quinta-feira, 30 de abril de 2020

Religião e Higiene

A Religião (não nos referimos às seitas religiosas) e a Higiene guardam entre si relações muito íntimas. Exercem funções idênticas, visto como o objetivo visado pela Religião é o mesmo colimado pela Higiene: prevenir.
A missão de ambas consiste em evitar as enfermidades que podem afetar o homem considerado em seu duplo aspecto, físico e moral.
A Religião é a higiene da alma. A Higiene é a religião do corpo.
Na ignorância desta verdade científico-religiosa, a maioria dos crentes só se lembram da Religião quando se veem sob o jugo angustioso da dor. Depois de haverem gerado e mantido a causa, pretendem que a Religião anule os efeitos. Esquecem-se de que a Religião não destrói a lei, assim como a Higiene não ressuscita os mortos.
O caráter da Religião, como o da Higiene, é essencialmente profilático. Religião e Higiene instruem, ensinando os meios de possuirmos e conservarmos a saúde do corpo e do espírito, sem o que não pode existir alegria de viver.
Todas as regras de moral, prescritas pela Religião, são preceitos de Higiene, e todas as prescrições higiênicas são, a seu turno, mandamentos religiosos.
A verdade, em medicina, está na Higiene. De outra sorte, "a enfermidade é herança do pecado", disse o único Médico que curava as doenças da Humanidade.
Procurar a saúde nas pílulas e a felicidade presente ou futura nos rituais, importa num erro científico-religioso e numa superstição.
"Mens sana, in corpore sano".
(Vinicius-Em Torno do Mestre)

terça-feira, 28 de abril de 2020

Dádivas de Deus

Consideremos a bondade do Pai que quer ajudar sempre o filho a vencer suas dificuldades.
O Pai quer que a doença respiratória seja suprimida. No entanto, o filho recebe o benefício para os pulmões entre nuvens de alcatrão e nicotina.
O Pai quer reequilibrar os batimentos cardíacos. Entretanto, o filho acolhe as dádivas calmantes que lhe são enviadas de mais Alto no oceano bravio da ira acumulada.
O Pai se esforça em consertar o fígado em pandarecos, mas suas medidas salvadoras chegam ao órgão afogado pelo álcool corrosivo dos aperitivos ou encontram suas células extenuadas pelo trabalho heróico imposto pelos excessos de alimentação inadequada.
O Pai deseja ajudar no combate à infecção, mas o filho, entre injeções de penicilina e outras terapêuticas, bombardeia o centro de suas defesas orgânicas com sentimentos rancorosos, ideias vingativas ou atitudes de agressão, matando glóbulos brancos e enfraquecendo o sistema imunológico.
O Pai tenta fazer tudo para ajudar o filho.
Não obstante,  como nem sempre este demonstra o interesse verdadeiro em receber-Lhe o auxílio, muitas vezes é necessário deixá-lo entregue aos próprios males. Desse modo, o filho começará a se interessar pelos valores mais elevados do Espírito e, quem sabe, se decida a ajudar a si mesmo e descubra das bênçãos do Pai, tornando-se apto a receber e aproveitar as Dádivas de Deus. 
(Espírito Bezerra de Menezes-Saúde do Espírito-André L. Ruiz)

sábado, 25 de abril de 2020

Confia em Deus

Na aspereza do cotidiano, não são poucas as vezes em que tens a impressão de que não suportarás as agressões da vida terrena.
Corres de um lado a outro com a mente em torvelinho; desenvolves ansiedades perante os desejos que não podes atender; encontras desatenção onde chegas, se não atendes às expectativas de quem te recebe; ouves palavras chulas, torpes ou agressivas,  que te fazem tremer o íntimo e que te desalojam dos refolhos da inconsciência profunda os impulsos instintivos de autodefesa que acabam sendo de teor lastimavelmente semelhante a tudo que deploras.
Ouves as cobranças que te são feitas por membros da tua família, por teus patrões ou empregados; recebes cobranças de todos os tipos que te envia a sociedade em que vives. A impressão que tens é a de que não suportarás por muito tempo mais, sem explodir, sem adoecer ou sem partir para a violência.
Esses estados d'alma, que te surpreendem de modo preocupante e negativo, costumam enredar-te sempre que imerges nas águas lodosas de teu dia-a-dia, sem os preparos espirituais indispensáveis à própria segurança.
Ao lado dessas pantanosas águas, existem os lagos cristalinos para os quais não te voltas, águas claras que, amiúde, não vês.
Antes de saíres para os teus compromissos do dia; antes dos contatos humanos, principalmente, aqueles com pessoas que não sejam habituais; antes de realizar qualquer transação pecuniária, destaca um mínimo instante para elevar o pensamento a Deus, a Ele entregando todo o teu ser e todo o teu dia, alimentando-te nas bênçãos da oração.
Guarda a certeza de que o mundo em que te moves é, realmente, um mundo de duros aprendizados e de severos resgates dos erros cometidos em outros estágios reencarnatórios, se é que não foram cometidos no presente.
Consciente de tal realidade, não mais te considerarás vítima dos Céus ou da vida, nem vítima de quem quer que seja. Entenderás que tudo o quanto sofres corresponde a etapas do teu aprendizado, na estrada provacional na qual anseias por Deus.
Sofres na Terra aquilo que precisas sofrer. Choras aqui o que deves chorar. Recebes no planeta as oportunidades de rir ou de festejar, de conformidade com as conquistas que te pertençam.
Os ensinamentos de Jesus não te mandam cruzar os braços na acomodação infeliz, à frente das lutas que deves travar para superar os próprios limites. Ensinou-nos, contudo, o Mestre, a fim de que nos sentíssemos seguros: "... seja feita a Tua vontade...", quando nos trouxe o padrão para a nossa prece dirigida ao Criador.
Se viveres de modo a deixar fluir a vontade perfeita de Deus, se a Ele te entregares, de fato, passando a mergulhar nas águas transparentes da oração e da sobriedade, serás madura criatura a semear amor por onde passes. Serás um indivíduo feliz.
(Espírito José Lopes Neto-Em Nome de Deus-Raul Teixeira)

quarta-feira, 22 de abril de 2020

O Poder da Não-Violência

Futuras gerações dificilmente acreditarão que tenha passado sobre a face da Terra, em carne e osso, um homem como ele.
Essa afirmação de Albert Einstein (1879-1955) diz respeito ao líder indiano Mohandas Gandhi (1869-1945).
Quando analisamos sua existência, a maneira absolutamente incrível como libertou seu país do jugo inglês, entendemos a admiração do grande físico.
A Índia era a joia mais preciosa da coroa britânica, destacando-se num império tão grande, em seu apogeu, que nele o Sol nunca se deitava.
Os inglesVes não estavam nada dispostos a atender os reclamos de liberdade do povo indiano, nem preocupados com aquele homem mirrado que encarnava os anseios populares.
Não contavam com sua espiritualidade, a capacidade de mobilização para o mais incrível de todos os movimentos em favor da liberdade - a desobediência civil.
Por orientação de Gandhi, deveria ser sustentada pelo princípio da não-violência nos confrontos com os usurpadores do solo pátrio.
Havia quatro itens fundamentais: 
* Violência Física: Não agredi-los.
* Violência Verbal: Não falar mal deles.
* Violência Mental: Não pensar mal deles.
* Violência Emocional: Não odiá-los.
Os homens liderados por Gandhi paralisavam trens, desobedeciam leis, infringiam regulamentos, sustentavam greves...
Pacificamente, deixavam-se prender e torturar sem alimentar ódios ou ressentimentos.
E porque não podiam, indefinidamente, atacar e encarcerar aquelas multidões que corajosamente infringiam suas leis e obstinadamente recusavam reagir às suas agressões, os ingleses acabaram se convencendo de que a única solução seria deixar a Índia.

Diz Gandhi: "A não-violência é a lei da espécie humana, assim como a violência é a lei do bruto. O Espírito jaz dormente no irracional, que não conhece outra lei senão a força. A dignidade do homem exige obediência a uma lei superior - ao poder do Espírito.
O "mahatma" está nos convidando a assumir a condição humana, marcada pelo empenho de nos sobrepormos aos instintos.
Foi assim que ele libertou um povo.
É assim que nos libertaremos do bruto ainda dominante no comportamento humano.
Mostrando-nos o vasto painel que se desdobra além-túmulo, a Doutrina Espírita enfatiza que é de fundamental importância limparmos nosso coração de mágoas e rancores, pesos terríveis que nos prendem a faixas vibratórias inferiores, a sustentar males variados que nos oprimem.

