Remédio Mais Eficaz
Juvelina vivia aflita com queimação no estômago.
Todos os dias utilizava antiácidos que lhe davam breve alívio. No entanto, o coração da moça era revoltado pela mágoa que carregava.
Juventino, o namorado, a abandonara, trocando-a por outra. Por isso, sua vida se transformara. Sonhos desfeitos, esperanças de felicidade sepultadas. Juvelina se fechara na própria dor e, desde então, passara a dedicar-se aos antiácidos, como solução para os seus males do estômago.
Depois de vários anos sofrendo, atendendo a conselhos de amigos, procurou o médico do bairro para tratar dos males da barriga.
Atencioso e experiente, o doutor consultado explicou que os males físicos não podiam ser tratados em seus efeitos, apenas. Precisava-se procurar a causa que os originara, porquanto a constante ingestão de remédios para o estômago poderia produzir outros problemas.
- Come muita pimenta?
- Não, doutor.
- Toma muito café?
- Também não...
- E o tempero... usa muito vinagre, sal ou outras coisas?
- Nada disso, doutor...
- Tem raiva de alguém?
- Como é que é? - perguntou a mulher, assustada...
- Sim, dona Juvelina, tem raiva de alguma pessoa?
- Bem... raiva não é bem o termo... o senhor sabe como é... a gente passa por alguns problemas na vida...
Entendendo que Juvelina titubeava para se abrir, o médico afirmou:
- O sentimento ruim destrói o corpo, minha filha. Conte o caso para mim...
- Foi meu namorado, doutor. Depois de vários anos de convivência, me trocou por outra e me deixou como estou até hoje, sozinha.
- Você sofreu muito com isso, não é?
Retorcendo as mãos e segurando as lágrimas, Juvelina suspirou fundo e retrucou azeda:
- O senhor nem imagina quanto... minha vida se acabou...
Olhando para o corpo arquejado e o olhar abatido, o médico perguntou:
- Há quanto tempo a senhora vem sofrendo por essa causa?
- Trinta e dois anos, doutor...
Espantado com a revelação, o médico, compreensivo, escreveu a receita e entregou-a para a paciente que, agora, não continha mais o pranto.
Ao sair do consultório, Juvelina foi à farmácia para comprar o remédio, mas o atendente do balcão lhe devolveu a receita, dizendo que aquela medicação eles não possuíam no estabelecimento.
Foi então que a mulher atentou para o remédio pescrito.
Na receita grafada em letras bem legíveis, vinha a medicação:
490 gotas de perdão.......................................... 24 horas por dia.
Usar por 32 anos.
E, para ser mais claro, o médico acrescentou no rodapé:
Esta medicação foi indicada, originalmente, para ser usada na forma de 70 vezes 7. Para facilitar o uso, adaptei-a aos dias de hoje. Maiores esclarecimentos, procurar o Dr. Jesus de Nazaré em seu consultório localizado na Rua da Misericórdia.
Atenção: chegue cedo porque a consulta é de graça... mas a fila é grande!
(Espírito Bezerra de Menezes-Saúde do Espírito-André L. Ruiz)
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