A Ajuda
Após a reunião de estudos na instituição espírita, Camilo e Nataniel caminhavam vagarosamente de volta à casa, impressionados ainda pelas lições estudadas.
O tema versado fora a caridade, o serviço do bem. Sucederam-se comentários enriquecedores. Apartes estimulantes. Opiniões esclarecedoras. No final, a conclusão objetiva de que o amor ao próximo e a ajuda aos necessitados são bússolas preciosas no trajeto evolutivo de todos.
Camilo comentava, desanimado:
Que tenho eu para oferecer ao próximo? Nem dinheiro, nem saber. Sou uma nulidade.
Nataniel respondia:
Não é verdade. Ainda que desprovidos de recursos, sempre temos algo de nós mesmos para ofertar a alguém.
A conversa prosseguia nesse tom, quando chegaram à praça, próxima à rua em que ambos residiam. Passava das vinte e três horas. O vento anunciava a chuva pesada.
Ao atravessarem o centro da praça, junto ao coreto, depararam com pobre homem, já idoso, encolhido e gemendo baixinho.
Algumas perguntas depois, os dois companheiros se inteiraram da situação. O desconhecido estava de passagem pela cidade, mas fora acometido de forte dor no peito. Estava sem recursos. Não conhecia ninguém. Na baldeação, perdera o último ônibus.
Após rápida troca de ideias com o amigo, Camilo usou o telefone público mais próximo e solicitou a ambulância do serviço de saúde. Em pouco tempo, o socorro chegou.
Reiniciando a caminhada, reataram o assunto que vinham discutindo, e Nataniel ponderou:
A riqueza e o saber são preciosas ferramentas a serviço do bem. Contudo, para socorrer agora nosso irmão, não precisamos de dinheiro, nem de cultura. Só de boa vontade e disposição de servir.
Camilo ouviu em silêncio, limitando-se a sorrir com amizade e gratidão.
(Espírito Hilário Silva-Novas Histórias-Antônio Baduy Filho)
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