Um repórter perguntou a Gandhi se ele já havia perdoado seus inimigos.
- Nunca perdoei ninguém.
- Não entendo...  o senhor, líder espiritual do povo indiano, contrário a qualquer sentimento de animosidade, não perdoa seus inimigos?!
- Não é preciso. Nunca me senti ofendido...

(Richard Simonetti-Rindo e Refletindo com a História)

terça-feira, 21 de abril de 2020

Entendimento

O cultivador do campo não prescinde do arado com que sulcará o corpo da gleba. 
O estatuário recorrerá ao buril para afeiçoar o mármore à ideia criadora que lhe inflama a cabeça. 
A criatura interessada na produção de reflexos mentais protetores de sua senda não dispensará o entendimento por alicerce do trabalho renovador. 
Entendimento que simbolize fraternidade operante. Simpatia que se converta em fulcro de força atrativa, exteriorizando-nos a melhor parte, para que a melhor parte dos outros se exteriorize ao nosso encontro. 
Todos somos compulsoriamente envolvidos na onda mental que emitimos de nós, em regime de circuito natural. Categorizamo-nos bons ou maus, conforme o uso de nossos sentimentos e pensamentos, que, no fundo, constituem cargas de energia eletromagnética, com as quais ferimos ou acalentamos, ajudamos ou prejudicamos, vitalizamos ou destruímos, e que voltam, invariavelmente, a nós mesmos, impregnadas dos recursos felizes ou infelizes com que lhes marcamos a rota. 
Quando coléricos e irritadiços, agressivos e ásperos para com os outros, criamos por atividade reflexa o desalento e a intemperança, a crueldade e a secura para nós mesmos, e, quando generosos e compreensivos, prestimosos e úteis para com aqueles que nos cercam, criamos, conseqüentemente, a alegria e a tranqüilidade, a segurança e o bom ânimo para nós próprios. 
Responde-nos a vida em todas as coisas e em todas as criaturas, segundo a natureza de nosso chamamento. 
Até o ingresso na Consciência Cósmica, todos os seres se distinguem pela face de luz com que se alteiam para os cimos da evolução e pela face de sombra pela qual ainda sofrem a influência da retaguarda. 
A própria posição vulgar do homem na Terra vale por símbolo dessa condição específica. Por cima o fulgor pleno do Sol, por baixo a escuridade do abismo. Todos recolhemos do Pai Celeste os estímulos ao futuro e todos padecemos os reflexos do passado a se nos projetarem sobre a existência. Desatando, assim, as algemas do mal que nós mesmos forjamos em detrimento de nossas almas, há que buscar o bem, senti-lo, mentalizá-lo e plasmá-lo com todos os potenciais de realização ao nosso alcance. 
Para começar, precisaremos separar o criminoso da criminalidade, como o lavrador que estabelece diferença entre o verme e a plantação, para abolir o domínio do primeiro e enriquecer a utilidade da segunda. 
E assim como o trabalhador rural extingue a praga, salvando a lavoura, é necessário que o nosso entendimento improvise meios de auxiliar o companheiro que caiu sob o guante da delinquência, sem alentá-la. 
Apequenar-se para ajudar, sem perder altura, é assegurar a melhoria de todos, acentuando a própria sublimação. Entretanto, só o culto infatigável do entendimento pode garantir-nos o equilíbrio indispensável no serviço de auto burilamento em que devemos empenhar os nossos melhores sonhos, de vez que apenas o amor puro é capaz de criar em nossa mente a energia da luz divina, a expandir-se de nós em reflexos de protetora renovação. 
(Espírito Emmanuel-Pensamento e Vida-C. Xavier)
A Oração Milagrosa

Quando morava com a minha sogra, que a bem da verdade, era uma segunda mãe para mim, voltei certa tarde da Faculdade de Engenharia, onde era estudante, e a encontrei radiosa com um escapulário nas mãos.
- Olhe, Luiz, disse-me ela, neste escapulário tem uma oração milagrosa que vai ajudar você a arranjar um bom emprego. O homem que vendeu disse-me que ele veio do Maranhão, terra de orações fortes.
Olhei minha sogra com aquele olhar de desaprovação, pois éramos espíritas há muito tempo; havíamos lido dezenas de vezes em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" sobre as condições e o valor da prece, não comportando, portanto, atitudes ingênuas como aquela, acerca de tão apreciado tema.
Não sabia como fazer para não usar o tal escapulário, o que certamente melindraria a minha sogra, que de boa vontade e pensando no meu sucesso profissional adquirira tão "preciosa raridade".
Disse-lhe então: Façamos o seguinte, dona Geórgia. Vamos abrir o escapulário e, se a oração for forte mesmo, eu o usarei. Caso contrário, a senhora o dará de presente para outra pessoa.
Aceita a sugestão, embora com uma certa reserva por rasgar uma "relíquia sagrada", dona Geórgia cortou os pontos do saquinho com uma tesoura e retirou de lá um pequeno pedaço de papel, lendo-o meio trêmula, pois suas mãos já não eram tão firmes como antes.
O que estava escrito provoca risos até hoje, quando em cada Natal que nos reunimos, contamos essa mesma história.
Eis a "oração milagrosa": "Estando eu e o meu cavalo de barriga cheia, o resto que se lasque".
Na verdade, o dinheiro que ela pagou pelo escapulário foi bem empregado, pelas tantas risadas que ele tem provocado em nossas reuniões de família. E, segundo consta no manual dos tristes, não há dinheiro que pague uma boa gargalhada.
(Luiz Gonzaga Pinheiro-Histórias Deste e do Outro Mundo)

