segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Reflexão Para o Ano Novo

"Desperta, tu que dormes!
Levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará!
Portanto, andai prudentemente, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus.
Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor". 

Estas vigorosas afirmativas são do Apóstolo Paulo (Efésios 5:14-17), que despertou para a fé no glorioso encontro com Jesus, às portas de Damasco, tornando-se o grande bandeirante do Evangelho.
Ele foi o cristão mais acordado de seu tempo.
Tinha plena consciência do que o Evangelho representa.
Via nos ensinamentos de Jesus não um simples desdobramento dos princípios judeus, de valor temporal e restrito, mas uma revelação divina que se destinava a todos os povos e todos os tempos.
As palavras de Paulo são atuais hoje como o foram em sua época e merecem reflexão.
Como sabemos, há um objetivo para a existência humana.
Estamos aqui, fundamentalmente, para evoluir.
Cumpre-nos desenvolver as potencialidades criadoras e as virtudes embrionárias que caracterizam nossa filiação divina.
Quem não está consciente disso dorme o sono da indiferença, embalado nos devaneios sugeridos pelos vícios, paixões, interesses e ambições que caracterizam o homem comum, mesmo quando se julgue desperto e muito esperto.
Diz o empresário:
- Estou acordado! Tenho iniciativa! Guardo sob minhas ordens milhares de funcionários, trabalho dezesseis horas por dia, movimento milhões, aumento cada vez mais meus patrimônios!
Diz a jovem imatura:
- Estou acordada! Divirto-me, passeio, namoro, adoro a madrugada, curto a vida!
Diz o viciado em drogas:
- Estou acordado! Sou capaz de viajar para o céu quando queira, ampliando minhas percepções e experimentando a plenitude da euforia!
Diz o homem do mundo:
- Estou acordado! Sei defender meus direitos. Jamais permito que me passem para trás. Dou um boi para não entrar em briga, uma boiada para não sair dela. Não levo desaforo para casa.

Proclamam-se acordados.
São sonâmbulos que falam e ouvem.
Pensam que sabem tudo.
Não sabem nada!

Imaginam ter tudo sob controle.
Mergulham num oceano de inconsequências!
Acalentam sonhos ilusórios.
Amargo será seu despertar!

Um ano se encerra com seu acervo de experiências, com suas realizações e frustrações, com seus momentos bons e maus...
Um ano se inicia com sua carga de esperanças.
Isso é bom.
A esperança é o facho sagrado que aquece o presente e ilumina o futuro.

Mas é preciso analisar o que esperamos no novo ano, a saber se estamos cultivando esperanças legítimas ou meras ilusões.
Que paremos por instantes e nos perguntemos, lembrando o Apóstolo:

- Estou acordado? Tenho consciência do que faço na Terra e do que me compete realizar?

Isso é fundamental.
Caso contrário, vamos incorrer nos mesmos enganos, cometer os mesmos erros; entrar pelos mesmos desvios, sem perceber por onde andamos e o que nos compete fazer.
(Richard Simonetti-O Destino Em Suas Mãos)

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Conto de Natal

A noite é quase gelada...
Contudo, Mariazinha
É a menina de outras noites
Que treme, tosse e caminha...

Guizos longe, guizos perto...
É Natal de paz e amor.
Há muitas vozes cantando:
- "Louvado seja o Senhor!"

A rua parece nova
Qual jardim que floresceu.
Cada vitrine enfeitada
Repete: "Jesus nasceu!"

Descalça, vestido roto,
Mariazinha lá vai...
Sozinha, sem mãe que a beije,
Menina triste, sem pai.

Aqui e ali, pede um pão...
Está faminta e doente.
- "Vadia, saia depressa!"
É o grito de muita gente.

- Menina ladra! - outros dizem.
- "Fuja daqui, pata feia!
Toda criança perdida
Deve dormir na cadeia".

Mariazinha tem fome
E chora, sentindo em torno
O vento que traz o aroma
Do pão aquecido ao forno.

Abatida, fatigada,
Depois de percurso enorme,
Estira-se na calçada...
Tenta o sono, mas não dorme.

Nisso, um moço calmo e belo
Surge e fala, doce e brando:
- Mariazinha, você
Está dormindo ou pensando?

A pequenina responde,
Erguendo os bracinhos nus:
- Hoje é noite de Natal,
Estou pensando em Jesus.

Não recorda mais alguém?
E ela, a chorar, disse:
- Eu penso também, com saudade,
Em minha mãe que morreu...

- Se Jesus aparecesse,
Que é que você queria?
- Queria que ele me desse
Um bolo da padaria...

Depois de comer, então
- E a pobre sorriu contente -
Queria um par de sapatos
E uma blusa grande e quente...

Depois... queria uma casa,
Assim como todos têm...
Depois de tudo... eu queria
Uma boneca também.

- Pois saiba, Mariazinha,
Eu lhe digo que assim seja!
Você hoje terá tudo
Aquilo que mais deseja.

- Mas, o senhor quem é mesmo?
E ele afirma, olhos em luz:
- Sou seu amigo de sempre,
Minha filha, eu sou Jesus!...

Mariazinha, encantada,
Tonta de imensa alegria,
Pôs a cabeça cansada
Nos braços que ele estendia...

E dormiu, vendo-se outra,
Em santo deslumbramento,
Aconchegada a Jesus
Na glória do firmamento.

No outro dia, muito cedo,
Quando o lojista abre a porta,
Um corpo caiu, de leve...
A menina estava morta.
(Espírito Francisca Clotilde-Antologia Mediúnica do Natal-C. Xavier)

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Natal...

Diante do bolo iluminado, abraças, feliz, os entes amados que chegaram de longe...
Ouves a música festiva que passa, de leve, por moldura de harmonia às telas da natureza... Entretanto, quando penetrares o templo da oração, reverenciando o Mestre que dizes amar, mentaliza o estábulo pobre.
Ignoramos de que estrela estaria chegando o Sublime Renovador, mas todos sabemos em que ponto da Terra começou ele o apostolado divino.
Recorda as mãos fatigadas dos tratadores de animais, os dedos calosos dos homens do campo, o carinho das mulheres simples que lhe ofertaram as primeiras gotas do próprio leite e o sorriso ingênuo dos meninos descalços que lhe receberam do olhar a primeira nota de esperança.
Lembra-te do Senhor, renunciando aos caminhos constelados de luz para acolher-se, junto dos corações humildes que o esperavam, dentro da noite, e desce também da própria alegria, para ajudar no vale dos que padecem..
Contemplarás, de alma surpresa, a fila dos que se arrastam, de olhos enceguecidos pela garoa das lágrimas. Ladeando velhinhos que tossem ao desabrigo, há doentes e mutilados que suspiram pelo lençol de refúgio na terra seca. Surgem mães infelizes que te mostram filhinhos nus e crianças desajustadas para quem o pão farto nunca chegou. Trabalhadores cansados falam de abandono e jovens subnutridos se referem ao consolo da morte...
Divide, porém, com eles o tesouro de teu conforto e de tua fé e, nos recintos de palha e sombra a que te acolhes, encontrarás o Cristo no coração, transfigurando-te a vida, ao mesmo tempo que, nos escaninhos da própria mente, escutarás, de novo, o cântico do Natal, como que repetido na pauta dos astros:
- Glória a Deus nas alturas e boa vontade para com os homens!...
(Espírito Meimei-Antologia Mediúnica do Natal-C. Xavier)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

                                                             Encontro de Natal

Recolhes as melodias do Natal, guardando o pensamento engrinaldado pela ternura de harmoniosa canção...
Percebes que o Céu te chama a partilhar os júbilos da exaltação do Senhor nas sombras do mundo.
Entretanto, misturada ao regozijo que te acalenta a esperança, carregas a névoa sutil de recôndita angústia, como se trouxesses no peito um canteiro de rosas orvalhado de lágrimas!...
É que retratas no espelho da própria emoção o infortúnio de tantos outros companheiros que foram inutilmente convidados para a consagração da alegria. Levantaste no lar a árvore da ventura doméstica, de cujos galhos pendem os frutos do carinho perfeito; entretanto, não longe, cambaleiam seguidores de Jesus, suspirando por leve proteção que os resguarde do frio da noite; banqueteias-te, sob guirlandas festivas, mas, a poucos passos da própria casa, mães e crianças desprotegidas, aguardando o socorro do Cristo, enlanguescem de fadiga e necessidade; repetes hinos comovedores, tocados pela serena beleza que dimana dos astros; no entanto, nas vizinhanças, cooperadores humildes do Mestre choram cansados de penúria e aflição; abraças os entes queridos, desfrutando excessos de reconforto; contudo, à pequena distância, esmorecem amigos de Jesus, implorando quem lhes dê a bênção de uma prece e o consolo de uma palavra afetuosa, nas grades dos manicômios ou nos leitos dos hospitais...
Sim, quando refletes na glória da Manjedoura, sentes, em verdade, a presença do Cristo no coração!
Louva as doações divinas que te felicitam a existência, mas não te esqueças de que o Natal é o Céu que se reparte com a Terra, através do eterno amor que se derramou das estrelas.
Agradece o dom inefável da paz que volta, de novo, enriquecendo-te a vida, mas divide a própria felicidade, realizando, em nome do Senhor, a alegria de alguém!...
(Espírito Meimei-Antologia Mediúnica do Natal-C. Xavier)

