANO NOVO


Exalta-se a felicidade nos cumprimentos tradicionais, no final do ano. As pessoas desejam, umas às outras, um ano novo muito feliz. Raramente isso acontece. Culpa do destino?

Culpa das pessoas. O problema é que condicionamos a felicidade à satisfação de nossos desejos diante da vida, quando ela está muito mais subordinada ao desejo de entendermos o que a vida espera de nós.


O que é necessário para esse entendimento?

Um pouco de reflexão. Lembro a história do rapaz contratado por uma ferrovia. No primeiro dia de trabalho, observando antigo servidor a bater nas rodas do trem que chegara à estação, perguntou-lhe: “Por que faz isso?” O ferroviário o repreendeu: “Que curiosidade é essa, meu filho? Há quinze anos cumpro esta tarefa sem conhecer-lhe a finalidade… Você mal chegou já quer saber tudo!” Muitos semelham-se ao ferroviário indiferente. Nem sabem por que vivem.


“Batem” na roda da Vida, dominados pela rotina…

Exatamente. Comem, dormem, trabalham, procriam, divertem-se, descansam, sem nenhuma preocupação em saber de onde vieram, para onde vão, por que estão na Terra. Quem não sabe por onde anda tem poucas chances de encontrar os caminhos da felicidade.


A situação atual não está complicada demais, principalmente no Brasil, com problemas de subsistência que nos roubam a serenidade necessária ao cultivo da reflexão?

Sim, mas apenas porque nos envolvemos demais com eles. Diógenes, famoso filósofo grego, proclamava que para sermos felizes devemos nos livrar do supérfluo, dos modismos, buscando o essencial. Andava descalço, vestia uma única túnica que possuía, dormia num tonel. Certa feita, viu um menino tomando água num riacho, usando o côncavo das mãos. Admirou-se. “Esse menino acaba de ensinar-me que ainda tenho objetos desnecessários!” Jogou fora a caneca que usava e passou a imitá-lo.


Não seria meio complicado imitar Diógenes?

Sem dúvida, mesmo porque estamos longe do desprendimento integral. Mas Diógenes não é um modelo que deva ser observado ao pé da letra. Ele situa-se como precioso exemplo de como podemos simplificar a existência, usando melhor nosso tempo.


Nem sempre a infelicidade sustenta-se de problemas e dificuldades relacionados com a vida material. Piores são as angústias suscitadas pelo comportamento daqueles que nos rodeiam, particularmente familiares e amigos. A reflexão ajudaria?

Muito, desde que orientada para a compreensão que sustenta a capacidade de perdoar. Sem esse empenho a mágoa é qual espinho cravado em nosso peito. Envenena e faz dorida a existência. Perdoar, portanto, não é favorável ao ofensor. Seu exercício é tão fundamental em favor da harmonia interior quanto a oração. Ressalte-se que um coração magoado tem muita dificuldade para a comunhão autêntica com as Fontes da Vida. Por isso Jesus recomendava que nos reconciliemos com nossos adversários antes de orar.


Desapego, reflexão, perdão… Que outro tema deveríamos fixar como meta para o Ano Novo?

O mais importante é o Amor. Estamos distanciados dessa realização sublime. Tão distantes que nos deslumbramos quando deparamos com alguém que exercita plenamente a capacidade de amar, como um Francisco de Assis ou um Eurípedes Barsanulfo. Entretanto, lembro um amigo que dizia: “princípio de angu é mingau”. O empenho de servir, ainda que modestamente, é o caldo ralo que podemos engrossar com valores de perseverança e boa vontade, até que possamos oferecer ao próximo esse Maná do Céu que se chama Amor. 

(Richard Simonetti-A Força das Ideias)


terça-feira, 29 de dezembro de 2020

 Balanço e Orçamento


Faze uma pausa nas atividades a que te vinculas e também um balanço, para que examines o quadro dos labores encetados.

Indispensável valorizar a dádiva da vida, observando os efeitos da aplicação dos recursos que passaram pelas tuas mãos, no momento em que se conclui um período da existência.

Considera o patrimônio de que dispões na atualidade e recomeça a planificação do futuro.

Orçamento à vista é promoção de tarefas a serem executadas.

Se não lograste transferir para o ministério porvindouro um haver, que te permita mais amplas especulações e atitudes, no mercado do bem, não te detenhas na lamentação inócua. Levanta os recursos mal aplicados mediante empréstimo nos bancos divinos, aplicando-os com sabedoria em relação ao porvir. 

Enquanto vige a vida no corpo, as oportunidades se multiplicam, favoráveis.

Conveniente não sobrestimares as dádivas do haver que transferes para amanhã, como normal consequência da valiosa utilização dos bens que fruíste.

Multiplica os investimentos em partidas duplas e confia na especulação do movimento do amor, recebendo a correção monetária em luz, a benefício de mais rápida claridade espiritual nas responsabilidades assumidas.

