A Dor do Outro
Viajores da Eternidade, deslocando-nos em velocidade vertiginosa pelo Infinito, a bordo da nave Terra, tranquila seria nossa jornada se exercitarmos amor.
Jesus, que amou intensamente, legou-nos a fórmula ideal:
“Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o assim também a eles”.
Quando, num prodígio de entendimento e harmonização, todos os homens seguirem essa orientação, teremos a mais espantosa revolução na sociedade humana.
Cessarão os desníveis sociais absurdos que fazem a vergonhosa convivência entre a miséria e a opulência…
Acabaremos com a fome e a desolação…
Ninguém se sentirá feliz em casa confortável, com belo guarda-roupa e sortida despensa, enquanto existirem multidões que não têm onde morar, nem o que vestir, nem o que comer…
Inibindo o amor há o velho egoísmo humano, que nos leva a racionalizações para justificar a omissão diante dos pobres de todos os matizes.
São eleitos de Deus, que lhes impõe males e privações para conduzi-los ao Céu - explicam muitos religiosos…
Estão resgatando débitos cármicos - dizem muitos espíritas…
Madre Teresa de Calcutá, a grande servidora do Cristo, comenta sabiamente:
“Falar sobre os pobres está em moda, mas conhecer, amar e servir aos pobres é coisa bem diferente”.
Talvez consigamos algo nesse sentido se cultivarmos um pouco de compaixão; se, diante das misérias humanas, “a gente ter dó”, como se diz popularmente.
Compadecendo-nos venceremos o imobilismo e talvez sejamos até capazes de vivenciar o amor, cujo melhor sinônimo, aquele que melhor o explicita, é o verbo servir.
A propósito, diz um sábio judeu que aprendeu o verdadeiro amor ao próximo ouvindo a conversa de dois aldeões:
Dizia o primeiro:
Diga-me, amigo João, você gosta de mim?
Claro! Sou seu amigo. Gosto muito de você.
Você sabe, amigo João, o que me dói?
Ora, como posso saber o que lhe dói?
Mas, João, se você não sabe o que me dói, como pode dizer que gosta de mim?
Conclui o sábio:
“O verdadeiro amor ao próximo consiste em saber o que dói no outro”.
De lição em lição aprendemos o que é o amor.
Um dia nos disporemos a exercitá-lo.
Então, o Universo não terá segredos para nós.
Seremos parte dele, integrados no infinito amor de Deus.
(Richard Simonetti-A Presença de Deus)
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