Reencarnação – Transmigração Progressiva
Sendo o Espírito criado simples e ignorante, aos poucos vai percorrendo os caminhos de sua evolução. Pouco a pouco desenvolve sua inteligência. Ninguém pode tornar-se Espírito puro em apenas algumas encarnações. Necessitamos de milhares de encarnações para atingirmos a perfeição. Somente após várias encarnações ou depurações sucessivas, num tempo mais ou menos longo, e de acordo com seus esforços, que os Espíritos atingem o objetivo a que estão destinados. Mas, a perfeição da Terra, por exemplo, é relativa, não é a perfeição absoluta. Em cada planeta atingimos a perfeição que o mesmo comporta. Como disseram os Espíritos Superiores a Kardec, “o Espírito deve avançar em ciência e em moralidade”.
Explica Kardec que “a marcha dos Espíritos é progressiva, jamais retrógrada. Eles se elevam gradualmente na hierarquia e não descem da categoria que já alcançaram. Nas diferentes existências corporais podem descer como homens, mas não como Espíritos. Assim, a alma de um potentado da Terra pode, mais tarde, animar o mais modesto artesão e vice-versa, porque as posições entre os homens, frequentemente, estão na razão inversa da elevação dos sentimentos morais. Herodes era rei, Jesus, carpinteiro”.
Diz-nos Kardec que “o princípio da reencarnação é uma consequência necessária da lei de progresso. Sem a reencarnação, como se explicaria a diferença que existe entre o presente estado social e o dos tempos de barbárie? Se as almas são criadas ao mesmo tempo que os corpos, as que nascem hoje são tão novas, tão primitivas, quanto as que viviam há mil anos; acrescentemos que nenhuma conexão haveria entre elas, nenhuma relação necessária; seriam de todo estranhas umas às outras. Por que, então, as de hoje haviam de ser melhor dotadas por Deus, do que as que as precederam? Por que têm aquelas melhor compreensão? Por que possuem instintos mais apurados, costumes mais brandos? Por que têm a intuição de certas coisas, sem as haverem aprendido? Duvidamos de que alguém saia desses dilemas, a menos que admita que Deus cria almas de diversas qualidades, de acordo com os tempos e lugares, proposição inconciliável com a ideia de uma justiça soberana. Admiti, ao contrário, que as almas de agora já viveram, em tempos distantes; que possivelmente foram bárbaras como os séculos em que estiveram no mundo, mas que progrediram; que para cada nova existência trazem o que adquiriram nas existências precedentes; que, por conseguinte, as dos tempos civilizados não são almas criadas mais perfeitas, porém, que se aperfeiçoaram por si mesmas com o tempo, e tereis a única explicação plausível da causa do progresso social. Tudo na criação tem uma finalidade, sem o que Deus não seria nem prudente, nem sábio. Ora, se a Terra se destinasse a ser uma única etapa do progresso para cada indivíduo, que utilidade haveria, para os Espíritos das crianças que morrem em tenra idade, vir passar aí alguns anos, alguns meses, algumas horas, durante as quais nada podem haurir dele? O mesmo ocorre se pondere com referência aos idiotas e aos cretinos. Uma teoria somente é boa sob a condição de resolver todas as questões a que diz respeito. A questão das mortes prematuras há sido uma pedra de tropeço para todas as doutrinas, exceto para a Doutrina Espírita, que a resolveu de maneira racional e completa. Para o progresso daqueles que cumprem na Terra uma missão normal, há vantagem real em volverem ao mesmo meio para aí continuarem o que deixaram inacabado, muitas vezes na mesma família ou em contato com as mesmas pessoas, a fim de repararem o mal que tenham feito, ou de sofrerem a pena de talião”. (Questões 189 a 196 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec; Cap. XI, 33 A 49, de A Gênese, de Allan Kardec; Cap. IV, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec)
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