sábado, 21 de dezembro de 2019

                                                   Meditando o Natal

Na exaltação do Natal do Senhor, acalentemos nossa fé em Jesus, sem nos esquecermos da fé que Jesus deposita em nós.
Não desceria o Senhor da comunhão com os Anjos, sem positiva confiança nos homens.
É por isso que, da Manjedoura de Simplicidade e Alegria à Cruz da Renunciação e da Morte, vemo-lo preocupado na recuperação das criaturas.
Convida pescadores humildes ao seu ministério salvador e transforma-os em advogados da redenção humana.
Vai ao encontro de Madalena, possuída pelos adversários do bem, e converte-a em mensageira de luz.
Chama Zaqueu, mergulhado no conforto da posse material, e faz dele o administrador consciente e justo.
Não conhece qualquer desânimo, ante a negação de Pedro, e nele edifica o apóstolo fiel  que lhe defenderia o Evangelho até ao martírio e à crucificação.
Não se agasta com as dúvidas de Tomé e eleva-o à condição de missionário valoroso, que lhe sustenta a Causa, até ao sacrifício.
Não se sente ofendido aos golpes da incompreensão de Saulo, o perseguidor, e visita-o, às portas de Damasco, investindo-o na posição de emissário da Sua Graça, coroado de claridades eternas...
A fé e o otimismo do Cristo começaram  na descida à estrebaria singela e continuam, até hoje, amparando-nos e redimindo-nos, dia a dia...
Assinalando, assim, os júbilos do Natal, recordemos a confiança do Mestre e afeiçoemo-nos à sua obra de amor e luz, tomando por marco de partida a nossa própria existência.
O Senhor nos conclama à tarefa que o Evangelho nos assinala...
Nos primeiros três séculos de Cristianismo, os discípulos que lhe ouviram a Celeste Revelação levantaram-se e serviram-no com sangue e sofrimento, aflição e lágrimas.
Que nós outros estejamos agora dispostos a consagrar-lhe igualmente as nossas vidas, considerando o crédito moral que a atitude d'Ele para conosco significa...
Aprendamos, trabalhemos e sirvamos, até que um dia, qual aconteceu ao velho Simeão, da Boa Nova, possamos exclamar ante a Presença Divina:
- "Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque, em verdade, meus olhos já viram a salvação".
(Espírito Emmanuel-Antologia Mediúnica do Natal-C. Xavier)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

                                            Os Animais Ante o Natal

Entretecíamos animada conversação em torno dos abusos da mesa nas comemorações natalinas, com o parecer do grave Jonathan ben Asser, que asseverava a conveniência de ater-se o homem ao sacrifício dos animais apenas quanto ao estritamente necessário, quando o velho Ebenezer ben Aquim, orientador de grupos hebraicos do Mundo Espiritual, tomou a palavra e se exprimiu conciso:
- Talvez não saibam vocês quanto devemos aos bichos na manifestação do Evangelho...
E, ante a nossa curiosidade, narrou comovido:
- Há muitos anos, ouvi do rabi Eliúde, que se encontra agora nas esferas superiores, interessantes minudências em torno do nascimento de Jesus. Contou-nos esse antigo mentor de israelitas desencarnados que a localização  de José da Galileia e da companheira nos arredores de Belém de Judá não foi assim tão fácil.
O casal, que se compunha da jovem Maria, tocada de singular formosura, e do patriarca que a recebera por esposa, em madureza provecta, entrou na cidade quando as ruas e hospedarias se mostravam repletas.
Os descendentes do ramo de David reuniam-se aos magotes para atender ao recenseamento determinado pelo governo de Augusto.
Bronzeados cameleiros do deserto confraternizavam com vinhateiros de Gaza, negociantes domiciliados em Jericó entendiam-se com mercadores residentes no Egito.
Acompanhados por benemérita legião de Espíritos sábios e magnânimos, a cuja frente se destacava o abnegado Gabriel, que anunciara a Maria a vinda do Senhor. José e a consorte bateram primeiramente às portas da estalagem de Abias, filho de Sadoc, que para logo os rechaçou com a negativa; entretanto, pousando os olhos malevolentes na jovem desposada, ensaiou graçola irreverente, o que fez que José, apreensivo, estugasse o passo para diante. 
Recorreram aos préstimos de Jorão, usurário que alugava cômodos a forasteiros. O ricaço considerou, de imediato, a impossibilidade de acolhê-los, mas, ao examinar a beleza da moça nazarena, chamou à parte o enrugado carpinteiro e indagou se a menina era filha de escravos que se pudesse obter a preço amoedado... José, mais aflito, demandou a frente para esbarrar na pensão de Jacob, filho de Josias, antigo estalajadeiro, que declarou impraticável o alojamento dos viajantes; no entanto, ao fixar-se na recém-chegada, perguntou desabridamente como é que um varão, assim velho, tinha coragem de exibir uma jovem daquela raridade na praça pública. Deprimido, o ancião diligenciou alcançar pousada próxima; contudo, as invectivas de Jacob atraíram curiosos e vadios que cercaram o par, crivando-o de injúrias.
Os recém-vindos de Nazaré, vendo-se alvo chufas e zombarias, tropeçavam humilhados...
Gabriel, no entanto, recorreu à prece, rogando o Amparo Divino, e diversos emissários do Céu se manifestaram, em nome de Deus, deliberando que a única segurança para o nascimento de Jesus se achava no estábulo, pelo que conduziram José e Maria para a casa rústica dos carneiros e bois...
Ebenezer, a seguir, comentou, bem-humorado:
- Não fossem os anfitriões da estrebaria e talvez a Boa Nova tivesse seu aparecimento retardado...
E terminou, inquirindo:
- Não será isso motivo para que os animais na Terra sejam poupados ao extermínio, pelo menos no dia de Natal?
(Espírito Humberto de Campos-Antologia Mediúnica do Natal-C. Xavier)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Crônica do Natal

Desde a ascensão de Herodes, o Grande, que se fizera rei com o apoio dos romanos, não se falava na Palestina senão no Salvador que viria enfim...
Mais forte que Moisés, mais sábio que Salomão, mais suave que David, chegaria em suntuoso carro de triunfo para estender sobre a Terra as leis do Povo Escolhido.
Por isso, judeus prestigiosos, descendentes das doze tribos, preparavam-lhe oferendas em várias nações do mundo. 
Velhas profecias eram lidas e comentadas, na Fenícia, na Síria, na Etiópia e no Egito.
Dos confins do Mar Morto às terras de Abilena, tumultuavam notícias da suspirada reforma...
E mãos hábeis preparavam com devotamento e carinho o advento do Redentor.
Castiçais de ouro e prata eram burilados em Cesareia, tapetes primorosos era tecidos em Damasco, vasos finos eram importados de Roma, perfumes eram trazidos de remotos rincões da Pérsia... Negociantes habituados à cobiça cediam verdadeiras fortunas ao Templo de Jerusalém, após ouvirem as predições dos sacerdotes, e filhos tostados do deserto vinham de longe trazer ao santuário da raça a contribuição espontânea com que desejavam  formar nas homenagens ao Celeste Renovador.
Tudo era febre de expectação e ansiedade.
Palácios eram reconstruídos, pomares e vinhas surgiam cuidadosamente podados, touros e carneiros, cabras e pombos eram tratados com esmero para o regozijo esperado. 
Entretanto, o Emissário Divino desce ao mundo na sombra espessa da noite.
Das torres e dos montes, hebreus inteligentes recolhem a grata notícia... Uma estrela estranha rutila no firmamento.
O Enviado, porém, elege pequena manjedoura para seu berço de luz.
Milícias angelicais rejubilam-se em pleno céu...
Mas nem príncipes, nem doutores, nem sábios e nem poderosos da Terra lhe assistem a consagração comovente e sublime. 
São pastores humildes que se aproximam, estendendo-lhe os braços.
Camponeses amigos trazem-lhe peles surradas.
Mulheres pobres entregam-lhe gotas de leite alvo.
E porque as vozes do Céu se fazem ouvir, cristalinas e jubilosas, cantam eles também...
- "Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os Homens!..."
Ali na estrebaria singela, estão Ele e o povo...
E o povo com Ele inicia uma nova era...

É por isso que o Natal é a festa da bondade vitoriosa. 
Lembrando o Rei Divino que desceu da Glória à Manjedoura, reparte com teu irmão tua alegria e tua esperança, teu pão e tua veste.
Recorda que Ele, em sua divina magnificência, elegeu por primeiros amigos e benfeitores aqueles que do mundo nada possuíam para dar, além da pobreza ignorada e singela.
Não importa sejas, por enquanto, terno e generoso para com o próximo somente um dia...
Pouco a pouco, aprenderás que o espírito do Natal deve reinar conosco em todas as horas de nossa vida. 
Então, serás o irmão abnegado e fiel de todos, porque, em cada manhã, ouvirás uma voz do Céu a sussurrar-te, sutil:
- Jesus nasceu! Jesus nasceu!...
E o Mestre do Amor terá realmente nascido em teu coração para viver contigo eternamente.
(Espírito Humberto de Campos-Antologia Mediúnica do Natal-Chico Xavier)

