segunda-feira, 19 de outubro de 2020

 Panorama do Além


No Além-túmulo o Espírito descobre-se dotado de um corpo idêntico ao que carregou em sua última experiência terrena. Palpita-lhe o coração; arfam-lhe os pulmões; movem-se as pernas; os olhos recolhem as imagens, no processo de raios luminosos; seu tato está inteiramente vivo; sua audição é a que sustentava na Terra; o chão é sólido e palpável; portas e paredes oferecem-lhe resistências. Os seus problemas psíquicos continuam profundamente reais… Tem rasgos de piedade e momentos de cólera. Sente ciúmes e impulsos do sexo.

Descobre povoações e cidades, com hospitais e escolas, com grupos de socorro e hordas de malfeitores, com lares organizados e famílias constituídas.

Apenas o que entre os homens era força de expressão, lá corresponde a uma realidade inarredável e amargosa, ou deliciosa e sublime.

  • Ele se afundou na lama do vício!

O viciado efetivamente encontra-se mergulhado numa lama proveniente de suas emanações mentais desequilibradas. 

  • É um monstro de maldade!

A transfiguração perispiritual das almas compromissadas em crimes conhecidos ou crimes ignorados da justiça comum imprime no criminoso o entalhe grotesco da animalidade inferior a que se une.

  • É bonita por fora, mas por dentro…

Criaturas tais, modelos de beleza física e desequilibradas morais, despejadas do casulo da carne surgem como bruxas fantasmagóricas, enlouquecidas pelos desejos insanos e pela deformação de caráter.

  • Um anjo de bondade!

Define bem, essa afirmação, a situação na Espiritualidade de almas plenas de ternura, em que o amor promana de si espontaneamente, embora sua posição social, seus recursos financeiros, sua cultura acadêmica nem sempre tenham sido os mais avantajados.

O panorama visto no Além é o mesmo da sociedade humana atual, com seus problemas e suas soluções, apenas sem a máscara de carne que nos abençoa em nossa explosões de cólera ou em nossos ensaios de humildade, em nosso egoísmo doloroso ou nas demonstrações de nosso amor.

As escolas de aprendizagem e os grupos de trabalhos no Além, não chegam a atrair compulsoriamente os Espíritos, já que se lhes respeita o livre-arbítrio e já que toda elevação depende do anseio que o próprio homem permite germinar em seu coração. Assim como entre nós muitos se entregam às práticas violentas, às cenas de sangue para o exercício de suas emoções indisciplinadas, também no Além se repete a sustentação de seus pendores e de suas tendências normais.

A Espiritualidade não é uma região circunscrita e determinada no espaço. Significa apenas: além-carne, além-corpo e geograficamente começa dentro de nosso próprio lar, nas oficinas de trabalho, nos salões das sociedades, nas classes escolares, nos antros de vícios, localizando-se os Espíritos nos recintos que edificamos para nossas atividades cotidianas.

O conhecimento desse panorama é importante.

Possuídos de tais noções compreenderemos que o nosso atendimento aos necessitados de socorro e que nos procuram pelas vias mediúnicas deve ser objetivo e claro, com informações precisas e corretas, longe das orientações como:

  • Você está doente. Procure um hospital.

  • Ingresse nas escolas daí para aprender.

  • Você já morreu e não pode sentir dores.

(Roque Jacintho-Doutrinação)


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