A vida é contabilidade sábia, em que o Celeste Doador faculta o enriquecimento dos acionistas humanos nesta sociedade anônima da fraternidade universal.

Toda aplicação certa ou incorreta resulta em saldo devedor ou credor que se incorporará à conta corrente da criatura em processo de ajustamento emocional. 

É óbvio que nos referimos nesta análise aos valores expressivos e superiores do Espírito imortal.

Saúde e doença, alegria e tristeza, conquista e perda, ação positiva e prejudicial são títulos e letras descontáveis nas Agências morais do banco interior de cada alma, em representação da Casa Matriz do reino dos Céus.

Tarefa concluída - prestação de serviços encerrada.

Labor logrado - demonstrativo à vista.

O balanço é inevitável em qualquer situação em que transites…

A contabilidade cristã, porém, é revolucionária, em face da contingência da finalidade em que se estrutura.

Disse Jesus:

  • “Àquele que mais der, mais se lhe dará. Ao que pouco dá, até o pouco de que dispõe ser-lhe-á retirado. Se alguém pede a capa, que se lhe dê também a manta. A quem solicita marchar mil passos, que se lhe faculte seguir por dois mil. São os verdadeiros ricos, conforme os livros da economia evangélica. Os humildes são os triunfadores e os que têm sede de justiça, estes se fartarão” - eis como completa o hábil ministro das finanças divinas.


Programa a tua tarefa orçamentária de amor e caridade e sai a semear as estrelas da esperança qual miliardário do bem que, em renunciando a si mesmo e dando balanço dos seus bens, doa tudo quanto tem e, numa revisão final, compreende que o investimento maior e mais valioso é o da auto-doação, oferecendo-se, portanto, para o enriquecimento do mundo carente de paz.

(Espírito Joanna de Ângelis-Alerta-Divaldo Franco)


quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

 Vovô Noel

Quantos anos ele tem? - pergunta o Espírito Antônio, em excursão de aprendizado.

  • Seu Mário já completou oitenta e dois anos - responde Paulo, Espírito Instrutor que, com Antônio, realiza visita instrutiva à crosta.

  • E a sua desencarnação é hoje?

  • Sim. A Espiritualidade tem novos compromissos para ele.

Nesse momento, Paulo e Antônio se aproximam de uma escola, naquela hora vazia. Entram no prédio e dirigem-se até os fundos de um grande pátio onde, numa pequenina casa, de apenas um quarto, uma cozinha e um banheiro, reside seu Mário que, por muitos anos, foi faxineiro daquela instituição de ensino particular. Hoje, aposentado, ali permanece morando por caridade do proprietário e também pelo trabalho que realiza em prol dos menores carentes do bairro.

  • Quanta luz, Paulo, e quantas entidades de sublime elevação estão aqui presentes!

  • Sim, seu Mário é muito querido por todos. Mas vamos pedir permissão ao Instrutor Alécio para entrarmos.

Permissão concedida, ambos entram no humilde lar, onde alguns outros Espíritos ali se encontram no intuito de preparar o ambiente para o processo desencarnatório. Seu Mário, de corpo recurvado, longas barbas brancas, porém, transparecendo possuir muita energia, está de pé defronte do fogão, mexendo um caldo. Ao seu lado, o Espírito de uma senhora aparentando cerca de cinquenta e poucos anos, observa-o, enternecida.

  • Quem é essa senhora? - pergunta Antonio.

  • É a esposa de seu Mário, desencarnou há algum tempo. Ele não a vê, mas, às vezes, parece sentir sua presença, chegando a conversar sozinho, como se estivesse falando com ela.

Nesse momento, como que inspirado pelas palavras do Espírito, seu Mário começa a falar:

  • Alzira, querida, esta sopa vai ficar uma delícia e nós vamos tomá-la assim que eu terminar o meu trabalho. Aí, sim, faremos a ceia de Natal. Veja: consegui comprar até um refrigerante, daqueles que você gosta. Será uma noite memorável.

Dizendo isso, seu Mário apanha uma toalha num pequeno armário e recobre a velha mesa redonda, por sobre a qual deposita dois pratos, dois copos e duas garrafas: uma de refrigerante e outra vazia, com um pequeno toco de vela enfiado em seu gargalo.

  • Vamos cear à luz de velas - comenta, contente, rindo alto da fantasia que estava criando, como fazia sempre nos dias de Natal, pois apesar de ser uma pessoa muito lúcida, sentia-se bem, imaginando a companhia da esposa - Mas já estou começando a ouvir o alarido das crianças chegando - comenta. 

  • Crianças? - pergunta Antonio.

  • Venha ver - convida Paulo.

Ambos saem da casa e Antonio, boquiaberto, vê longa fila de crianças que se forma do lado de fora da escola, num grande burburinho.