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

                                                      O Divino Servidor

Quando Jesus nasceu, uma estrela mais brilhante que as outras luzia, a pleno céu, indicando a manjedoura.
A princípio, pouca gente lhe conhecia a missão sublime.
Em verdade, porém, assumindo a forma duma criança, vinha Ele, da parte de Deus, nosso Pai Celestial, a fim de santificar os homens e iluminar os caminhos do mundo.
O Supremo Senhor que no-lo enviou é o Dono de Todas as Coisas. Milhões de mundos estão governados por suas mãos. Seu poder tudo abrange, desde o Sol distante até o verme que se arrasta sob nossos pés; e Jesus, emissário d'Ele na Terra, modificou o mundo inteiro. Ensinando e amando, aproximou as criaturas entre si, espalhou as sementes da compaixão fraternal, dando ensejo à fundação de hospitais e instituições, consagrados à elevação da Humanidade. Influenciou, com seus exemplos e lições, nos grandes impérios, obrigando príncipes e administradores, egoístas e maus, a modificarem programas de governo. Depois de sua vinda, as prisões infernais, a escravidão do homem, a sentença de morte indiscriminada a quantos não pensassem  de acordo com os mais poderosos, deram lugar à bondade salvadora, ao respeito  pela dignidade humana e pela redenção da vida, pouco a pouco.
Além dessas gigantescas  obras, nos domínios da experiência material, Jesus, convertendo-se em Mestre Divino das almas, fez ainda muito mais. 
Provou ao homem a possibilidade de construir o Reino da Paz, dentro do próprio coração, abrindo a estrada celeste à felicidade de cada um de nós.
Entretanto, o maior embaixador do Céu para a Terra foi igualmente criança.
Viveu num lar humilde e pobre, tanto quanto ocorre a milhões de meninos, mas não passou a infância despreocupadamente. Possuiu companheiros carinhosos e brincou junto deles. No entanto, era visto diariamente a trabalhar numa carpintaria modesta. Vivia com disciplina. Tinha deveres para com o serrote, o martelo e os livros. Por representar o Supremo Poder, na Terra, não se movia à vontade, sem ocupações definidas. Nunca se sentiu superior aos pequenos que o cercavam e jamais se dedicou à humilhação dos semelhantes.
Eis porque o jovem mantido à solta, sem obrigações de servir, atender e respeitar, permanece em perigo.
Filho de pais ricos ou pobres, o menino desocupado é invariavelmente um vagabundo. E o vagabundo aspira ao título de malfeitor, em todas as circunstâncias. Ainda que não possua orientadores esclarecidos no ambiente em que respira, o jovem deve procurar o trabalho edificante, em que possa ser útil ao bem geral, pois se o próprio Jesus, que não precisava de qualquer amparo humano, exemplificou o serviço ao próximo, desde os anos mais tenros, que não devemos fazer a fim de aproveitar o tempo que nos é concedido na Terra?
(Espírito Neio Lúcio-Antologia Mediúnica do Natal-Chico Xavier)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

                                                   Cartão de Natal

Ao clarão do Natal, que em ti acorda a música da esperança, escuta a voz de alguém que te busca o ninho da própria alma!... 
Alguém que te acende a estrela da generosidade nos olhos e te adoça o sentimento, qual se trouxesses uma harpa de ternura escondida no peito.
Sim, é Jesus, o amigo fiel, que volta.
Ainda que não quisesses, lembrar-lhe-ias hoje os dons inefáveis, ao recordares as canções maternas que te embalaram o berço, o carinho de teu pai, ao recolher-te nos braços enternecidos, a paciência dos mestres que te guiaram na escola e o amor puro de velhas afeições que te parecem distantes.
Contemplas a rua, onde luminárias e cânticos lhe reverenciam a glória; entretanto, vergas-te ao peso das lágrimas que te desafogam o coração... É que ele te fala no íntimo, rogando perdão para os que erram, socorro aos que sofrem, agasalho aos que tremem na vastidão da noite, consolação aos que gemem desanimados e luz para os que jazem nas trevas.
Não hesites! Ouve-lhe a petição e faze algo!...
Sorri de novo para os que te ofenderam; abençoa os que te feriram; divide o farnel com os irmãos em necessidade; entrega um minuto de reconforto ao doente; oferece uma fatia de bolo aos que oram, sozinhos, sob ruínas e pontes abandonadas; estende um lençol macio aos que esperam a morte, sem o aconchego do lar; cede pequenina parte da tua bolsa no auxílio às mães fatigadas, que se afligem ao pé dos filhinhos que enlanguescem de fome, ou improvisa a felicidade de uma criança esquecida.
Não importa se diga que cultivas a bondade somente hoje quando o Natal te deslumbra!...
Comecemos a viver com Jesus, ainda que seja por algumas horas, de quando em quando, e aprenderemos, pouco a pouco, a estar com Ele, em todos os instantes, tanto quanto Ele permanece conosco, tornando diariamente ao nosso convívio e sustentando-nos para sempre. 
(Espírito Meimei-Antologia Mediúnica do Natal-Chico Xavier)

domingo, 15 de dezembro de 2019

Natal de Contrastes

Bimbalham sinos, símbolos da festa,
Seja na vila soberba ou modesta,
Para anunciar a volta do Natal.
Por toda a Terra, corações gritantes,
Pranto patético e ulos lancinantes
Dos que não têm Jesus como fanal.

Rebrilham luzes piscando lanternas...
Vão desatando alegrias internas
Em louvor à riqueza possuída.
Entanto, há vales em sombra avultada,
Com gente perdida na caminhada,
Sem ter Jesus como verdade e vida.

Aqui, farfalham papéis de presentes,
Ali, brinquedos quais jóias luzentes
A exalçar a magia dessa noite.
Há, contudo, muitas outras criaturas
Que se arrastam carentes, inseguras,
A suportar da indiferença o açoite.

Trocam-se mimos caros, maravilhas...
Jarros pomposos lembram velhas bilhas,
Taças brindam, são gestos de carinho.
Mas, no mundo, há quem chore ao abandono,
Sem buscar em Jesus o seu caminho.

Mesa farta, bem composta comida,
Tida como o maior prazer da vida,
A exercer saborosa sedução.
Entretanto, almas há que, em agonia,
Experimentam fome todo o dia,
Sem saber que da vida é o Cristo o pão.

Cantam vozes nos templos ajaezados,
Onde círios e flores bem cuidados
Complementam a sentida homenagem.
Vale pensar que o Mestre vindo ao mundo
Envolve a todos no amor mais fecundo,
Sem perder os que se encontram à margem.

É Natal, cantamos com euforia!
Há mudanças em torno e alegria
A irmanar-nos em doce comunhão.
É Natal! Glória a Deus lá nas alturas!
Que nos movamos em prol das criaturas,
Tendo vivo Jesus no coração.

Que aprendamos, na evocação bendita,
A pensar mais na humanidade aflita
Junto à qual tantas bênçãos recebemos.
Que o nosso Natal possa ser de altruísmo
Que nos ajude a vencer o egoísmo
Em que, por ora, na Terra vivemos.

Seja o amor nossa inspiração mais doce,
Como se junto a Jesus cada um fosse
Erguer a flama fraternal em hastes.
Se aprendermos a diminuir a agrura,
Cada Natal terá menos secura,
Diminuindo também tantos contrastes.

Seja, então, nosso Natal mais festivo,
Cada qual  sendo o agente mais ativo
A laborar por Cristo, de verdade.
Que, assim, de olhos nas Alturas, entoemos
Louvor Àquele que, dos Páramos Supremos,
Deu-nos Jesus: nossa felicidade!
(Espírito Ivan de Albuquerque-No Rumo da Sublime Estrela-Raul Teixeira)

sábado, 14 de dezembro de 2019

                                                 Cristo Reina

Na Terra vivem-se momentos de importantes transformações que influem sobre os indivíduos que, por seu turno, igualmente, se inscrevem no contexto das transmutações de si mesmos.
O hálito de Jesus Cristo envolve o mundo, sem dúvida, e Ele convoca Seus discípulos para o trabalho de redenção humana, pela via do amor.
Pelo orbe, pervagando os caminhos de todos, a loucura infanticida aterroriza; porém,  Jesus reúne grupos de almas que se dedicam  a salvar muitos dos recém-chegados à atmosfera terrena, com boa vontade e ternura.
Veem-se quadros de abandono infantil em toda parte, entretanto, Jesus organiza falanges de devotados Espíritos que se empenham em adotar e orientar, alimentar e manter crianças atingidas pela friagem de tantos corações.
Acompanham-se os que se agregam às indústrias da morte, mas um número imenso de lidadores dedicados ao bem ajusta-se às empresas da vida, em nome do Senhor.
Descobre-se o egoísmo a explorar comunidades inteiras dos menos afortunados de cultura intelectual, espalhando a miséria, no entanto, o Cristo, sobrepujando o mal passageiro, prepara homens e mulheres que conduzem, ensinam, servem e amam os irmãos do caminho, desinteressadamente.
Muitos entoam as cantilenas da guerra e da desagregação, enquanto o Mestre tem Seus servidores da paz e da construção do bem, difundindo luz e paz sobre o planeta. 
Tantos seguem frios, indiferentes, desajustando-se na praça do gozo intérmino das sensações grosseiras, porém, Cristo arrebanha os Seus seguidores dispostos e fiéis, aquecidos pela fraternidade que lhes propicia emoções sutis que os aproximam do Reino, estendendo harmonias no mundo.
Criaturas com deficiências físicas e mentais acham apoio e proteção sob o patrocínio Dele.
Macróbios desditosos encontram novo lar de afeto sob a égide Dele.
Indigentes das sarjetas recebem assistência fraterna nas noites de abandono, sob inspiração Dele.
Governantes de sociedades e de povos se reúnem para o diálogo, nas decisões graves do momento humano, sob os auspícios Dele.
Almas delicadas que saem a servir, renunciando as próprias vidas para dá-las aos outros, fazem-no por amor a Ele. 
Cristo reina sempre!
Em todas e quaisquer cogitações planetárias, somente Nele tem-se roteiro para seguir-se em frente, firmemente.
Por mais se discuta sobre a Sua figura excelsa, contra ou a favor, a realidade é que Jesus prossegue sendo a Estrela fulgurante na noite caliginosa da humanidade, anunciando a Boa Nova do Seu Natal, capaz de penetrar e sensibilizar, ativar e clarificar o âmago de todos aqueles que, mergulhados nas difíceis lutas da Terra, fazem-se homens de boa vontade, espalhando bênçãos em Seu nome.
(Espírito Camilo-No Rumo da Sublime Estrela-Raul Teixeira)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

