segunda-feira, 27 de setembro de 2021

 A Dor do Outro


Viajores da Eternidade, deslocando-nos em velocidade vertiginosa pelo Infinito, a bordo da nave Terra, tranquila seria nossa jornada se exercitarmos amor.

Jesus, que amou intensamente, legou-nos a fórmula ideal:

“Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o assim também a eles”.

Quando, num prodígio de entendimento e harmonização, todos os homens seguirem essa orientação, teremos a mais espantosa revolução na sociedade humana. 

Cessarão os desníveis sociais absurdos que fazem a vergonhosa convivência entre a miséria e a opulência…

Acabaremos com a fome e a desolação…

Ninguém se sentirá feliz em casa confortável, com belo guarda-roupa e sortida despensa, enquanto existirem multidões que não têm onde morar, nem o que vestir, nem o que comer…

Inibindo o amor há o velho egoísmo humano, que nos leva a racionalizações para justificar a omissão diante dos pobres de todos os matizes.

São eleitos de Deus, que lhes impõe males e privações para conduzi-los ao Céu - explicam muitos religiosos…

Estão resgatando débitos cármicos - dizem muitos espíritas…

Madre Teresa de Calcutá, a grande servidora do Cristo, comenta sabiamente:

“Falar sobre os pobres está em moda, mas conhecer, amar e servir aos pobres é coisa bem diferente”.

Talvez consigamos algo nesse sentido se cultivarmos um pouco de compaixão; se, diante das misérias humanas, “a gente ter dó”, como se diz popularmente.

Compadecendo-nos venceremos o imobilismo e talvez sejamos até capazes de vivenciar o amor, cujo melhor sinônimo, aquele que melhor o explicita, é o verbo servir.

A propósito, diz um sábio judeu que aprendeu o verdadeiro amor ao próximo ouvindo a conversa de dois aldeões:

Dizia o primeiro:

  • Diga-me, amigo João, você gosta de mim?

  • Claro! Sou seu amigo. Gosto muito de você.

  • Você sabe, amigo João, o que me dói?

  • Ora, como posso saber o que lhe dói?

  • Mas, João, se você não sabe o que me dói, como pode dizer que gosta de mim?


Conclui o sábio:

“O verdadeiro amor ao próximo consiste em saber o que dói no outro”.


De lição em lição aprendemos o que é o amor.

Um dia nos disporemos a exercitá-lo.

Então, o Universo não terá segredos para nós.

Seremos parte dele, integrados no infinito amor de Deus. 

(Richard Simonetti-A Presença de Deus)


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