Carência de Estudo
O senhor Florentino Silveira era espírita há muitos anos. Dedicado amigo dos sofredores. Sincero. Grande disposição ao serviço do bem. Entretanto, nutria verdadeiro pavor pelas reuniões de estudos doutrinários. Não as frequentava sob pretexto algum.
Após os trabalhos práticos de quinta-feira, o amigo Borges ponderava a situação:
Silveira, compareça às reuniões de estudo. É preciso estudar para compreender a religião que abraçamos.
Deus me livre de letrados - respondia o outro - Nada de letras e livros. Fico cá com minhas ignorâncias!
Entretanto, Silveira - insistia o Borges - o Espiritismo é a Doutrina da fé raciocinada e convida-nos ao estudo e ao entendimento. Urge entendê-lo para não traí-lo nas atitudes. Pense bem.
Nesse momento, aproxima-se humilde senhora trazendo um vidro de remédio na mão. Fala aos dois. Estivera no ambulatório do Centro, pela manhã, e pegara o remédio. Contudo, ao tomá-lo, sentira-se muito mal. Pedia explicações. Ambos se prontificaram a ajudá-la e descobriram que se tratava de loção para usar na pele e a pobre senhora, por não entender, havia ingerido o líquido.
Borges, lampejado por súbita inspiração, aproveitou a hora e arrematou:
Aí está, Silveira, o que pode a ignorância. Quanta gente boa, por não estudar a Doutrina Espírita, tem-na colocado justamente onde não devia estar.
(Espírito Hilário Silva-Histórias da Vida-Antônio Baduy Filho)
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