  • O que é isso?

  • Vou lhe explicar - responde Paulo sorrindo e um pouco emocionado. Há muitos anos, na véspera de Natal, como hoje, as crianças pobres do bairro vêm aqui para receber brinquedos das mãos do seu Mário.

  • E qual a alma caridosa que doa tantos brinquedos neste dia?

  • Seu Mário.

  • Seu Mário?... Não entendo… ele me parece tão pobre.

  • E, realmente, ele é muito pobre. O que ganha com sua aposentadoria mal dá para viver, principalmente porque, sendo um homem muito bom, está sempre ajudando alguém mais necessitado do que ele.

  • E os brinquedos?

  • Para poder sobreviver e continuar auxiliando mensalmente algumas pessoas, com remédios, ele se levanta de madrugada todos os dias e sai pelas ruas com aquela carrocinha ali, que ele mesmo empurra com seu velho corpo.

Antonio olha para onde Paulo aponta e vê o pequeno veículo.

  • Ele empurra aquilo?!

  • Sim, ele é um catador de papel e, após encher todo o carrinho, vende o produto em alguns ferros-velhos da cidade.

  • E os brinquedos?

  • No meio do lixo que ele examina para retirar os materiais aproveitáveis, sempre encontra brinquedos quebrados que ele mesmo, à noite, durante todo o ano, conserta e recupera. É uma boneca sem braços aqui, um carrinho sem rodas ali, e, pode parecer incrível, mas ele sempre acaba encontrando, num outro dia, as partes que faltam. Muitas vezes, também, os próprios donos dos ferros-velhos acabam guardando brinquedos para ele.

  • E no dia de hoje, véspera de Natal, ele os entrega às crianças?

  • Sim. E sabe de uma coisa? Ele, conhecendo quase todas as crianças e suas idades, procura não decepcionar nenhuma delas.

  • Parece impossível!

  • Antonio, nada é impossível quando se quer fazer o Bem.

O portão agora é aberto e as crianças começam a entrar no pátio da Escola, em fila organizada por professores e, todas, com os olhos fixos na pobre casinha, começam a cantar o velho refrão: “Vovô Noel, onde está você? Vovô Noel, onde está você? Vovô Noel é um carinhoso apelido que as crianças utilizam para chamá-lo. Nesse momento, seu Mário sai de casa e, colocando-se à frente da fila, começa a caminhar, seguido por todos, até um galpão, onde estão guardados os brinquedos. Duas professoras abrem as portas do depósito e trazem uma cadeira para seu Mário sentar-se. A partir daí, tudo se transforma numa grande festa. Os pequeninos sentam-se em seu colo, outros acariciam suas barbas e os maiores beijam-lhe as mãos, agradecidos, enquanto ele vai distribuindo os presentes, sempre fazendo algum comentário sobre o brinquedo e não se esquecendo nunca de dar bons conselhos a cada uma das crianças. A distribuição leva algumas horas e o espetáculo emociona Antônio, pela luminosidade do ambiente, pela enorme quantidade de elevados Espíritos, ali presentes, e pela verdadeira chuva de luzes multicoloridas que cai do céu, ininterruptamente, numa verdadeira benção a todos. E, com a voz embargada pela emoção e o rosto banhado em lágrimas, comenta com o Instrutor Paulo:

  • Que coisa maravilhosa, Paulo! Quanta luz! Quanto amor! As crianças o adoram! Vovô Noel!

Paulo limita-se a sorrir e, enxugando furtiva lágrima, balbucia:

  • Sim… Vovô Noel.

Mais algumas horas se passam e o pátio está novamente deserto. Seu Mário já se encontra de volta ao lar onde, aos olhos de Antônio, tamanha a luminosidade, não se vê mais nenhuma parede, nem o pátio, nem a escola, mas apenas os Espíritos presentes, os poucos móveis e utensílios da pobre cozinha, como se todo aquele ambiente tivesse sido transportado para uma grande abóbada de luzes. Então, o velho senta-se à mesa e começa a falar:

  • Minha querida Alzira. Façamos uma prece antes da nossa ceia… Alzira?!

Esse espanto de seu Mário, entremeado de muita alegria, tem uma razão de ser: desprendido do corpo que, já sem vida, permanece sentado, o velho desencarna, encontrando-se, em Espírito, com a esposa e com todos os que estão ali. Abraça-a, muito emocionado, e ela o ampara.

  • Meu velho, agora ficaremos juntos.

  • Sim… mas que maravilha… nem imaginava… eu morri…?

  • Não, meu querido, você não morreu, pois a morte não existe.

  • Poderei ficar com você?

  • Sim, mas primeiro, teremos que cuidar desse seu corpo espiritual, num hospital deste plano.

  • Sim… sinto-me um pouco fraco… um pouco zonzo…

  • Isso logo passará.

