segunda-feira, 8 de novembro de 2021

 A Ajuda


Após a reunião de estudos na instituição espírita, Camilo e Nataniel caminhavam vagarosamente de volta à casa, impressionados ainda pelas lições estudadas.

O tema versado fora a caridade, o serviço do bem. Sucederam-se comentários enriquecedores. Apartes estimulantes. Opiniões esclarecedoras. No final, a conclusão objetiva de que o amor ao próximo e a ajuda aos necessitados são bússolas preciosas no trajeto evolutivo de todos.

Camilo comentava, desanimado:

  • Que tenho eu para oferecer ao próximo? Nem dinheiro, nem saber. Sou uma nulidade.

Nataniel respondia:

  • Não é verdade. Ainda que desprovidos de recursos, sempre temos algo de nós mesmos para ofertar a alguém.

A conversa prosseguia nesse tom, quando chegaram à praça, próxima à rua em que ambos residiam. Passava das vinte e três horas. O vento anunciava a chuva pesada.

Ao atravessarem o centro da praça, junto ao coreto, depararam com pobre homem, já idoso, encolhido e gemendo baixinho.

Algumas perguntas depois, os dois companheiros se inteiraram da situação. O desconhecido estava de passagem pela cidade, mas fora acometido de forte dor no peito. Estava sem recursos. Não conhecia ninguém. Na baldeação, perdera o último ônibus.

Após rápida troca de ideias com o amigo, Camilo usou o telefone público mais próximo e solicitou a ambulância do serviço de saúde. Em pouco tempo, o socorro chegou.

Reiniciando a caminhada, reataram o assunto que vinham discutindo, e Nataniel ponderou:

  • A riqueza e o saber são preciosas ferramentas a serviço do bem. Contudo, para socorrer agora nosso irmão, não precisamos de dinheiro, nem de cultura. Só de boa vontade e disposição de servir.

Camilo ouviu em silêncio, limitando-se a sorrir com amizade e gratidão.

(Espírito Hilário Silva-Novas Histórias-Antônio Baduy Filho)


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