sexta-feira, 2 de outubro de 2020

 A Luta do Bem Contra o Mal


Quem na Terra já lutou pela implantação ou pela manutenção das atividades espíritas nos grupos de fraternidade e amor, luz e fé, conhece bem as lutas que nos requisitam coragem e idealismo, perseverança e valor moral, a fim de que os interesses de Jesus triunfem em favor de todos.

Da Vida Espiritual, contudo, acompanhar, através da lida que nos é própria, a batalha da Causa Espírita-Cristã, é sentir o poder da Verdade, que na sabedoria e por infinito amor, revela a magnitude da vida e de seu autor: Nosso Pai.

José Grosso, nosso instrutor de todas as horas, convidou-nos tempos atrás a acompanhar e cooperar junto da equipe espiritual que daria suporte, por compromissos firmados desde muito, aos irmãos encarnados que fundariam um Centro Espírita, para a faina do esclarecimento e do trabalho em favor dos corações necessitados da Terra e do Além.

Festa de fraternidade e esperança, a inauguração contou com expoentes de vulto, derramando luzes cariciosas e profundamente evangélicas nos corações.

A equipe do mundo, nos primeiros passos da fundação, perfazia um total de dezoito pessoas - dez senhoras e oito cavalheiros.

À saída da reunião inaugural, quando uma Entidade mais abalizada deixou, pela mediunidade de um dos integrantes, alguns registros preciosos no terreno da conscientização, especialmente quanto à responsabilidade da empresa, o nosso amigo Zé salientou conosco, em particular:

  • Hoje, as trevas não vieram, porque o Grupo ainda é uma promessa; mas, acompanhemos o desdobrar dos serviços de instrução e assistência aos carentes, porque, com certeza, nossos infelizes irmãos contrários vão pressionar.


Filiamo-nos às equipes de trabalho por algum tempo e pudemos acompanhar a luta dos encarnados, cujo número se reduzia, de semana a semana, ao menor toque negativo dos irmãos da sombra, que buscavam envolvê-los em situações e provas no firme propósito de desviá-los.

Ao final de sete semanas, vamos encontrar apenas nove dos dezoito fundadores, em avaliação.

  • Irmão Salústio - dizia um deles ao dirigente - o senhor é o presidente da casa e deve resolver se desistimos ou avançamos...

Ao que o interpelado respondeu:

  • Devemos considerar juntos o compromisso; afinal, “somente uma andorinha não faz verão”...

Resolveram, após algumas notas de desencanto e insegurança, utilizar as faculdades mediúnicas de Dona Sabina, a fim de receberem instruções do Mentor.

Irmã Arminda - benemérita entidade ligada ao Grupo apresentou-se, bondosa.

  • Irmã - iniciou o dirigente do Centro - estamos em grandes lutas para conduzir o serviço. Como pode perceber, metade de nossa  equipe se dispersou, por motivos variados, e nós estamos resistindo. Sentimo-nos pressionados, incompreendidos, incertos quanto aos passos a dar no terreno fértil da fé espírita. O que nos sugere?

Com serenidade e nobreza, a mentora amiga asseverou:

  • Antes de tudo, como cristãos que somos, não podemos perder de vista o exemplo de Jesus em seu divino martirológio, a fim de exaltar a luz da redenção...

Dona Mariana, ansiosa cooperadora presente, quase interrompeu a frase da benfeitora, dizendo:

  • Irmã, Jesus já era perfeito e nós somos pequeninos; as trevas não nos dão trégua!...

A orientadora replicou:

  • Companheiros, Jesus é nosso modelo divino, guia infalível da Humanidade, mas não poderá, a passe de mágica, dentro da ideia falsa e simplista de conquista e redenção sem lutas, livrar-nos dos vícios que são acalentados por nosso invigilância e comodismo, todos os dias...

  • E as sombras, que maldosamente nos constrangem, agridem, pressionam… - retomou, aflita, Dona Mariana, em evidente atitude de resistência.

  • Minha irmã, as trevas que dominam os incautos do mundo, agem dentro da lei de sintonia. Recorde que a abelha operosa não ronda lixo em decomposição...

E deixando expressar pelo semblante da médium a tranquilidade de quem já ofereceu a solução efetiva, considerou em despedida respeitosa:

  • Como membro da equipe espiritual ligada aos destinos desta casa, devo lembrá-los que o Espiritismo - o Consolador prometido por Jesus - veio oferecer campo de trabalho e luta, que redundem em renovação e melhoria dos servidores e de quantos a eles se dirijam sedentos de luz e amor, fraternidade e arrimo. Se nossos companheiros não se sentem vocacionados à boa luta, que pelo sacrifício próprio exalta o bem na Terra, lamentamos profundamente. Contudo, se os irmãos desejam vencer pedras e espinheirais, seguiremos juntos, na certeza de que a jornada será áspera, mas gratificante; afinal, estaremos trabalhando as próprias dificuldades para defendermos o alicerce do Reino de Deus que, como podemos perceber, ainda não é deste mundo!...


Dois meses se passaram após aquela ocorrência e retornamos ao Grupo. Ali observamos um quadro diferente. Inúmeras tarefas em funcionamento: reuniões públicas de estudos e passes; sopa fraterna; campanha do quilo e do agasalho para as crianças pobres; evangelização de jovens e da infância; visitas a enfermos… A casa dotou-se de vibração dinâmica e consoladora.

Admirado, busquei o parecer de José Grosso que, mão em meu ombro, afirmou:

  • Pois é, Almir; a nossa Arminda deu-lhes o norte: contra as trevas íntimas e externas, só o Evangelho, que é sinônimo de trabalho e melhoria. Fenômeno chama a atenção, mas o amor constrói e educa!

(Espírito Almir Fontoura-Notícias do Bem-Wagner G. Paixão)


Nenhum comentário:

Postar um comentário