                            Jesus: Um Homem Inesquecível

Narram os evangelistas Mateus (26:6-13) e Marcos (14:3-9) que, dias antes do episódio dramático do julgamento e da crucificação, estava Jesus em Betânia, cidade que ficava a uma hora de Jerusalém, cercada por imensos campos de cevada e de pequenos bosques de olivedos e figueiras, que sombreavam a estrada de Jericó. 
Estava Ele em casa de Simão, o leproso, quando se aproximou uma mulher, trazendo um frasco de alabastro, com perfume precioso, e pôs-se a derramá-lo sobre a cabeça do Mestre, enquanto Ele estava à mesa. Ao verem isso, os discípulos ficaram indignados e diziam:
"Qual o motivo deste desperdício? Pois isso poderia ser vendido caro e distribuído aos pobres".
Mas Jesus, ao perceber essas palavras, disse-lhes: "Por que aborreceis a mulher? Ela, de fato, praticou uma boa ação para comigo. Na verdade, sempre tereis os pobres convosco, mas a mim, nem sempre tereis. Derramando este perfume sobre meu corpo, ela o fez para me sepultar. Em verdade vos digo que, onde quer que venha a ser proclamado o Evangelho, em todo o mundo, este momento jamais será esquecido". 
Fazendo-se uma analogia  com essas lembranças da vida do Nazareno, podemos declarar, dois mil anos depois do Seu nascimento, que a Sua vida continua sendo proclamada em todo o mundo. O Espírito Amélia Rodrigues, por exemplo, ditou ao médium Divaldo Franco o livro "Dias Venturosos", e, na introdução, ela destaca: "Hoje, tanto quanto ontem, todos necessitamos de Jesus descrucificado, do homem incomparável que arrostou todas as consequências pela coragem de amar, a ponto de dar a própria vida, para que todos tivéssemos vida em abundância".
Esse esforço e essa proposta de manter vivos os exemplos da vida e da mensagem do fundador do Cristianismo, por parte de Amélia Rodrigues, Joanna de Ângelis e outros Espíritos, têm um significado e uma importância muito grandes, porquanto, não são poucos os que tentam passar a ideia de que Jesus foi um mito, uma alegoria. O escritor espírita, Hermínio Miranda, examina esta questão em seu livro "Cristianismo, a Mensagem Esquecida", onde cita alguns autores que afirmam ter o Cristo nunca existido.
Allan Kardec, ao traçar os objetivos da terceira obra da Codificação, "O Evangelho Segundo o Espiritismo", lançada em abril de 1864, declara que as matérias do "ensino moral", contidas nos Evangelhos, "conservaram-se constantemente inatacáveis" e que muitos pontos dos Evangelhos só são ininteligíveis "por falta da chave que faculte se lhes apreenda o verdadeiro sentido. Esta chave está completa no Espiritismo".
Os espíritas têm a missão de praticar e proclamar o ensino moral do Cristo em toda parte, para que um dia a Terra seja um permanente Natal, impregnada, para sempre, das lembranças dos Seus ditos e dos Seus feitos, que jamais serão esquecidos. 
(Adilton Pugliese-O Espírito Azul)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

                                                                   JESUS

Chegou ao mundo nos braços de uma tecelã e de um modesto carpinteiro, cercado pela moldura da natureza em festa.
A sua vida se desenvolveu, desde cedo, demonstrando a que viera, quando dialogou com os doutores do templo, aos 12 anos de idade, conforme rezam as tradições. Conviveu com todos os tipos de criaturas, exaltando a simplicidade e a alegria de viver, a fidelidade ao bem e a fraternidade, a responsabilidade nos atos e o amor. 
Falou sobre o bem, sentindo-o.
Ensinou o bem, vivenciando-o e a ele se entregando.
Passou pela Terra como a brisa  que sopra na primavera, deixando o aroma da sua passagem, numa verdadeira floração de bênçãos variadas.
Esteve no mundo como um marco de permanente esperança, insuflando coragem nas almas aterradas de pavor ante as próprias deficiências.
Viveu no planeta entre a luz do Céu e as almas umbrosas da Terra, buscando levantar o coração humano para as altitudes felizes onde vibram os seres angélicos dos quais Ele fazia parte.
Aquilo que afirmou como fundamental à alegria e à paz tratou de expressar em Sua vida, na condição de Modelo e de Guia de todos nós, por isso amou os Seus e por eles deu a própria vida; atendeu às necessidades das almas enfermas que O buscaram; ofereceu a água fresca da Sua dedicação, a fim de que não mais sede tivesse quem dela bebesse; saciou a fome de entendimento, de conhecimento e de carinho, tudo havendo transformado no sublime pão da vida; apresentou-se atencioso e verdadeiro para com Seus discípulos, ajustado à posição de Mestre inigualável.
Acompanhando os movimentos da humanidade através das eras, identificamos nobres e respeitáveis almas que, na postura de líderes ou de condutores sociais, pregaram o bem, o bom e o belo para os seus liderados, que os exalçam pelos tempos afora.
Quando, diante da indagação de Allan Kardec aos Imortais acerca de qual era o Espírito mais perfeito oferecido ao mundo, para servir de modelo e guia à humanidade, os Mentores planetários ripostaram dizendo que era Jesus.
Como Ele foi, então, o maior dentre todos os que à Terra foram enviados para anunciar o Reino dos Céus aos aturdidos filhos do Grande Pai, isso significa que todos os demais, por mais dignos e respeitáveis que tenham sido, são, contudo, menores do que Ele. Mensageiros da Divindade, todos os demais vieram atender os programas do Criador atidos às épocas, às culturas, às inclinações morais. Jesus, porém, trouxe os matizes da Lei  que a todos alcança, sem choques essenciais com nenhum deles, embora o formato próprio às realidades psico-antropológico-sociais de cada um.
Somente Jesus Cristo conseguiu ensinar e exemplificar com Seu viver as lições que nos passou; e se hoje, quando evocamos o Seu luminoso Natal, nos vemos engolfados nessas ondas de felicidade, é porque o Senhor de Nazaré, mais e melhor do que qualquer outro, transformou-se em Caminho, em Verdade e em Vida para todos nós, em todos os tempos e em todas as dimensões da vida terrestre.
(Espírito Camilo-No Rumo da Sublime Estrela-Raul Teixeira)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

                                                              Um Natal de Verdade

A presença do rico automóvel diante da residência humilde, acontecimento inusitado naquela vila paupérrima e distante, despertou intensa curiosidade. Rostos surgiram nas janelas. Muita gente olhando de longe...
Desceram Gumercindo e Maria do Carmo, casal de meia idade, muito rico. Esquálida mulher os atendeu, rodeada por três crianças tímidas grudadas em sua saia. No colo materno chorava um bebê, lamento ardido de fome... Logo apareceu o marido, figura lastimável, barba por fazer, olhar assustado. O visitante quebrou o gelo:
- Estamos aqui em tarefa de amizade. Temos recebido incontáveis bênçãos de Deus, negócios prósperos, filhos saudáveis, casa ampla e confortável, muita fartura. No entanto, eu e minha esposa não nos sentimos plenamente felizes... O que nos sobra falta em muitos lares. O ouro amoedado traz facilidades, mas pesa em nosso coração. Decidimos, por isso, ir ao encontro de nossos irmãos...
- Pois é - completa Maria do Carmo - Gostaríamos de saber como vivem, suas dificuldades e problemas. Como poderemos ajudá-los. Iniciaremos nosso entendimento neste Natal, oferecendo-lhes brinquedos, roupas e alimentos, em nome de Jesus...
- Tenho certeza de que foi Ele quem os inspirou - interrompe, emocionado, o dono da casa - Nossa situação é desesperadora. Estou desempregado há seis meses... Já não temos recursos nem para o alimento. A luz foi desligada por falta de pagamento... minha esposa está doente. As crianças cobram o presente, indagando por que o Papai Noel  não visita gente pobre. Eu decidira que a situação iria mudar, por bem ou por mal. Planejara assaltar abastada mansão. Enfrentaria a polícia, mataria se preciso, mas não regressaria  ao lar de mãos vazias... No entanto, não sou criminoso. Tenho uma vida toda de trabalho honesto, cultivando respeito às leis... Os senhores salvaram-me de um pesadelo...
Sufocado pela emoção, derramando-se em lágrimas, o operário ajoelhou-se e beijou as mãos de seus benfeitores, sem que estes pudessem evitar o gesto extremo de humildade e reconhecimento.
Após alguns minutos de entendimento fraterno, Gumercindo e Maria do Carmo entregaram os presentes e partiram, levando a certeza de que aquela família teria um Natal feliz. Felicidade maior ia em seus corações. Haviam descoberto a insuperável alegria de ajudar...
A violência e o crime são desvios lamentáveis que se oferecem àqueles que transitam  pelos caminhos da miséria e do infortúnio. A própria sociedade contribui para tão desastrosas opções ao ignorar a existência desses infelizes.
Quando nos dispusermos a superar as barreiras da indiferença, do comodismo e do apego aos bens transitórios, oferecendo amparo e orientação aos irmãos em dificuldade, a mensagem do Natal começará a ser observada, favorecendo a erradicação do Mal. 
(Richard Simonetti- Atravessando a Rua)

