domingo, 5 de julho de 2020

Presença Invisível

"Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?"
"Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem". ("O Livro dos Espíritos", questão nº 459, Allan Kardec)

Um dos problemas mais sérios da existência humana é a influência exercida por Espíritos perturbados ou perturbadores.
Embora revestindo essa realidade com o manto da fantasia, o que deu origem à figura mitológica do demônio, todas as culturas religiosas, desde a mais remota antiguidade, reportam-se a ela.
A Doutrina Espírita, que tem o grande mérito de mostrar-nos como é o vasto continente espiritual, além-túmulo, oferece-nos informações preciosas, que nos ajudam a enfrentá-la com serenidade, sem maiores problemas.
Como ponto de partida ficamos sabendo que essa influência não é exercida por supostos seres infernais, devotados ao mal eterno. São apenas homens desencarnados, ou as almas dos mortos, agindo fora da carne de conformidade com as tendências que cultivaram enquanto encarnados, mas submetidos todos a leis inexoráveis de evolução, que mais cedo ou mais tarde os conduzirão aos roteiros do Bem, já que para isso fomos criados e Deus não falha jamais em seus objetivos. 
A presença desses Espíritos se faz sentir em nós na forma de sentimentos, ideias, sensações e desejos que nos envolvem sutilmente, sem que saibamos definir com exatidão sua origem.
Uma tristeza repentina, um inesperado envolvimento passional, intraduzível ansiedade, impulsos agressivos, ideias negativas, sensações desagradáveis, impertinentes males físicos - tudo isso pode estar associado à presença de Espíritos que se aproximam, atendendo a variadas motivações.
Pode tratar-se, como ocorre frequentemente, de simples náufrago do Além, que precisa de socorro. Raras pessoas têm um retorno tranquilo à Vida Espiritual. Falta-lhes conhecimento e, sobretudo, preparo. Ligam-se tão intensamente aos interesses materiais (como se fossem permanecer eternamente na carne), que ao desencarnar não apresentam a mínima condição para reconhecer onde estão e o que lhes compete fazer, como atordoado sobrevivente de um naufrágio em ilha desconhecida. 
Considere-se que o Plano Espiritual, a morada dos Espíritos, não é um compartimento estanque, a distância das cogitações humanas. Ele é tão somente uma projeção do plano físico. Começa exatamente aqui, onde estamos e aqui ficam aqueles que, libertando-se dos laços da matéria pelo fenômeno da morte, situam-se presos às ilusões humanas. 
Espíritos assim podem permanecer no próprio lar, ao lado dos familiares. Ignorando sua nova condição, solicitam ajuda e se exasperam ou desesperam ao sentir que não são atendidos.
Se na casa há alguém com razoável sensibilidade psíquica, passa a colher algo das angústias e perplexidades do desencarnado e, não raro, sensações relacionadas com os sintomas da doença que motivou o seu falecimento.
Dá-se o nome de obsessão ao domínio mental exercido por um Espírito desencarnado sobre alguém. Situações como a que descrevemos, configuram uma obsessão pacífica, já que o "morto" não pretende dominar ninguém e exerce sua influência sem noção do que faz, dos transtornos que ocasiona. 
O tratamento não é difícil. Normalmente a simples frequência daquele que sofre a influência ao Centro Espírita é suficiente, porquanto o desencarnado tenderá a acompanhá-lo, recebendo recursos de esclarecimento e ajuda mobilizados pelos benfeitores espirituais. 

Este tipo de envolvimento pode partir de um Espírito desconhecido que, em idêntica situação de perplexidade e sem ter a quem recorrer, aproxima-se de nós, como o acidentado que pede socorro à primeira pessoa que lhe surge à frente.
O empenho por compreendermos os mecanismos que envolvem as relações entre os Espíritos encarnados e desencarnados, habilita-nos a prestar ajuda a esses companheiros desajustados, sem nos deixarmos envolver por seus desajustes. 
(Richard Simonetti-Uma Razão Para Viver)

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