Sofrimentos e Jesus
No processo da evolução, o sofrimento se destaca, adquirindo preponderância, face aos constrangimentos e esforços que impõe a fim de ser superado.
Predominando, nas paisagens terrestres, é ainda recurso de que se utilizam as Leis da Vida para frear a alucinação humana, retemperar o ânimo, aprimorar as arestas morais e trabalhar os metais das imperfeições que prevalecem em a natureza animal dos seres.
Atendessem às instruções do amor, e não haveria defecções, não surgiriam compromissos negativos, não ocorreriam abusos geradores de mecanismos de depuração por meio da dor.
Desatentos à “lei natural”, ao fenômeno do amor, os indivíduos agridem-se, deixando-se arrastar pelas opções do prazer fugidio, embrenhando-se no emaranhado das paixões primárias e fortes, nas quais se aturdem, permanecendo por largos períodos em desajustes aflitivos.
O sofrimento, disso resultante, propele-os a novas atitudes restauradoras da harmonia, ensejando-lhes um saudável campo de ação, no qual desenvolvem as aptidões inatas e aprimoram-nas com o cinzel do estudo, as ferramentas do trabalho edificante, os instrumentos da abnegação.
O sofrimento irrompe quando o amor recua, ou se entorpece, ou tomba, envilecido, pelos sentimentos torpes.
Certamente, há o sofrimento do amor, porém, em dimensão transcendente, qual o de Jesus pelas criaturas, pelas multidões inconscientes, que jornadeiam gerando aflições para si mesmas.
Por isso, a Sua compaixão prossegue infinita, e as dores que Lhe são infligidas permanecem como efeito do descaso geral ao Seu inefável amor.
Os miasmas gerados pelo pessimismo enfermam o ser, e as ondas morbificas das doenças orgânicas perturbam a mente, alteram a conduta, alucinam a alma.
Jesus conhecia em profundidade o problema das parasitoses psíquicas, das enfermidades degenerativas, e sabia como controlá-las.
Irradiando a Sua energia restauradora, modificava-lhes a estrutura, deixando, no entanto, ao enfermo os resultados futuros, como decorrência dos seus atos. Se pecaminosos, piores dores se propiciavam a si mesmos. Quando sadios, permaneciam em paz.
A saúde, portanto, resulta da harmonia entre o pensamento e a ação enobrecidos, numa perfeita identificação do espírito que cumpre o seu dever, e do corpo, por ele impulsionado, que lhe executa as ordens.
O sofrimento surge como efeito da desobediência, dos abusos, da agressividade, da prevalência do egoísmo em a natureza.
A Boa Nova, em decorrência, é toda um hino ao amor, ao dever, à vida, mediante a utilização correta dos fenômenos biológicos para a elevação do Espírito.
Traziam-Lhe os enfermos e pediam para que os deixasse tocar!
Suas vestes eram condutoras da bioenergia curadora, da força de restauração, como os fios que conduzem a eletricidade ou as ondas que portam as telecomunicações.
Um toque nEle, ou dEle, e a vida se modificava, alterando a estrutura e o comportamento.
Assim, todo sofrimento tem, em Jesus, o seu término e a oportunidade de mais amplas experiências libertadoras.
Sofrimento e Jesus - negação e afirmação da Vida, enigma e equação do ser.
(Espírito Amélia Rodrigues-Trigo de Deus-Divaldo Franco)
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