E voltando-se para os amigos espirituais, Alzira lhes pergunta:

  • Virá algum veículo buscá-lo?

Um dos Espíritos, que parece ser o organizador da tarefa de auxílio, lhe sorri e responde:

  • Sim, minha irmã. Nós já preparamos o mais adequado para seu marido, numa grande homenagem que lhe dedicamos. Meus irmãos, providenciemos a vinda do veículo.

Dizendo isso, todos se concentram e um carro ali chega, fazendo seu Mário chorar copiosamente, de tanta emoção.

  • Eu vou aqui? - pergunta à esposa, apontando para o veículo.

  • Sim, meu bem. Esse é o carro que o levará. Acomode-se nele e prepare-se para partir. Nós todos o seguiremos.

E é, então, que, numa dádiva do Alto, seu Mário, o Vovô Noel, atravessa o portal da verdadeira vida, transportado por lindo e luminoso trenó. E no caminho, em direção ao Alto, ele ainda arrisca, obedecendo a um velho sonho de criança, uma rouca, tímida, mas feliz risada:

  • Ho! Ho! Ho!


(Wilson Frungilo Júnior-A Casa das Chaves)


terça-feira, 22 de dezembro de 2020

 Uma Cena de Natal


Assentadas em confortável sofá, na luxuosa mansão, as duas senhoras conversavam distraidamente.

Rememoravam os acontecimentos sociais do ano que se findava.

Relacionavam as festividades suntuosas a que compareceram.

Recordavam as recepções que elas próprias haviam oferecido.

Lembravam-se com saudade das viagens realizadas.

Por fim, queixaram-se dos presentes de Natal, ofertados pelos esposos.

  • Esperava uma estola de vison - disse uma.

  • Contava certo com um novo carro - aduziu a outra. 

Nisso, batem à porta. Ambas atendem e encontram-se diante de humilde mulher, esquelética e maltrapilha, a rogar pequeno auxílio para a compra do necessário ao sustento de seus filhinhos.


Amigos da romagem terrestre, saibamos contentar-nos com o que a vida nos oferta.

Abandonemos a posição de eternos insatisfeitos.

Aprendamos a olhar para trás, valorizando nossas oportunidades e situações, porque, se encerrados em nosso egoísmo, nos aborrecemos com os respingos do orvalho, lá fora, nos caminhos da provação irmãos nossos padecem a tempestade das angústias.

(Espírito Valérium-Histórias da Vida-Antônio Baduy Filho)


domingo, 20 de dezembro de 2020

 Alguém na Estrada


Alguém te espera o amor, estrada afora,

Seja o dia translúcido ou cinzento, 

Para extinguir a sombra e o sofrimento, 

Nas empedradas trilhas de quem chora!...


Não te detenhas!.. Vem!... O tempo é agora, 

Há quem se arrase ao temporal violento, 

E corações ao frio, à noite e ao vento

Ante a descrença que se desarvora…


Vem à estrada do mundo!... Ampara e ama!...

Esclarece e consola, alça por chama

O próprio coração fraterno e amigo!...


E esse alguém é Jesus, que te abençoa!...

Trabalha, serve, esquece-te, perdoa

E o Mestre Amado seguirá contigo!...

(Espírito Auta de Souza)


quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

 O Médico das Almas

“De caminho para Jerusalém, passava Jesus pela divisa entre a Samaria e a Galileia. Ao entrar numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, que ficaram de longe e levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem compaixão de nós! 

Jesus, logo que os viu, disse-lhes: Ide, mostrai-vos aos sacerdotes. E em caminho, ficaram curados. Um deles, vendo-se curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, e prostrou-se aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano. Perguntou Jesus: Não ficaram curados os dez? Onde estão os outros nove? Não se achou quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? E disse ao homem: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.”

Por que disse Jesus ao samaritano: a tua fé te salvou? Porque a fé nesse crente, em tudo dissemelhante da dos judeus, era despida de fanatismo, não se restringia aos moldes estreitos daquela fé convencional da escolástica religiosa. 

A fé daquele samaritano era livre, isenta de peias dogmáticas, escoimada de todos os prejuízos sectários inerentes aos credos exclusivistas. Daí porque ele logrou sentir os eflúvios celestes banhando seu Espírito e despertando-lhe no coração os bons sentimentos, dentre os quais se distingue, como dos mais belos padrões de nobreza, a gratidão.

Jesus sarara os dez leprosos; mas, o prodígio só impressionou profundamente ao samaritano, porque só ele recebeu o influxo do céu, graças às condições do seu coração liberto do fanatismo que obceca a mente e embota as cordas do sentimento. Por isso, enquanto os nove judeus prosseguiram maquinalmente em demanda dos sacerdotes para cumprirem o preceito ritualístico de sua religião, o samaritano retrocedeu em busca do seu benfeitor, a cujos pés se prostrou, num gesto sublime de humildade e de profundo reconhecimento.

