Magos
"Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém..." (Mateus, 2, 1-12)
Apontamentos do apóstolo Mateus dizem que vieram "uns magos" do Oriente a Jerusalém, enquanto Lucas narra que havia naquela região "pastores" que viviam nos campos, onde guardavam seu rebanho. Os únicos evangelistas que relatam o assunto não se referem a "três reis", de acordo com o que propõe a cultura popular.
A Doutrina Espírita dispensa os números cabalísticos e as fantasias que tanto agradam aos seres espiritualmente mais jovens, mas que, na trajetória do tempo, a dor e a razão desfazem como nevoeiros aos primeiros raios do sol nascente.
De fato, não foram "reis", nem "três", aqueles seres que registraram, em e visão, a mensagem excelsa que anunciava a presença na Terra do grande Salvador, de conformidade com o que rezavam as Escrituras.
Se "mago" é sinônimo de "profeta" ou "médium", conclui-se ter sido mediúnica a visão que os magos ou os pastores tiveram. De forma alguma poderia ter sido cometa ou corpo físico, mesmo porque todo o povo de Jerusalém teria participado da visão, deixando, pois, de ser exclusiva dos pastores ou dos magos. Além do mais, um corpo físico ou cometa não poderia afastar-se de sua órbita, a fim de acompanhar os magos até a manjedoura, "parando sobre onde estava o menino".
Todavia, não basta ser médium ou mago para obter mensagens ou visões de seres espiritualmente superiores. Outros magos existiam à época, inclusive no palácio de Herodes, como existem na atualidade, apesar dessa condição, não conseguem o exercício regular da mediunidade com entidades de nível superior.
De acordo com princípios elementares da mediunidade, à luz da Codificação, não basta que o médium seja portador de elevado índice de percepção, uma vez que Espíritos Superiores somente mantêm vínculos mediúnicos normais com médiuns de elevada condição moral.
Além dos fatores mediúnicos, considere-se ainda como "visão espiritual" o entendimento de cada ser, no domínio dos valores espirituais, fato que levou Simeão e Ana a identificarem o Cristo, quando os pais O conduziram ao templo, no oitavo dia, para a consagração, de conformidade com os postulados do Judaísmo.
É por ausência desse entendimento ou dessa propriedade de visão que os fariseus, embora dotados de significativa cultura, não conseguiam identificar, na figura excelsa do Cristo, o grande Esperado, mesmo em face das curas que diariamente realizava, porque ainda assim pediam que Ele manifestasse um sinal do Céu, não obstante os inúmeros que realizava na Terra.
O terceiro item a merecer análise cuidadosa é a orientação dos Espíritos, visando à localização e à identificação do Cristo. Eis o sinal, disseram eles: "Encontrareis o menino numa manjedoura".
Enquanto os príncipes do mundo nascem em palácios, sob ruidosa preocupação de todo o povo, o príncipe de Deus nasce, sob o silêncio das estrelas, em singela estrebaria.
Lucas narra que os pastores, guiados pela estrela, dirigem-se ao local indicado, onde localizam o Cristo. Mateus, afirma, porém, que os magos se dirigem à Jerusalém e a Herodes, pedindo notícias do menino.
Idêntico tem sido o comportamento das criaturas em sua trajetória terrena. Dotadas do livre-arbítrio, nem sempre demandam os caminhos que conduzem diretamente à manjedoura, atendendo como os pastores à orientação da estrela. A maioria prefere ainda excursionar pelas veredas dos reinados materiais, à semelhança dos magos, atém que amargos desenganos ensinem que "os herodes não têm notícias do Cristo". Não é, pois, por falta de orientação ou clareza da mensagem espiritual, mas por ausência de visão, entendimento, interesse ou maturidade espiritual que se retarda o encontro com o Cristo, considerando que Ele se encontra sempre com os que sofrem, e espera as criaturas, na manjedoura humilde dos corações, onde aguarda igualmente o incenso e o perfume dos sentimentos mais puros.
Continuando o processo de orientação, os magos são avisados em sonho, para não retornarem a Herodes, recordando, com isso, que os seres que já localizaram o Cristo não devem retornar aos caminhos do pretérito.
Na escola planetária, todos os seres podem ser considerados pastores ou magos em cuja evolução os superiores espirituais estão sempre empenhados. Para tanto, usam dos recursos mais variados, tais como os aqui enumerados, nunca esquecendo o hino de glória a Deus e os votos de paz aos homens de boa vontade.
(João Moutinho-Conquista do Reino)
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