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

                                                      Ele Veio

Que teria sido da humanidade se o Celeste Amigo, enquanto no convívio das estrelas, entendesse que não lhe caberia vir ao chão do mundo para auxiliar-nos com a sua vivência superior?
Que seria do gênero humano, caso o Bom Pastor tivesse renunciado a vinda ao planeta, por temer o poder discricionário do Império de Roma, capaz de soterrar sob os pés todo e qualquer opositor do seu regime político?
Como estaria a Terra, se o Mestre Nazareno houvesse desdenhado  descer aos fluidos planetários por entender o quão difícil seria o confronto  com os vícios interpretativos e as mãos de ferro do sacerdócio de Israel?
O que teria ocorrido conosco, se o Rabi da Galileia se houvesse esquivado de vir ao solo do mundo, por identificar a precária condição moral e intelectual dos seus habitantes, por saber das limitações gerais que caracterizam o povo em cujo seio deveria nascer?
Entretanto, o Seu posicionamento alinhou a obediência aos desígnios celestes com a Sua piedade dirigida a todos nós. Vim para cumprir a vontade de meu Pai, dizia Ele, dedicado. Vim para que tenhais vida abundante, afirmou, pleno de amor.
Sem albergar em si quaisquer temores, rompeu as densas brumas do psiquismo inferior do pequeno planeta e emboscou-se num corpo carnal, para que mais de perto e bem percebido conseguisse mostrar-se aos nossos olhos e fazer-se sentir por nossas almas. Entregou-se plenamente ao Seu ministério, e nos conclamou para que O seguíssemos, para que pudéssemos chegar ao Pai do Céu.
Não conseguimos fazer a mínima ideia do desfecho, diante dos questionamentos apresentados, uma vez que é de todo impossível  conceber a vida no orbe terreno sem a presença fulgurante de Jesus Cristo. 
É dever de todo cristão, portanto, seja qual for a formalização  de sua crença na Boa Nova, refletir sobre o papel do Cristo  no seio da humanidade, nos objetivos sublimados  que O trouxeram à crosta terrestre, de modo a analisar melhor a própria conduta, verificando se encontra ou não operando nos campos do Senhor, ou se sua rotulagem de fé está apenas servindo à identificação social do regime mitológico ao qual se aferra.
Nessa altura do tempo, quando mais do que em outras épocas, há sede de compreensão, de amor e de paz no mundo, o Celeste Benfeitor espera contar com a fidelidade operosa de todos os que se apoiam em Seu nome e em Seus ensinamentos, a fim de fundar  no planeta os alicerces de um novo mundo, onde, em realidade, cada qual seja irmão do outro, para que sejam identificados como membros do rebanho do Bom Pastor.
É tempo de refletir sobre tais questões e não temer nada nem ninguém, conscientes de que, quando se estabelece contato de intimidade com Jesus, o coração pulsa no cérebro, repletando o saber de sentimento, enquanto o cérebro baliza o coração, impedindo que sejam disparatados ou fanáticos os sentimentos humanos, e que se convertam razão e sentimento em instrumentos da renovação da alma terrena, propulsionando cada alma para o convívio mais próximo com o bem e para o estabelecimento da paz. 
Somente quando a alma que se afirma cristã for capaz de vivenciar os necessários testemunhos, seja onde for - na rua, no trabalho, no lar ou no íntimo de si mesma - em prol do bem próprio e do bem comum, é que poderemos crer que ter-se-á implantado no planeta Terra as bases sólidas do Reino dos Céus, com o Espírito do Senhor habitando o cerne de cada criatura, forjando aí, então, as claridades de um novo e vigoroso Natal. 
(Espírito Camilo-No Rumo da Sublime Estrela-Raul Teixeira)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

                                        Questões em Torno do Senhor

A epopeia em torno do nascimento terrestre de Jesus reveste-se de grande beleza poética, de matutino frescor e de fascinante simbolismo, que são capazes de nos ensejar os mais largos descortinos e as mais profundas lições a respeito dessa vida ímpar, que, um dia, iluminou a Humanidade como um astro de mirífica radiância.
Por que motivo o Rei Solar desejou chegar ao mundo corpóreo nos braços da simplicidade e da pobreza material?
O que levou o Celeste Guia a optar por uma infância sem alvoroço social, vivida no bojo de uma família singela e digna, no calor afetivo de uma jovem tecelã e de um maduro carpinteiro?
Por que o Mestre da Galileia adentrou a juventude biológica desprendido dos enredos que costumam entusiasmar os moços, deixando-se levar, isso sim, pelas vias inefáveis da divina inspiração que lhe falavam dos compromissos trazidos para a Terra?
O que fazia com que o Bom Pastor se expressasse sempre como quem no mundo estava para atender à vontade superior de Deus, Seu e nosso Pai do Céu?
Por que o Rabi gostava de estar entre as gentes simples, entre os homens e mulheres que não desfrutavam de luzentes lastros sócio-econômicos, ainda que jamais tenha desdenhado ou diminuído os abastados da Sua época?
Por que fez questão de se afirmar como Mestre para os que O seguiam, embora renunciasse à classificação de homem bom, alegando que somente o Pai Celeste era bom?
Por que vinculou a Sua imagem da "água viva" e à do "pão da vida", capazes de saciar toda a sede e toda a fome da Humanidade?
Por que se autodenominou "Médico das almas", como se fizesse questão de desconsiderar a importância dos corpos materiais?
Por que propôs o amor como a regra de ouro, portadora das devidas condições para salvar os indivíduos das emboscadas que o egoísmo costuma forjar, a fim de fazer com que se percam as almas?

                                         Compreendendo os Motivos do Senhor

É incalculável a soma de efeitos positivos e de consequências venturosas em virtude de todos esses posicionamentos do Celeste Amigo. Tudo quanto disse e tudo quanto fez teve o poder de indicar o campo das reais necessidades da alma humana, apontando o canhenho das suas pelejas e as áreas em que Ele atuaria ao longo do périplo solar que deveria realizar por sobre a comunidade terrena.
Era importante que Ele chegasse num berço simples e pobre, para demonstrar que a alegria, indispensável à vida, independe das coisas que excitam os sentidos, que provocam a ambição, geradoras de ansiedade e sofrimentos, quando tudo de que necessitava estava  ao Seu alcance: o amor dos pais, o regaço de mãe e a luz de uma estrela. 
Devia atravessar uma infância modesta, longe dos "spotlights" de quaisquer tipos, a fim de estabelecer que é no período infantil que a criança mais precisa de silêncio a sua volta, para que possa ouvir as paternais orientações, sem as interferências prejudiciais do tumulto, quando, então, sedimentará os valores da educação de base, embora Ele tivesse chegado ao chão do mundo sob o foco de uma estrela.
Em razão dos valores acrisolados em Seu âmago, a juventude tranquila, equilibrada, recolhia no consciente os influxos dos deveres que precisava atender em Sua curta existência planetária, sem lançar fora o ensejo de atuar consoante a vontade do Pai Maior. Essas disciplinas da alma engrandecida pelas experiências  trabalhadas ao longo dos milênios tinham, na humildade, a filha primogênita do amor. E foi graças  à humildade que Ele, ao invés de tentar afirmar-se Mestre, sem vanglória, sem exibicionismo, sem falsa modéstia, mas com a grandeza espiritual de quem reconhece as dimensões do próprio labor, ao qual se acha vinculado na encarnação.
A mesma humildade fê-Lo admitir que era o Médico das almas, a água viva e o pão da vida, numa época em que as criaturas já apresentavam os sinais  das suas mais prementes necessidades, quando mostravam-se sedentas e famintas de algo mais intenso e veraz do que a água da fonte e o pão amassado pelas mãos humanas. O povo, de mil modos enfermo, não sabia a quem procurar para o indispensável tratamento, tampouco como se tratar em meio a tamanha ignorância.
Jesus identificava nas pessoas simples o estuário em que o amor divino encontra mais facilidade para medrar, para espalhar-se em outras direções. Costumam mostrar-se sem atavios, completamente desarmadas, cheias dessa confiança que nos permite ser como os pequeninos aludidos pelo Mestre, algures. Assim, era comum encontrá-Lo bem mais na convivência desse tipo de criaturas, sem que ignorasse as exceções abençoadas que se podem ver no mundo entre as multidões.
Era Ele aquele que ensinava, não apenas para que soubéssemos caminhar com segurança sobre o mundo, como nos auxiliava a abrir, desse modo, as vias de acesso ao Reino dos Céus ínsito na alma. Com Seus ensinamentos e vivências, eram desfeitas a sede e a fome que desnorteiam o ser espiritual, costumeiramente, o que nos faz entender a condição de Jesus no Seu papel de alguém que trata do ser integralmente, da inteligência cognitiva, da inteligência do sentimento, e que se lhe oferece na posição de água e de pão inesgotáveis, ajudando-nos a alcançar a saúde verdadeira para desempenhar nossos compromissos sob os céus.
E porque Deus é amor, conforme asseverou o Evangelista João, e se necessitamos chegar ao Pai por meio das orientações estabelecidas pelo Nazareno, é no amor que Ele alicerçará a grande construção do Espírito Imortal, a fim de que este logre ser feliz.
(Espírito Camilo-No Rumo da Sublime Estrela-Raul Teixeira)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

É Natal. De Quem?

A cidade estava realmente linda. As árvores laureadas de luz, as casas, os edifícios, as lojas, tudo era só beleza e encantamento. As pessoas caminham agitadas, mas alegres, pelo menos na expressão exterior. Para alguns, a razão da alegria era o décimo terceiro, o sonho acalentado o ano inteiro que estava se realizando na compra da geladeira, do sofá ou até mesmo das roupas, afinal de contas as festas de fim de ano trazem um novo ânimo.
Como não falar dos shoppings na disputa pelos clientes. Não economizaram  nas ornamentações, uma verdadeira maravilha. Árvores de natal que nos fazem brilhar os olhos, cada uma com sua temática, a natureza tropical, os pinguins, e é claro, não pode faltar a neve de algodão ou isopor picotado.
E a grande figura: Papai Noel, que, de repente, ganhou até uma esposa, a Mamãe Noel.
Todos aguardando ansiosamente a ceia, o peru, o panetone, todas as iguarias, e, evidentemente, os presentes.
É realmente lindo! Não existe outra festa que se iguale ao Natal.
Estava eu mergulhado nestes pensamentos, diante de uma belíssima árvore de natal, num grande shopping, quando senti algo puxando a minha calça. Olhei para baixo, era uma menina com lindos olhos negros, deveria ter uns cinco anos de idade.
Muito sorridente, ela perguntou:
- Tio, o Natal é a festa mais linda do mundo, né?
- É claro - respondi retribuindo o sorriso.
- E Natal é o que mesmo tio?
- Natal significa nascimento - respondi um pouco sem jeito, sentindo qual seria a próxima pergunta que não tardou.
- Nascimento de quem?
- De Jesus.
- Mas, tio - continuou a criança, como muitos adultos não conseguiriam - eu sei que Papai Noel não existe. Minha irmã me disse. Mas aqui no shopping tem Papai Noel. Esse algodão é neve, mas eu nunca vi neve cair do céu aqui na cidade. Se Natal é o nascimento de Jesus, cadê ele?
Dessa vez não pude responder, pois as lágrimas não deixaram. E a danada da menina não desgrudava.
- Tio, por que você está chorando?
- É que eu lembrei, minha filha - disse enxugando as lágrimas - que na noite de Natal, em Belém, as portas não se abriram para que ele pudesse nascer dentro de uma casa, e, ainda hoje, ele continua batendo nas portas dos nossos corações.
- E ele nasceu onde?
- Nasceu num estábulo, numa manjedoura de palha, cercado pelos animais e pelos pastores humildes.
Um silêncio profundo, interrompido por mais uma pergunta desconcertante da menina:
- Tio, é Natal, mas esqueceram de cantar parabéns para Jesus, não foi?
Sentei no chão do shopping e fui imitado imediatamente pela menina-anjo, e falei baixinho para ela:
- Vamos cantar parabéns para ele?
- Parabéns pra vo-cê, nesta da-ta que-ri-da...