sexta-feira, 17 de abril de 2020

                                           O Livro da Esperança

É muito difícil reconhecer, num livro que surge, a marca da Verdade. Não foram poucos, no entanto, os que identificaram, logo de início, essa virtude em "O Livro dos Espíritos", quando publicado pela primeira vez, em 1857. Para nós, que viemos estudá-lo um século depois, a sólida e tranquila grandeza dos seus ensinamentos é muito mais evidente, mais fácil de distinguir do que terá sido para os seus primeiros leitores. Ainda que a técnica da escolha das palavras e construção da frase tenha variado, a verdade contida no texto brilha serenamente, através do texto, com singular vitalidade, tanto mais quanto mais passa o tempo.
Extraordinário livro esse, cuja sabedoria jamais se esgota, por mais estudado, analisado e pesquisado que seja. Ainda há pouco, discorrendo sobre os aspectos abordados pelas questões 79 a 81, tivemos oportunidade de "descobrir" novas facetas desse imenso repositório de ideias que é "O Livro dos Espíritos". É que se, por um lado, nenhuma pergunta ficou sem a resposta adequada, há muitas que não puderam ser respondidas de maneira mais extensa e explícita, devido às limitações do próprio estágio evolutivo do público a que se destinava a obra - isto é, nós todos, seres humanos encarnados. É constante, por exemplo, a advertência dos instrutores acerca do mistério que envolve a origem dos Espíritos e das coisas.
Em resposta à pergunta nº 239 (Os Espíritos conhecem o princípio das coisas?), informam os comunicantes o seguinte:
- Isso é conforme à sua elevação e à sua pureza. Os Espíritos inferiores não sabem mais do que os homens.
Também o Cristo várias vezes advertiu que, nos seus ensinamentos, não poderia ir além de certo ponto, obviamente para não ultrapassar com eles o conhecimento ainda muito precário dos homens de seu tempo.
Vemos então que, contendo embora um resumo de todas as grandes ideias e um maravilhoso roteiro para a pesquisa científica, para o desenvolvimento filosófico e o aperfeiçoamento moral, "O Livro dos Espíritos" encerra uma demonstração de bom senso da parte dos seus  autores desencarnados, que tiveram o cuidado de não avançar além do que a nossa mentalidade pode absorver. Evitou-se, dessa forma, que as realidades do Mundo Superior - mesmo admitindo-se possível sua tradução em linguagem humana - fossem ridicularizadas e tidas por fantasiosas por toda a esmagadora maioria daqueles de nós que ainda não estamos em condições de aceitá-las.
O bom senso de Kardec deve ter oferecido aos seus elevados amigos da espiritualidade as condições de que precisavam para lançar entre os homens um livro tão avançado para a época. A impressão que hoje se tem  é a de que "O Livro dos Espíritos" realmente precisava vir para aqueles encarnados que não podiam mais aceitar as falácias da esclerosada teologia ortodoxa em que se transformara o Cristianismo nem a pura descrença dos que, à falta de melhor alternativa, se voltaram para o materialismo e para a negação do princípio espiritual no ser humano.
O problema que então se colocou diante dos Espíritos foi, ao que parece, dos mais complexos. Era preciso trazer uma mensagem válida àquela multidão de encarnados que não tinham "ainda" uma doutrina racional e aceitável e não tinham "mais" a antiga crença que exigia a aceitação do absurdo. Muitos desses já haviam passado, em sucessivas encarnações, pela fé dogmática - não podiam mais admiti-la; era uma experiência superada na história da sua evolução individual. Como, porém, converter em palavras, ao nível do entendimento humano, todo o maravilhoso mecanismo do universo físico, do Mundo Espiritual, das Leis Morais e das responsabilidades e deveres de cada um? Era um trabalho realmente gigantesco e teria de ser confiado não a um só Espírito, mas a uma equipe de seres já muito experimentados ao longo de muitas vidas. Isso daria à Doutrina um caráter essencialmente universalista, sem identificá-la com nenhum pregador, filósofo, profeta ou moralista em particular e, ao mesmo tempo, traria para o seu arcabouço filosófico a contribuição de uma variada, extensa e profunda experiência de muitos Seres Superiores.
Estes Espíritos não estavam interessados em fundar escolas de pensamento, nem de aparecerem como novos iniciadores de religiões ou correntes filosóficas - queriam, muito acima da vaidade humana, trazer uma contribuição séria, endereçada aos homens que buscavam a verdade; queria traçar um roteiro que não apenas atendesse às inquietações dos homens, como ainda oferecesse as perspectivas de uma civilização ainda por vir, de um mundo ainda possível de realizações de paz e equilíbrio. Vinham ensinar que toda a sabedoria humana está na obediência consciente às Leis Divinas. Vieram advertir de que convidamos a dor sempre que tentamos teimosamente atritar-nos com a imutável sabedoria dessas leis. Vieram, enfim, trazer aos homens o "livro da esperança".
Desejavam dizer àqueles que sonhavam com um mundo melhor que esse mundo era possível, era realizável, estava ao alcance da nossa mão, desde que essa mão fosse guiada pelas normas inflexíveis da moral. O livro continha muita coisa acima de seu tempo, uma infinidade de sugestões, de pistas abertas à pesquisa científica e à especulação filosófica. O objetivo daqueles mestres espirituais não era resolver por nós todas as questões aflitivas que se colocam na mente daquele que pensa, era indicar-nos um caminho para que prosseguíssemos por nossa própria conta, pensando com a nossa própria cabeça, descobrindo os fatos com os nossos próprios recursos.
Decorridos mais de cem anos, vemos que caminhamos pouco em termos de reconhecimento científico. Tem sido tremenda a obstrução por parte dos grupos que veem os seus interesses contrariados. 
Mas, a despeito de tudo, as ideias contidas em "O Livro dos Espíritos" continuam a frutificar. Um dia a ciência oficial há de desembaraçar-se dos ouropéis  da vaidade acadêmica e buscar ali inspiração para as suas pesquisas, o ponto de partida para novas descobertas. O Universo inteiro está à nossa disposição, mas é preciso que nos aproximemos dos seus segredos com verdadeiro espírito de humildade intelectual; caso contrário, vamos achar apenas aquilo que desejamos encontrar, isto é, o arranjo de fatos e observações que continuarão a emprestar um arremedo de apoio à nossa descrença, ao materialismo, às nossas infantilidades.
Muitos seres humanos estão cansados da descrença e já ultrapassaram a infância espiritual. Para esses é que surgiu "O Livro dos Espíritos". Sua mensagem poderia ser assim resumida: Este livro se destina às minorias que sonham com um mundo melhor.
(Hermínio C. Miranda-Candeias na Noite Escura)

quarta-feira, 15 de abril de 2020

                                        Epidemia Obsessiva

A obsessão, essa incoercível constrição psíquica exercida pelos Espíritos infelizes sobre as criaturas humanas, nunca é demais afirmá-lo, constitui lamentável processo epidêmico que se alastra na Terra.
Tendo a sua gênese nos distúrbios do comportamento atual ou pretérito de quem lhe padece a injunção, exige imediata consideração, através de um estudo cuidadoso dessas causas profundas com as correspondentes terapêuticas capazes de agir nas suas bases, modificando ou extirpando os fatores preponderantes e propiciatórios de tão grave alienação.
Imperioso, portanto, que sejam examinadas as psicopatologias da obsessão com naturalidade e firmeza, sem eufemismos nem desvios que possam dificultar a real compreensão do problema afligente.
Tendo-se em vista a imortalidade da alma, cumpre seja meditado sobre o destino que se reserva a cada ser, de acordo com o comportamento que se permite antes da desencarnação.
Não permanecendo estática a vida, após o túmulo as criaturas prosseguem com as suas realizações e comportamentos, identificando-se com semelhantes outros que compõem a sociedade viva e atuante, donde se procede em direção ao corpo e para onde se volve após a desvestidura dos tecidos carnais.
Como consequência, o intercâmbio entre os que são afins e se unem pelo amor é das mais formosas concessões da Vida, contribuindo para a vitalização dos sentimentos, ao mesmo tempo oferecendo esperanças para o reencontro futuro e consolação diante das aflições presentes.
Inevitavelmente, os que se antipatizam e odeiam, imanados pelos vínculos da reciprocidade vibratória, sofrem a interferência mental da animosidade que mantêm entre si, quase sempre prevalecendo a força psíquica do desencarnado, pela razão mesma de encontrar-se liberado do corpo, o que lhe dá mobilidade, disposição, mais ampla alternativa infeliz para o cometimento da desdita.
Estabelecem-se nefandas situações perturbadoras em que ambos os consórcios do desequilíbrio se engalfinham na luta sem quartel, na qual predomina a ação vingadora do desencarnado.
Estabelecida a identificação psíquica desequilibradora, é urgente que a "vítima", advertida da "parasitose espiritual", modifique os quadros mentais e se renove pelas ações meritórias, impedindo a fixação dos "clichês" deprimentes ou exaltadores que lhe são transmitidos em largo curso, com uma pertinácia temerária.
Ideal será sempre a ação preventiva.
Descuidado, porém, dos seus deveres espirituais, o homem avança no seu desenvolvimento, psicológico e social, negando-se maiores responsabilidades morais, mormente nestes dias de licenças e promiscuidades dos costumes éticos.
Não querendo enxergar da vida senão os interesses que lhe ferem os sentidos, afadiga-se pela aquisição dos excessos e derrapa no comportamento salutar, gerando distúrbios vibratórios na personalidade, que lhe permitem a identificação com os seus adversários desencarnados.
Não se resguardando do mal que, afinal, existe em todos nós, potencialmente, como efeito dos deslizes passados, dá guarida às obsessões, quando mais fácil seria precatar-se, auxiliando aqueles a quem feriu ou magoou nesta ou noutra existência corporal.
Não dando guarida aos compromissos superiores, é despertado para as responsabilidades espirituais pela dor, tombando nas alienações sob o jugo das obsessões.
Cada paciente, no entanto, requer auxílios e terapias específicas, não obstante, genericamente, os valores morais e os exercícios enobrecedores das virtudes constituam os mais eficazes antídotos para tão rude enfermidade, que permanece, talvez, ignorada propositadamente pelas academias e pelos seus membros, aliás, não isentos de experimentar a ocorrência psíquica...
Ao paciente, todavia, cabe o desempenho da parte mais importante da terapia: o esforço sincero para alterar o quadro dos sentimentos pessoais e a ação honesta que o torne melhor em relação a si mesmo e ao agente que o perturba.
Diante da transformação moral legítima do enfermo e em considerando as vibrações que passa a emitir com teor benigno, o adversário desencarnado, por sua vez, altera os planos malévolos, despertando para a realidade em que se encontra e de que se não deu conta real, aplicando o cabedal do tempo e da oportunidade a benefício próprio.
Torna-se urgente o serviço, a terapia preventiva contra a obsessão espiritual e a desobsessão, quando aquela já se encontra instalada.
O Evangelho do Cristo é, ainda, e será sempre, o melhor medicamento para obsidiados e obsessores, por prevenir os males e recuperar os que lhes tombam nas malhas.
Verdadeiro tratado de otimismo, suas lições constituem valioso medicamento psíquico, atuando nos refolhos da alma e consubstanciando propósitos que se transformam em ações libertadoras.
Com o auxílio da Doutrina Espírita, que aclara, mediante a luz da reencarnação, e confirma pelo fato mediúnico a sobrevivência espiritual, dispõe o homem dos recursos extraordinários para colocar barreiras à propagação epidêmica das obsessões, que avassalam as mentes e afligem os sentimentos do homem, aturdido no báratro dos dias que ora se vive na Terra.
(Espírito Manoel P. de Miranda-Terapêutica de Emergência-Divaldo Franco)

