Jesus em Casa
O Espiritismo vem restaurando as luminosas tradições cristãs dos primeiros tempos.
O Culto do Evangelho no Lar, essa prática espírita que vem reunindo tantos corações humanos na mesma vibração doce e salutar de fé e caridade, se originou nos idos tempos em que a Mensagem Redentora, sem espaço garantido nos templos políticos e nas esferas de domínio temporal, era acolhida na simplicidade dos lares humildes e fervorosos, para as operações sublimadas de amor e consciência. Os episódios de sabedoria e caridade que surgiram da casa singela de Simão Pedro, com a presença e incentivo do Senhor, ganham força e beleza novamente, vinte séculos depois…
Dialogando com Clarêncio - o iluminado Ministro de Nosso Lar - numa atividade de esclarecimento e capacitação que tanto nos interessa à jornada do Além, colhia, agradecido e reverente, do Benfeitor:
A sistematização do estudo da Boa Nova em família - considerava, generoso, o notável velhinho - com interesse e respeito, espírito de fraternidade e confiança, representa o resgate das tradições cristãs mais genuínas. Isso porque as lições de amor puro de Jesus simbolizam o alimento precioso da alma, sem o qual a inanição é certa, a estabelecer depressões e angústias, incertezas e dores, que sempre inutilizam a vida e as possibilidades das pessoas.
Aproveitando o breve interregno em sua fala cheia de sabedoria, aventei, respeitoso:
Sabemos nós que o Cristo se encontra nas Lições que deixou e foram registradas por seus seguidores em momentos diferentes e segundo seus próprios critérios de apreciação, o que requer análise e pesquisa de nossa parte, a fim de que extraiamos o espírito da forma; contudo, muita gente na Terra se encontra submetida aos interesses materiais e não apresenta vontade ou crença no sentido da busca desse “pão do Céu”. O que fazer diante disso?
Almir, na trajetória sublime e imortal de Jesus no mundo, nenhum de nós encontrará qualquer atitude ou nota pessoal do Divino Mestre violentando consciências e corações. O Senhor estabeleceu o roteiro de libertação e da paz com o sacrifício de si mesmo, e jamais abusou de prerrogativas alheias, a fim de cumprir sua missão. E isso, meu filho, por um motivo muito simples e transparente: chega sempre o dia da exaustão, da saturação, quando a alma tem fome e sede por dentro, pede abrigo e conforto, anseia novidades consistentes e valor pessoal, sem que nada, absolutamente nada que é do mundo a atenda. É nesse instante, por vontade própria, que o indivíduo procura o Céu e encontra Jesus por fidedigno reflexo de Deus - nosso Criador e Pai.
É nessa hora magnífica da evolução que nossa alma encontra o Cristo - o Senhor da vida e da misericórdia sem fim!
Três dias após o fecundo entendimento com Clarêncio, encontrava-me em tarefa de assistência na Crosta planetária, junto de José Grosso, que trazia incumbências de vulto do Mais Além.
No relógio humano soara vinte horas e dentre as tarefas que nos cabiam realizar, constava a visita a solitária mulher, vítima de depressão e que, segundo a ficha informativa que trazíamos, tentara suicídio por duas vezes, sem êxito.
Observando, já na rua onde morava a pobrezinha, o aspecto das residências enfileiradas, que apresentavam aos nossos olhos espirituais radiação diferenciada, desde as mais densas e suspeitas às mais leves e equilibradas, notei uma diferente, ante a qual estanquei, maravilhado, tal o esplendor de luz ajaezada que emitia. Esta residência nobre situava-se exatamente ao lado da casa de nossa assistida da noite. José Grosso, satisfeito, explicou-me:
Que beleza, não é, Almir?... Esta casa já abrigou Jesus pela fé ardente e sincera de seus moradores, comprovada nesta irradiação benfeitora. Pertence a um casal de nosso conhecimento, que encontrando, pela dor, a Doutrina Consoladora, soube trazer do Centro Espírita para o próprio lar, o fulgor da fé e da caridade, que cultivam, dedicados e perseverantes.
Mas toda essa claridade é constante em sua casa? - perguntei, sensibilizado.
Estão em prece; hoje é o dia do Evangelho em família. No entanto, a vibração da casa, embora não tão exuberante como agora, permanece quase que inalterável, na garantia de seus interesses comuns.
Calei-me e adentrando o portão da residência de nossa enferma, encontramo-la abatida, triste e mal acompanhada espiritualmente.
José Grosso requisitou atenção e prece. Sintonizou-se com as radiações do abençoado lar vizinho em estudo evangélico; arregimentou recursos que o nimbaram de claridade, além de outras substâncias de caráter humano, que imediatamente, pelo mecanismo de passes específicos, repassou à doente. O bem-estar da mulher foi imediato. Respirando aliviada, pensou em Deus, tomou a Bíblia, e de olhos fechados, abriu nas anotações de Mateus, capítulo 11, versículos de 28 a 30: “Vinde a mim todos vós que sofreis e que estais sobrecarregados e eu vos aliviarei…”
A pobre senhora chorou abraçada ao livro sagrado e como que tomando novas decisões para a sua vida, falou em voz alta, como a comunicar a si mesma:
Hoje mesmo vou conversar com Dona Margarida e esposo. Sei que são espíritas, caridosos, gente equilibrada e fraternal; sei que poderão me ajudar a enriquecer o próprio coração vazio…
Deixamo-la renovada e nos dirigimos à residência do casal citado por ela. O Culto do Evangelho estava em fase final. Convidada à oração, Dona Margarida a iniciou pedindo a Jesus pela vizinha solitária e doente.
José Grosso me olhou sorrindo e afirmou contente:
A presença do Evangelho é tão poderosa e benfeitora que o auxílio já chegou à vizinha, mesmo antes do pedido de nossa irmã. Agora, que ela quer, o “pão da luz” será multiplicado, alimentando para sempre o seu coração.
(Espírito Almir Fontoura-Notícias do Bem-Wagner G. Paixão)
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