Sua alma possuía apreciável capacidade de sentir. O benefício recebido encontrou eco em seu coração, suscetível de apreciar o bem e capaz de experimentar as emoções suaves e doces que o bem gera e acoroçoa.

Concluímos do exposto que o maior benefício que recebemos, através duma graça que nos é concedida, não está propriamente no objeto alcançado, mas no reconhecimento que o fato pode despertar. A gratidão é o elo indissolúvel que une o beneficiado ao benfeitor.

Assim, pois, quando o pecador tem capacidade moral para sentir o benefício que lhe é outorgado, fica por isso mesmo em comunhão com o céu: e nisto consiste o sumo bem conquistado.

Jesus curava o corpo, visando a redimir o Espírito. Daí seu contentamento, verificando que, ao menos num, dentre os dez leprosos beneficiados, havia atingido o alvo visado em sua missão.

É bom que todos os doentes do corpo saibam disto, a fim de se não iludirem buscando a saúde da matéria e relegando a do Espírito. São as enfermidades deste que o médico das almas, de preferência, veio curar. 

(Vinicius-Em Torno do Mestre)


quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

 Problemas Que Surgem No Caminho

Por entre os caminhos tortuosos da vida, as leis de Deus se cumprem com exatidão e segurança. E entre os passos trôpegos da criatura, se revelam as suas fragilidades, as deficiências de seu Espírito aprendiz.

Saber onde está o problema é condição para solucioná-lo e sem esse conhecimento a criatura perde tempo lutando contra fantasmas desconhecidos, buscando objetivos exteriores e efêmeros.

Cada situação problemática não é mais que estação transitória no grande processo que representa a viagem da vida. Até se atingir o objetivo distante, há que passar a alma por todos os pontos intermediários e enfrentar as paradas a que está compelida para que a jornada possa ter prosseguimento.

Há aquelas interrupções que são escalas técnicas de abastecimento, nas quais o Espírito se vê na condição de aprender, melhorar as suas qualidades, conhecer e produzir com a atividade que lhe impõe o momento do desafio.

Outras existem, contudo, que são interrupções no trajeto a fim de que acidentes futuros possam ser evitados. São atrasos que parecem ser despropositados, negativos, indesejados, mas que, no seu silêncio, estão protegendo o Espírito de quedas mais graves e dolorosas.

Assim, inúmeras estações de enfermidade, de dor ou de dificuldades de toda a natureza surgem perante a jornada da criatura, forçando-a a manter-se aparentemente estacionária, em processos de esforços continuados que não lhe propiciam nenhuma melhora aparente.

Tais momentos representam oportunidades de auto-análise que farão com que a alma se conheça e se avalie de acordo com as suas reais capacidades de luta e resignação. Em cada caminho, pois, a vida produz as diversas estações indispensáveis ao aprofundamento da consciência de si mesmo, no enfrentamento das barreiras necessárias ao aperfeiçoamento.

Por isso, se neste momento sua experiência pessoal está enfrentando um destes períodos, no qual se afigura que a jornada promissora da vida sofreu uma interrupção de continuidade, observe-se e conheça a sua maneira de enfrentar tal momento da viagem. 

Se a impaciência o estiver aconselhando, descubra que ela é a mazela oculta que lhe está tornando pior o aproveitamento deste momento importante. Se a irritação lhe causa perturbação dos sentidos, observe-se com isenção e descubra que se trata de um outro mal conselheiro a quem você costuma dar ouvidos.

Se a maledicência invade suas reflexões e a sua conduta verbal se perde em espinheirais de azedume e reclamações, perceba-se descontrolado e incapaz de fechar a própria boca. Olhando para tal impossibilidade, perceberá que até para o mais singelo domínio da língua está lhe faltando a força de vontade.

Se os pensamentos se perdem em processos de pessimismo e rebeldia, esteja atento para tais companheiros e observe que, em sua atmosfera mental há muito espaço para ser ocupado por esse tipo de erva daninha que lhe consome as forças e solapa qualquer tentativa de retomar a trajetória da viagem.

Observe que nem a impaciência, nem a maledicência, nem o pessimismo e a rebeldia farão com que as barreiras que impedem a continuidade da jornada sejam vencidas. 

São reações inócuas à solução de qualquer dificuldade.

Entretanto, representam manifestações da nossa fraqueza íntima, dos pontos vulneráveis do Espírito que jornadeia e que, muitas vezes, quer ir adiante sem estar consciente das próprias fragilidades.

Daí, para que a sua viagem no rumo da evolução seja completada sem muitos acidentes graves, a cada estação que representa um hiato nessa jornada, deve o viajante observar-se para perceber o que lhe cabe trabalhar e que tipo de problemas está carregando em sua própria bagagem a fim de que tais pesos internos não sejam obstáculos à retomada do trajeto. 

