A Cura
Lourenço Dias adoeceu. Moléstia pertinaz. Desconforto. Repouso forçado.
Há muito vinha se excedendo na atividade. Construíra grandes empreendimentos. Fizera fortuna. O mundo dos negócios, porém, afastara-o do convívio mais frequente da esposa e filhos, gerando conflitos intermináveis.
Agora, a paralisia o reteve em casa. O carinho da família e a presença das amizades não lhe amenizavam as horas duras. Dizia, revoltado:
Não aguento mais esta cama.
E o amigo Sinfrônio, espírita convicto, respondia calmamente:
É tempo de meditação. A doença é oportunidade de renovação. Mudança de hábitos. Caminho novo.
E, após cada visita, o amigo lhe deixava um livro reconfortante e esclarecedor.
Lourenço começou a ler e a meditar. Após muitos meses de luta íntima, era um homem diferente. Ainda se prendia ao leito, mas adquiriu equilíbrio. Estava resignado. Compreendia os objetivos superiores da vida.
Ao expor a nova realidade ao companheiro, Sinfrônio se levantou de alegria e falou, comovido:
Glorifiquemos a Deus pela bendita transformação. Seu corpo está doente, mas sua alma está curada.
(Espírito Hilário Silva-Outras Histórias-Antônio Baduy Filho)
Nenhum comentário:
Postar um comentário