quinta-feira, 18 de junho de 2020

O Carvoeiro

O carvoeiro era respeitado em seu meio.
Homem sério.
Conduta íntegra.
Trabalhador correto.
Conversa sincera.
Atitudes educadas.
Opiniões sensatas.
Bom chefe de família.
Companheiro leal.
Entretanto, o trabalho áspero e a vida sofrida alteraram-lhe as feições.
Queimaduras no rosto.
Olhos vermelhos.
Pele encardida.
Cicatrizes no corpo.
Mas, apesar de sua conduta responsável, o carvoeiro, quando esteve na cidade para as compras, foi barrado pelos seguranças na porta do estabelecimento comercial, sob a alegação de que sua aparência não recomendava a entrada no recinto.

Situação semelhante pode acontecer conosco.
É natural que, na convivência diária, o aspecto físico seja o primeiro contato com os outros. Contudo, diante do próximo, tenhamos o cuidado de não valorizar mais a forma com que se apresenta do que o bom conteúdo que ele guarda na própria intimidade.
(Espírito Valérium-Contos e Crônicas-Antônio Baduy Filho)

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