Assim, a jornada possui a velocidade e a dinâmica que o viajante é capaz de imprimir nesse processo.

Deus lhe dá a estrada e apresenta as diversas estações de aprendizado.

Interpretá-las e aproveitá-las é escolha de quem viaja no aproveitamento das experiências do autoconhecimento. Quem retira as lições adequadas, obtém a senha para seguir adiante.

Quem se mantém no padrão do desconhecimento de si mesmo, na imaturidade de suas reações de inconformismo, rebeldia, descrença, desilusão, maledicência, impaciência, se mantém mais tempo parado na mesma estação e, por isso, atrasa a própria viagem.

Nessa viagem, o conselho de Jesus representa o guia do jornadeiro mais experiente que dá ao mais novato as senhas necessárias para seguir adiante.

Por isso, a sabedoria do Cristo nos alerta em Lucas 9, 23: 

“Se alguém quer vir atrás de mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me”.

(Espírito Públio-Jesus no Teu Caminho-André L. Ruiz)


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

 A Verdade e o Dogma

O dogma da redenção humana mediante a efusão do sangue do Cristo, consistindo a sua morte no madeiro o epílogo da missão que lhe fora confiada, carece, como em geral sucede a todos os dogmas, de fundamento.

Para demonstrar a assertiva, é bastante compará-lo com a realidade, isto é, com o fato de Jesus nos haver dado a sua vida no sentido de consagrá-la à nossa emancipação espiritual, como fazem as mães em relação à criação e educação dos seus filhos.

O dogma em apreço prende-se a um sucedimento que se deu há perto de vinte séculos, do qual temos conhecimento através da tradição e dos relatos evangélicos. É um caso pretérito, longínquo, cujo eco histórico logrou chegar até nós.

O que se passa, porém, com a realidade da obra messiânica é um feito palpitante e de atualidade em todas as épocas da Humanidade, de vez que podemos senti-lo em nós, percebendo a sua influência em tudo que respeita à nossa evolução espiritual. Não o conhecemos por tradição, literatura escriturística ou testemunho das gerações passadas; sabemo-lo real e positivo em virtude do poder de transformação que a vida do Cristo está exercendo em nós. Não precisamos violentar a razão para que aceite o que não compreende e creia no que não sente. Não precisamos passar de alto e pela rama por um problema de tanta relevância, podemos enfrentá-lo com desassombro, sujeitando-o ao cadinho do raciocínio e ao calor da meditação. Quanto mais o fizermos, tanto mais e melhor nos identificaremos com a sua realidade, firmando nossas convicções. Nenhuma dúvida haverá mais em nosso espírito criando incompatibilidades entre a razão e a fé, a inteligência e o sentimento. Nossa fé e nosso amor serão luminosos, dardejando rajadas de luz sobre o carreiro do destino que palmilhamos. Não creremos pelo testemunho de terceiros, mas pela nossa experiência pessoal. Abriremos mão das exterioridades, dos ritualismos e das querelas sectaristas que dividem e separam os homens, alimentando zelos e fomentando vaidades. Concentraremos nossa atenção sobre o que se passa, não fora, mas dentro de nós mesmos, no dealbar duma aurora que surge dos arcanos recônditos da nossa alma como energia propulsora do aperfeiçoamento intelectual e moral que em nós se vai processando. Cuidaremos então da nossa auto-educação, exemplificando, demonstrando em nós próprios, ao vivo, a obra de redenção que pode ser operada em cada indivíduo pelo Cordeiro de Deus, que, dessa maneira, realmente tira o pecado do mundo.

É assim que a Verdade, emancipando-nos do Dogma, prossegue concedendo-nos, paulatinamente, mas progressivamente, a liberdade a que aspiramos desde todos os tempos sem jamais havê-la encontrado noutra fonte e por qualquer meio ou processo até então empregados.

(Vinicius-Na Seara do Mestre)


domingo, 6 de dezembro de 2020

 Sofrimentos e Jesus


No processo da evolução, o sofrimento se destaca, adquirindo preponderância, face aos constrangimentos e esforços que impõe a fim de ser superado.

Predominando, nas paisagens terrestres, é ainda recurso de que se utilizam as Leis da Vida para frear a alucinação humana, retemperar o ânimo, aprimorar as arestas morais e trabalhar os metais das imperfeições que prevalecem em a natureza animal dos seres. 

Atendessem às instruções do amor, e não haveria defecções, não surgiriam compromissos negativos, não ocorreriam abusos geradores de mecanismos de depuração por meio da dor.

Desatentos à “lei natural”, ao fenômeno do amor, os indivíduos agridem-se, deixando-se arrastar pelas opções do prazer fugidio, embrenhando-se no emaranhado das paixões primárias e fortes, nas quais se aturdem, permanecendo por largos períodos em desajustes aflitivos. 

