segunda-feira, 6 de abril de 2020

Judas

Hoje, mais do que todos os trezentos e sessenta e cinco dias do ano, a Humanidade dita cristã, relembra Judas Kerioth, o discípulo equivocado e incompreendido. 
Demonstram os responsáveis pelas igrejas que por aí pululam, ignorância e falta de misericórdia, por uma criatura que, em certo momento da História, agiu com sua visão política objetivando a libertação de seu povo, mas que foi enganado pelos sacerdotes dirigentes da nação israelita.
Os dirigentes religiosos de hoje muito se assemelham aos integrantes do Templo de Jerusalém, pois, muitos além de negociar o Cristo de todas as formas, não aprenderam, e por isso não ensinam a seus profitentes, a grande lição do perdão que Ele nos deixou no Evangelho. 
Nas páginas da Boa Nova e, especificamente no "Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, capítulo X, encontramos como título principal, "Bem-aventurados os que são misericordiosos". Ressaltam deste capítulo as máximas, "Perdoai para que Deus vos perdoe" e "Não julgueis para não serdes julgados". 
Por séculos, os dirigentes destas igrejas têm ignorado estes ensinos, que continuam lá, em todos os Evangelhos, mesmo tendo sido adulterados. Porém, na essência, todos os Evangelhos mantêm o pensamento de Jesus. 
E as pessoas em geral, como rebanho, seguem cegamente essas religiões, sem maiores indagações. 
Com o advento do Espiritismo, doutrina racional que foi trazida para a Terra pelos Espíritos Superiores e organizada por um professor, não religioso, já com o propósito de ficar longe do clero comprometido com as coisas do mundo, alargaram-se os nossos horizontes de forma tão enriquecedora, que as próprias pessoas que viveram a história retornam para nos relatar as suas óticas dos fatos.
E o próprio Espírito Judas diz-nos, em encontro com o Espírito Humberto de Campos, porque agiu daquela maneira e a falta de cumprimento do acordo que fez com os sacerdotes do Templo, como também as várias experiências que teve nas reencarnações seguintes, realizando sua purificação no século XV, quando foi traído, vendido e usurpado, tendo sido queimado numa fogueira por ordem da malfadada Inquisição.
Vejam que o Espírito Judas cresceu, evoluiu, como todos os filhos de Deus caminham para a plenitude espiritual, aproximando-se do Criador. Ele não ficou estagnado, esperando o tal dia do Juízo... 
E aqui na Terra, muitas pessoas por ignorância, tratam-no por criatura repugnante e seguem apedrejando-o, sem refletir, se podem atirar a primeira pedra...
Sei que, para muitos, escrever aqui nas mídias que o próprio Cristo, logo após ter sido morto na cruz, foi ao encontro de Judas, que havia se suicidado, nas regiões de sofrimento do Mundo Espiritual, para dar-lhe apoio e dizer-lhe que não o condenava, que ele teria o futuro para redimir-se, soa como algo insano. 
É que, por enquanto, muitas pessoas aqui na Terra são do tipo que, "mesmo vendo, não acreditam", ou seja, não têm "olhos de ver", nem "ouvidos de ouvir".

Luiz Alberto Cunha da Silva

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