sábado, 6 de junho de 2020

O Homem Flutuante

Daniel Dunglas Home nasceu numa pequena aldeia, próxima a Edinburgh, Escócia, no dia 20 de março de 1833. Em sua autobiografia pouco fala sobre seu pai, mas sobre sua mãe, relata o seguinte:
"Minha mãe foi uma vidente durante a sua vida. Tinha, o que se conhece na Escócia, como uma segunda visão. Em muitas ocasiões, viu coisas acontecidas a distância. Tinha também a premonição de muitos fatos que ocorreram na família e previa o falecimento de parentes. Por fim, previu a sua própria morte, quatro meses antes que ela se desse".
Daniel saiu da Escócia para a Nova Inglaterra (USA), aos nove anos de idade. Foi morar com uma tia que o havia adotado. Aos treze anos começou a mostrar as faculdades psíquicas. Sua tendência mística revelou-se num diálogo com seu amigo Edwin. Convencionaram, então, de um se mostrar para o outro logo após o decesso físico de um deles. Quem morresse primeiro voltaria para se revelar ao amigo remanescente. Um mês mais tarde, certa noite, assim que se deitou, Daniel teve a visão de Edwin. Comunicou este fato à sua tia e, um ou dois dias depois, chegou a confirmação da morte do seu amigo Edwin.
Em 1850, contando apenas 17 anos, teve a visão da morte de sua mãe. Uma noite, ele gritou por socorro e quando sua tia chegou, encontrou-o muito abatido. Disse que a mãe havia morrido naquele dia às doze horas; que ela lhe havia aparecido e dado o aviso.  Essa sua visão foi inteiramente confirmada, logo após, por um mensageiro. A partir dos 18 anos, a mediunidade de Daniel foi se ampliando cada vez mais. Os fenômenos de ordem física, ruídos, transportes, levitações, materializações e outros análogos, eram frequentes ao seu derredor.
O lar de sua tia, quieto e pacato, foi o palco de todas aquelas manifestações: batidas fortes nos móveis e paredes, e objetos sendo arrastados por forças invisíveis. Sua tia, criatura de estreita visão, não compreendendo aqueles fenômenos maravilhosos, comentava que o seu sobrinho havia trazido o diabo para a casa e jogou-o na rua. Daniel procurou os amigos e ora permanecia na casa de um, ora na casa de outro. Nas casas onde se hospedava realizava sessões que se repetiam várias vezes por dia. Nestas circunstâncias, tais trabalhos acarretaram-lhe grande perda de "forças". O seu esgotamento físico era visível. Multidões acorriam de todos os lados para presenciar as maravilhas que se produziam na presença de Daniel.
Sim, personalidades ilustres e ilustradas participaram dos trabalhos e todas, por unanimidade, proclamaram a autenticidade dos fenômenos. Aludidos fenômenos, por certo, levaram os investigadores à meridiana conclusão da evidência do Mundo Espiritual.
Em New York realizou sessões de materializações, delas participando eminentes  professores universitários, dentre eles os professores Hare, Mapes e o juiz  Edmonds, da Suprema Corte. Estas personalidades tornaram-se espíritas graças às revelações obtidas por Daniel.
A fama de Daniel D. Home projetou-se por todo o mundo. Nas capitais europeias tornou-se muito conhecido. Certa feita, em Londres, na mansão do jovem Lord Lindsay e na presença de outros investigadores, Daniel, librando-se no espaço, pelo lado de fora, passou de um compartimento para outro. Temos a foto deste fato notável em nossos arquivos. Eis aí um caso comprovado de levitação. Também no Brasil, o nosso médium Mirabelli levitava no espaço. Também temos a foto de Mirabelli flutuando no ar. 
Daniel percorreu  uma jornada cheia de espinhos. Foi ridicularizado pelos seus contemporâneos e tachado de charlatão. Mas o valoroso médium não se acovardou. Corajosamente, Daniel mostrou, como verdadeiro missionário, aos seus contemporâneos a exuberância do Espírito e a sua comunicabilidade com o plano mais denso. Não maculou o seu dom mediúnico, tampouco se deixou levar  pelo poder do dinheiro. Daniel confessava amplamente:
"Fui mandado em missão. Essa missão é demonstrar a imortalidade".
O saldo dos trabalhos do grande médium, felizmente, acabou por triunfar. As faculdades de Daniel foram confirmadas por uma plêiade de sábios e cientistas. O seu potencial anímico e mediúnico recebeu o pleno aval do cientista e sábio William Crookes.
Sobre Daniel D. Home assim se expressou Mrs. Webster:
"Ele é o mais maravilhoso missionário dos tempos modernos e da maior de todas as causas, e o bem que ele tem feito não pode ser avaliado. Quando Mr. Home passa, derrama em seu redor a maior de todas as bênçãos: a certeza da vida futura.
Daniel desencarnou em Paris no ano de 1886. Na sua trajetória deixou balizas de luz.
(Domério de Oliveira-Nos Rastros do Eterno)

Nenhum comentário:

Postar um comentário