Excesso de Atividades
Antônio vivia assoberbado com as atividades profissionais. Engenheiro que era, preocupava-se excessivamente com os avanços tecnológicos das máquinas sob sua responsabilidade, em particular as que ficavam na sala de mecanização.
Muito centrado nas coisas materiais, justificava que não dispunha de tempo para frequentar o templo religioso. Acreditava que estaria protegido se alguém da família orasse por ele.
Assim, esquecia-se completamente da vida espiritual.
Sua mãe, embora fosse também ligada à matéria, era dotada de bons princípios. Depois que desencarnou, sem qualquer resistência, começou a frequentar as aulas no Plano Espiritual e preparou-se para ajudar o filho.
Por meio de suas preces constantes e sinceras, dirigidas ao Criador, obteve a permissão de aproximar-se dele a fim de ajudá-lo a trabalhar pela sua transformação moral. Devido à sua dedicação, conseguiu autorização para conduzi-lo aos estudos.
Após várias aulas, envolvido pelo clima acolhedor e fraterno do ambiente espiritual, aceitou fazer uma reflexão sobre a sua postura diante das coisas materiais e da família. E exclamou para si mesmo:
- Quantas coisas acumuladas que perecem com o tempo! Quantos tesouros perdidos!
Referia-se ao amor da esposa, dos filhos e dos amigos.
Compreendeu que o verdadeiro sentido da vida consiste em desenvolver e cultivar o amor.
Arrependido e emocionado, pediu a Deus e a Jesus a oportunidade de recomeçar a renovação íntima e dos próprios valores.
Nessa situação encontram-se muitos homens, que passam a maior parte da vida lutando com todas as forças para conseguir a realização pessoal em diversos campos, como o profissional, social, intelectual e afetivo. Para atingir tais objetivos, assumem excesso de compromissos e atividades. Destes, parte expressiva deseja mais: conquistar status, poder e ostentar valores materiais.
No esforço para obter êxito, seguem os padrões humanos, muitas vezes, sem observar os seus princípios éticos; menos ainda os padrões morais do Evangelho de Jesus.
Chegam ao final da existência sem tomar consciência da necessidade de observar os valores espirituais, sem reservar tempo e energia para cuidar das coisas do Espírito.
Dessa forma, chegam ao Mundo Espiritual de mãos vazias. O que acumularam durante a vida física fica na Terra, porque não pode ser levado na bagagem do Espírito.
A situação é pior quando o motivo do envolvimento com atividades excessivas não é apenas o de ter condições de suprir as necessidades básicas, mas também ambição e apego às coisas materiais. Essas condições mantêm-no preso à Terra, em verdadeiro regime de escravidão.
Sem dúvida, podem contabilizar muita conquista material, mas quase nada no que diz respeito às realizações espirituais. Na Terra, podem ser considerados ricos, todavia, são pobres, quando não paupérrimos, no Mundo dos Espíritos.
Segundo Lucas, quando Jesus se hospedou na casa de Marta, enquanto Maria, sua irmã, aproveitou a oportunidade para aprender com o Mestre, ela "agitava-se de um lado para outro, ocupada com muitos serviços". (Lucas, 10:40)
Marta simboliza a pessoa muito envolvida com as coisas materiais, que deixa escapar preciosos ensejos de estudar e dedicar-se às questões espirituais.
Nunca é tarde para despertar e lutar pela conquista dos valores transcendentais, assim como evitar a chegada ao Mundo Maior em condições de grande pobreza de bens do Espírito.
Deus instituiu a encarnação como meio de dar oportunidade a todos de trabalharem pela sua evolução espiritual. Os que não a aproveitam adequadamente demonstram sempre grande desapontamento quando chegam à Pátria Espiritual.
Revelam sabedoria os que utilizam bem o tempo para procurar o Reino de Deus e sua Justiça, enquanto encarnados na Terra; também os que não se deixam envolver totalmente pelas preocupações e coisas materiais.
(Umberto Ferreira-Contos do Além)
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