Outro Mundo
Jurandir Figueira era assíduo no grupo de assistência. Homem de posses. Comerciante de talento. Correção a toda prova. Honesto e sistemático, sua conduta era admirada por todos os que com ele conviviam. Negócios, só com extrema segurança.
Contudo, para servir um amigo, teve experiência desagradável. Sofreu prejuízo importante. Desde então, ficara amuado e triste. Guardara silêncio cerimonioso. Quando falava, era para tocar no assunto.
- Como pode uma pessoa agir assim? Um amigo... Vou processar esse trapaceiro - dizia com amargura e revolta.
Rodrigo, velho companheiro, procurava contornar a situação:
- A Terra é planeta de provas e expiações. Aqui, estamos sujeitos a todo tipo de sofrimento, decepções, prejuízos. Um dia, teremos o merecimento de habitar um mundo mais feliz, onde não existe o mal.
Jurandir prestou atenção e sustentou o diálogo:
- E que dia será esse?
- Quando completarmos nossa transformação moral. Temos de aplicar em nós os ensinamentos de Jesus. Não basta ser honesto e sincero. É preciso também cultivar a bondade, a tolerância, o perdão.
- E o amigo também vai para esse mundo?
- Terá a oportunidade, se melhorar.
O comerciante ficou pensativo por um momento e logo prosseguiu a conversa:
- Vou me esforçar para seguir as lições do Evangelho.
- Agora você está falando como espírita.
- Se eu não processá-lo, ele vai continuar enganando os outros.
Rodrigo não entendeu o argumento. Antes, porém, que dissesse algo, Jurandir explicou:
- Vou para esse outro mundo mais feliz, e ele que fique por aqui com suas trapaças...
(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas-Antônio Baduy Filho)
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