O Espírito Humberto de Campos, escreve-nos, a pedido de seu amigo Capistrano, contando que, este, quando encarnado, ficara viúvo e criara sua única filha Marília com todo o carinho.
Ocorreu, porém, que, a moça apaixonara-se por um jogador de futebol, e que, por não ter sido correspondida, suicidou-se ingerindo violento corrosivo. Desse modo, Capistrano despendeu metade do que possuía para erigir-lhe um túmulo, que passou a visitar e a enfeitar por cerca de 20 anos.
Após sua morte, apegou-se ao sepulcro que venerava, ficando deitado sobre ele e clamando pela filha, não escutando muitos amigos que procuravam retirá-lo daquela situação.
Após quatro anos, um orientador espiritual o conduziu à Rua General Polidoro, no Rio de Janeiro, e apontou-lhe um homem suarento e cansado, a carregar ternamente, nos próprios braços, triste menina muda, paralítica e pobre...
"Ao fixar-lhe os olhos embaciados de criança-problema, a realidade espiritual clareou-me a razão. Surpreendera Marília reencarnada, em rudes padecimentos expiatórios, e, mais tarde, vim a saber que renascera por filha do mesmo homem que lhe fora motivo ao gesto tremendo de deserção... Desde essa hora, fugi das ilusões que me prendiam a pesadelo tão longo!... Acordei renovado, para novamente respirar e viver, trabalhar e servir..."
Assim, Capistrano pediu a Humberto de Campos: "- Escreva, meu amigo, escreva às criaturas humanas e informe, claramente, que os vivos da Espiritualidade agradecem o respeito e o carinho com que se lhes dignificam os restos, mas rogue para que se abstenham destes quadros fantásticos de vaidade ostentosa, com que se pretende honrar o nome dos que partiram... Peça para que socorram as crianças desajustadas e enfermas, enjeitadas e infelizes com o dinheiro mumificado nestes cofres de cinza... Diga-lhes para que se compadeçam dos meninos desamparados e que, provavelmente, muitos daqueles entes inolvidáveis que procuram nos carneiros de luxo, estão hoje em provações cruéis, nos institutos de correção ou no leito dos hospitais, na ociosidade das ruas ou em pardieiros esburacados que o progresso esqueceu...
Fale da reencarnação e explique-lhes que muitos dos imaginados mortos que ainda amam, jazem sepultos em corpos vivos, quase sempre, desnutridos e atormentados, suplicando alimento e remédio, refúgio e consolação..." (Relatos da VIda-Espírito Humberto de Campos, médium C. Xavier)
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