terça-feira, 1 de dezembro de 2020

 O Egoísmo

O egoísmo, ninguém o desconhece, consiste no “excessivo amor ao próprio bem, sem atender ao dos outros”.

É, por isso, considerado a pior chaga da Humanidade e o maior obstáculo ao reinado do Bem na face da Terra.

Inútil, porém, apenas malsiná-lo. Mais vale que o estudemos e saibamos como transformá-lo, conduzindo-o à sublimação.

Contrariando a Teologia tradicional, a Doutrina Espírita nos ensina (no que, aliás, é apoiada pela Ciência) que o homem surgiu neste mundo, não como criatura perfeita, que veio a decair depois por obra de Satanás, mas como um ser rude e ignorante, guardando traços fortes de sua passagem pela animalidade.

Criado, entretanto, à imagem e semelhança de Deus, possui, latentes, todos os  atributos da perfeição, inclusive o Amor, carecendo tão somente que os desenvolva.

A princípio, como é fácil de compreender, por força do atavismo e das condições hostis do ambiente, o homem tinha que cuidar apenas de si mesmo e, para sobreviver, precisava até lutar “contra os outros”. 

Com o decorrer dos tempos, civilizando-se um pouco, continuou em busca do próprio bem, tudo fazendo pelo conseguir, mas ainda “sem pensar nos outros”.

Mais tarde, aprendendo a proteger e a querer bem à companheira e aos filhos, começou a partilhar com outros as boas coisas que lograra adquirir, dando, assim, o primeiro passo no sentido da renúncia em favor de outrem. 

Posteriormente, impulsionado pela tendência para o Bem que lhe é inerente, foi estendendo sua estima e solidariedade aos companheiros de seu clã e, daí, por evolução, aos diversos grupos sociais de que faz parte: sua cidade, sua igreja, etc.

Dia virá em que, compreendendo melhor os postulados do vero Cristianismo, passará a interessar-se e a trabalhar para o bem-estar universal, por saber que, não obstante as diferenças de cor, credo, raça ou nacionalidade, todos somos irmãos, porque filhos do mesmo Pai Celestial.

Estabelecendo: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, Deus reconhece como natural e legítimo o amor de cada criatura a si mesma, por ser esse amor a base de todo o progresso humano e o alimento indispensável ao fortalecimento de nossa individualidade.

Não deve, todavia, estacionar aí, nas manifestações do egoísmo. À medida que formos tomando consciência de quanto é bom o Amor, devemos exercitá-lo no trato com nossos semelhantes, de sorte que, expandindo-se e purificando-se, venha a converter-se em altruísmo (amor ao próximo).

De início, não pode o homem imaginar qual a “vantagem” de amar o próximo, parecendo-lhe que todo e qualquer sacrifício pelo bem alheio importa em diminuição do próprio bem.

Aos poucos, porém, vai percebendo que o Amor é a Suprema Lei Divina e que, pelos desígnios da Providência, todo o Bem que fizermos aos outros volve para nós mesmos, duplicadamente, em bênçãos e alegrias.

Destarte, a Caridade, tão insistentemente pregada nos Evangelhos, longe de ser um “meio” de ganhar o paraíso, post-mortem, é a mais sábia filosofia de vida. 

Praticando-a, o homem espiritualiza-se, atinge os cumes da perfeição moral, fruindo no “dar” e no “dar-se” um gozo tão profundo, um prazer tão sublime, que escapa, por completo, à compreensão de quantos, embrutecidos, só experimentam satisfação no ato de receber.

A exemplo do Cristo Jesus, que, por muito amor a nós, desceu dos páramos de luz a este orbe tenebroso, a fim de ensinar-nos o caminho da Redenção, esforcemo-nos por “amar-nos uns aos outros”, tornando cada vez mais amistosas e fraternas as relações dos homens entre si.

Amar a Deus amando o próximo, esse o cabedal que nos cumpre conquistar e a razão de ser de nossa existências. 

Vivamos, pois por esse ideal, para que a paz e a felicidade façam morada em nossos corações!

(Rodolfo Calligaris-Páginas de Espiritismo Cristão)


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