terça-feira, 14 de abril de 2020

Cruz e Cristo

Discípulos sinceros do Evangelho acreditam, na atualidade, que a simbologia do instrumento no qual o Mestre padeceu no Orbe, oferecendo-nos o máximo testemunho de amor, não mais tem razão de ser evocado, não merecendo maiores considerações.
Não obstante, a cruz permanece como o ômega de qualquer compromisso para com a Verdade, enquanto se transita na Terra.
Antes dEle, era a expressão máxima do desprezo a que se relegavam as vidas que ali finavam.
Ladrões e assassinos, delinquentes em geral sofreram-lhe a imposição sob o escárnio das massas açodadas pelo ódio e comandadas por interesses inferiores dos quais não se podiam liberar...
Ele também sofreu a zombaria e o desprezo do poviléu açulado pelos agentes da loucura, todavia, o seu era o crime de amar a criatura, que assim mesmo o hostilizou.
Depois dEle, as duas traves emolduraram-se de fulgurante luz que atrai quantos sentem a necessidade de crescer, imolando-se em gesto de amor.
Certamente, que já não se levantam cruzes nos montes das cidades modernas, alucinadas pelas paixões desgovernadas; apesar disso, não são poucos aqueles que se entregam em holocausto pelo Cristo, em cruzes invisíveis, incontáveis.
Ei-los, atados à renúncia, abraçando a abnegação em clima de doação total; são inumeráveis aqueles que se deixaram cravejar nos madeiros da humildade, não revidando mal por mal, incompreendidos, mas ajudando, perseguidos, entretanto, desculpando; estão milhares carregando cruzes não identificadas de sacrifício pessoal pela Causa do Cristo, sem darem importância aos transitórios valores terrenos; sorriem incontáveis, espalhando esperança e otimismo, sob cruzes de dores sem nome, não conduzindo queixas nem desanimando nunca; cruzes que surgem como enfermidades soezes, que dilaceram as "carnes da alma", enquanto consomem o corpo; cruzes de calúnias bem urdidas, que vão suportadas com esforços hercúleos; cruzes outras em forma de prazeres não fruídos, que se transformam em labores em favor dos outros; cruzes pesadas, na representação de expiações redentoras como de provações lenificadoras, favorecendo o futuro da própria criatura...
Essas são as cruzes que o amor transforma em estrada luminosa, concedendo as asas para a angelitude.
Há também, as cruzes a que muitos homens espontaneamente se prendem e experimentam o flagício que elegem, sem qualquer conquista de bênçãos.
Como os cravos do egoísmo fixam-se às traves fortes dos vícios e das paixões infelizes de que somente a penates de dor e desespero, em largo prazo se desprendem, para, então, tomarem a cruz do triunfo.

"Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo - acentuou o Cristo - tome a sua cruz e siga-me".

O Cristo e a Cruz do amor são os termos sempre atuais da equação da vida verdadeira, sem os quais o homem não logrará a Liberdade.
(Espírito Bezerra de Menezes-Terapêutica de Emergência-Divaldo Franco)

domingo, 12 de abril de 2020

Amanhecer da Ressurreição

As horas transcorriam pesadas e lentas entre as sombras das saudades...
Não obstante fossem dias de luz, apagaram-se as claridades da esperança e os júbilos murcharam nos corações oprimidos pelas dores superlativas.
As sombras que mantinham os discípulos em amargura, defluíam do remorso, da mágoa, da dor ante o espetáculo inesperado, que culminara na tragédia do Gólgota.
Vencidos aqueles momentos rudes, atordoadores, insinuaram-se-lhes e neles se agasalharam, as angústias e os arrependimentos...
Subitamente perceberam imensa, a falta impreenchível que o Mestre lhes deixara nos sentimentos.
Assustados, na simplicidade de que eram portadores, homens de condição humilde, deixaram-se ali ficar, alguns na residência da família Marcos, outros na Betânia e os demais em casas amigas, atemorizados.
Não saberiam dizer por que permaneceram em Jerusalém.
O ideal teria sido o retorno aos velhos sítios e às suas lembranças, aos lugares onde foram felizes com Ele.
Jerusalém era a cidade de todas as amarguras: da traição, do medo, das negativas, no entanto, um estranho "sortilégio" mantinha-os ali, como que aguardando não sabiam o quê.
O Mestre falara que volveria três dias depois de morto.
Eles criam, mas já não sabiam em que acreditar.
O medo é algoz impenitente, que oblitera a razão e anula a claridade mental. 
O remorso é vérmina que vence cruelmente por dentro a consciência culpada e esses terríveis adversários maltratavam-nos sem trégua.
A paisagem de horror da tarde ensombrada, em que Ele fora sacrificado, não lhes saía da mente.
Macerado, em abandono pelos melhores amigos, Ele não se defendera, não se queixara e permanecer estóico até o fim.
Agora, que O recordavam, percebiam a dimensão da ingratidão de que deram mostras.
São lentas as horas da aflição e do arrependimento, quanto são rápidos os minutos da alegria.
A cidade se apresentava tensa.
As conversas eram rumores e as consciências eram cavernas onde se homiziavam a covardia e os receios injustificáveis.
Anás e Caifás, Pilatos e Herodes sentiam o ar pesado, após a consumação do crime organizado.
Jerusalém jamais olvidaria aqueles dias e dificilmente se recuperaria deles...
Na alva do primeiro dia da semana entrante, Maria de Magdala, Joana de Cusa e Maria de Cleófas resolveram levar bálsamo e óleos à Sua sepultura.
Vieram do lado oposto ao Calvário.
Atravessaram o Jardim das Oliveiras, enquanto a face luminosa da manhã suavemente vencia a noite demorada, desceram o vale e galgaram  a encosta dos muros da cidade velha e os contornaram até defrontarem o Monte da Caveira.
A visão do local do sacrifício chocou-as.
O vento frio da madrugada levantava-lhes os véus e desnastrava os cabelos...
Os corações perderam o ritmo, face à dor e ante as expectativas do que ocorreria.
Temiam e ansiavam.
Experimentavam uma sensação especial e receavam, avançando, porém.
Prosseguindo firmes, contornando as muralhas altaneiras, chegaram ao sepulcro novo, que José de Arimatéia oferecera para que Ele ali fosse inumado.
Ao adentrarem-se na ante-sala da caverna feita para as despedidas, viram um ser angélico que as informou da ocorrência.
Na parte inferior da sepultura estavam os panos que O cingiram e vazia a cova silenciosa.
Susto e angústia dominaram-nas naquele momento grave.
Maria de Magdala, saindo, a chorar, interrogou o "jardineiro" que cuidava das rosas silvestres e do local:
- Para onde O levaram?
Ele voltou-se. Todo em luz, tangível e vivo, o Mestre sorriu.
- Rabboni!
- Maria! Ainda não fui a meu Pai. Avisa aos companheiros para que sigam à Galileia onde os encontrarei.
Toda a orquestração da felicidade modulava aos seus ouvidos a música dos júbilos, trazida de longe Esfera.
As duas outras mulheres desceram na direção da cidade e cientificaram a Pedro e a João, que se apressaram em testemunhar o acontecido.
Ofegantes, chegaram ao túmulo e o defrontaram sem os guardas, a pedra de entrada rolada e a cobertura  afastada.
Os panos ao abandono e o lenço que Lhe cingira a cabeça estava dobrado cuidadosamente, parecendo manter as vibrações  da Sua face... Olhos nos olhos, sorrisos em cânticos e a confirmação do triunfo após a morte, os dois discípulos exultaram com o peito túmido de emoções superlativas.
A ressurreição  incontestável era o selo da Sua legitimidade, após as lutas que o túmulo não encerrara.
Ressurreição e vida numa sinonímia profunda.
As esperanças consolidaram-se.
O medo cedeu ao desejo do sacrifício.
Seu aparecimento, reiteradas vezes, arrancando os amigos das algemas humanas das próprias fraquezas, era o prólogo da realização de cada discípulo que, então, sairia em testemunho da verdade, fixando na memória dos séculos a grandeza do Mestre.
Sem temerem a morte, nem os suplícios, eles se multiplicariam pelo mundo como pólen bendito, reverdecendo a terra árida dos corações.