O sofrimento, disso resultante, propele-os a novas atitudes restauradoras da harmonia, ensejando-lhes um saudável campo de ação, no qual desenvolvem as aptidões inatas e aprimoram-nas com o cinzel do estudo, as ferramentas do trabalho edificante, os instrumentos da abnegação.

O sofrimento irrompe quando o amor recua, ou se entorpece, ou tomba, envilecido, pelos sentimentos torpes.

Certamente, há o sofrimento do amor, porém, em dimensão transcendente, qual o de Jesus pelas criaturas, pelas multidões inconscientes, que jornadeiam gerando aflições para si mesmas.

Por isso, a Sua compaixão prossegue infinita, e as dores que Lhe são infligidas permanecem como efeito  do descaso geral ao Seu inefável amor. 

Os miasmas gerados pelo pessimismo enfermam o ser, e as ondas morbificas das doenças orgânicas perturbam a mente, alteram a conduta, alucinam a alma.

Jesus conhecia em profundidade o problema das parasitoses psíquicas, das enfermidades degenerativas, e sabia como controlá-las.

Irradiando a Sua energia restauradora, modificava-lhes a estrutura, deixando, no entanto, ao enfermo os resultados futuros, como decorrência dos seus atos. Se pecaminosos, piores dores se propiciavam a si mesmos. Quando sadios, permaneciam em paz. 

A saúde, portanto, resulta da harmonia entre o pensamento e a ação enobrecidos, numa perfeita identificação do espírito que cumpre o seu dever, e do corpo, por ele impulsionado, que lhe executa as ordens. 

O sofrimento surge como efeito da desobediência, dos abusos, da agressividade, da prevalência do egoísmo em a natureza. 

A Boa Nova, em decorrência, é toda um hino ao amor, ao dever, à vida, mediante a utilização correta dos fenômenos biológicos para a elevação do Espírito. 


Traziam-Lhe os enfermos e pediam para que os deixasse tocar!

Suas vestes eram condutoras da bioenergia curadora, da força de restauração, como os fios que conduzem a eletricidade ou as ondas que portam as telecomunicações.

Um toque nEle, ou dEle, e a vida se modificava, alterando a estrutura e o comportamento.

Assim, todo sofrimento tem, em Jesus, o seu término e a oportunidade de mais amplas experiências libertadoras. 

Sofrimento e Jesus - negação e afirmação da Vida, enigma e equação do ser. 

(Espírito Amélia Rodrigues-Trigo de Deus-Divaldo Franco)


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

 A Estrela de Belém

Cristãos decididos e sinceramente interessados na elucidação do fenômeno que produziu a “estrela” de Belém, à semelhança dos investigadores materialistas, hão recorrido, através da História, a matemáticos e astrônomos capacitados, ansiosos por resposta perfeitamente lógica e racional sobre o inusitado aparecimento do astro a que se referem os escritores evangélicos. E, de quando em quando, fiéis às pesquisas feitas nos mapas celestes, aqueles estudiosos tentam traçar diretrizes que classifiquem, em definitivo, o insuspeito acontecimento, na noite santa em que ocorreu o Natal de Jesus, e posteriormente vista pelos Magos do Oriente, que por ela foram guiados.

Segundo alguns observadores, fora o Cometa de Halley que naquele dia e àquele período fazia-se visível por toda a Galiléia e parte oriental do país. Para outros era uma conjunção oportuna de astros que produziram refração na atmosfera, incidindo o facho luminoso sobre a manjedoura singela, que Ele dignificou com o Seu nascimento.

Conquanto possamos admitir uma ou outra hipótese, Jesus é, em síntese, a “constelação dos astros divinos” ergastulados temporariamente na forma humana para conviver com os homens, deixando pela atmosfera envolvente do Planeta o rastro luminescente da sua imersão, como mensagem de advertência reveladora.

Rei Divino - e não obstante, submeteu-se às conjunturas da transitória convivência humana para, sublime, lecionar humildade.

Construtor da Terra - todavia, deixou-se experimentar pelas circunstâncias ocasionais do ministério entre as criaturas, para ensinar a grandeza da renúncia.

Legislador Sublime - entretanto, aquiesceu sofrer as imposições da ignorância religiosa de Israel e os padrões arbitrários da política do Império Romano, facultando-se a decisão no jogo odioso da ética vulgar, a fim de que se cumprissem as Leis e os Profetas, na integridade das previsões n’Ele,todo amor!

Em toda a Sua jornada, à semelhança de astro que se arrebenta em luz na imensidão escura da noite, clareou os destinos dos homens, como obreiro infatigável, acendendo lâmpadas de esperança nos corpos alquebrados e nos tecidos gastos das almas, pelas constrições das paixões esmagadoras de todos os tempos.

