Momento de Transição
Embora a humanidade, desde os seus primórdios, conviva com a morte, foi somente há relativamente pouco tempo que ela se tornou melhor conhecida em seus aspectos fisiológico e psicológico, pois enquanto a vida, desde o seu surgimento na concepção, merecia cuidadoso estudo, seu término não recebeu durante largo período atenção equivalente, limitando-se os médicos a tornar menos penosa a situação dos doentes terminais. Fatores diversos contribuíram para essa atitude figurando entre elas, certamente, a imagem negativa da morte observada mesmo entre pessoas religiosas, que admitem a continuidade da vida após a disjunção celular.
As perguntas se apresentam espontâneas: “O que acontece, realmente, naquela hora? Sofre-se? Nossa consciência estará desperta, ou não? E o que virá depois, o prosseguimento de nossa individualidade ou o mergulho no nada absoluto como querem os materialistas?
Utilizando os recursos da mediunidade submetidos a controle racional, o Espiritismo afirma a continuidade da vida, mostrando que a morte não é o fim. Ela apenas encerra um ciclo de experiência e aprendizagem no mundo físico, prosseguindo a existência sob outras condições vibratórias.
Respondendo a Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”, esclareceram os orientadores espirituais que o momento da morte, para quem levou vida moral sadia, nada tem de dolorosos, assinalando-se, pelo contrário, por uma profunda sensação de paz. Quanto ao que ocorria quando a alma se dava conta de já estar no Mundo dos Espíritos, assim se expressaram aqueles benfeitores: “Depende. Se praticaste o mal, impelido pelo desejo de o praticar, no primeiro momento te sentirás envergonhado de o haveres praticado. Com a alma do justo as coisas se passam de modo bem diferente. Ela se sente como que aliviada de grande peso, pois que não teme nenhum olhar perscrutador”. Acrescentaram, ainda, que, neste caso, amigos e parentes já desencarnados vinham dar-lhe as boas-vindas auxiliando-o igualmente no desligamento completo da matéria.
O progresso da medicina nas últimas décadas permitiu que as pessoas que sofreram parada cardíaca e respiratória - mortas, portanto, pelos padrões antigos - tivessem revertida aquela situação e voltassem a viver normalmente, narrando, então, muitas delas, experiências vivenciadas naqueles instantes que confirmam as informações trazidas pela Doutrina Espírita há mais de 164 anos. É de notar-se, a propósito, que os primeiros relatos de situações de quase-morte foram feitos por indivíduos que não se achavam influenciados por narrativas análogas às suas, que só posteriormente começaram a aparecer na imprensa e no cinema, o que confere grande autenticidade aos seus depoimentos.
Vale lembrar, por fim, outro fator que contribui para a visão negativa da morte: Tendo-se em conta as informações acima quanto à possibilidade de paz e companhia de amigos naquele momento ou, pelo contrário, angústia e presenças hostis, e considerando-se a situação moral deficitária de expressiva parcela da humanidade, é compreensível que muitos - senão a maioria - tragam arquivados no subconsciente os registros de mortes dolorosas, o que, sem dúvida, ajuda a criar e manter o imaginário sombrio e a rejeição que a envolvem.
Na expressão do Espírito Manoel Philomeno de Mirando “morrer é prosseguir vivendo, apesar da diferença vibratória na qual se expressará a realidade”.
Aproveitando as informações e diretrizes oferecidas pelo Espiritismo, que possamos viver de forma a encontrar além da morte a continuidade, feliz, de nossa participação no trabalho do bem. (Danilo C. Villela-Enfoques Doutrinários)
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