domingo, 5 de janeiro de 2020

                                                                    Ingenuidade

Estava "a perigo".
Precisava, urgentemente, de dinheiro.
Após "passar nos cobres" objetos de uso pessoal e variados pertences, decidiu vender algo menos palpável. 
A própria alma!
Anunciou num site de leilões da Internet e, pasme leitor amigo, encontrou comprador!
Vendeu a indigitada por trinta e um dólares. Foi entregue acondicionada numa garrafa, devidamente tampada.
Moral da história: jamais perderemos dinheiro, apostando na ingenuidade humana. Sempre há alguém disposto a pagar pelo absurdo.
Esta curiosa história lembra um dos grandes clássicos da literatura universal: Fausto, de Goethe, em que o personagem-título vende sua alma ao demônio.
O tinhoso dispôs-se a atender seus desejos na Terra para tiranizá-lo no Além.
Segundo a teologia ortodoxa, demônios são anjos que pecaram antes da criação de Adão, condenados ao inferno.
Conservando a inteligência e os poderes angelicais, passaram a empregá-los para exercitar o mal, procurando induzir à perdição nós outros, pobres mortais, alheios às suas desavenças com o Todo-Poderoso. 
Os anjos rebelados têm produzido estragos, sempre dispostos a "comprar" as almas, explorando as fraquezas humanas. 
É fácil constatar isso.
Basta observar o panorama desolador de nosso mundo. Sucedem-se, incessantes, guerras, crimes, vícios, mentiras, traições, envolvendo indivíduos e coletividades, perpetuando desajustes e dores.
Tem-se a impressão de que os demônios são mais poderosos do que Deus, pondo em dúvida atributos divinos como:
* Onisciência.
Criou anjos sem saber que iriam se perder, nem que induziriam os homens à perdição.
* Onipotência.
Não conseguiu evitar que se perdessem.
* Misericórdia.
Não lhes ofereceu infinitas oportunidades de reabilitação.
* Justiça.
Impôs-lhes eterna danação, sem considerar que a extensão da pena não pode ultrapassar a natureza do crime.

A Doutrina Espírita desfaz milenares enganos a respeito do demo.
Não há seres devotados ao mal perene.
Há apenas filhos rebeldes de Deus, submetidos a leis inexoráveis de evolução, que mais cedo ou mais tarde modificarão suas disposições, reconduzindo-os aos roteiros do Bem.
Afirma Jesus que Deus não pretende perder nenhum de seus filhos (João, 6:39)
E não perde mesmo, ou não seria o Onipotente.
Os demônios de hoje serão anjos amanhã.
Séculos de lutas e sofrimentos, no desdobramento de inexoráveis experiências evolutivas, porão juízo em suas mentes conturbadas.
Em última instância, diabos somos nós, quando nos comprometemos com o mal.
"Vendemos" nossa integridade por ninharias, aos demônios interiores da cobiça, da ambição, do vício, dos prazeres sensoriais, e perdemos o rumo da vida.
Arremedos do gênio da lâmpada de Aladim, cerceamos voluntariamente nossas potencialidades de filhos de Deus, ao nos tornarmos meras "almas em conserva", voluntariamente prisioneiros de reluzentes e comprometedoras paixões.
(Richard Simonetti-Abaixo a Depressão) 

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