Hoje, quando os rumores de calamidades se transformam em triste realidade, a evocação da vitória sobre a morte e a mensagem da ressurreição faz-se vida, os discípulos do Evangelho restaurado tornam-se os mensageiros intimoratos da esperança, em nome da fé sem jaça.

Almas do mundo em aturdimento!
Parai na faina alucinada, na correria desenfreada e escutai a voz do Mestre, repetindo as Bem-aventuranças!
No clímax de todos os conflitos ouvi-Lhe as promessas e parai a meditar.

Se, todavia, parecer-vos tarde demais para estancar o passo ou retroceder na marcha, confiai, porque mesmo morrendo, ressuscitareis para a vida eterna.

Já não há morte.
O Espírito libertou da carne a vida e sem a matéria prossegue sem cessar.

(Espírito Amélia Rodrigues-Há Flores no Caminho-Divaldo Franco)


sexta-feira, 10 de abril de 2020

                                        Este é o Momento

A cada passo na trajetória da vida, somos defrontados por desafios e problemas para os quais desejaríamos outra hora para enfrentá-los.
Falamos sempre que as dificuldades estão chegando no momento inadequado ou que não estamos preparados para elas.
Da mesma forma, desperdiçamos grandes oportunidades junto a entes amados porque imaginamos que estaremos sempre ao lado deles.
Adiamos o momento da felicidade e de sua vivência sempre para um dia no futuro que não permitimos se concretize porque, quando volta a ocorrer, novamente não nos encontramos preparados para desfrutá-lo como deveríamos.
Gestos de afeto adiados para o outro mês. Conversas fraternas substituídas por tolices sociais que não modificam para melhor o panorama de nossas vidas. O crescimento dos filhos que se perde no cipoal das preocupações menores.
Corações que se necessitam no afeto compartilhado, mas que se mantêm famintos porque não se alimentam nem se oferecem, pois agora está cheio de exigências que impedem um ato de amor, um momento de afetividade, uma demonstração de sentimento.
Filhos que deixam os pais velhinhos longo tempo sem serem visitados, sem conhecer-lhes as necessidades materiais e emocionais, desculpando-se com a "correria da vida". E, no entanto, esta "correria da vida" não os impediu de frequentarem clubes, irem a festas, distraírem-se com jogos, participarem de torneios sociais absolutamente inúteis para as coisas do coração.
Pais que se envolvem em rotinas estressantes com a desculpa  de que precisam sempre de mais e mais recursos para o bem-estar dos próprios filhos e, assim, não percebem que os pequenos já estão nas fases difíceis do amadurecimento da adolescência, buscando o aprendizado fora do lar, nos conceitos equivocados de amigos mal intencionados ou mal orientados.
Cônjuges que se entregam a uma rotineira forma de viver na qual a união se transforma numa justaposição de corpos sem qualquer aproximação interior dos corações, sob o argumento de que estão muito ocupados com o desenvolvimento de suas atividades profissionais, com o investimento em suas próprias carreiras, para o progresso da família e para o benefício deles mesmos, permitindo-se viverem juntos em plena solidão.
Se é verdade que para as dores e os sofrimentos é natural que nos julguemos sempre despreparados para enfrentá-los e que deveriam se apresentar em outra hora uma vez que a ninguém é agradável a dificuldade e o desafio, por que o ser humano se comporta da mesma maneira para com todas as coisas que diz que ama e com que se importa porque lhe causam alegria?
Por que não visitam os pais envelhecidos mais vezes? Por que não brincam com os filhos enquanto estão crescendo, todas as semanas? Por que não se tratam com afeto dentro do lar e aproveitam os momentos de descanso dos problemas da vida para se sentirem queridos, mutuamente?
Se as coisas pudessem ser vividas no seu momento devido, os funerais e os velórios não estariam cheios de consciências culpadas, acusando-se de não terem feito tudo o que poderiam e deveriam ter feito.
Por que não fui mais vezes vê-los? Ah! Se eu tivesse estado por perto meu filho não teria estado nesse acidente e morrido tão jovem...! Como eu vou viver agora sem ela em minha vida?...
Todas são perguntas envolvidas pelas lágrimas amargas vertidas à boca do caixão, diante de uma realidade que, naquele momento se impõe para ser vivida, sem poder ser adiada.
Não nos esqueçamos que o momento é agora e que, se perdermos a oportunidade, as consequências de tal descaso serão recolhidas como lágrimas e amarguras por não termos desfrutado das alegrias que estavam ao nosso lado sem que as valorizássemos.
Depois que tudo passa, nem fotografias, nem relíquias, nem objetos pessoais são capazes de trazerem de volta a mesma sensação que a pessoa que partiu nos causaria se tivéssemos valorizado a sua presença junto de nós.
Vivamos como se hoje fosse o último dia. Como se não fôssemos nos encontrar  mais a partir de amanhã. Façamos todas as coisas, demonstremos todos os nossos sentimentos e digamos aos que nos cercam como nos fazem bem. Deixemos que as pessoas sintam que são importantes para nós e que nos importamos com elas além das meras aparências.
O momento é agora!
Deixá-lo passar é sempre um risco de nos arrependermos amargamente e de descobrirmos que as criaturas eram muito mais importantes em nossas vidas do que nós mesmos supúnhamos.
E que, depois que as perdemos, todas as outras coisas que nos circundam perdem o brilho, seu sentido, seu valor como se a criatura que se ausentou levasse consigo o significado ou até mesmo a lógica da nossa própria vida.
Arrepender-se, depois, das coisas que não fizemos é uma constatação amarga tanto da nossa própria falha quanto de que poderíamos ter sido felizes naqueles tempos em que reclamávamos da infelicidade. 
E quando se fala da perda de oportunidades, não há outro exemplo mais significativo do que a da passagem do Divino Mestre por nossas vidas e o momento em que volta à Pátria Espiritual, como descreve Mateus em seu Evangelho, 27, 50-54:

"E Jesus, bradando novamente em alta voz, expirou.
Eis então que o véu do Templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. A terra abalou-se. As rochas partiram-se. Os sepulcros abriram-se e muitos corpos de santos, que tinham morrido, ressuscitaram. E saindo das sepulturas depois da ressurreição dele, entraram na Cidade Santa e apareceram a muitos.
O centurião e os que com ele estavam montando guarda a Jesus, ao verem o terremoto e tudo o que sucedia, tiveram pavor muito grande e diziam:
Verdadeiramente este era filho de Deus".

.... E, no entanto, tinham deixado passar a oportunidade, tinham acabado de matar seu corpo, injustamente.
( Espírito Públio-Jesus no Teu Caminho-André L. Ruiz)

terça-feira, 7 de abril de 2020


Páscoa – Somos Obrigados a Comer Peixe?


Estamos mais uma vez às voltas com comemorações ou eventos atinentes ao massacre do Cristo ocorrido há cerca de dois mil anos, num período em que os judeus denominavam "Páscoa", ou seja, em que eles comemoravam a libertação do cativeiro egípcio.

E o massacre de Jesus deu-se justamente neste período comemorativo dos judeus. 

Alguns séculos depois, a denominada "igreja" passou a chamar este período de "semana santa". 

E, a partir daí, surgiram celebrações e proibições, que os seguidores desta igreja, que dominava o mundo ocidental, foram obrigados a observar. 

Os poucos que ousaram questionar os dogmas e determinações da igreja, a partir da Idade Média, tiveram como destino as fogueiras da chamada "Santa Inquisição", pagando com a vida o seu atrevimento.

E o tempo passou. Chegamos ao século 21. As posturas e dramatizações são praticamente as mesmas pelos seguidores desta religião e até por aqueles que seguem outras denominações religiosas, sob sua influência, numa flagrante demonstração de escravidão psíquica que ultrapassa os séculos.