(Cláudio E. Abdala-Contos da Vida)

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Sigamos Com Jesus

Maomé foi valoroso condutor de homens.
Milhões de pessoas curvaram-se-lhe às ordens.
Todavia, deixou o corpo como qualquer mortal e seus restos foram encerrados numa urna, que é visitada, anualmente, por milhares de curiosos e seguidores.
Carlos V, poderoso imperador da Espanha, sonhou com o domínio de toda a Terra, dispôs de riquezas imensas, governou muitas regiões; entretanto, entregou, um dia, a coroa e o manto ao asilo do pó.
Napoleão era um grande homem.
Fez muitas guerras.
Dominou milhões de criaturas.
Deixou o nome inesquecível no livro das nações.
Hoje, porém, seu túmulo é venerado em Paris...
Muita gente faz peregrinação até lá, para visitar-lhe os ossos...
Como acontece a Maomé, a Carlos V e a Napoleão, os maiores heróis do mundo são lembrados em monumentos que lhes guardam os despojos.
Com Jesus, todavia, é diferente.
No túmulo de Nosso Senhor, não há sinal de cinzas humanas.
Nem pedrarias, nem mármores de preço, com frases que indiquem, ali, a presença da carne e do sangue. 
Quando os apóstolos visitaram o sepulcro, na gloriosa manhã da Ressurreição, não havia aí nem luto nem tristeza.
Lá encontraram um mensageiro do reino espiritual que lhes afirmou: "Não está aqui".
E o túmulo está aberto e vazio, há mais de dois mil anos.
Seguindo, pois, com Jesus, através da luta de cada dia, jamais encontraremos a angústia da morte e, sim, a vida incessante.
No caminho de notáveis orientadores do mundo poderemos encontrar formosos espetáculos da glória passageira; contudo, é muito difícil não terminarmos a experiência em desilusão e poeira.
Somente Jesus oferece a estrada invariável para a Ressurreição Divina.
Quem se desenvolve, portanto, com o exemplo e com a palavra do Mestre, trabalhando por revelar bondade e luz, em si mesmo, desde as lutas e ensinamentos do mundo, pode ser considerado cidadão celeste. 
(Espírito Neio Lúcio-Alvorada Cristã-Chico Xavier)

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Magos

"Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém..." (Mateus, 2, 1-12)

Apontamentos do apóstolo Mateus dizem que vieram "uns magos" do Oriente a Jerusalém, enquanto Lucas narra que havia naquela região "pastores" que viviam nos campos, onde guardavam seu rebanho. Os únicos evangelistas que relatam o assunto não se referem a "três reis", de acordo com o que propõe a cultura popular. 
A Doutrina Espírita dispensa os números cabalísticos e as fantasias que tanto agradam aos seres espiritualmente mais jovens, mas que, na trajetória do tempo, a dor e a razão desfazem como nevoeiros aos primeiros raios do sol nascente.
De fato, não foram "reis", nem "três", aqueles seres que registraram, em e visão, a mensagem excelsa que anunciava a presença na Terra do grande Salvador, de conformidade com o que rezavam as Escrituras.
Se "mago" é sinônimo de "profeta" ou "médium", conclui-se ter sido mediúnica a visão que os magos ou os pastores tiveram. De forma alguma poderia ter sido cometa ou corpo físico, mesmo porque todo o povo  de Jerusalém teria participado da visão, deixando, pois, de ser exclusiva dos pastores ou dos magos. Além do mais, um corpo físico ou cometa não poderia afastar-se de sua órbita, a fim de acompanhar os magos até a manjedoura, "parando sobre onde estava o menino".
Todavia, não basta ser médium ou mago para obter mensagens ou visões de seres espiritualmente superiores. Outros magos existiam à época, inclusive no palácio de Herodes, como existem na atualidade, apesar dessa condição, não conseguem o exercício regular da mediunidade com entidades de nível superior.
De acordo com princípios elementares da mediunidade, à luz da Codificação, não basta que o médium seja portador de elevado índice de percepção, uma vez que Espíritos Superiores somente mantêm vínculos mediúnicos normais com médiuns de elevada condição moral.
Além dos fatores mediúnicos, considere-se ainda como "visão espiritual" o entendimento de cada ser, no domínio dos valores espirituais, fato que levou Simeão e Ana a identificarem o Cristo, quando os pais O conduziram ao templo, no oitavo dia, para a consagração, de conformidade com os postulados do Judaísmo.
É por ausência desse entendimento ou dessa propriedade de visão que os fariseus, embora dotados de significativa cultura, não conseguiam identificar, na figura excelsa do Cristo, o grande Esperado, mesmo em face das curas que diariamente realizava, porque ainda assim pediam que Ele manifestasse um sinal do Céu, não obstante os inúmeros que realizava na Terra.
O terceiro item a merecer análise cuidadosa é a orientação dos Espíritos, visando à localização e à identificação do Cristo. Eis o sinal, disseram eles: "Encontrareis o menino numa manjedoura".
Enquanto os príncipes do mundo nascem em palácios, sob ruidosa preocupação de todo o povo, o príncipe de Deus nasce, sob o silêncio das estrelas, em singela estrebaria.
Lucas narra que os pastores, guiados pela estrela, dirigem-se ao local indicado, onde localizam o Cristo. Mateus, afirma, porém, que os magos se dirigem à Jerusalém e a Herodes, pedindo notícias do menino.
Idêntico tem sido o comportamento das criaturas em sua trajetória terrena. Dotadas do livre-arbítrio, nem sempre demandam os caminhos que conduzem diretamente à manjedoura, atendendo como os pastores à orientação da estrela. A maioria prefere ainda excursionar pelas veredas dos reinados materiais, à semelhança dos magos, atém que amargos desenganos ensinem que "os herodes não têm notícias do Cristo". Não é, pois, por falta de orientação ou clareza da mensagem espiritual, mas por ausência de visão, entendimento, interesse ou maturidade espiritual que se retarda o encontro com o Cristo, considerando que Ele se encontra sempre com os que sofrem, e espera as criaturas, na manjedoura humilde dos corações, onde aguarda igualmente o incenso e o perfume dos sentimentos mais puros.
Continuando o processo  de orientação, os magos são avisados em sonho, para não retornarem a Herodes, recordando, com isso, que os seres que já localizaram o Cristo não devem retornar aos caminhos do pretérito.
Na escola planetária, todos os seres podem ser considerados pastores ou magos em cuja evolução os superiores espirituais estão sempre empenhados. Para tanto, usam dos recursos mais variados, tais como os aqui enumerados, nunca esquecendo o hino de glória a Deus e os votos de paz aos homens de boa vontade.
(João Moutinho-Conquista do Reino) 

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

                                                      Pequenas Lâmpadas Humanas

Fascinante é o serviço espiritual a se desdobrar no Além. Da infância à velhice e desta à desencarnação de toda ordem, notamos complexo plano de assistência, cuja elaboração e execução guardam sua origem nos Altos Cimos da Vida Infinita.
Estas reflexões são constantes em nossa mente, favorecidas pelas experiências que nos enriquecem o coração devedor e ainda impuro.
Adentrava eu, ao lado de meiga servidora da Evangelização Infantil entre as faixas superiores e os núcleos de atividade espiritista na Terra, vastos jardins que compunham determinada zona de Nosso Lar. Sorrisos iluminados, gargalhadas sonoras, muito brilho nos olhinhos e o corre-corre por entre relva e flores é o que víamos ali, compondo um hino de exaltação à candura, à ingenuidade descuidosa da meninada.
Sentia-me desmanchar, tal a vibração de sonho e ternura que nos dominava.
- Ah!... - dizia a mim mesmo - que bênção, que descanso, que suavidade!..., quando a doce Raquel salientou:
- Por aqui é invariavelmente assim, mas a realidade na Terra é bem diferente para a maioria das crianças!...
Identificando meus pensamentos, a irmã da infância interrompida no mundo me fez recordar o número incontável de meninos e meninas que sofrem, sem pão, sem teto, sem agasalho, sem afeto dos próprios pais - tantas vezes envolvidos com suas paixões nas valas tristes e destruidoras do egoísmo.
- São lâmpadas singelas que nós, os adultos, devemos acender com a energia do afeto! - considerou, feliz, a encantadora seareira.
Retomando novamente a palavra, asseverou, grave e segura:
- Sim, meu irmão; a infância, como promessa divina, não logra o serviço iluminativo sem a cooperação das bases humanas que a recebem por floração abençoada de esperança e renovação.
Atento à conceituação justa da companheira, recordei-me de humilde tarefa que, ao lado da esposa querida e de amigos valiosos, desenvolvera em região de muita miséria e de muita dor, quando, se revelando consciente do que eu pensava em silêncio, me esclareceu:
- Não ignoramos a tarefa dos evangelizadores no planeta; em verdade, todos eles, do mais acanhado em domínio didático ao mais aquinhoado no domínio da ciência da educação, recebem, invariavelmente, assistência do Alto, pois o serviço de amor a que se dão é, por si, poderoso apelo ao coração do Céu.
E provando-me conhecer os detalhes de nosso apagado esforço de outrora, na região já citada, explicitou, nobre e carinhosa:
- Para que você considere, palidamente, o valor do serviço iluminativo da Evangelização na mente infantil, convido-lhe a rememorar um petiz de seis anos incompletos que naquela Casa de Assistência chegou ao lado da mãe embriagada e grávida, pedindo recursos alimentícios...
Por um mecanismo próprio da Vida Espiritual, vi, na tela mental, com prodigiosa clareza de detalhes, o episódio narrado por Raquel.
Após sucinto relato da benfeitora sobre as circunstâncias em que a diminuta e infeliz família citada vivia, a partir daquele dia rememorado, assistida de nosso Núcleo de amor e caridade, continuou:
- Veja bem, Almir: no oitavo sábado de convívio de Evangelizadores da casa, o pobre menino recebeu a lição da Parábola do Bom Samaritano, que foi explorada pelos instrutores em seu aspecto de caridade e amor aos semelhantes. Neste mesmo dia, à noite, a mãe do garoto conseguiu trocar parte dos alimentos recebidos do grupo por um garrafão de aguardente, embriagando-se até quase à exaustão. Alta noite, uma saraivada de batidas na porta do casebre fez despertar o garoto, que a abriu e se deparou com o homem amasiado com sua desequilibrada mãe e pai do bebê que ela ainda gerava. Cumprimentou-o friamente o homem e se dirigiu, sombrio, até a cama da mulher esbravejando:
- Como é, mulher, onde está a cachaça?
Ao que ela, atormentada pelo álcool, respondeu:
- Você não merece nada; não me dá nada; não é homem para mim... Vá pro inferno!...
Quando o parceiro irresponsável, ferido e desprezado em seus desejos, levou a mão à faca enferrujada disposta em pequeno cômodo que servia de cozinha, sala e quarto, para irrefletidamente desferir um golpe sobre a mulher, a assustada criança olhou firme para os olhos injetados do padrasto e cantou, como pássaro desesperado e sem ninho de amor:
- Ó Jesus, nosso Senhor!... ensina pra ele que a caridade é nosso dever, em nome de Deus!... não deixa ele matar a minha mãe!...
Ao influxo das palavras sinceras e inspiradas do petiz, que mal sabia da vida, o agressor sentiu um golpe no peito, rodopiou sobre os pés e, de olhos arregalados, saiu para a rua, sem dizer palavra.
Esta, Almir - concluiu a experiente orientadora da infância - é uma história das muitas que existem por aí, sem desfecho trágico, graças à claridade de uma pequena lâmpada humana, acesa pela boa vontade dos que procuram seguir Jesus!
(Espírito Almir Fontoura-Notícias do Bem-Wagner G. Paixão)

