Ir ao Cemitério
Como diriam os materialistas, ávidos de ostentação material, foi um enterro fantástico, extraordinário, deslumbrante, maravilhoso...
O falecido pertencia a uma casta familiar muito rica e com alto brilho social, razão por que o alarde de poder invadira as instâncias do campo santo.
As lindas e requintadas coroas de flores, dezenas de visitantes, todos muito bem vestidos e demonstrando singular "finesse" no comportamento junto ao ambiente onde estava sendo velado o morto.
D. Miriam e seu esposo Ariel, vizinhos de uma das noras do finado, não furtaram a essa obrigação social. Num momento, a fim de respirar novos ares, afastaram-se em direção de uma pracinha existente no interior da própria necrópole.
- Ariel, você viu que horror? Contei até agora vinte e sete coroas.
- Deixa isso pra lá, Miriam. Viemos aqui apenas para uma visitinha ao sogro da vizinha, não nos cabendo o direito de censurar o comportamento alheio.
- Mas, Ariel, insistiu Miriam, André Luiz sugere que não devemos gastar com coroas, velas, crepes, etc. Esse dinheiro poderia ser aplicado na ajuda aos irmãos carentes...
- Tudo bem, estou de acordo com você e com André Luiz, mas o que adianta o nosso venenoso comentário, se os familiares e amigos do falecido não pensam assim? - concluiu o ponderado Ariel.
Como previamente planejado, antes do horário antes do horário fixado para o enterro, o casal Ariel/Miriam retirou-se a fim de regressar ao lar. Entretanto, ao atravessar os umbrais do cemitério, algo passou a acontecer com D. Miriam. Parecia que alguém invisível apertava o seu pescoço, sentindo-se sufocada, com o rosto muito vermelho e reclamando falta de ar. Preocupado com a situação, o seu esposo estacionou perto de uma lanchonete, fazendo com que ela banhasse o rosto e tomasse água, café, etc. No entanto, ela permanecia aflita, alegando que ia morrer asfixiada. Saíram caminhando por entre alguns eucaliptos existentes ao redor do estabelecimento comercial e, aproveitando o ambiente natural, D. Miriam fez uma prece mental, pedindo socorro ao venerável Espírito Dr. Bezerra de Menezes. De imediato, percebeu a sua presença, para logo depois sentir como se alguém retirasse as mãos do seu pescoço, voltando a ficar boa e em paz.
Mais tarde, conversando com um amigo do Grupo Espírita que frequentava, esse asseverou:
- Minha irmã, tudo indica que um irmãozinho errante e inferior não tenha gostado de suas críticas ao funeral e daí resolveu contra-atacar com violência; sendo você sensitiva, registrou com mais intensidade a sua agressão.
Neste episódio, podemos nos ater a dois pontos importantes: primeiro, evitar a crítica mordaz a qualquer atitude colocada em prática pelo semelhante, já que cada criatura possui seus elementos admiradores invisíveis, prontos para aplaudir ou revidar os elogios e críticas dirigidas aos seus afins; em segundo, lembrar que o ambiente do cemitério é terrível, e sobre esse assunto, André Luiz comenta no seu livro "Obreiros da Vida Eterna":
"(...) Não pude sofrear o espanto que me tomou o coração. As grades da necrópole estavam cheias de gente da esfera invisível em gritaria ensurdecedora. Verdadeira concentração de vagabundos sem corpo físico apinhava-se à porta. Endereçavam ditério e piadas a longa fila de amigos do morto (...)"
No livro "Voltei", psicografado por Chico Xavier, assim se expressa o Irmão Jacob:
"Intensa curiosidade dominava-me as emoções, quando o cortejo estacou. Era a entrada para a necrópole, afinal. Todo o local se enchia de gente desencarnada. Francamente, intentei seguir para dentro, mas Bezerra, num abraço fraternal, recomendou compassivo:
- Meu amigo, não tente a lição agora. Recordemos a parábola e deixemos aos mortos o cuidado de enterrar os mortos (...)"
Isto posto, entendemos nós, os mortos vivos, quando temos premente necessidade de ir ao cemitério acompanhar parentes e amigos, tudo bem, devemos mesmo comparecer. Todavia, ir apenas por ir, é bom evitar. Não é lugar adequado, sendo que ali só permanecem por longo período os marginais do espaço. Se presentes nesse local, mais do que nunca, conservemos nossa mente na direção do bem, orando mentalmente.
(Jair R. Oliveira-Crer ou Não Crer)
Nenhum comentário:
Postar um comentário