Muitas pessoas ainda hoje agem cegamente sem questionar, por exemplo, por que são obrigadas a comer peixe na tal sexta-feira, dita "santa". Todo o ano é a mesma coisa. O peixe tem o preço elevado neste período justamente porque as pessoas, nos ditos países cristãos, correm atrás dele. Ninguém pode ficar sem comê-lo, tal é a introjeção das determinações da igreja dominadora no passado. E aquela famosa lei (oferta e procura) sempre entra em ação e os oportunistas não se fazem de rogados, aproveitando-se dessa dita "tradição".

E o coelhinho? E os ovos de chocolate? O que tem tudo isso a ver com Jesus?

Com certeza, nada.

Explicações infundadas encontram-se em pencas. No entanto, nenhuma que tenha algum fundamento sério. Os homens foram inventando coisas, arranjando explicações que nem as crianças dos dias atuais acreditam, chegando ao ponto de deturparem a grandiosa missão de Jesus, que veio trazer a “Boa Nova” à Terra. 

A essência da mensagem foi esquecida, dando-se preferência a questões que nada acrescentam, que iludem, atrapalham e que até geram culpa em muitos, como se todos fôssemos responsáveis pelo massacre perpetrado há mais de dois milênios.

Mas tudo isso ficou para trás (ou deveria ter ficado).

O que importa realmente é a mensagem do Enviado Celeste. E será que entenderam? Pelo visto, pouca gente entendeu a mensagem de Jesus nos chamados evangelhos.

O Cristo veio esclarecer-nos sobre o que somos, sobre as nossas mazelas e o modo de modificarmos as causas dos nossos sofrimentos. Falou da importância da caridade, ou seja, o que tem real valor para Deus. Ensinou que a vida continua fora da Terra e que existem outras moradas, outros lugares, materiais e espirituais, neste Universo infinito, sem limitações de qualquer ordem. Mostrou que o Ser Supremo é um Pai Amoroso, que só quer a nossa felicidade.

Tendo em vista que todo o ano é a mesma coisa, com enfoque negativo sobre a figura do Cristo e de Judas, repetindo dramatizações e posturas religiosas contraditórias, sem levar em consideração os ensinos do próprio Embaixador Celeste, trazemos aos leitores a visão Espírita sobre tal acontecimento, de modo a termos uma panorâmica bem mais ampla, sob a orientação dos Espíritos Superiores, que realizam a vontade de Deus em todo o Universo.

Assim, nossa preocupação, neste período, em que novamente estamos voltados para a comemoração denominada de "Páscoa", que os judeus comemoravam por outro motivo, mas que hoje, infelizmente, muitas pessoas continuam preocupadas em comer peixe e muito chocolate, esquecendo a essência dos ensinos do Enviado Celeste, numa flagrante distorção do seu significado original.


Na comemoração pascal judaica, há dois mil anos, Jesus vinha sendo investigado por judeus e romanos em virtude de suas ideias, bem diferentes, estarem sendo disseminadas por toda a Palestina e países vizinhos, chegando até Roma, sede do império romano.

Tudo estava armado para aquele período. O próprio Cristo, que é um Espírito Superior, avisava para seus seguidores que ele seria sacrificado, mas eles não queriam acreditar. Dizia que seria morto, mas que voltaria no terceiro dia.

Assim, tudo ocorreu como ele avisara. Jesus foi preso e rapidamente condenado, pois os sacerdotes judeus queriam se livrar dele o quanto antes, haja vista que ele era uma ameaça às suas posições cheias de regalias, vivendo às custas do povo. Mataram o homem, mas não mataram suas ideias, que permaneceram pelos milênios a fora.

Contudo, o mais importante já estava feito: Ele deixara um ensino que se perpetuaria pelos séculos a frente.

Após consumada sua morte, Jesus demonstrou, cabalmente, à Humanidade, que ninguém morre e que a vida continua plena em outras dimensões. Reapareceu no domingo, no terceiro dia, e materializou-se por cerca de 40 dias em várias oportunidades, junto aos apóstolos.

Mas nem tudo fluiu com naturalidade aqui na Terra após seu retorno ao Mundo Espiritual. Os homens, por estarem num nível evolutivo ainda baixo, juntamente com Espíritos inferiores que pululam ao redor do planeta, fizeram o possível para apagar, distorcer e obnubilar a mensagem do Cristo. Para tanto, fundaram uma religião aos moldes de um império, dizendo-se representantes do Cristo na Terra, com muita riqueza e poder, instituíram rituais e crendices totalmente contrárias à simplicidade da mensagem crística, e passaram a dominar os povos onde puderam penetrar os seus tentáculos, empobrecendo as populações e destruindo quem não se dobrasse aos seus dogmas.

Desse modo, foram dezoito séculos de total ignorância do real motivo da estada do Cristo aqui na Terra. Embora fosse necessário que o homem evoluísse um pouco mais, para então poder assimilar com profundidade os ensinos que foram ministrados pelo Enviado Celeste, a Humanidade terrestre passou por um longo período de obscurantismo, com perseguições e com as chamadas "guerras religiosas", num verdadeiro período de trevas.

Mas, graças a Deus, evoluímos. Não fomos criados para ficarmos estagnados. Aos poucos, fomos nos conscientizando de quem realmente é Jesus, e quem somos. A partir do século 19, passamos a ter a maravilhosa contribuição dos Espíritos mais elevados, com uma visão bem diferente das ideias distorcidas e ultrapassadas que perduraram por cerca de dezoito séculos, e, totalmente contrárias as que o próprio Cristo legou-nos nos Seus ensinos relatados por várias pessoas, nos vários evangelhos, alguns ditos oficiais (escolhidos e adulterados pela Igreja), além de muitos outros denominados de apócrifos, com informações preciosas, mas que foram descartados por esta mesma igreja, por falta de conveniência.

Hoje, em pleno século 21, muitas pessoas do Ocidente ainda conservam crendices e medos, que foram introjetados por muitos séculos pela igreja dominadora.

Já é tempo de utilizarmos nossa inteligência, desenvolvida ao longo dos milênios, para darmos um basta nestas bobagens, por exemplo, de ter que comer peixe na sexta-feira considerada santa, que não passa de um dia qualquer.

E mesmo que consideremos a sexta-feira um dia especial, de quem estamos tratando? Jesus não se fez de vítima, como sói acontecer conosco todos os dias, pois vertemos lágrimas e gostamos de ser tratados como coitadinhos, sempre esperando chocar as pessoas por alguma coisa trágica que nos tenha acontecido ou com alguém da nossa família ou algum amigo.

Jesus avisou o que passaria e o que aconteceria após a sua morte física. E tudo aconteceu como ele previu.

Se Jesus mostrou por que sofremos, como devemos evitar o sofrimento e como enfrentar o sofrimento sem vitimismo, dignamente, por que deveríamos todo o ano comemorar o seu massacre, tomando uma postura dolorosa, comendo certas comidas, que não tem nada a ver com o sucedido, fazendo coisas que ele nunca recomendou, uma vez que foi somente o massacre do corpo físico e não do seu Espírito Superior?

Se ele, simbolicamente, partiu o pão e tomou o vinho, foi simplesmente para que seguíssemos o seu exemplo de humildade e de amor, que tivéssemos atitudes positivas diante da vida, nada tendo a ver com seu corpo e seu sangue, que eram coisas materiais, temporárias, perecíveis, pois, o Espírito é muito mais importante do que a matéria. A matéria se transforma, mas o Espírito conserva eternamente a sua essência.

