Ignorância e Veneno
O Coronel Jeremias Borba era conhecido fazendeiro da região. Fizera fortuna. Vivia confortavelmente, entretanto, nutria pavor por assuntos de cultura. Não frequentara a escola. Não sabia ler nem escrever.
Após enfermidade longa e cruciante, fizera-se espírita.
Jeremias - quem falava era o amigo e companheiro de doutrina, o Deodato - pensemos agora no enriquecimento intelectual da alma. Você venceu materialmente. Aprendeu a cultivar o bem. Cuidemos, então, das leituras, já que Deus lhe faculta existência folgada. Façamos uma tentativa.
Deus me livre de leituras - interrompia o coronel, agitado. - Nada quero com isso.
Mas, Jeremias - insistia o amigo - o Espiritismo ensina-nos o valor das aquisições da alma. Aprender a ler agora será economia de tempo na Vida Espiritual ou em existência posterior. Façamos a experiência. Procuraremos ajudá-lo em lições diárias, com hora marcada.
Agradeço - retrucava o coronel. - Nada de encher a cabeça com alfabeto. Quem viveu sem leitura até agora, não precisa mais dela.
O tempo passou. O coronel resistindo à ajuda dos amigos, até que correu a triste notícia. O velho fazendeiro fora encontrado morto, em sua própria casa. Envenenamento, diziam os médicos.
Os companheiros, pensando em suicídio, iniciaram averiguações. Entretanto, após algumas buscas, concluíram que o amigo, martirizado por terrível dor de cabeça, durante a noite, teria se dirigido à pequena farmácia, que ajuntara em casa, e ingerira grande dose de veneno. Verificaram, então, que o pobre homem, porque não soubera ler o rótulo do medicamento escolhido, fizera troca de frascos e assim, ao invés de ingerir o analgésico, havia tomado poderosa substância tóxica.
(Espírito Hilário Silva-Histórias da Vida-Antônio Baduy Filho)
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