sábado, 6 de novembro de 2021

 O Cano Humilde


A luxuosa mansão era realmente de excepcional beleza.

Brancas e altas colunas lhe adornavam a entrada suntuosa.

Jardins bem cuidados exibiam flores e grama verdejante.

Repuxos e estatuetas se erguiam em pontos diversos, enfeitando o gramado.

Mármores, em arranjos de bom gosto, forravam a escada principal.

No interior, a decoração se revelava exuberante. 

Tapetes fofos e coloridos.

Cortinas delicadas e estofados de veludo.

Porcelana e cristais, entremeados de baixelas de prata.

Entretanto, lá fora, ignorado por todos e escondido sob a terra, passava humilde cano d’água, alimentando toda a residência com o precioso líquido.


Não menosprezemos as tarefas humildes, que a Providência Divina nos oferta por misericórdia.

Comumente, lamentamos o serviço ou as situações em que nos encontramos, aspirando sempre as posições de relevo, enfeitadas de popularidade.

Contudo, saibamos compreender a Sabedoria de Deus, porque, se as flores, entre a brisa e o sol, são admiradas pelo perfume e colorido que ostentam, tudo isso se deve ao trabalho anônimo das raízes.

(Espírito Valérium-Histórias da Vida-Antônio Baduy Filho)


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