Conselhos Antigos Aos Jovens Modernos
Se fosse chamado a dizer alguma coisa aos jovens, eu repetiria o que Sêneca disse a Galion, na “Bem-aventurada Vida”, que resumiríamos assim: ‘Não siga o jovem aqueles que não ligam para nada, blasonam do próprio caráter leviano e irresponsável. Todo o tempo que vivemos vagando debaixo das cargas sugestivas destes tipos, seguindo-os e ajuntando-se a outros, debaixo de inspirações menos nobres, estamos sujeitos a praticar tantos erros na existência, que possivelmente a vida toda será pouca para que nos arrependamos”.
E é conselho valioso que tem mais de dois mil anos! Raramente, o moço exemplar, aplicado, honesto e fiel aos seus elevados ideais, insiste para que os colegas o sigam. Preocupado em crescer e trabalhar, ou estudar duro, para tanto, não tem horários vazios, para bancar madrinha de tropa. Cumpre o seu dever e não se imiscui na vida dos outros. Mas, já os bagunceiros, têm a necessidade de dar demonstrações de força e prestígio. Insistem muito e geralmente convencem os demais.
Quando garoto ainda, havia na cidadezinha em que me criei, um jovem deste tipo que se fazia sempre seguir por um bando. Às tantas saía na calada da noite, ele na frente e os outros atrás, armados de estilingues para a excitante aventura de quebrar todas as lâmpadas elétricas. Na noite seguinte, programava acossar animais nos pastos, judiando tanto destes que os mesmos se atiravam pelas barrocas e de cima de pontes, rebentando-se todos.
Já tendo alcançado a adolescência, conheci um rapazinho, em minha terra natal, que exercia a estranha liderança sobre os jovens. Com extraordinário poder, arrastava os comparsas para bordéis, levava-os a curras e até lhes dava aula prática de gigolô. Nesse tempo, eu vivia inteiramente voltado para os livros. Não me lembro de um jovem sequer, embora convivesse com eles, organizássemos serestas, que tivesse sido atraído por mim a exercícios literários ou para o lado sério da vida. O homem é mais facilmente contagiado pelo seu lado fraco. Daí que os nobres de alma tenham de trabalhar duro o solo para nele vicejar a virtude e a sabedoria.
Sêneca, na obra citada, fornece aos jovens diretrizes para que não fiquem no meio do caminho e se vejam decaídos e lastimados. Diz aquele notável filósofo, que foi preceptor de Nero: “O jovem deve se conscientizar ou deixar bem claro, na sua mente, o alvo que deseja atingir. E para fazê-lo, deve estudar o caminho a ser trilhado. E manter firmeza de propósito. Quando estamos seguindo uma estrada de terra, objetivando alcançar uma cidade, podemos nos dar ao capricho de sair da via larga convencional e seguir por um trilho, caso verifiquemos que esse trilho encurta a distância e se encontra bem batido. No entanto, quando se trata da nossa vida moral, se ansiamos para alcançar a felicidade, quase sempre o caminho mais cômodo é o que engana mais. Não deve o jovem fazer como as ovelhas que seguem as que vão adiante, sem cogitar de que caminham inconscientes para a tosquia ou para o matadouro. Nada nos leva a maiores males do que nos deixarmos guiar a opinião, tomando por bom aquilo que é aprovado e seguido por muitos. Seguir a maioria não significa escolher o melhor”.
De fato, a sabedoria antiga é sempre sabedoria, ontem como hoje. A mim me tem acontecido de receber pais aflitos, em minha atividade espírita, aos quais se encontram derruídos, pelo fato de os filhos terem sido presos pela Polícia e levados ao xilindró por práticas de atos reprováveis. No fundo, vão verificar que se tratam de más companhias e de modismos: “Todo mundo puxa fumo, vamos puxar também”. Assim, com a jovem que logo fica mal falada e desacreditada em virtude de ter a cabeça feita pelas amiguinhas que lhe sugerem insistentemente: “Todo mundo hoje pratica o amor livre, vamos também praticá-lo”.
Por tudo isto, este eminente filósofo da antiguidade, Sêneca, insiste num ponto em que raramente insistimos: “Não nos apartemos nunca da razão, pois Deus nos deu cabeça para pensar e não para que nos sentemos em cima dela”.
(Mário B. Tamassia-A Mãe que Desistiu do Céu)
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