Luiz Alberto Cunha da Silva


segunda-feira, 6 de abril de 2020

Judas

Hoje, mais do que todos os trezentos e sessenta e cinco dias do ano, a Humanidade dita cristã, relembra Judas Kerioth, o discípulo equivocado e incompreendido. 
Demonstram os responsáveis pelas igrejas que por aí pululam, ignorância e falta de misericórdia, por uma criatura que, em certo momento da História, agiu com sua visão política objetivando a libertação de seu povo, mas que foi enganado pelos sacerdotes dirigentes da nação israelita.
Os dirigentes religiosos de hoje muito se assemelham aos integrantes do Templo de Jerusalém, pois, muitos além de negociar o Cristo de todas as formas, não aprenderam, e por isso não ensinam a seus profitentes, a grande lição do perdão que Ele nos deixou no Evangelho. 
Nas páginas da Boa Nova e, especificamente no "Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, capítulo X, encontramos como título principal, "Bem-aventurados os que são misericordiosos". Ressaltam deste capítulo as máximas, "Perdoai para que Deus vos perdoe" e "Não julgueis para não serdes julgados". 
Por séculos, os dirigentes destas igrejas têm ignorado estes ensinos, que continuam lá, em todos os Evangelhos, mesmo tendo sido adulterados. Porém, na essência, todos os Evangelhos mantêm o pensamento de Jesus. 
E as pessoas em geral, como rebanho, seguem cegamente essas religiões, sem maiores indagações. 
Com o advento do Espiritismo, doutrina racional que foi trazida para a Terra pelos Espíritos Superiores e organizada por um professor, não religioso, já com o propósito de ficar longe do clero comprometido com as coisas do mundo, alargaram-se os nossos horizontes de forma tão enriquecedora, que as próprias pessoas que viveram a história retornam para nos relatar as suas óticas dos fatos.
E o próprio Espírito Judas diz-nos, em encontro com o Espírito Humberto de Campos, porque agiu daquela maneira e a falta de cumprimento do acordo que fez com os sacerdotes do Templo, como também as várias experiências que teve nas reencarnações seguintes, realizando sua purificação no século XV, quando foi traído, vendido e usurpado, tendo sido queimado numa fogueira por ordem da malfadada Inquisição.
Vejam que o Espírito Judas cresceu, evoluiu, como todos os filhos de Deus caminham para a plenitude espiritual, aproximando-se do Criador. Ele não ficou estagnado, esperando o tal dia do Juízo... 
E aqui na Terra, muitas pessoas por ignorância, tratam-no por criatura repugnante e seguem apedrejando-o, sem refletir, se podem atirar a primeira pedra...
Sei que, para muitos, escrever aqui nas mídias que o próprio Cristo, logo após ter sido morto na cruz, foi ao encontro de Judas, que havia se suicidado, nas regiões de sofrimento do Mundo Espiritual, para dar-lhe apoio e dizer-lhe que não o condenava, que ele teria o futuro para redimir-se, soa como algo insano. 
É que, por enquanto, muitas pessoas aqui na Terra são do tipo que, "mesmo vendo, não acreditam", ou seja, não têm "olhos de ver", nem "ouvidos de ouvir".

Luiz Alberto Cunha da Silva

                                   Páscoa e Espiritismo

Quando comemoramos a Páscoa, mais uma vez nos defrontamos com cerimônias e posturas que não se coadunam com o homem moderno, do século XXI. Sempre é a mesma coisa, sempre estão acentuando o lado sanguinolento de um evento que ocorreu há cerca de dois mil anos. Ninguém lembra da mensagem de amor do Cristo, em que Ele mostra-nos que somos herdeiros do Altíssimo, que devemos crescer e compreender uns aos outros. Que devemos tolerarmo-nos e caminhar para o Alto. A mensagem continua esquecida. Os homens se prendem a questões externas, sem atentar para o conteúdo moral do exemplo deixado por Ele.
É interessante saber que a origem da Páscoa nada tinha a ver com a crucificação de Jesus, mas tinha a ver com a gratidão dos povos primitivos pela colheita de trigo, ou seja, a "festa dos ázimos", e, posteriormente, a partir de 1441 a.C., ao êxodo do povo judeu do Egito, retornando à Palestina.
As igrejas atuais incorporaram muitas práticas e cerimônias do judaísmo e de outras culturas.
Assim, os religiosos, passados poucos séculos da morte física de Jesus, criaram a tal "semana santa", insistindo na hipótese de o Cristo ter subido ao Céu com o corpo físico, num flagrante descaso com as leis da Natureza.
Ainda hoje, nesta festa chamada Páscoa, entre outras coisas, continuam a passar ideias que Jesus jamais ensinou, como a de não comer carne vermelha e a obrigatoriedade de ingerir somente peixe ou, ainda, de ter que jejuar nesta chamada "sexta-feira santa".
Em nenhum lugar dos textos evangélicos encontramos Jesus jejuando ou não comendo este ou aquele alimento. Ensinava Ele que "o mal não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca do homem", pois, os judeus observavam muitas regras obsoletas.
O Espiritismo afirma ser impossível alguém ir viver no Mundo Espiritual com o corpo material, pois, lá é outra dimensão, onde vivem os seres espirituais, que não ingerem alimentos grosseiros como os nossos. A Espiritualidade é um estágio superior ao da materialidade, onde as leis são próprias daquela condição, sendo, portanto, diferentes das que regulam o mundo físico.
No passado, religiosos impuseram uma série de condutas que eram aceitas porque as pessoas não podiam contrariar a igreja dominante, que tinha poder de vida e morte sobre todos.
Pouco mais de quinhentos anos depois do retorno de Jesus aos planos espirituais elevados, suas ideias já não eram mais seguidas pela igreja dominante. Teólogos deste período criaram dogmas que não podiam ser contestados, desfigurando a Doutrina de Amor e Perdão do Messias.
A visão Espírita sobre a Páscoa é bem diferente da que observa por aí, pois não tem dogmas, nem rituais, ou quaisquer cultos externos, explicando racionalmente o Evangelho  do Cristo.
Assim, a Páscoa, do ponto de vista dessas igrejas, está envolvida num contexto negativo de culpa. Pela ótica judaico-cristã, nós, os habitantes deste planeta que nos denominamos cristãos, somos culpados por Jesus ter padecido na cruz para "nos salvar" dos nossos erros e dos erros dos nossos ancestrais, em especial Adão e Eva. Estes personagens bíblicos não passam de uma lenda, haja vista que a história da evolução do homem terrestre na realidade é bem mais longa e complexa do que afirmam os textos bíblicos. As pesquisas científicas demonstram que o homem vive na Terra há dezenas de milhares de anos, bem diferente do que consta no chamado livro sagrado.
Por outro lado, paralelamente, nesta festa-drama, dita religiosa, que se tornou a Páscoa, se bem analisada, verificaremos que são cerimônias primitivas e sempre repetitivas, nada tendo a ver com o Enviado Celeste, que afirmava ter vindo para que tivéssemos vida.
Nesta festa temos o comércio e o consumo de produtos acrescentados nos últimos séculos. A obrigatoriedade do consumo de peixe, por exemplo, na sexta-feira, entre outras práticas, raia ao absurdo. Ao longo dos séculos isto foi introjetado nas pessoas ditas cristãs e, até hoje, vemos dificuldade de muitos em perceber que isso nada tem a ver com a crucificação de Jesus e, principalmente, com a Sua mensagem.
O que tem a ver a carne de qualquer animal com o massacre do Cristo?
O que pensa Jesus a respeito disso nos dias atuais?
Acredito que deve lamentar as bobagens que temos inventado, tornando tortuosos os caminhos para encontrá-Lo e segui-Lo.
E quanto às cerimônias tristes da chamada Via Sacra e o desfecho final, o que pensa Jesus?
Será que Ele está magoado conosco? Daí vem a culpa inventada por judeus e os ditos cristãos, seguidores nada esclarecidos do Cristo que, menos de trezentos anos depois da Sua partida, criaram uma série de mortificações, sacrifícios e dogmas, despejando, por séculos, goela abaixo em milhões de criaturas, que até hoje nada entenderam da vinda do Messias à Terra, repetindo coisas absurdas.
Por isso que ainda hoje se vê a repetição desse drama, e que continua sendo alimentado por igrejas que não prestaram atenção à mensagem do Cristo e muito menos possuem noção da realidade espiritual.
Na verdade, estas religiões estão paradas no tempo. Não aceitaram e continuam não aceitando a Terceira Revelação, que traz maiores esclarecimentos para a Humanidade.
Por isso volto a perguntar: Estaria Jesus chateado conosco porque não O entendemos e O massacramos há dois mil anos?
Quando Ele retornou, ao terceiro dia, e passou a encontrar-se com os apóstolos, em nenhum momento queixou-se dos seus carrascos ou dos próprios seguidores que o abandonaram em suas últimas horas de vida física.
E quanto a Judas? Jesus ficou magoado com ele?
Mas, se o Cristo sabia que Judas o trairia, por que permitiu que tal ocorresse? Por que entregou-se, deixando tudo se consumar?
Muito interessante o que escreveu Pedro de Camargo, em seu livro "Na Escola do Mestre". Ele lança inúmeros argumentos que vão desde a escolha de Judas como apóstolo, sua personalidade, e o conhecimento do Cristo a cerca do que faria.
O Espírito Amélia Rodrigues, no livro "Trigo de Deus"(psicografia de D. Franco), relata detalhes da visita de Jesus a Judas no Umbral, poucas horas depois da crucificação, dando-lhe amparo e consolo, dizendo-lhe que não o condenava. Vejam que o Cristo jamais se contradisse ao ensinar o perdão.
Contudo, o que temos assistido nestes vários séculos de obscurantismo, determinado pelos ditos "seus" representantes? Nada em favor de Judas, sempre sendo lembrado como a pior criatura do mundo, segundo esses religiosos. Sempre sendo malhado há mais de dois mil anos.
Assim, caberia ao Espiritismo, o Consolador, primeiro lembrar e interpretar a mensagem de Jesus que consta no Evangelho, segundo, trazendo os próprios personagens que viveram a história, como o próprio Judas, que em conversa com o Espírito Humberto de Campos, no livro "Crônicas de Além-Túmulo"(psicografia de C. Xavier), esclarecendo sua atitude na época da crucificação, comentando sobre suas reencarnações expiatórias até o século XV, encerrando sua evolução neste planeta e, desde aquela época, convivendo com Jesus no Mundo Espiritual.
E as pessoas aqui na Terra a maldizê-lo por centenas de anos, demonstrando uma ignorância tamanha.
Nós, Espíritas, encaramos a Páscoa como a derradeira lição de Jesus para a Humanidade, demonstrando a todos que devemos enfrentar nossas agruras sem revoltas e, provando a todos que a morte não existe, ao retornar no terceiro dia como havia prometido, continuando a orientar seus seguidores e a todos nós até hoje.
Luiz Alberto Cunha da Silva

