Ternura Maternal
Comentando sobre a ternura maternal, vamos recolher fragmentos da história “A Moça de Catanduva”, contada por Divaldo Franco, constante do livro “O Semeador de Estrelas”, de Suely Schubert:
“(...) Quando cheguei à plataforma com Dona Lola e os demais companheiros, chamou-me a atenção uma senhora camponesa, despedindo-se da filha. A jovem era daquelas meninas bonitinhas, bem modesta, do interior, vestida com simplicidade, o cabelo liso, partido ao meio e muito mimosa. A mãe abraçava-a e se despedia, beijava-a e a abraçava de novo. A cena comovía-me. Fiquei olhando a ternura da mãe com a filha de dezoito ou dezenove anos. O trem deu sinal de partida. Despedi-me dos amigos Dona Lola, Senhor Bendito, Aparecida e entrei calmamente. A mocinha entrou também apressadamente. O vagão não estava muito cheio. Eu me sentei à janela, do lado da plataforma, para dar adeus aos amigos, enquanto ela sentou do outro lado, sozinha. Quando a composição começou a mover-se, eu vi que da mãe saía um fluido leitoso, como se fosse uma nuvem alongada - a ideia era de um arminho muito grosso de meio metro de circunferência, que brotava do centro cardíaco, entrava no trem e se implantava na moça. À medida que o veículo se movia, aquele fluido foi-se afinando, quase desaparecendo(...)”
Como habitualmente se diz, mãe é mãe. A sua ternura, o seu carinho maternal propicia laços fluídicos de amor que envolvem e protege os seus filhos.
Quantas e quantas vezes presenciamos mães soprarem sobre um machucado de uma criança e a dor ceder de imediato? Aí, diz o materialista, com o sopro, a mãe psicologicamente influenciou a criança, e ela, ilusoriamente, sentiu-se aliviada.
Não foi o alívio ilusório ou psicológico. Tal qual ocorreu com a moça de Catanduva, é esse fluido leitoso emanado das mães que minora a dor de seus filhos.
Benditas sejam as mães. Louvado seja Deus que colocou essas criaturas angelicais em nosso destino, aliviando-nos tanto o corpo físico como a alma. Dissemos alma porque, em muitas ocasiões, quando angustiados e amargurados, é do coração de nossa mãe que esparge o sopro divino a fim de lenir as nossas mazelas morais.
Não importa quem é quem. Mães pobres, mães ricas, iluminadas, criminosas, beatas, vulgares, segundo o conceito popular, todas oferecem o seu quinhão luminoso que envolve salutarmente os seus rebentos queridos.
(Jair R. Oliveira-Crer ou Não Crer)
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