domingo, 17 de novembro de 2019

Reencarnação e Lei do Amor

Quando esteve aqui na Terra, Jesus, além de divulgar as suas ideias que estão nos Evangelhos, agora explicados racionalmente pela Doutrina Espírita, em vários momentos aprofundou os seus ensinos com seus seguidores e muitas pessoas em particular. 
É por este motivo que o apóstolo João escreveu que tudo o que Ele fez “não caberia no mundo”. 
Na noite em que o senador fariseu Nicodemos o procurou, conforme consta do Evangelho de João, cap. III, v. de 1 a 12, a Humanidade recebeu dele a grandiosa lição de que “é necessário nascer de novo para conhecer o reino de Deus”, isto é, Jesus havia proclamado para sempre a Lei da Reencarnação, como nos diz o Espírito Humberto de Campos, no livro “Boa Nova”.
Após Nicodemos retirar-se, profundamente surpreendido, Jesus explicou a André e a Tiago, que também ficaram perplexos, dizendo-lhes: 
- Por que tamanha admiração, em face destas verdades? As árvores não renascem depois de podadas? Com respeito aos homens, o processo é diferente, mas o espírito de renovação é  sempre o mesmo. O corpo é uma veste. O homem é seu dono. Toda roupagem material acaba rota, porém, o homem, que é filho de Deus, encontra sempre em seu amor os elementos necessários à mudança do vestuário. A morte do corpo é essa mudança indispensável, porque a alma caminhará sempre, através de outras experiências até que consiga a imprescindível provisão de luz para a estrada definitiva  no Reino de Deus, com toda a perfeição conquistada ao longo dos rudes caminhos. 
Então, André perguntou-lhe: - Mestre, já que o corpo é como que a roupa material das almas, por que não somos todos iguais no mundo? Vejo belos jovens, junto a aleijados e paralíticos...
- Acaso não tenho ensinado, disse Jesus, que tem de chorar todo aquele que se transforma em instrumento de escândalo? Cada alma conduz consigo mesma o inferno ou o céu que edificou no âmago da consciência. Seria justo conceder-se uma segunda veste mais perfeita e mais bela ao Espírito rebelde que estragou a primeira? Que diríamos da sabedoria de Nosso Pai, se facultasse as possibilidades mais preciosas aos que as utilizaram na véspera para o roubo, o assassínio, a destruição? Os que abusaram da túnica da riqueza vestirão depois as dos fâmulos e escravos mais humildes, como as mãos que feriram podem vir a ser cortadas.
- Senhor, compreendo agora o mecanismo do resgate, murmurou Tiago. Mas, observo que, desse modo, o mundo precisará sempre do clima do escândalo e do sofrimento, desde que o devedor, para saldar seu débito, não poderá fazê-lo sem que outro lhe tome o lugar com a mesma dívida.
Jesus, então, perguntou:
- Dentro da lei de Moisés, como se verifica o processo da redenção?
Tiago respondeu: - Também está escrito que o homem pagará “olho por olho, dente por dente”.
- Também tu, Tiago estás procedendo como Nicodemos, replicou Jesus. Como todos os homens, aliás, tens raciocinado, mas não tens sentido. Ainda não ponderaste, talvez, que o primeiro mandamento da lei é uma determinação de amor. Acima do “não adulterarás”, do “não cobiçarás”, está o “amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o coração e de todo o entendimento”. Como poderá alguém amar o Pai, aborrecendo-lhe a obra? Contudo, não estranho a exiguidade de visão espiritual com que examinaste o texto dos profetas. Todas as criaturas hão feito o mesmo. Investigando as revelações do céu com o egoísmo que lhes é próprio, organizaram a justiça como o edifício mais alto do idealismo humano. E, entretanto, coloco o amor acima da justiça do mundo e tenho ensinado que só ele cobre a multidão dos pecados.  Se nos prendemos à lei de talião, somos obrigados a reconhecer que onde existe um assassino haverá, mais tarde, um homem que necessita ser assassinado; com a lei do amor, porém, compreendemos que o verdugo e a vítima são dois irmãos, filhos de um mesmo Pai. Basta que ambos sintam isso para que a fraternidade divina afaste os fantasmas do escândalo e do sofrimento.
(Espírito Humberto de Campos-Boa Nova-Chico Xavier)

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