Deus e as Enfermidades no Mundo
É tão comum encontrarmos pelo mundo afora as incompreensões acerca do relacionamento do Pai Criador com a Sua criatura.
Essa incompreensão, mais amiúde, está vinculada ao que diz respeito aos males que atormentam as pessoas, sejam males de caráter físico ou moral.
As enfermidades costumam causar profunda angústia nos que as padecem tanto quanto àqueles que rodeiam os enfermos.
É de praxe indagar-se quanto aos porquês da Divindade, ao permitir que as doenças afetem tanta gente, como se fosse uma pecha, um castigo que, em realidade, constituem a interpretação popular.
Por que permite Deus que uma criança nasça doente, ou fique doente, às vezes, em definitivo, nos primeiros tempos da reencarnação terrena?
O que se deve considerar, em tal situação, é que, no enfoque reencarnacionista, no qual o Espiritismo se apóia, todo o ser que chega ao mundo num corpinho de criança é um velho caminheiro do progresso, um viajante da evolução. O que se passa é que esse caminheiro do tempo traz das suas experiências, em múltiplas existências, dificuldades, transtornos, erros que, com certeza, não foram reajustados na Terra, o que determina o compromisso de ter que se reajustar nos dias do porvir, em novas existências corporais.
Os corpinhos que os pais oferecem aos seus filhos são, de fato, novos, virgens, porém, o seu habitante espiritual é de existência milenária, cuja missão no mundo, fundamentalmente, consiste em elaborar o próprio avanço para Deus, por meio do bom uso da sua liberdade.
O que faz com que Deus permita que Seus filhos humanos atravessem tormentas, aflições e dores, muitas vezes muito graves, insidiosas, corresponde ao respeito com que Ele acompanhou a sua liberdade de agir.
É comum que afirmemos que somos donos do nosso próprio nariz; que sabemos muito bem o que queremos ou o que fazemos, sem pedir a opinião de ninguém...
Aí temos as bases de todas as agruras, enfermidades e lágrimas de dor encontradas no mundo.
Em virtude de determos pouco hábito de refletir, de meditar a respeito de nossas vidas no planeta, em razão do simplismo com que interpretamos os fenômenos da vida, concebe-se a ignorância e a revolta com a qual costumamos encarar as chances diversas do cotidiano, particularmente no campo das doenças.
Perante esse entendimento de que todos somos dotados de livre-arbítrio para fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo, necessitamos alterar positivamente nossa relação com as Leis Divinas, nossa integração com as leis sublimes do nosso Pai do Céu.
As doenças que eclodem no mundo, que acicatam os corpos das crianças, jovens e adultos são consequências do uso malsinado do livre-arbítrio, o que determina uma resposta das leis naturais insculpidas em nosso espaço consciencial, estabelecendo a necessidade imperiosa de aliviar as tensões morais, as tensões geradas pela culpa, e candidatar-nos às venturas vivenciais, no imo da alma a refletir-se numa saúde harmoniosa do próprio corpo fisiológico.
Não é Deus, pois, que nos faz doentes. Suas leis são de saúde e de equilíbrio. É o mau uso da liberdade de ação o responsável pelo que se passa agora ou se passará no porvir, nas sucessivas reencarnações do Espírito no planeta.
(Espírito José Lopes Neto-Em Nome de Deus-Raul Teixeira)
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