sexta-feira, 16 de abril de 2021

 O Livro dos Espíritos


Na Terra os acontecimentos mais relevantes sob o ponto de vista espiritual não são percebidos pela grande maioria de seus contemporâneos, dominados pela rotina e por preocupações e interesses de ordem imediata.

Foi assim ao tempo de Jesus, cuja mensagem, destinada a renovar nossos padrões de convivência, permaneceu quase desconhecida por largo período, passando a ser notada somente quando o número maior de seus seguidores lhe deu visibilidade.

De maneira análoga, o aparecimento de “O Livro dos Espíritos” nas livrarias de Paris, a partir de 18 de abril de 1857, não chamou a atenção de forma especial, apesar da boa acolhida que teve por parte do público. No entanto, tratava-se de um marco importante na história da Humanidade, pois, a partir dele, alterava-se profundamente a conceituação acerca do Mundo Espiritual, anteriormente caracterizada pelo mistério e pela superstição, modificando-se, também, o relacionamento entre os dois planos da vida. Caíam as barreiras erguidas pela ignorância entre os “vivos” e os “mortos”, podendo agora estes transmitir àqueles notícias confiáveis sobre o que os aguardava após a morte. Além disso, em consonância com a mentalidade moderna, observava-se, pela primeira vez, a compatibilidade entre as afirmativas religiosas e os dados positivos da ciência, aproximando-se, assim, duas ordens de ideias consideradas, até então, distintas e mesmo antagônicas.

Submetendo o material obtido através da mediunidade a critérios de racionalidade e universalidade e acrescentando-lhe comentários seus, de profunda lucidez, Allan Kardec compôs essa obra, na qual se acham definidos os pontos essenciais da Doutrina Espírita, desdobrados, posteriormente, nos demais livros que constituem a Codificação. Surgia, assim, a Terceira Revelação em continuidade à tradição judaico-cristã, como o Consolador prometido por Jesus, doutrina que, por assentar suas bases nas próprias Leis Divinas, permanecerá conosco para sempre, consoante a afirmativa do Mestre (João, 14:16).

Muito jovem em termos históricos, pois está em seu segundo século de existência, o Espiritismo não desempenha ainda o papel social que o futuro lhe reserva - na condição de Cristianismo Redivivo - de operar a transformação da Humanidade, proporcionando aos indivíduos a consciência  de sua natureza espiritual e demonstrando-lhes a existência de Leis, estabelecidas pelo Criador, que lhes cumpre conhecer e respeitar na construção da felicidade própria e alheia. 

Os espíritas encarnados desfrutamos da oportunidade, rara, de participar do período inicial de uma nova revelação, cabendo-nos, sobretudo, manter fidelidade à Doutrina a fim de transmiti-la com integridade às gerações porvindouras na construção progressiva do futuro melhor, em que o bem esteja em toda a parte, expressando a presença do amor, ensinado e exemplificado por Jesus, em nossos corações.

(Danilo C. Villela-Enfoques Doutrinários)


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