O Cano Humilde
A luxuosa mansão era realmente de excepcional beleza.
Brancas e altas colunas lhe adornavam a entrada suntuosa.
Jardins bem cuidados exibiam flores e grama verdejante.
Repuxos e estatuetas se erguiam em pontos diversos, enfeitando o gramado.
Mármores, em arranjos de bom gosto, forravam a escada principal.
No interior, a decoração se revelava exuberante.
Tapetes fofos e coloridos.
Cortinas delicadas e estofados de veludo.
Porcelana e cristais, entremeados de baixelas de prata.
Entretanto, lá fora, ignorado por todos e escondido sob a terra, passava humilde cano d’água, alimentando toda a residência com o precioso líquido.
Não menosprezemos as tarefas humildes, que a Providência Divina nos oferta por misericórdia.
Comumente, lamentamos o serviço ou as situações em que nos encontramos, aspirando sempre as posições de relevo, enfeitadas de popularidade.
Contudo, saibamos compreender a Sabedoria de Deus, porque, se as flores, entre a brisa e o sol, são admiradas pelo perfume e colorido que ostentam, tudo isso se deve ao trabalho anônimo das raízes.
(Espírito Valérium-Histórias da Vida-Antônio Baduy Filho)
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