terça-feira, 27 de abril de 2021

 Sonho Revelador


Joana dos Santos, jovem de 20 anos, olhava-se no espelho e a imagem refletida causava-lhe momentos de tristeza.

  • Como poderá alguém gostar de mim? - dizia - se mais pareço uma bruxa? E caía em compulsivo choro, até cansar-se.

Essas cenas sucediam-se, toda vez que tivesse que olhar-se no espelho, para pentear-se ou maquilar-se.

Realmente o seu corpo causava dó: rosto fino, nariz adunco, cabelos raros e de cor indefinível, além da magreza de causar pena. Para agravar o conjunto nada lisonjeiro, era coxa, defeito proveniente da paralisia que tivera quando criança.

Nem colegas conseguia arrumar, apesar dos esforços nesse sentido, a fim de ter com quem expor os seus problemas ou mesmo falar sobre futilidades próprias de sua idade. Diante desta triste situação, vivia só, taciturna, imprimindo no rosto o quadro angustiante que lhe ia na mente.

Em noites mal dormidas, indagava-se: - O que eu fiz para ter tão triste sina?

Como Deus não desampara nenhum de seus filhos, por mais imperfeitos que eles sejam, Joana também foi agraciada pela misericórdia divina, recebendo a visita de seu anjo guardião, durante o sono,no qual, como num passe de mágica, transformou-a em bela dama, ricamente vestida, que deslizava em amplo e rico salão de baile, juntamente com garboso cavalheiro.

Ela estava estupefata pelo quadro que presenciava e do qual era participante. Quando novos quadros revivia, nos quais desempenhava sempre o papel de cortesã, vendendo o corpo para desfrutar do luxo e do convívio da alta sociedade, da qual participava com figura decorativa e desejada, sentia-se como uma rainha, sem ser da nobreza.

Em torno de si, moços e quarentões prostravam-se, no intuito de conquistar tão bela criatura. E ele, leviana como era, escolhia aquele que mais pudesse oferecer-lhe.

As cenas sucediam-se, e Joana, no começo radiante, aos poucos foi enjoando-se dos espetáculos aviltantes, de que era figura principal, até que não suportando os mesmos, desesperada, gritou: - Chega!...

Como se fosse num filme, nova cena apresentou-se, agora no Plano Espiritual, pois uma entidade radiante dirigia-lhe a palavra, dizendo: - A escolha que fizeste, reencarnando em corpo defeituoso, feio e em família paupérrima teve a nossa aprovação e proteção. Vá, lute e persevere e terás a eliminação dos débitos do passado, harmonizando-se com a Lei e com os companheiros dessas existências delituosas.

No dia seguinte, Joana, ao acordar, lembrava-se, suficientemente, do estranho sonho que tivera, tendo a certeza de que ele era uma resposta de Deus às suas indagações, compreendendo, perfeitamente, que a sua condição atual, de moça desprezada, feia e miserável, nada mais era do que o resultado dos erros que cometera, exigindo reparação, sem contudo ferir o livre-arbítrio, pois tal condição fora produto de sua própria escolha.

Sorriu; agradeceu a Deus; pediu forças ao seu protetor espiritual; e prometeu a si mesma que iria encarar a vida com estoicismo e compreensão, certa de que o que lhe acontecia era o mais indicado para o seu próprio bem. 

As reparações poderão ser adiadas, mas, fatalmente, um dia terão que ser enfrentadas. 

Os problemas nunca erra de endereço.

Ninguém sofre inocentemente.

São lições milenares, mas sempre atuais, porque fazem parte do mecanismo da Justiça Divina. Assim sendo, enfrentemos os sofrimentos físicos ou morais, pacientemente, mesmo porque, assim fazendo, a cruz tornar-se-á mais leve.

(Antonio F. Rodrigues-Contando Histórias)


Nenhum comentário:

Postar um comentário