Questões em Torno do Senhor
A epopeia em torno do nascimento terrestre de Jesus reveste-se de grande beleza poética, de matutino frescor e de fascinante simbolismo, que são capazes de nos ensejar os mais largos descortinos e as mais profundas lições a respeito dessa vida ímpar, que, um dia, iluminou a Humanidade como um astro de mirífica radiância.
Por que motivo o Rei Solar desejou chegar ao mundo corpóreo nos braços da simplicidade e da pobreza material?
O que levou o Celeste Guia a optar por uma infância sem alvoroço social, vivida no bojo de uma família singela e digna, no calor afetivo de uma jovem tecelã e de um maduro carpinteiro?
Por que o Mestre da Galileia adentrou a juventude biológica desprendido dos enredos que costumam entusiasmar os moços, deixando-se levar, isso sim, pelas vias inefáveis da divina inspiração que lhe falavam dos compromissos trazidos para a Terra?
O que fazia com que o Bom Pastor se expressasse sempre como quem no mundo estava para atender à vontade superior de Deus, Seu e nosso Pai do Céu?
Por que o Rabi gostava de estar entre as gentes simples, entre os homens e mulheres que não desfrutavam de luzentes lastros sócio-econômicos, ainda que jamais tenha desdenhado ou diminuído os abastados da Sua época?
Por que fez questão de se afirmar como Mestre para os que O seguiam, embora renunciasse à classificação de homem bom, alegando que somente o Pai Celeste era bom?
Por que vinculou a Sua imagem da "água viva" e à do "pão da vida", capazes de saciar toda a sede e toda a fome da Humanidade?
Por que se autodenominou "Médico das almas", como se fizesse questão de desconsiderar a importância dos corpos materiais?
Por que propôs o amor como a regra de ouro, portadora das devidas condições para salvar os indivíduos das emboscadas que o egoísmo costuma forjar, a fim de fazer com que se percam as almas?
Compreendendo os Motivos do Senhor
É incalculável a soma de efeitos positivos e de consequências venturosas em virtude de todos esses posicionamentos do Celeste Amigo. Tudo quanto disse e tudo quanto fez teve o poder de indicar o campo das reais necessidades da alma humana, apontando o canhenho das suas pelejas e as áreas em que Ele atuaria ao longo do périplo solar que deveria realizar por sobre a comunidade terrena.
Era importante que Ele chegasse num berço simples e pobre, para demonstrar que a alegria, indispensável à vida, independe das coisas que excitam os sentidos, que provocam a ambição, geradoras de ansiedade e sofrimentos, quando tudo de que necessitava estava ao Seu alcance: o amor dos pais, o regaço de mãe e a luz de uma estrela.
Devia atravessar uma infância modesta, longe dos "spotlights" de quaisquer tipos, a fim de estabelecer que é no período infantil que a criança mais precisa de silêncio a sua volta, para que possa ouvir as paternais orientações, sem as interferências prejudiciais do tumulto, quando, então, sedimentará os valores da educação de base, embora Ele tivesse chegado ao chão do mundo sob o foco de uma estrela.
Em razão dos valores acrisolados em Seu âmago, a juventude tranquila, equilibrada, recolhia no consciente os influxos dos deveres que precisava atender em Sua curta existência planetária, sem lançar fora o ensejo de atuar consoante a vontade do Pai Maior. Essas disciplinas da alma engrandecida pelas experiências trabalhadas ao longo dos milênios tinham, na humildade, a filha primogênita do amor. E foi graças à humildade que Ele, ao invés de tentar afirmar-se Mestre, sem vanglória, sem exibicionismo, sem falsa modéstia, mas com a grandeza espiritual de quem reconhece as dimensões do próprio labor, ao qual se acha vinculado na encarnação.
A mesma humildade fê-Lo admitir que era o Médico das almas, a água viva e o pão da vida, numa época em que as criaturas já apresentavam os sinais das suas mais prementes necessidades, quando mostravam-se sedentas e famintas de algo mais intenso e veraz do que a água da fonte e o pão amassado pelas mãos humanas. O povo, de mil modos enfermo, não sabia a quem procurar para o indispensável tratamento, tampouco como se tratar em meio a tamanha ignorância.
Jesus identificava nas pessoas simples o estuário em que o amor divino encontra mais facilidade para medrar, para espalhar-se em outras direções. Costumam mostrar-se sem atavios, completamente desarmadas, cheias dessa confiança que nos permite ser como os pequeninos aludidos pelo Mestre, algures. Assim, era comum encontrá-Lo bem mais na convivência desse tipo de criaturas, sem que ignorasse as exceções abençoadas que se podem ver no mundo entre as multidões.
Era Ele aquele que ensinava, não apenas para que soubéssemos caminhar com segurança sobre o mundo, como nos auxiliava a abrir, desse modo, as vias de acesso ao Reino dos Céus ínsito na alma. Com Seus ensinamentos e vivências, eram desfeitas a sede e a fome que desnorteiam o ser espiritual, costumeiramente, o que nos faz entender a condição de Jesus no Seu papel de alguém que trata do ser integralmente, da inteligência cognitiva, da inteligência do sentimento, e que se lhe oferece na posição de água e de pão inesgotáveis, ajudando-nos a alcançar a saúde verdadeira para desempenhar nossos compromissos sob os céus.
E porque Deus é amor, conforme asseverou o Evangelista João, e se necessitamos chegar ao Pai por meio das orientações estabelecidas pelo Nazareno, é no amor que Ele alicerçará a grande construção do Espírito Imortal, a fim de que este logre ser feliz.
(Espírito Camilo-No Rumo da Sublime Estrela-Raul Teixeira)
(Espírito Camilo-No Rumo da Sublime Estrela-Raul Teixeira)
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