sábado, 4 de abril de 2020

Depois da Crise

Gemendo de dor, o jovem pedia providências enérgicas.
Reclamava a presença de médicos competentes.
Suplicava pelo carinho de seus pais.
Rogava o concurso fraterno de amigos e companheiros
Encaminhado ao hospital, movimentaram-se logo os recursos necessários. 
Anotações e exames.
Radiografias e aparelhagem especializada.
Por fim, o diagnóstico e a necessidade evidente de longo tratamento, com internação, a fim de que a enfermidade fosse contornada com segurança.
Informado a respeito, o jovem dispôs-se a tudo.
Entretanto, cinco dias após o internamento, o rapaz resolveu abandonar o hospital, alegando que se sentia melhor e, sendo jovem, precisava aproveitar a vida.

Fato semelhante ocorre conosco.
Quando os problemas angustiantes ou as enfermidades aflitivas batem-nos à porta, somos pródigos em rogativas a Deus.
Pedimos o concurso de Amigos Espirituais.
Aventamos a necessidade de passes, através de companheiros encarnados.
Frequentamos assiduamente as sessões espíritas, buscando consolo e paz, e ressaltando o imperativo da reforma íntima.
Entretanto, basta que surjam as melhoras e os problemas desapareçam, para que logo nos esqueçamos de todos os compromissos com os Benfeitores da Vida Maior e, então, nos atiremos às avenidas das diversões, alegando que a vida é curta e é preciso aproveitá-la.
(Espírito Valérium-Histórias da Vida-Antônio Baduy Filho)

quinta-feira, 2 de abril de 2020

                                        O Homem e Seu Destino

O destino do homem terreno é escrito nas páginas da crosta planetária, no geral, por suas próprias mãos na condição de Espírito encarnado. Daí porque, frequentemente, ao aportar às terras espirituais e proceder ao balanço do realizado ante o que fora adrede planejado, o Espírito torna-se perplexo com o montante que deixou de cumprir e com os passos distorcidos da direção a que se propusera. 
A "Lei de Ação e Reação", analisada sob a ótica espiritista, mostra-se dissentânea à usual conceituação de "karma", por não se impor como fatalidade cega.
Interferis e modificais constantemente - e inumeráveis vezes - o que planejastes junto aos vossos superiores e mentores espirituais.
Por isso, não vos coloqueis na estrada do desânimo quando fizerem-se pesadas as nuvens do vosso céu. Lembrai que podereis resistir à fúria do temporal, edificando o com material imperecível da fé, a fortaleza que há de vos defender à impetuosidade da natureza. 
Não vos inquieteis frente à fera que vos ameaça a integridade orgânica. Se crerdes em verdade naquele que vos lança o olhar doce e meigo e, se ancorados nessa coluna de amor, vos dispuserdes a trabalhar o ânimo e a ferocidade  daquela que vos ameaça, em breve a dominareis e torna-la-eis vossa serviçal e do progresso.
Estagiais no mundo transitório da matéria física não como dados ao acaso jogados, sem rumo, sem direção e sem diretor. Mas também não sois obrigados a peregrinar entre inconscientes e letárgicos, por caminhos inflexíveis, de acontecimentos inexoráveis.
Deus espera de cada um vós a aquisição da capacidade de gerir os próprios passos - apenas enquanto não aprenderes a lição, contareis com a benéfica e salutar ação da Lei que não obrará por vós, mas vos fará recordar e proceder urgentemente as indispensáveis alterações, sob pena de serdes acicatados pela infalível dor.
Compreendei, pois, a impropriedade dos vossos desânimos, desesperos e imobilidade na dor.
Erguei-vos com os corações transbordantes de fé e confiança, que certamente modificareis os rumos da própria vida, tornando-a libertadora e fecunda no bem.
A fé, quando adicionada à ação por amor, realiza prodígios que nem mesmo os mais crédulos são capazes de imaginar.
Acendei-vos na fé e movimentai-vos no Amor, através do carro da Caridade.
(Espírito Angelus Maximus-Conselhos Mediúnicos-Francisco Cajazeiras)

quarta-feira, 1 de abril de 2020

                                      Nas Leis do Destino

Não digas que Deus sentencia alguém a torturas eternas.
Tanto quanto podemos perceber o pensamento divino, imanente em todos os seres e em todas as coisas, o Criador se manifesta a nós outros - criaturas conscientes mas imperfeitas - através de leis que lhe expressam os objetivos no rumo do bem supremo.
Essas leis, na feição primitiva, podem ser abordadas nos processos rudimentares do campo físico.
O fogo é agente precioso da evolução, nos limites em que deve ser conservado; entretanto, se colas a mão no braseiro, é natural incorras, de imediato, nas consequências.
A máquina é apêndice do progresso; contudo, se não lhe atendes as necessidades, sofrerás, para logo, os resultados desastrosos da negligência ou da indisciplina.

Ocorre o mesmo nos planos da consciência.

Na matemática do Universo, o destino dar-nos-á sempre daquilo que lhe dermos.
É inútil que dignitários desse ou daquele princípio religioso te pintem o Todo-Perfeito por soberano purpurado, suscetível de encolerizar-se por falta de vassalagem ou envaidecer-se à vista de adulações.
Os que procedem assim podem estar movidos de santos propósitos ou piamente magnetizados por lendas e tradições respeitáveis que o tempo mumificou, mas se esquecem de que, mesmo ante as leis dos homens, pessoa alguma consegue furtar, moralmente, o merecimento ou a culpa de outra.
Deus é amor. Amor que se expande do átomo aos astros. Mas é justiça também. Justiça que atribui a cada Espírito segundo a própria escolha. Sendo amor, concede à consciência transviada tantas experiências quantas deseje a fim de retificar-se. Sendo justiça, ignora quaisquer privilégios que lhe queiram impor.
Não afirmes, desse modo, que Deus bajula ou condena.
Recorda que não podes raciocinar através do cérebro alheio e nem comer pela boca do próximo.
O Criador criou todas as criaturas para que todas as criaturas se engrandeçam. Para isso, sendo amor, repletou-lhes o caminho de bênçãos e luzes, e, sendo justiça, determinou que possuísse cada um de nós vontade e razão.
A vida, assim, aqui ou além, será sempre o que nós quisermos.
E não sofismemos a palavra de Jesus, quando prometeu ao companheiro de sofrimento, no Calvário, que estaria com ele no Paraíso, como poderia estar em qualquer instituto de educação, no Mundo Espiritual, porque foi o próprio Cristo quem no informou, de maneira incisiva, que o Reino de Deus está dentro de nós.
(Espírito Emmanuel-Justiça Divina-C. Xavier)