A Experimentação
Eurico Grandini era realmente um sábio. Inteligência privilegiada. Cultura vastíssima. Homem prudente. Dedicava-se às pesquisas em determinado ramo do conhecimento, mas sabia de tudo. Era referência obrigatória a professores e alunos de famosa universidade, onde lecionava.
Apesar de cientista renomado, morava em bairro discreto, onde tinha a estima dos vizinhos e fazia amigos com facilidade. Contudo, o orgulho acadêmico era o defeito sério de Eurico. Não aceitava qualquer conhecimento que não passasse por experimentações científicas.
Essa era uma das poucas controvérsias com um engenheiro da vizinhança e, nas redondezas, seu amigo mais próximo. Joel, espírita por convicção, argumentava com o vizinho e dizia com firmeza:
- O conhecimento espiritual não passa por seu laboratório. E é real.
Eurico rebatia, enfático:
- O único conhecimento autêntico é o experimental.
E Joel ainda insistia:
- Você não admira e reconhece a grandeza de Deus em tudo o que sabe?
O cientista era irredutível e falava, irritado:
- Só o que se vê e apalpa é a realidade.
Eurico não mudava de opinião. O tempo passou e trágico acidente levou o engenheiro para a dimensão espiritual.
Certa noite, quando o cientista trabalhava até mais tarde no laboratório, sentiu forte saudade de Joel. De súbito, viu diante de si o amigo, falando, sorridente:
- A vida espiritual é real. Você não me vê? Pode apalpar.
Eurico arregalou os olhos e, em vez de confirmar a realidade, como sempre dizia a respeito das experiências, saiu em disparada, gritando por socorro.
(Espírito Hilário Silva-Contos e Crônicas 2-Antônio Baduy Filho)
Nenhum comentário:
Postar um comentário