Misturou-se à caterva dos que viviam a Sua hora e caminhou com os pés da aflição, sem permitir-se consumir ou contaminar pelas querelas mesquinhas, pelas imposições tradicionais ou pelas suspeitas manifestações da idiossincrasia a que se aferravam os que O cercavam continuamente.

Por um minuto sequer se rebelou contra a miserabilidade que defrontava em toda a parte…

Arquiteto das estrelas, dobrou-se, sereno, na marcenaria humilde para que o pão fosse honrado com o suor da Sua face, e a estrutura da Nova Humanidade pudesse alicerçar-se no trabalho edificante, que é a mola mestra do progresso e da felicidade humana.

Mantendo incessante quão ininterrupto contato com o Pai e servindo pela aquiescência dos anjos que se Lhe submetiam, dialogou, pulcro, demoradamente, com os “Espíritos das sombras”, abrindo-lhes os ouvidos e acendendo a luz nos seus olhos apagados, com a inteireza moral das Suas conquistas incomparáveis.

Antes, todavia, de descer aos homens, fez que avatares do Seu Reino viessem ampliar as dimensões das fronteiras terrenas, preparando o solo do futuro.

E eles floresceram como superior manifestação da vida, ora na Índia, disseminando o reencarnacionismo e perfumando com toda uma filosofia de paz e renúncia os continentes dos Espíritos; ora na China, empreendendo os audaciosos voos da política sob as bases seguras da família, no lar e na sociedade, de modo a traduzir a porvindoura fraternidade entre os homens, com inequívoca  força de amor e respeito ao dever; ora no Egito, reascendendo os sutis aromas da Imortalidade, nos santuários dos Templos e na intimidade das Escolas de Iniciação, mantendo acesas as flamas da verdade, mediante as comunicações entre os dois planos da vida; ora na Caldéia ou na Pérsia, favorecendo com a esperança milhares de vidas estioladas sob o clangor da guerra; ora na Hélade ou em Roma, criando a conceituação da beleza, da justiça, da legislação equilibrada e do ideal do bem. 

Assim também por Israel, que por longos séculos de dor se fez depositária da Mensagem do Deus Único, transitaram esses Embaixadores Sublimes, irrigando com a linfa preciosa, decorrente do intercâmbio espiritual, os solos crestados dos Espíritos sofridos, a fim de que Ele próprio viesse oportunamente imolar-se, para ensinar a libertação total das limitações físicas e da opressão do barro humano…

Por isso, todos os Seus feitos empalidecem ante os Seus ditos, pois que as realizações no corpo são menores do que a vitalização da alma, em considerando que ninguém jamais vivera conforme Ele o fazia, transformando-se, Ele próprio, no caminho por onde deveriam rumar todos os homens na direção da Vida e da Verdade, que em suma Ele representava na Terra. 

Mesmo assim, quando contemplava com lágrimas as dores do porvir do mundo e via o homem imerso na fragilidade do corpo carnal prometeu voltar, através do Consolador, que seria o liame perene de união com Ele até o fim dos tempos…

O mergulho que começou em Belém não terminou no Gólgota, nem desapareceu após a visão da “Jerusalém Libertada”, que o “vidente de Patmos” preludiou…

Em Jesus, o Herói Invencível, que na Sua grandeza superou a astúcia dos Cambises, rei dos persas, a violência de Alexandre Magno, da Macedônia, a audácia de Cipião, o africano, e a estratégia de Júlio César, o divino Imperador, as armas foram a mansidão e o amor, a abnegação e a misericórdia, entretecendo com esses fios de luz a túnica nupcial do noivado intérmino com a Humanidade de todos os tempos, pela qual espera desde o princípio, até o instante da boda sublime, para a reunião numa grande família, em pleno reinado da paz!

A viagem fora longa para aquele casal, principalmente para aquela mulher grávida, durante quatro ou cinco dias, sacudida pelo trote da montaria…

Sucederam-se abismos e montes, subidas e descidas, quase às portas da Cidade Santa, chegando por fim a Belém…

… E em pleno fastígio do Império Romano, indicado por uma estrela, anunciado pelos anjos, nasceu Jesus!

Antes, e desde então, a Sua vida deverá ser examinada em “espírito e verdade”, para ser compreendida e penetrada pelos olhos imateriais, os únicos capazes de vislumbrar o Seu Reino.

Seja qual for a hipótese respeitável sobre a “Estrela de Belém”, a união dos Espíritos da Luz que mantinham o intercâmbio entre as duas Esferas formou um facho poderoso que indicava o lugar da tradição, em que Ele deveria começar o ministério entre os homens.

… Pastores e reis magos, todos videntes, convidados pelas Entidades Celestes, seguiram-na, cada um a seu turno, enquanto os cantores sublimes proclamavam:

“Glória a Deus nas alturas e paz na Terra entre os homens de boa vontade!”

(Espírito Amélia Rodrigues-Luz do Mundo-Divaldo Franco)