segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

 Natal


Em toda a comunidade cristã, o Natal tem a mesma significação. Noel, em francês. Christmas, no idioma de Shakespeare; Il Natale, em italiano; Pascuas de Navidad, para os povos de língua espanhola… 

Variando de grafia e de pronúncia, a palavra mágica encerra a permanente mensagem do Cristo à insensata Humanidade que ainda reluta em seguir os sábios ensinamentos dAquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

O mundo atual vive num desses estados de crise a que se refere Arnold Toynbee, autor de “Um Estudo de História”. As nações poderosas procuram a todo o transe manter sua hegemonia tradicional. Os países subdesenvolvidos lutam desesperadamente pela elevação de seus padrões de vida. Mas a disputa de poderio não é somente de ordem material. Trata-se também, e sobretudo, de um conflito ideológico. Digladiam-se as forças antagônicas. Materialismo versus Espiritualismo. Mefistófeles contra Deus, como no entrecho do Fausto, de Goethe.

Poderosa razão do fecundo historiador inglês - chegamos a um momento decisivo de “desafio-e-resposta”.

O homem, no torvelinho dos acontecimentos, sente-se atarantado, amofinado, incapaz de sentir as sublimes emoções da alma. Toda sua preocupação é safar-se airosamente do emaranhado em que se encontra. Não deixar sem resposta o desafio.

Devido a esse estado de angústia, os festejos natalinos estão perdendo muito do seu peculiar encanto, de sua pureza originária. A agravar a situação, o alto preço das utilidades e a escassez do dinheiro para adquiri-las.

Aqui e alhures, só os bem aquinhoados da fortuna podem celebrar a consoada farta de saborosas iguarias e regada a generoso vinho. Os que constituem a imensa maioria, coitados! Quase que se limitam a comemorar simbolicamente o glorioso evento. Todavia, comemoram-no. Frugalmente. Com a mais extrema parcimônia. Os mais pobres, paupérrimos de fato, levam ao estômago a ambrosia do Sonho e embriagam-se com o néctar da Esperança. Poetas à força, porém, poetas sublimes, porque resignados e confiantes num futuro de abundância e de paz. Que há de vir, com certeza, pois Deus é Amor e nossa destinação é a Felicidade. Ela vem em caminho, embora a passos tardos.

O sofrimento é passageiro. Ninguém sofre sem justa razão. Do contrário, a que se reduziria a Misericórdia Divina? Somos o metal impuro a depurarmo-nos no cadinho da dor. Essa dor tão malsinada que, no entanto, é o acicate sem o qual empacaríamos no meio da estrada, como o boi lerdo que não quer conduzir o carro.

Não obstante pareça um paradoxo, acreditamos estar Jesus melhor homenageado no Natal que os humildes festejam, retendo as lágrimas e suportando privações. De vez que, luminárias, rega-bofes, foguetórios, são exterioridades. Privados delas, os homens são levados a considerar os valores espirituais. Os pobres e os sofredores solidarizam-se na sua desventura. E volvem o olhar para o Alto. Em sintonia com as vibrações superiores, oram com sentimento, oram com verdadeira fé.

Que neste Natal, retiremos do escrínio do coração a cintilante gema de uma fervorosa oração e, numa oblata singela, dediquemo-la a Jesus.

E assim, prossigamos, esperançosos, a lutar por um mundo melhor. Para que no futuro, sem temores nem tropeços, possamos celebrar um Natal completamente feliz! Temos pela frente a Eternidade!

(Aureliano Alves Netto-Pelos Caminhos da Vida)


Nenhum comentário:

Postar um comentário