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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Ante o Mundo e Jesus

O mundo pede socorro a Jesus.
Ele atende, porém, espera por nós.
O mundo apresenta a larga faixa dos necessitados de pão.
Jesus, entretanto, não se esquecendo destes, socorre também os que têm necessidade de luz.
O mundo roga paz, nos estertores de violência em que se debate.
Jesus transmite tranquilidade, todavia, emula todos a que nos auxiliemos na fraternidade.
O mundo suplica apoio, a fim de liberar-se das constrições do ódio e da loucura.
Jesus, no entanto, é recurso libertador, que propõe a paciência fraternal e o trabalho solidário entre as criaturas.
O mundo promove desespero e algaravia.
Jesus doa silêncio e fé.

Compara as incertezas no mundo e a segurança com Jesus.
Considera os impositivos de fora, no mundo, e as forças interiores que se haurem em Jesus.
Vive, no mundo; no entanto, nunca te apartes de Jesus.
Tua vida física, mesmo que se alargue por dezenas de anos-a-fio, defronta um momento em que cessa, conquanto a tua realidade espiritual com Jesus jamais terminará.
O mundo te leva a conquistas, mas, Jesus, quando conquista, faz que o homem se vença por dentro.
As vitórias externas esmaecem e passam, as íntimas se fortalecem e ficam.

Aprende com a luz. Após realizar o seu périplo, no Universo, depois de contornar a nossa hiperesfera, volve à fonte geradora, seu ponto de partida...
Ninguém, mesmo que o deseje, jamais fugirá da sua nascente divina...
Aproveita, portanto, hoje.
No duelo, mundo e Jesus, a tua será a opção da permanente angústia ou da promissora ventura.

Diante da moeda que trazia a efígie de César, respondendo à colocação maliciosa e venal do adversário gratuito, Jesus definiu a situação do contributo que cada um deve dar: "a César, o que lhe pertence e a Deus o que é dEle".
DEle, é a vida, e Jesus é o caminho único, mediante o qual lograrás alcançá-LO.
(Espírito Joanna de Ângelis-Alerta-Divaldo Franco)

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

                                                  Avisos do Além

O Doutor Flávio Pinheiro, dedicado médico espírita de Ibitinga, procurou-me.
- Richard, vim convidá-lo para um "ofício fúnebre".
- ?!
- Quero que "encomende minha alma", pronunciando oração antes do sepultamento. E peça ao pessoal para não me perturbar com lamentações e tristezas.
- Que é isso, Doutor! O senhor não morrerá tão cedo! Tem muitas dívidas a resgatar!...
- Sim, meu caro amigo, sou um grande pecador. Só que vou desencarnar assim mesmo. Devo submeter-me a delicada e inadiável cirurgia cardíaca, em São Paulo, e tenho certeza de que estou de partida para a Espiritualidade.
Embora censurando seu pessimismo, concordei em atender à insistente solicitação.
Alguns dias depois fui convocado ao cumprimento da promessa. O Doutor Flávio Pinheiro falecera em plena cirurgia.

O casamento seria simples, sem festa. Apenas a presença de familiares e poucos amigos. Dentre estes a jovem noiva fazia questão de um muito querido: Caetano Aielo, velho lidador espírita de Bauru.
- Quanto tempo falta? - indagou o convidado.
- Três meses.
- Ah! Então não será possível...
- Vai fazer desfeita?! Brigo com o senhor! Sua presença é indispensável! Cancele outros compromissos!
- Este compromisso não posso cancelar, minha filha. O "pessoal lá de cima" vem me intuindo que em breve partirei...
Dois meses depois Caetano Aielo, que não tinha nenhum problema de saúde, adoeceu e, em poucos dias, faleceu.

Temos aqui as famosas premonições. O indivíduo experimenta forte impressão quanto à iminência de um acontecimento (primeiro caso), ou sente-se informado a respeito dele (segundo caso).

Assim como muitos animais possuem determinados mecanismos que lhes permitem captar a proximidade de uma tempestade ou de um tremor de terra, antes que se manifeste, há pessoas dotadas de sensibilidade especial para prever ocorrências futuras. Isso é instintivo nelas.
Em relação à morte, a premonição é frequentemente disparada a partir da interferência de benfeitores espirituais, objetivando ajudar o candidato  ao desencarne e seus familiares. Embora possa ser assustadora, prepara psicologicamente as pessoas envolvidas em relação ao acontecimentos que não as colherão desprevenidas, nem se constituirão em surpresa chocante. 
Principalmente quando envolve desencarne trágico, como num acidente de trânsito, a informação premonitória é profundamente consoladora, permitindo à família compreender que não houve nada de fortuito, ocasional e, muito menos, indevido. Simplesmente cumpriram-se desígnios divinos, no instituto das provações humanas.
(Richard Simonetti-Quem Tem Medo da Morte?)

