Desagradável Surpresa
No livro "Além da Morte", psicografado por Divaldo Franco, o Espírito Otília Gonçalves conta-nos algumas dificuldades por ela vividas nos primeiros momentos de sua desencarnação:
"(...) Desejei abraçar-te (dirigindo-se à filha) mas, quando me dispunha a isso, erguiam o caixão que me conduzia o corpo. O pavor do momento foi-me superior à capacidade de calma e confiança. Procurei, no meu desespero, correr para longe daquela cena pungente que me feria e amargurava; todavia, cordões espessos e escuros ligavam-me aos despojos, arrastando-me com eles...
Reconheci as ruas por onde seguia o féretro, embora as notasse escuras e movimentadas, como se pesada sombra se abatesse sobre as casas, e multidão desvairada tivesse saído às calçadas. Escutei a voz dos transeuntes que pareciam revoltados, brandindo pedaços de madeira, como armas improvisadas. Alguns me ameaçavam e, vendo-me a expressão de horror, recuavam gargalhando como loucos libertos de sanatório nefando. Chegando ao cemitério, ouvi gritos e lamentações que me despedaçavam a alma. Às vezes, mais se assemelhavam a emissões animalescas, compunham musicalidade infernal, indescritível. Massa humana, de grotesca forma, cercavam-me o ataúde, comentando, zombeteira, a situação da recém-chegada:
- Será discípula do Cordeiro ou irá engrossar nossas fileiras? - disse alguém com sarcasmo.
Examinemo-lhe as emanações - retorquiu outro.
- Cuidado com os vigilantes "miseráveis"! Advertiu um terceiro.
- Deve ser alguma "pobre ovelha do rebanho"! - exclamou mais alguém. E com a mesma voz:
- Olhem as defesas que a envolvem...
- Não nos impacientemos - gritou o primeiro.
- Saibamos esperar e aguardemos os acontecimentos. Deixemos que os "comparsas da fé" lamuriem os apelos ao Chefe e seus "sequazes".
- Tudo aquilo era um fenômeno novo e horripilante. Aconcheguei-me ao caixão, desejando arrebatá-lo e fugir dali com o fardo das minhas carnes."
Pela narrativa da irmã Otília, podemos notar que sempre estamos expostos a sérios perigos. Como encarnados, por onde caminhamos, podemos ser assaltados e agredidos. A mesma coisa pode acontecer ao Espírito desencarnado.
Se tanto aqui como lá corremos riscos, que tipo de arma podemos usar para nos defender?
"Orai sem cessar. Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." (Paulo I - Tess. 5:17-18)
Parece-nos que o conselho do apóstolo Paulo constitui a arma protetora de que tanto necessitamos. A prece pode evitar que sejamos assaltados tanto aqui na Terra como no chamado Mundo dos Espíritos. Entretanto, ela deve ser precedida de uma vida reta, caso contrário, deixamos de merecer as misericordiosas defesas espirituais.
(Jair R. Oliveira-Crer ou Não Crer)
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