William George, o Avô de Si Mesmo
Já dissemos que a doutrina da reencarnação não é uma revelação ou descoberta do Espiritismo, pois há muitos séculos era aceita no Oriente. É de justiça reconhecer que Allan Kardec e seus continuadores contribuíram de maneira sensível para divulgar a ideia no Ocidente, vencendo, aos poucos, uma forte resistência inicial.
A reação descabida é determinada principalmente pela incompreensão do real significado da reencarnação e suas consequências morais. Além do mais, a milenar "novidade" vinha contrariar conceitos e preconceitos muito arraigados.
Estamos agora observando, com alegria e esperança, interesses legítimos no estudo desapaixonado da reencarnação por parte de cientistas de renome.
O professor H. N. Banerjee, da Universidade de Rajstan, na Índia, já há vários anos pesquisa o assunto. Procurando uma terminologia nova para o fenômeno, propõe ele as iniciais ECM, da expressão "extra cerebral memory", ou seja, memória extra cerebral. Isto quer dizer que o ilustre professor está convencido de que a memória funciona também sem o apoio do cérebro físico e, portanto, tem condições de sobreviver à morte do corpo. Ideia semelhante, aliás, foi esposada pelo Dr. Andrija Puharich, que admite experimentalmente o que chama de "mobile center of consciouness" (MCC), isto é, "centro móvel da consciência".
Outro cientista eminente, o professor Ian Stevenson, da Universidade da Virginia, tem, nos seus arquivos, relatos de mais de 600 exemplos de reencarnação. O Dr. Stevenson especializou-se em casos de crianças de tenra idade que têm lembranças espontâneas de vidas anteriores.
Há algum tempo ele selecionou 20 desses casos e publicou, em 1966. um livro interessantíssimo intitulado "Twenty Cases Suggestive of Reincarnation", no qual são apresentados dois casos do Brasil, ocorridos ambos na família do saudoso professor Francisco Valdomiro Lorenz, no Rio Grande do Sul.
Um desses casos é narrado pelo próprio professor Lorenz, no seu livro "A Voz do Antigo Egito". Uma jovem amiga de Lorenz adoeceu gravemente e, antes de morrer, anunciou que renasceria em breve na família do professor. Tanto este como sua esposa guardaram a informação para si mesmos, nada revelando aos demais membros da família, nem mesmo depois de nascida mais uma menina. Esta é que, logo que começou a falar, passou a referir-se espontaneamente à sua existência anterior, lembrando episódios então vividos.
Não é o caso único na literatura espírita, em que a pessoa anuncia seu renascimento e depois se lembra da personalidade anterior com bastante riqueza de informações. Num dos exemplos colhidos nos arquivos do professor Stevenson, um cidadão chamado William George, do Alaska, declarou que renasceria na família do seu próprio filho, com as mesmas maras que tinha no corpo. Isso realmente aconteceu e, com poucos anos de idade, a criança se lembrava perfeitamente da sua vida anterior, apanhando certa vez, entre diversas outras peças, um relógio que lhe pertencera no passado. Também reconhecia seus parentes que agora haviam trocado de posição, a começar pelo seu filho, que era então seu pai, pois o menino era avô de si mesmo!
Estes fatos, que ainda surpreendem tanta gente, serão mais tarde aceitos com naturalidade e interesse. A verdade é totalmente indiferente aos nossos preconceitos e caturrices e, graças a Deus, há muitos cientistas empenhados em descobrir a verdade, seja ela qual for.
(Hermínio C. Miranda-Crônicas de Um e de Outro)
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