terça-feira, 26 de novembro de 2019

A Morte e o Espanto Geral

Sempre que uma pessoa famosa morre, ou desencarna, como diz a Doutrina Espírita, a grande maioria fica estarrecida. E os meios de comunicações são especialistas em fazer drama, em colocar lenha na fogueira, chocando seus espectadores.
Há poucos dias a dama da foice ceifou mais um famoso, gerando comentários de alguns colunistas do tipo "aproveitar" a vida, principalmente porque ele era rico e tinha 60 anos.
Na verdade, os desavisados lamentam a morte em qualquer idade. Para eles, um jovem não pode morrer, porque teria "um futuro pela frente", e as pessoas em geral nunca estão suficientemente velhas e prontas para o desencarne, deixando sempre seus familiares "órfãos" e seus amigos abandonados. "Ah! Ele deixou esposa e tantos filhos", mesmo tendo 80 ou 90 anos.
Lamentavelmente, assistimos neste planeta a ignorância suplantando a inteligência no que concerne ao fenômeno morte.
Temos a impressão que, embora tenham decorridos milênios com manifestações constantes e marcantes sobre a continuidade da vida, descrevendo milhares de fatos sobre manifestações dos ditos "mortos", entre todos os povos e em todos os continentes, uma grande parte da humanidade terrestre ainda insiste em colocar a morte física como o fim de tudo.
Ao que parece, existiu e ainda existe um complô contra o esclarecimento da criatura terrestre, para mantê-la deliberadamente na ignorância acerca do que ela é e do seu futuro.
Sabemos, através da Doutrina Espírita que inteligências perversas dominam o Umbral, a região trevosa do Mundo Espiritual, que influencia sobremaneira a vida dos encarnados.
E por que exercem tal influência? Porque simplesmente os habitantes deste orbe sintonizam com estes seres.
Entre a superfície da Terra, onde reencarnamos, e a dimensão espiritual, existe afinidade de gostos, de ideias. Por isso quando Allan Kardec perguntou aos Espíritos Superiores se os Espíritos influenciavam sobre nossos pensamentos e nossas ações, eles responderam, na Questão 459 de "O Livro dos Espíritos", que os Espíritos exercem uma influência muito maior do que imaginamos, chegando ao ponto de nos dirigir.
Não vamos aprofundar aqui a questão da evolução da criatura humana, contudo, é sempre bom lembrar que a Terra é um planeta de provas e expiações, onde estão criaturas que vêm evoluindo, cometendo inúmeros desatinos ao longo dos milênios, convivendo com outras criaturas desencarnadas em número quatro vezes maior do que os cerca de 8 bilhões de encarnados. Sim, são cerca de 30 bilhões de Espíritos que vivem no mundo espiritual, na atmosfera da Terra. 
No âmbito dos encarnados, todos os dias nos deparamos com pessoas de diferentes graus de entendimento, com diferentes gostos, com bizarrices, com sábios e com quasímodos, com pessoas boas e pessoas más, com posições políticas, com criminosos, etc., e por aí vai.
Estamos evoluindo mais materialmente, intelectualmente, do que moralmente. Por isso, tanta discrepância. Na própria Terra, temos pessoas mais e menos evoluídas, em contraste bem grande. Tudo para propiciar o progresso dos mais atrasados.
E a sabedoria divina onde entra?
As pessoas não acreditam em Deus? Não confiam no Criador?
Quantos exemplos de intercâmbio entre os seres de cá e de lá no Antigo Testamento!
E a mensagem do Cristo?
O maior representante de Deus aqui na Terra tratou destas questões e ainda retornou após ser morto no Calvário. E conviveu com várias pessoas. Lógico que com o corpo espiritual ou perispírito, como explica Allan Kardec.
Quantas pessoas "mortas", que chamam de fantasmas, já foram vistas em todos os cantos do mundo?
E ninguém acredita que a vida continua?
Sua mensagem, chamada de Evangelho, não está sendo levada a sério? Distorceram suas ideias?
Tudo indica que sim.
Temos a impressão de que as religiões seguiram por caminhos diferentes, bem distantes dos ensinos e exemplos do Cristo.
Depois de dois mil anos, é de se lamentar quanta ignorância a respeito do que somos, de onde viemos e para onde iremos.
Jesus falou que pediria ao Pai para enviar o Consolador, porque sabia que sua mensagem teria dificuldades de ser entendida.
Passados dezoito séculos, várias manifestações tidas como sobrenaturais, chamaram a atenção de muitas pessoas, em vários países. E o Professor Rivail foi chamado a estudá-las, na Europa. Assim nasceu a Doutrina Espírita, depois de muitas observações e informações obtidas junto aos que se comunicaram com inúmeros médiuns, e que o Professor Rivail, mais tarde, Allan Kardec, compilou e organizou em livros, criando, assim, uma doutrina codificada.
Desse modo, a partir de 1857, com a publicação de "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, tivemos acesso a inúmeras informações sobre a realidade do Espírito e as suas relações com o mundo material.
Na forma de perguntas e respostas, os Espíritos explicaram tudo o que a Humanidade estava preparada para receber e compreender, esclarecendo-a quanto  aos eternos enigmas de sabermos de onde viemos, por que estamos aqui, e para onde vamos, facilitando, assim, ao homem a compreensão dos mais difíceis problemas que o envolvem.
Luiz Alberto Cunha da Silva

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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

A Morte Não Existe

“Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (Paulo, I Corintios, 15:55)
Vivemos a vida toda iludidos com nosso corpo, com nossas coisas, sempre lutando para não perdê-las, com medo de sermos roubados, com medo da morte. Há milhares de anos que vivemos do mesmo modo, sendo mal orientados por  religiosos e até por desinteresse nosso mesmo, sempre querendo viver eternamente na carne e, pior, sem nada saber do outro mundo onde iremos morar. Com certeza, ninguém irá morar no cemitério, onde os micróbios desmancham os corpos de carne. Deus, que é Espírito, reservou para seus filhos, Espíritos, algo bem melhor.  Em geral, corremos da morte, achando que ela representa o fim de tudo. Na verdade, o fenômeno que aniquila o corpo físico, ao mesmo tempo libera o nosso Espírito que estava preso, como se estivesse numa gaiola, permitindo-nos retomar a liberdade a que faz jus todo o filho de Deus. A morte é chamada pelo Espiritismo de “desencarnação”, voltando a ter a liberdade de seres espirituais.

Sim, como somos filhos do Criador, não temos nada a temer, pois ele nos empresta tudo para vivermos aqui na Terra por alguns anos, retornando ao Mundo dos Espíritos assim que terminar o nosso prazo de experiências aqui no planeta. Como o Senhor da Vida nos empresta o corpo e tudo que possuímos, temos que devolver algum dia, deixando aqui mesmo tudo o que pertence a este mundo. É importantíssimo que tenhamos esta visão sobre a vida temporária na Terra e a vida eterna, infinita, no Mundo Espiritual. É crucial para nossa saúde que estudemos a Doutrina Espírita, para que obtenhamos as respostas sobre tudo o que diz respeito à reencarnação, sobre a vida no outro mundo e sobre o que Deus espera de nós aqui na Terra, quando, por algum tempo vivemos por aqui. 
Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, recebeu dos Espíritos Superiores a informação de que Jesus é o modelo e guia da Humanidade. Assim, ao estudarmos o Espiritismo, aprendemos claramente as lições de Jesus, que veio a este planeta para clarear o nosso caminho, ensinando que “toda lei e os profetas estão contidos no amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. 
Jesus deu a maior demonstração de que a vida continua, sendo morto e retornando com o Corpo Espiritual, isto é, com o Perispírito, materializando-se três dias depois de ter sido morto o seu corpo. Ele viveu materializado entre os seus discípulos por cerca de quarenta dias, provando que a morte não existe. 
Agora, nestes últimos séculos, mais desenvolvidos, podemos compreender o significado de que "há muitas moradas na Casa de meu Pai" e o diálogo com Nicodemos, quando Ele disse que “é necessário nascer de novo para conhecer o reino de Deus”, ou seja, que a reencarnação é Lei Divina, onde todos os Espíritos têm oportunidade de evoluir na matéria, sempre retornando à Pátria Espiritual.

sábado, 23 de novembro de 2019

                                             Mediunidade Gratuita

Os médiuns atuais – pois que também os apóstolos tinham mediunidade – igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos, para instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem  e conduzi-los à fé, não para lhes vender palavras que não lhes pertencem, a eles médiuns, visto que não são fruto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais. Deus quer que a luz chegue a todos; não quer que o mais pobre fique dela privado e possa dizer: não tenho fé, porque não a pude pagar; não tive o consolo de receber os encorajamentos e os testemunhos de afeição dos que pranteio, porque sou pobre. Tal a razão por que a mediunidade não constitui privilégio e se encontra por toda parte. Fazê-la paga seria, pois, desviá-la do seu providencial objetivo. Quem conhece as condições em que os bons Espíritos se comunicam, a repulsão que sentem por tudo o que é de interesse egoístico, e sabe quão pouca coisa se faz mister pra que eles se afastem, jamais poderá admitir que os Espíritos Superiores estejam à disposição do primeiro que apareça e os convoque a tanto por sessão. O simples bom-senso repele semelhante ideia. Não seria também uma profanação evocarmos, por dinheiro, os seres que respeitamos, ou que nos são caros? É fora de dúvida que se podem assim obter manifestações; mas, quem lhes poderia garantir a sinceridade? Os Espíritos levianos, mentirosos, brincalhões e toda a caterva dos Espíritos inferiores, nada escrupulosos, sempre acorrem, prontos para responder ao que se lhes pergunte, sem se preocuparem com a verdade. Quem, pois, deseje comunicações sérias deve, antes de tudo, pedi-las seriamente e, em seguida, inteirar-se da natureza das simpatias do médium com os seres do mundo espiritual. Ora, a primeira condição pra se granjear a benevolência dos bons Espíritos é a humildade, o devotamento, a abnegação, o mais absoluto desinteresse moral e material. 
A par da questão moral, apresenta-se uma consideração efetiva não menos importante, que entende com a natureza mesma da faculdade. A mediunidade séria não pode ser e não o será nunca uma profissão, não só porque se desacreditaria moralmente, identificada para logo com a dos ledores da boa sorte, como também porque um obstáculo a isso se opõe. É que se trata de uma faculdade essencialmente móvel, fugidia e mutável, com cuja perenidade, pois, ninguém pode contar. Constituiria, portanto, para o explorador, uma fonte absolutamente  incerta de receitas, de natureza a poder  faltar-lhe no momento exato em que mais necessária lhe fosse. Coisa diversa é o talento adquirido pelo estudo, pelo trabalho e, que, por essa razão mesma, representa uma propriedade da qual naturalmente lícito é, ao seu possuidor, tirar partido. A mediunidade, porém, não é uma arte, nem um talento, pelo que não pode tornar-se uma profissão. Ela não existe sem o concurso dos Espíritos; faltando estes, já não há mediunidade. Pode subsistir a aptidão, mas o seu exercício se anula. Daí vem não haver no mundo um único médium capaz de garantir a obtenção de qualquer fenômeno espírita em dado instante. Explorar alguém a mediunidade é, conseguintemente dispor de uma coisa da qual não é realmente dono. Afirmar o contrário é enganar a quem paga. Há mais: não é de si próprio que o explorador dispõe; é do concurso dos Espíritos, das almas dos mortos, que põe a preço de moeda. Essa ideia causa instintiva repugnância. Foi esse  tráfico, degenerado em abuso, explorado pelo charlatanismo, pela ignorância, pela credulidade e pela superstição que motivou a proibição de Moisés. O moderno Espiritismo, compreendendo o lado sério da questão, pelo descrédito a que lançou essa exploração, elevou  a mediunidade à categoria de missão.
A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente. Se há um gênero de mediunidade que requeira essa condição de modo ainda mais absoluto é a mediunidade curadora. O médico dá o fruto  de seus estudos, feitos, muita vez, à custa de sacrifícios penosos. O magnetizador dá o seu próprio fluído, por vezes até a sua saúde. Podem por-lhes preço. O médium curador transmite o fluido salutar dos bons Espíritos; não tem o direito de vendê-lo. Jesus e os apóstolos, ainda que pobres, nada cobravam pelas curas que operavam.
Procure, pois, aquele que carece do que viver, recursos em qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre, se assim for preciso, senão o tempo de que materialmente possa dispor. Os Espíritos lhe levarão em conta o devotamento e os sacrifícios, ao passo que se afastam dos que esperam fazer deles uma escada por onde subam. 
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXVI)