Este é o Momento
A cada passo na trajetória da vida, somos defrontados por desafios e problemas para os quais desejaríamos outra hora para enfrentá-los.
Falamos sempre que as dificuldades estão chegando no momento inadequado ou que não estamos preparados para elas.
Da mesma forma, desperdiçamos grandes oportunidades junto a entes amados porque imaginamos que estaremos sempre ao lado deles.
Adiamos o momento da felicidade e de sua vivência sempre para um dia no futuro que não permitimos se concretize porque, quando volta a ocorrer, novamente não nos encontramos preparados para desfrutá-lo como deveríamos.
Gestos de afeto adiados para o outro mês. Conversas fraternas substituídas por tolices sociais que não modificam para melhor o panorama de nossas vidas. O crescimento dos filhos que se perde no cipoal das preocupações menores.
Corações que se necessitam no afeto compartilhado, mas que se mantêm famintos porque não se alimentam nem se oferecem, pois agora está cheio de exigências que impedem um ato de amor, um momento de afetividade, uma demonstração de sentimento.
Filhos que deixam os pais velhinhos longo tempo sem serem visitados, sem conhecer-lhes as necessidades materiais e emocionais, desculpando-se com a "correria da vida". E, no entanto, esta "correria da vida" não os impediu de frequentarem clubes, irem a festas, distraírem-se com jogos, participarem de torneios sociais absolutamente inúteis para as coisas do coração.
Pais que se envolvem em rotinas estressantes com a desculpa de que precisam sempre de mais e mais recursos para o bem-estar dos próprios filhos e, assim, não percebem que os pequenos já estão nas fases difíceis do amadurecimento da adolescência, buscando o aprendizado fora do lar, nos conceitos equivocados de amigos mal intencionados ou mal orientados.
Cônjuges que se entregam a uma rotineira forma de viver na qual a união se transforma numa justaposição de corpos sem qualquer aproximação interior dos corações, sob o argumento de que estão muito ocupados com o desenvolvimento de suas atividades profissionais, com o investimento em suas próprias carreiras, para o progresso da família e para o benefício deles mesmos, permitindo-se viverem juntos em plena solidão.
Se é verdade que para as dores e os sofrimentos é natural que nos julguemos sempre despreparados para enfrentá-los e que deveriam se apresentar em outra hora uma vez que a ninguém é agradável a dificuldade e o desafio, por que o ser humano se comporta da mesma maneira para com todas as coisas que diz que ama e com que se importa porque lhe causam alegria?
Por que não visitam os pais envelhecidos mais vezes? Por que não brincam com os filhos enquanto estão crescendo, todas as semanas? Por que não se tratam com afeto dentro do lar e aproveitam os momentos de descanso dos problemas da vida para se sentirem queridos, mutuamente?
Se as coisas pudessem ser vividas no seu momento devido, os funerais e os velórios não estariam cheios de consciências culpadas, acusando-se de não terem feito tudo o que poderiam e deveriam ter feito.
Por que não fui mais vezes vê-los? Ah! Se eu tivesse estado por perto meu filho não teria estado nesse acidente e morrido tão jovem...! Como eu vou viver agora sem ela em minha vida?...
Todas são perguntas envolvidas pelas lágrimas amargas vertidas à boca do caixão, diante de uma realidade que, naquele momento se impõe para ser vivida, sem poder ser adiada.
Não nos esqueçamos que o momento é agora e que, se perdermos a oportunidade, as consequências de tal descaso serão recolhidas como lágrimas e amarguras por não termos desfrutado das alegrias que estavam ao nosso lado sem que as valorizássemos.
Depois que tudo passa, nem fotografias, nem relíquias, nem objetos pessoais são capazes de trazerem de volta a mesma sensação que a pessoa que partiu nos causaria se tivéssemos valorizado a sua presença junto de nós.
Vivamos como se hoje fosse o último dia. Como se não fôssemos nos encontrar mais a partir de amanhã. Façamos todas as coisas, demonstremos todos os nossos sentimentos e digamos aos que nos cercam como nos fazem bem. Deixemos que as pessoas sintam que são importantes para nós e que nos importamos com elas além das meras aparências.
O momento é agora!
Deixá-lo passar é sempre um risco de nos arrependermos amargamente e de descobrirmos que as criaturas eram muito mais importantes em nossas vidas do que nós mesmos supúnhamos.
E que, depois que as perdemos, todas as outras coisas que nos circundam perdem o brilho, seu sentido, seu valor como se a criatura que se ausentou levasse consigo o significado ou até mesmo a lógica da nossa própria vida.
Arrepender-se, depois, das coisas que não fizemos é uma constatação amarga tanto da nossa própria falha quanto de que poderíamos ter sido felizes naqueles tempos em que reclamávamos da infelicidade.
E quando se fala da perda de oportunidades, não há outro exemplo mais significativo do que a da passagem do Divino Mestre por nossas vidas e o momento em que volta à Pátria Espiritual, como descreve Mateus em seu Evangelho, 27, 50-54:
"E Jesus, bradando novamente em alta voz, expirou.
Eis então que o véu do Templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. A terra abalou-se. As rochas partiram-se. Os sepulcros abriram-se e muitos corpos de santos, que tinham morrido, ressuscitaram. E saindo das sepulturas depois da ressurreição dele, entraram na Cidade Santa e apareceram a muitos.
O centurião e os que com ele estavam montando guarda a Jesus, ao verem o terremoto e tudo o que sucedia, tiveram pavor muito grande e diziam:
Verdadeiramente este era filho de Deus".
.... E, no entanto, tinham deixado passar a oportunidade, tinham acabado de matar seu corpo, injustamente.
( Espírito Públio-Jesus no Teu Caminho-André L. Ruiz)
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